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Quase nadas e esculturas gigantescas

CIF – O Cristo Redentor, 2014
Pequenos nadas. Tendências do Imaginário, 26.08.2015

Jovens para sempre

A representação social das “idades da vida” muda substantivamente consoante os períodos históricos. A imagem da velhice conheceu, assim, altos e baixos. Desde há poucas décadas, assiste-se, por vários motivos, à sua “revalorização” e “revitalização, senão “rejuvenescimento”.

Observa-se o fenómeno em vários domínios, nomeadamente a publicidade, por exemplo nos anúncios “Unlimited Youth”, de 2016, no artigo A Juventude não tem idade, e “Years of Magic”, de 2018, no artigo A segunda juventude: os super avós. Em alguns casos, frisa-se a hipérbole, quase o delírio, como no anúncio “Aidez-nous à sauver des vies”, de 2017, no artigo A Super Avó, que lembra, precisamente, a série Super Gran, dos anos oitenta.

A juventude não tem idade. Tendências do Imaginário, 19.08.2016
A segunda juventude: os super avós. Tendências do Imaginário, 13.05.2018
A Super Avó. Tendências do Imaginário, 12.06.2017

A Mãe, o Sol e a Lua

A Virgem Maria costuma ser associada ao sol, à lua e às estrelas, nomeadamente nas imagens como Virgem do Apocalipse e Virgem da Lua Crescente. Na imagem da Virgem da Humildade de Fra Paolo Serafini da Modena, o redondo no canto inferior esquerdo parece representar um eclipse.

Há dias, no 9 de agosto, foi o dia dos pais no Brasil. “Só não são todos dias da mãe porque alguém se lembrou de decretar um dia especial. A relação com a mãe desdobra-se numa tensão entre união e separação, em que vibram as cordas tangíveis do coração: sensação, sentimento e emoção. Com a emigração e com a guerra colonial, exacerbou-se esta tensão. Multiplicaram-se os poemas e as canções. Poemas e canções que faziam chorar, perto e longe. Há pessoas que ainda agora se comovem ao ouvir estas músicas.”

A Mãe e a Guerra. Tendências do Imaginário, 12.08.2018

Pai afasta de mim esse cálice

À Eliane

Chique Buarque

Creio que estou prestes a terminar um malogrado procedimento burocrático. “Pai afasta de mim esse cálice”! Por algum tempo, porque desta merdificação pátria ninguém se pode estimar definitivamente livre.

Chico Buarque e Milton Nascimento – Cálice. Original: 1973. “Chico Buarque Especial”, pela Rede Bandeirantes, em 25 de dezembro de 1978
Chico Buarque – Construção. Construção, 1971. Vídeo oficial
Milton Nascimento e Chico Buarque – O que será. Meus caros amigos, 1976. Programa Chico & Caetano, série especial da Rede Globo exibido em 14/03/87

Coração e cabeça

Sejam quais forem as cores com que pintemos o mundo, assim como os estômagos com que o digerimos, convém não esqucer de aconchegar o coração (artigo É sempre dia de ser filho, 02.08.2017) e exercitar as células cinzentas (artigo Modernidades, 02.08.2018).

Aos mortos

James Ensor – Skeleton Musicians, 1907. Coleção privada

No que respeita ao interesse e à diversidade dos artigos, o primeiro de agosto manifesta-se fértil. Prodiga músicas, anúncios, sexo… Faltam os mortos, esqueléticos ou não. Os artigos Minimalismo corporal, de 2017, e Carta aos mortos, de 2018, vêm colmatar essa falha.

Descorar

Edvard Munch – Melancolia. Presumivelmente 1892. Museu Nacional de Arte. Oslo

La Mélancolie

C’est un’ rue barrée
C’est c’qu’on peut pas dire
C’est dix ans d’purée
Dans un souvenir
C’est ce qu’on voudrait
Sans devoir choisir
La mélancolie

C’est un chat perdu
Qu’on croit retrouvé
C’est un chien de plus
Dans le mond’ qu’on sait
C’est un nom de rue
Où l’on va jamais
La mélancolie
(Léo Ferré)

A Melancolia

É uma rua bloqueada
É aquilo que não pode ser dito
São dez anos de massagem
Envoltos numa recordação
É aquilo que desejaríamos
Sem ter de escolher
A melancolia

É um gato perdido
Que se acredita ter reencontrado
É mais um cachorro
No mundo que se sabe
É um nome de rua
Onde nunca se vai
A Melancolia
(Tradução livre)

Umbigos

Salvador Dali. Metamorfose de Narciso, 1937. Tate Modern de Londres

Segundo Sigmund Freud, à fase oral, segue-se a fase anal; pelos vistos, há quem fique bloqueado entre as duas, ao nível do umbigo, na fase umbilical (a partir de Guy Bedos)

Junto os artigos Umbilicados, narcisistas e egoístas (16.07.2018), Avatar narcisista (10.12.2017) e Nota de rodapé (26.11.2016).

Diagonalização do Poder

Padrãodo Descobrimentos com identificação das figuras. Lado Leste. Por Walrasiad

Le rire est une bouée de sauvetage / O riso é uma bóia de salvação (Michel Serrault)
Le rire libère l’homme de la peur / O riso liberta o homem do medo (Dario Fo)

O artigo Hierarquias na horizontal, colocado no Tendências do Imaginário no dia 14 de julho de 2018 inspira-se no maneirismo seiscentista. Como diriam os medievais francófonos, é uma drôlerie (gracejo), um sintoma, talvez, de quem tem muito tempo no presente e pouco pela frente.

Padrão dos Descobrimentos com identificação das figuras. Lado Oeste

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Michel Sardou – Le France. Michel Sardou, 1976