Jovens para sempre

A representação social das “idades da vida” muda substantivamente consoante os períodos históricos. A imagem da velhice conheceu, assim, altos e baixos. Desde há poucas décadas, assiste-se, por vários motivos, à sua “revalorização” e “revitalização, senão “rejuvenescimento”.
Observa-se o fenómeno em vários domínios, nomeadamente a publicidade, por exemplo nos anúncios “Unlimited Youth”, de 2016, no artigo A Juventude não tem idade, e “Years of Magic”, de 2018, no artigo A segunda juventude: os super avós. Em alguns casos, frisa-se a hipérbole, quase o delírio, como no anúncio “Aidez-nous à sauver des vies”, de 2017, no artigo A Super Avó, que lembra, precisamente, a série Super Gran, dos anos oitenta.
Por uma Sociologia da Beleza

Por que motivo não existe uma sociologia da beleza? A sociologia engloba tantas especialidades: o corpo, a moda, o lazer, o desporto, o quotidiano, a família, o género, a educação, a arte, a cultura, o poder, as desigualdades, o envelhecimento, a comunicação, as minorias… E não sobra um lugar para uma sociologia da beleza.
Sinto a falta de uma sociologia da beleza. Ajudaria a perceber, por exemplo, o anúncio “Encontro”, da empresa brasileira Marisa (…) Tanta beleza! Só beleza. Com preguiça mental, deduzo que aquela roupa exibida pelos modelos se destina a mulheres igualmente belas. Será que a beleza das modelos influencia a escolha das pessoas? Por toque de beleza? Um “não-sei-quê” que faz a diferença? Por magia? A beleza é dúctil como o ouro.
Originalidade indigesta

“Lembram-se das capas dos álbuns dos Penguin Cafe Orchestra? Humanóides com cabeça de pinguim em movimentos parados. Os Penguin Café Orchestra são um testemunho de que, muitas vezes, a originalidade é um opção para o esquecimento. Preferimos adubar a inteligência com mais do mesmo, de preferência, com certificação ISO. A originalidade é indigesta” (https://tendimag.com/2020/10/09/pinguins-2/).
Sonolência

A rotina é uma sonolência ou, pelo menos, um enfraquecimento da consciência do tempo (Thomas Mann, A Montanha Mágica, 1924)
Este dois artigos convidam a começar o dia com Crisis? What Crisis?, dos Supertramp, e A Montanha Mágica, do Thomas Mann.
A escutar e ler de preferência numa espreguiçadeira em casa, no campo ou na praia. De modo algum, numa lixeira ou num sanatório.
Resmas de gatos com música electrónica

Pensei adiar o artigo Aqui há gato! (2016) para amanhã de modo a acordar com música eletrónica recheada com um anúncio fabuloso e imagens felinas. As canções são da banda francesa Space, cujo single ‘Magic Fly’ foi nº 1 na Alemanha e na Suiça e nº 2 na Inglaterra. O álbum homónimo chegou a 11º lugar em Londres. Em 1977, lançaram o álbum ‘Deliverance’ bem recebido em Portugal”. Entretanto, seduziu-me outro despertador.
Naturalidades

Com o recurso à Inteligência Artificial, designadamente às potencialidades de animação, namora-se a hiper-realidade: a ilusão adquire outra vida e espessura. O anúncio “Give life some juice”, da Tropicana parece, assim, “natural” (como o sumo?). Simula a perfeição, “sem ponta por onde se lhe peque”, a não ser “dando-lhe a volta”, refrescando as ideias e os sentidos.
René Magritte – Tempo trespassado, 1938




