Desilusão a conta gotas / Carta de Pierre Bourdieu

Há dias, submetive-me a uma plataforma “administrativa”. Foi complicado provar quem era e de onde vinha. Não o fazia há décadas. Não encontrei nem diploma de doutoramento nem certidão de agregação. A maior parte dos papéis dormiam em caixotes por motivo de obras em casa e não me dispus a acordá-os. Encontrei um certificado do doutoramento e desisti de ser agregado.
Há males que vêm por bem! Tive a fortuna de deparar com uma carta tresmalhada do Pierre Bourdieu, que anexo. Compensou, mas também ensimesmou. Não consegui evitar uma pergunta recorrente:
O que me motivou, em 1982, a regressar a Braga para marinar profissionalmente durante 39 anos numa desilusão a conta gotas?

Convidado em 1981, resisti. Em Paris, tinha emprego, estava a fazer doutoramento e acalentava boas perspetivas.
Em 1982, acabei por seguir as pegadas de centenas de milhares de compatriotas. Mas esta resposta genérica não me satisfaz. Cada um é um caso e existem nadas que fazem grandes diferenças: os tais “efeitos borboleta”. Por exemplo, desamores lá e amizades cá.

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Uma honrra e privilégio essa carta!