Miscelânea visual

Vasily Kandinsky – Sem título. Primeira aquarela abstrata de Kandinsky (Estudo para Composição VII, abstração Première), 1913. Musée National d’Art Moderne. Paris

As agências de produção audiovisual costumam publicar miscelâneas (“medleys”) de vídeos como forma de autopromoção. Algumas raiam a arte. Creio ser o caso de “Showreel”, da agência de pós-produção alemã The Marmalade, anúncio contemplado no artigo A engenharia da imagem, de 10 de julho de 2016. Um regalo duplo: para a vista e para o ouvido.

Herança cultural e identidade de proximidade

Paul Gauguin. Arearea – Joyeusetés, 1892. Musée de Orsay

O oráculo das boas causas (09.07.2016; restaurado)

Rafael – Os Querubins de Rafael. A Madona Sistina (detalhe], entre 1513 e 1514. Gemäldegalerie Alte Meister. Dresden

Bater-se por uma causa justa é já uma vitória (Anónimo).

Marca: Nikon. Título: Not Just Pictures. Produção: Quad. Direcção: Alejandro Toledo. 2004. [Recuperado]

Identidade e convívio (09.07.2026)

O anúncio “Inzalo Yelanga” mantém uma linha de comunicação que a Castle Milk Stout tem vindo a desenvolver há vários anos: usar a publicidade não apenas para promover a cerveja, mas também para refletir sobre identidade, herança cultural e relações familiares. A própria marca descreve o filme como um convite a “passar tempo com aqueles que amamos, fazendo aquilo que realmente importa, valorizando o tempo que temos e estando verdadeiramente presentes no momento”…
Ao longo da vida, as pessoas passam grande parte dos seus dias preocupadas com trabalho, obrigações e distrações, acreditando que haverá sempre outra oportunidade para estar com a família ou para dizer aquilo que realmente importa (…) O verdadeiro legado de uma pessoa não é aquilo que possui, mas sim o tempo que dedica aos outros e as memórias que ajuda a construir…
O filme mostra momentos aparentemente simples — encontros familiares, conversas entre gerações, crianças e adultos a partilhar o quotidiano — sugerindo que são precisamente esses instantes que acabam por definir uma vida (…) A cerveja surge apenas no final, integrada como símbolo de convivência e celebração, e não como protagonista da história…. (ChatGPT, 08/07/2026)

Castle Milk Stout – Inzalo Yelanga. Agência: Joe Public. Direção: Zee Ntuli. África do Sul, julho 2026

A expressão “Inzalo Yelanga” vem das línguas nguni e evoca ideias como: os filhos da luz; aqueles que pertencem a uma mesma linhagem ancestral; a continuidade da vida através das gerações; e o legado transmitido entre avós, pais e filhos (…) O título “Inzalo Yelanga” funciona em dois níveis ao mesmo tempo:
Pessoal, porque fala da família, dos filhos e do legado que deixamos às pessoas mais próximas.
Civilizacional, porque sugere que todos fazemos parte de uma corrente muito maior, recebendo um património cultural dos nossos antepassados e tendo a responsabilidade de o transmitir às gerações seguintes.É precisamente essa dupla leitura que torna o título tão poderoso: o anúncio parece falar apenas de momentos familiares, mas, no fundo, está a refletir sobre o que significa pertencer a uma linhagem e sobre a forma como o tempo transforma presença em herança (ChatGPT, 08.07.2026).

Folhas perpétuas

Candido Portinari - Circo, 1958
Candido Portinari – Circo, 1958

Continuo empenhado na recuperação de artigos remotos. Hoje, a seleção impôs-se sem grandes hesitações. Seguem os dois artigos que se destacam claramente: Portinari e o burro montado às avessas, colocado em 8 de julho de 2017, e As Folhas Mortas, em 8 de julho de 2013. O primeiro remete para arte, o segundo, para a música, domínios privilegiados do Tendências do Imaginário.

Não resisto a citar um comentário ao artigo sobre o Portinari. O blogue suscita raramente interação. Quero, contudo, crer que este testemunho dá voz ao silêncio de muitos seguidores. Seria, de outro modo, difícil compreender as cerca de 400 visualizações diárias alcançadas em média pelo Tendências do Imaginário, a maioria proveniente de 4 países: 41% do Brasil, 32% de Portugal, 8% dos Estados Unidos e 8% da China e Hong Kong (dados respeitantes ao mês de junho de 2026).

Encontrei teu blog por acaso, estava pesquisando de quem era o trípidito O juízo final, e o Google images me trouxe até aqui. Estou absorta em teus escritos. Obrigada por compartilhar teus pensamentos. (Nicole Munhoz, 24-07.2017).

O burro e a cenoura de geração em geração

Cartaz do Carnaval de Loulé de 2014

Recupero dois artigos: “O burro e a cenoura”, de 7 de julho de 2018, e “Entre gerações”, de 6 de julho 2017. O primeiro vale pela provocação, o segundo, pela música.

Colar sem pérolas

Este blogue está cheio de retângulos negros correspondentes a vídeos que se tornaram inacessíveis. Autênticas pérolas desaparecidas de um colar. Costumo recuperar essas falhas, procurando endereços alternativos. Mas, às vezes, a missão resulta impossível. Aconteceu, ontem, com o vídeo “La terre se rechauffe”, imputado à General Electrics em 1936 (ver O aquecimento global em 1936, 05.07.2012).

Após horas de pesquisa, com a ajuda da IA, não o desencantei. Trata-se, contudo, de uma peça de arquivo de enorme valor. Parece asseverar-se mais fácil encontrar vestígios de uma gravura do século XVII do que a fonte de uma obra digital do século XXI.

Aprende-se com a experiência. Doravante, não me contentarei em atualizar o acesso online dos vídeos cujo rasto não quero perder; passo a descarregá-los e a gravá-los num disco duro “frio”. O mundo da Internet é demasiado efémero!

Encontrei nos “artigos do dia” dois vídeos desativados: os anúncios “Le Secret”, da L’Oréal, no artigo Emancipação, de 2016, e “The Look”, da  P&G (Procter & Gamble), no artigo Não é por mal! A discriminação natural, de 2019. Como não arrisco perder o segundo, gravei-o!

Escrevi este artigo à pressa. Quero acabar um prefácio. Regressarei mais tarde para o aprimorar.

Arte, para que te quero?

Quentin Massys. Duquesa Feia, c. 1513. National Gallery

Des-graças

Francisco de Goya – Duelo a garrotazos, 1820 – 1823. Museu do Prado

Continuo pouco criativo. Nem sequer adianto um prefácio urgente. Entretenho-me a repescar “artigos do dia”, com dificuldade de amostragem. As flores do mal, de 2019, encerra um isco que me assombra: a ambivalência do mal. Adiciono, a preceito, a curta-metragem disfórica The Gloaming (14 minutos), extraída do artigo Descontrolo, de 2012.

The Gloaming. Curta-metragem dirigida por Nobrain e produzida por Autour de Minuit. França, 2010

Bontade de Biber

Continuo a revisitar, recuando aos primeiros anos do Tendências do Imaginário, designadamente aos artigos “Grotesco imparável” (2012) e “A estranha erótica do álcool” (2013), com dois anúncios memoráveis ao licor Southern Confort, ambos dirigidos por Tim Godsall. Uma conjugação ímpar de (ausência de) narrativa, imagem pasmada e som cadenciado, que logra uma estilização, senão sublimação, massajada, ver erotizada, de uma (in)vulgaridade: homens banais que aparentam saber o que querem: Biber, naturalmente!

Aproveito para acrescentar, por último, um anúncio semelhante, mas mais recente, de Tim Godsall: “It’s not Parkinson’s. It’s Swagger”, de 2024, para a Parkinson Canada.

Parkinson Canada – It’s not Parkinson’s. It’s Swagger. Direção: Tim Gosall. Canadá, junho 2024

Língua e visão do mundo

As palavras são decisivas. Segundo Ferdinand de Saussure (Cours de linguistique génerale, 1916), a língua organiza a perceção e a experiência humanas; fornece os quadros conceptuais, os sistemas de diferenças e valores, através dos quais pensamos e interpretamos. A existência ou falta de palavras distintivas para dizer uma dada realidade influencia o modo como a apreendemos e expressamos. O anúncio “Always”, no artigo “No princípio, era a palavra”, representa um bom exemplo.

Caminho Negro e Descontrolo

Recoloco o artigo “Para além da virilidade”, de há 12 anos. Aproveito para restaura o anúncio “The Visit” (2014), do Instituto Nacional de Enfermedades Neoplásicas, assim como para acrescentar o anúncio “Descontrol” (2015), da Movistar, e o vídeo musical “El Camion” (1992), dos AGuiRRe, todos sob a direção de Jorge Caterbona, realizador argentino ativo no Perú. Um pretexto, também, para visitar este país andino.

Movistar – Descontrol. Agência: Fahrenheit DDB. Direção: Jorge Caterbona e Dante Effio. Produção: 7 Samurai. 2015
AGuiRRe – “El Camion”. 1992. Direção: Jorge Caterbona. Version HD oficial. Version limpia

El Camion

Iba por el camino negro
muy contento en mi camion
Iba por el camino negro
rumbo a la demolicion.-

Iba por el camino negro
cuando la cana me paro
me pidieron los tomates
para la reparticion.-

Buenas curvas
las curvas nuevas de mi pais
buenas rutas
las rutas viejas de mi pais.-

Iba por el camino negro
cuando una rubia me paro
me pidio unos pesitos
para ejercer la profecion.-

Buenas curvas
las curvas nuevas de mi pais
buenas putas
las putas viejas de mi pais.-

Iba por un camino negro
rumbo a la demolicion
Iba por el camino negro
sin saber la solucion.-

Voy por el camino negro
con la rubia en el faldon
Voy por el camino negro
muy contento en mi camion.-

Voy por mi camino
Voy por mi destino.-