Naturalidades

Com o recurso à Inteligência Artificial, designadamente às potencialidades de animação, namora-se a hiper-realidade: a ilusão adquire outra vida e espessura. O anúncio “Give life some juice”, da Tropicana parece, assim, “natural” (como o sumo?). Simula a perfeição, “sem ponta por onde se lhe peque”, a não ser “dando-lhe a volta”, refrescando as ideias e os sentidos.
René Magritte – Tempo trespassado, 1938
Fantasias

Tenho afazeres, mas não me apetece cumpri-los. Ficam para depois. Não sei se esta alergia a obrigações é ónus ou bónus da idade. Entretanto, entrenho-me a ver anúncios, por exemplo da agência de publicidade francesa BETC. Nada como o sonho e a imaginação.
Imagem: Betc – Agence de Publicite, global advertising agency. BIS Publishers. 2008
Morte Encalhada
Algumas fealdades são mais atraentes do que a beleza comum (Juliette Benzoni).
Testar um sentimento não é namoro que se evapore num ápice. Arrisca agudizar-se ou alastrar-se. A disforia das fragâncias do inferno de Sharon Kovacs pode ressoar, por exemplo, no videojogo Death Stranding, uma deambulação entre a vida e a morte num mundo catastrófico, com forças ocultas, ameaças assombrosas e seres disformes, embalado numa estética épica do feio e do mal, apostada em ambientes deslumbrantes e músicas envolventes.
A estreia do videojogo Death Stranding 2: On the Beach está anunciada para o próximo mês de junho. Segue um trailer.
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Sim, há seres disformes, ameaças assombrosas, mas estas novas gerações o que esperam do mundo afinal? Creio serem metáforas de tudo o que vivemos e do que receamos. É recriado um mundo apocalíptico, mas onde ainda peŕsiste o bem e o mal. Nem as asas são dispensadas, as brancas e as negras. E sobretudo, o amor tem o seu lugar incondicional, com novos heróis e heroínas a combater o mal. Ou o combatem ou são aniquilados. Tudo, pareceu-me, para salvar uma inocência renascida, o bebé protegido a todo o custo, ou seja, o fruto do amor e da vida. Um recomeço.
Não sou fã deste tipo de alegorias mas entendo a necessidade destes novos jovens que, na sua maioria, só vêem desalento, incertezas, guerras e genocídios aceites tacitamente, solidão e não pertença, o horizonte não é mais o mesmo. Necessitam cruzar portas imaginárias onde conseguem ver beleza, amor e uma verdadeira luta, não com o invisível das suas vidas, mas monstros e morte personificadas. Porque a vida só tem sentido encarando toda a obscuridade dos demónios, os de dentro e os de fora, e a morte só é vencida quando a vida faz sentido.
Faz sentido? (Almerinda Van Der Giezen, 22.03.2025)
Criatividades

Inteirei-me, graças ao Fernando, que o filme Ghost In The Shell (1995), um anime de culto, influenciou o filme Matrix (1999).
As irmãs Lilly e Lana Wachowski, realizadoras de Matrix, assumem, aliás, esta inspiração.
Segue a abertura com os créditos de Ghost In The Shell, a que acrescento o episódio com o despertar de Neo.
Virtualidades e Virtudes da Inteligência Artificial
IA, o que podes? IA, para que serves? IA, para que te quero?
O Fernando trouxe-me um pequeno elemento, um princípio, de resposta. Para ouvir, ver e cogitar…
Amigos imaginários

Promovida em jeito de anúncio de Natal, The Boy & The Octopus é uma curta-metragem “mais-que-perfeita” da Disney. Caprichada, carinhosa e criativa quanto baste, inspira-se noutras figuras infantis “mais-que-célebres”. A amizade, imaginária ou não, costuma ser boa companhia. Amigos imaginários, quem os não teve?
O que é um amigo imaginário?
Dito pelo ChatGPT:
ChatGPT
“Um amigo imaginário é uma figura criada pela imaginação de uma pessoa, geralmente uma criança, que interage com ela como se fosse uma entidade real. Esse “amigo” pode ter uma forma específica (humana, animal, ou até algo completamente fantástico) e desempenhar um papel importante no mundo interno e nas brincadeiras da criança.
Características de um amigo imaginário:
- Criação subjetiva: Ele existe apenas na mente de quem o cria [Mas pode ser percebido como real].
- Companheirismo: Muitas vezes, o amigo imaginário serve como um confidente ou parceiro para aventuras imaginativas.
- Flexibilidade: Ele pode mudar de personalidade, aparência ou função de acordo com as necessidades e criatividade da criança.
- Função emocional: Oferece conforto, ajuda a lidar com sentimentos ou situações difíceis, como solidão, medo ou mudanças.
Por que as crianças criam amigos imaginários?
• Desenvolvimento da criatividade: É uma manifestação natural da imaginação e da habilidade de criar histórias.
• Exploração social: Permite que a criança pratique interações sociais e explore conceitos como amizade e resolução de conflitos.
• Autonomia emocional: O amigo imaginário pode ajudar a criança a processar emoções e desenvolver uma compreensão do mundo ao seu redor.
O amigo imaginário é algo normal?
Sim, é absolutamente normal, especialmente em crianças entre os 2 e 7 anos. Não é sinal de problemas psicológicos; pelo contrário, pode indicar uma mente criativa e saudável. Em alguns casos, até adultos podem ter figuras imaginárias para refletir ou lidar com situações emocionais.
Esses amigos costumam desaparecer com o tempo, geralmente quando a criança cresce e começa a investir mais nas relações reais” (ChatGPT, 19.11.2024).
Wall-E e E.T.

O que concorre para que máquinas como o Wall-E ou monstrinhos como o E.T. nos fiquem cravados na memória?
Seguem duas compilações produzidas por JoBlo Animated Videos: uma com excertos do filme Wall-E, a outra com trailers do filme E.T.
Imagem: E.T. e Wall-E – Fonte: Deviant Art
Walking in the (b)rain

Volta e meia, a Apple promove anúncios que visam a prevenção contra ameaças totalitárias. Por exemplo, “Data Auction” (https://tendimag.com/2023/01/08/pela-translucidez/) ou “1984” (https://tendimag.com/2017/10/30/o-martelo-da-revolta/). A maçã da sapiência contra o Big Brother! Na verdade, somos observados, filtrados e manipulados a toda a hora em qualquer lugar. No anúncio “Flock”, câmeras de vigilância metálicas substituem os corvos do filme de Hitchcock. É motivo para acrescentar: They are walking in the (b)rain.
Loura e pura
A cerveja, como o tabaco, pode ser um vício de estimação. Uma loura, o outro moreno. Surpreendentemente, ambos podem ser “puros”. Se não é alérgico ao prazer, à beleza, à fantasia e ao disparate, convido-o a saborear estes três anúncios da marca Pure Blonde. Divirta-se! Hoje, domingo, é dia de oração mas também de recreação.
Continuar a andar

Acabei um texto, “Quando a esmola é grande. A industrialização do interior”, para um jornal e estou a acabar a revisão de outro, “A melancolia académica na viragem do milénio”, para o prefácio de um livro. Andavam atravessados a desviar-me. Para já, retomo o meu andar. Devagar, não obstante o futuro não esperar.
Marca: Johnnie Walker. Título: Human (The Android). Agência: BBH London. Direção: Dante Ariola. Reino Unido, 2006.
