Ouvidos vadios

Continuemos a (a)variar. A banda francesa Orange Blossom presta-se. Fundada em Nantes em 1993, combina trip hop e rock, progressivo e eletrónico, com música oriental. Os membros principais são o francês PJ Chabot, violino, o mexicano Carlos Robles Arenas, percussão, e a egípcia Hend Ahmed, voz. Os demais têm origem argelina, marfinense e turca. “Multiculturais”, cantam em árabe, francês, inglês, turco, espanhol e português (Meu amor se foi).
Anónimo, ca. 1500. Univ. de Liège
A Diversidade Humana

A Imaginação Sociológica (1959), do Charles Wright Mills, é um dos poucos livros da minha cabeceira. O capítulo 7 intitula-se “A Variedade Humana”. A diversidade é um dos meus principais valores: intelectuais e práticos. Importa respeitá-la, abraçá-la e promovê-la, em todos os domínios, incluindo a música. Neste momento, a bússola desnorteada aponta para a Idade Média.
Refeições frescas e canções processadas
Existem comidas de que gostamos a dobrar: associámo-las a entes queridos. Costumam centrar-se em alimentos “naturais”. Assim sucede no anúncio “C’est Magnifique”, do Intermarché. No meu caso, nesta época, destaca-se menos a lampreia à bordalesa e mais o guisado de vitela com ervilhas de quebrar, ambos produtos da estação.
Por seu turno, a música do anúncio do Intermarché lembra-me a “canção francesa”. Seguem três exemplos, mas interpretados por uma voz processada, gerada artificialmente [um autêntico desafio para os intérpretes reais]: “Éva Lenoir é uma cantora virtual gerada por inteligência artificial, recriando a emoção e a profundidade das grandes vozes do jazz francês” (https://www.youtube.com/playlist?list=PLo11Vql_XCKzb152duWRMEia7Tu_1nkNs).
Impossíveis conseguidos ou oportunidades desperdiçadas?

Para Ernst Bloch, a utopia remete para um futuro exequível com raízes no presente que justifica uma esperança mobilizadora. Algures, creio que no livro dedicado a Thomas Münzer, sustenta a seguinte convicção: se a história está repleta de impossíveis realizados, também o está de possíveis não concretizados. Volvidas algumas décadas, os 17 objetivos adotados em 2015 pelos Estados-Membros das Nações Unidas farão parte dos impossíveis conseguidos ou dos possíveis desperdiçados?
A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, adotada por todos os Estados-Membros das Nações Unidas em 2015, define as prioridades e aspirações do desenvolvimento sustentável global para 2030 e procura mobilizar esforços globais à volta de um conjunto de objetivos e metas comuns.
Dezembro em Abril
December é o último álbum de estúdio dos Moody Blues, lançado em 2003, quase 40 anos após a formação da banda (1964). Ouvi-lo no rescaldo da Páscoa, é reverberar o alfa, a Natividade, no ómega, a Paixão, juntar o princípio e o fim da Encarnação de Cristo. Numa entrevista à revista Goldmine, datada de 31 de maio de 2021, John Lodge, falecido em 10 de outubro de 2025, com 82 anos de idade, menciona como surgiu a canção “The Spirit Of Christmas”:
Estava no meu escritório com a televisão ligada e vi todas as notícias sobre os combates no Médio Oriente. Pensei: que mundo estranho em que vivemos. Desliguei a televisão e peguei na guitarra. O Natal estava à porta e as primeiras palavras que saíram da minha boca foram: “Para onde foi o espírito do Natal?”. Em quinze minutos, emergiu a totalidade da música. (Fabulous Flip Sides – The Moody Blues’ John Lodge. Goldmine The Music Collector Magazine, May 31, 2021).
Humor rápido
As melhores piadas costumam ser as mais curtas.
O Tempo do Amor

Hoje fui a Melgaço assistir à missa e à procissão de Nossa Senhora da Cabeça em Penso. Aproveitei para visitar a casa de infância. Espevitei memórias díspares. Por exemplo, a música, a voz, a figura e o estilo de Françoise Hardy.
Já coloquei duas canções: Mon amie la rose e L’Amitié . Acrescento 5+1. “Le Large”, a última, representa um regresso com 74 anos de idade.


