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Salvem um americano

 

speakwell

Save an American é um anúncio oportunista e desinibido. Uma dupla paródia: das reportagens e das campanhas de sensibilização. “Aprendam inglês para salvar um americano”! A Speakwell agradece.

Rir com os americanos, designadamente com a Trumplândia, é uma coisa, arriscar a face é outra. Nesta vertente, o trago pende para o amargo. E se, em vez dos americanos, fossem os refugiados do Médio Oriente ou do Norte de África? Instaura-se um certo desconforto. Tanto mais que o primeiro mote do anúncio é: “Gloryparis decidiu ajudar aqueles que precisam”. A caricatura da hospitalidade suscita reservas.

De qualquer modo, nem a escola Speakwell nem a agência Gloryparis são responsáveis pelos acontecimentos no Médio Oriente e no Norte de África. Tão pouco pelas políticas ocidentais, incluindo as europeias. Com ou sem peneira, importa não desviar o olhar do sol, por muito que magoe a vista. A criticar e criticar, o mais avisado é criticar os responsáveis. De ecos e ressonâncias de compressas mediáticas está o mundo cheio.

Diz-se que “o humor mata”; convém acrescentar que mata pouco; muito, muito, mas mesmo muito pouco. Se alguém tem pressa em arregimentar a criatividade, que deixe o humor para último lugar, porque quando o humor se calar, o homem já está mudo. Se o humor mata pouco, a “censura”, sensata ou não, intoxica muito.

Marca: Speakwell. Título: Save an American. Agência: Gloryparis. Direcção: Laurent Stinus. França, Janeiro 2017.

Sociologia sem palavras 14. O povo.

CARTAZ-DO-FILME-MARIA-PAPOILA (1)Da Beira Alta rumo a Lisboa, seguem no comboio Maria Papoila, de condição humilde, em 3ª classe, e o filho do médico da aldeia, em 1ª classe. Ela vai tentar a sua sorte, ele, prestar serviço militar. O povo enche, alegrete, a 3ª classe; ao filho do médico, solitário em 1ª classe, tudo o incomoda. O filme Maria Papoila, de Leitão de Barros, estreou em 1938, ano do concurso da aldeia mais portuguesa de Portugal. Este excerto mostra como, nos anos 1930, se representava, em Portugal, o povo, as desigualdades sociais, a migração para a capital e a actividade hoteleira em Lisboa.

Maria Papoila. Leitão de Barros. 1938. Excertos.