Sociedade hipócrita. O rei vai nu!

Chamo-me Amarna Miller, sou atriz porno e nasci num país hipócrita onde a mesma gente que me chama puta desfruta dos meus vídeos; um país que ama a vida mas permite que se mate em nome da arte; um país indignado com a corrupção mas que continua a votar em vigaristas, onde se salvam os bancos que expulsam milhares de famílias; um país que se diz laico mas que oferece medalhas às virgens, que trata os emigrantes como heróis e os imigrantes como lixo; um país onde os supostos guardiões da moral podem revelar-se os mais perigosos, onde a prostituição ainda não é legal embora o número de clientes aumente todos os anos; um país que se pretende aberto e tolerante mas onde um árbitro recebe ameaças de morte por ser gay; sim, vivemos num país asquerosamente hipócrita; somos, contudo, alguns ainda a resistir. (Tradução livre).

Verifiquei que já tinha partilhado este anúncio do Salón Erótico de Barcelona quando saiu em outubro de 2016 (Erótica política), mas não resisto a recolocá-lo.

Salón Erótico de Barcelona Apricots 2016 – PATRIA. Ideia original e produção: VIMEMA.com. Direção: Carles Valdés. Espanha, setembro 2016
Sinead O’Connor – The Emperor’s New Clothes. I Do Not Want What I Haven’t Got, 1990

Sereia das dunas

A Almerinda Van Der Giezen sugeriu-me o “Hymn to the Sea” interpretado pela londrina Andrea Krux. Em boa hora o fez porque estou possuído de preguiça e falho de inspiração. Seguem cinco canções, todas de curta duração.

Andrea Krux – Hymn to the Sea A Capella. Single, 2022
Andrea Krux – In Dreams Acapella Cover, The Lord of The Rings, 2022
Andrea Krux – Evenstar Acapella Cover, The Lord of The Rings. Evenstar Acapella Cover, The Lord of The Rings, 2022
Andrea Krux – Dunes. Middle Eastern Female Vocals, 2022
Andrea Krux – Siren’s Song. Siren’s Song, 2022

Vida desconectada / Questões

The best thing you can find online is a reason to go offline (A melhor coisa que você pode encontrar online é um motivo para se desconectar da internet).

Eis o mote do anúncio da Pinterest [por quem Deus nos manda avisar] que se ganha em recordar todas as manhãs. Sou, por sinal, utilizador desta rede social que recomendo.

Pinterest – How did they do it? UK, abril 2026
Manfred Mann’s Earth Band – Questions. The Roaring Silence, 1976

Tão bom que apetece repetir

Retomemos o saboroso e fabuloso anúncio tailandês “The Secret” para continuar a variar a música.

Voiz Waffle Chocolate – The Secret. Agência: Ogilvy & Mather. Direção: Wuthisak Anarnkaporn. Tailândia, dezembro 2017
Yves Montand – C’est si bon. Single, 1968. “Champs-Élysées”, Antenne 2,  17.06.1989
Murray Head – You’re So Tasty. Say It Ain’t So, 1975

Literatura deitada

Desliga o telemóvel e vai para a cama com Shakespeare, Cervantes, Camões ou, eventualmente, Dante, Poe, Tolstói, Rilke…

Acompanha ou intervala com boa música. Por exemplo, a Dança Macabra (1874) de Camille Saint-Saëns bem interpretada pela Kamerton Orchestra from Koszalin Music School, da Polónia.

Eros ou Thanatos sobre ou sob os lençóis.

Imagem: Edvard Munch. Dança da Morte (Autorretrato). 1915

Fnac Portugal – Vai para a cama com um livro. 2026
Camille Saint-Saëns – Danse Macabre (1874). Kamerton Orchestra from Koszalin Music School (Polish Nationwide Music Schools’ Symphonic Orchestras Competition 2014).

O Fio de Ariadne e o Portal de Perséfone

Ariadne Adormecida. Cópia romana da obra criada no período helenístico médio (III e II século a.C.)

“Este impactante filme da MullenLowe London ilustra (…)como, desde cedo em sua educação, as crianças já definem as oportunidades de carreira como masculinas e femininas. Quando solicitadas a desenhar um bombeiro, um cirurgião e um piloto de caça, 61 desenhos retratam homens e apenas 5 mulheres.”

“Os estereótipos de géneros são definidos entre os 5 e os 7 anos de idade”. Muitos outros, também!

Imagem: Estátua Perséfone. Mármore. Séc. II

Existirá um fio de Ariadne ou um portal de Perséfone que permita aceder a uma nova visão?

Inspiring the Futur – Redraw the Balance. Agência: MullenLowe London. UK, junho 2016

Ariadne e Perséfone recordam-me Lisa Gerrard, em particular as canções “Ariadne” e “Persephone (The Gathering of Flowers). O Tendências do Imaginário já contempla 13 canções de Lisa Gerrard. Segue mais meia dúzia.

Dead Can Dance / Lisa Gerrard – Ariadne. Into The Labyrinth, 1993.
Dead Can Dance / Lisa Gerrard – Indus. Spiritchaser, 1996
Lisa Gerrard – Now We Are Free. Hans Zimmer & Lisa Gerrard. From the 2000 Ridley Scott film “Gladiator”
Dead Can Dance / Lisa Gerrard – Persephone (The Gathering of Flowers). Within the Realm of a Dying Sun, 1987
Dead Can Dance / Lisa Gerrard – The Host of Seraphim. The Serpent’s Egg, 1988. Live in Bulgaria, Sofia, National Palace of Culture, 14.03.2018
 Gavin Greenaway · The Lyndhurst Orchestra · Lisa Gerrard – The Wheat (From “Gladiator” Soundtrack), 2000

Invasões, revoluções e involuções

Invasões. Disse invasões? Bizarro, como é bizarro! Revoluções ou involuções. Disse revoluções ou involuções? Confuso, muito confuso, senão trágico! Coisas próprias de novos Tyrannosaurus Rex.

Fiat 500 L – Italian Invasion. USA, 2013

Trágico foi o fim de Marc Bolan. Fundador da banda T. Rex e pioneiro do glam rock, morreu em setembro de 1977 num acidente de automóvel um dia antes de fazer 30 anos. Mais um caso da extensa lista de artistas precocemente falecidos nos anos setenta. Compôs a canção “Children of Revolution” adotada no anúncio “Italian Invasion” da Fiat.  Será que a escutamos hoje como filhos “deslizantes” da involução?

Em memória de Marc Bolan, acrescem três música ainda não colocadas no Tendências do Imaginário: “Hot Love”; “The Slider” e “Buick Mackane”.

T. Rex – Children of the Revolution. Single, 1972. Performance no programa Top of the Pops de 28.09.1972
T. Rex – Hot Love. Single, 1971
T. Rex – The Slider. The Slider, 1972
T. Rex – Buick Mackane. The Slider, 1972

Lunáticos

Com um pouco de anacronismo e boa vontade, pode vislumbrar-se no anúncio “Beam”, da empresa japonesa de beleza e cuidados pessoais Esthe Wam, uma sugestão a propósito da inspiração da capa emblemática do álbum The Dark Side of the Moon, de 1973, dos Pink Floyd. Provavelmente, as recentes observações da Artémis II não desmentirão.

Esthe Wam – Beam. Agência Ogilvy & Mather Japan. Direção Takuya Matsuo. Japão, 2010
Pink Floyd – Brain Damage / Eclipse. The Dark Side of the Moon. At Earls Court, London, 20.10.1994

Entre Babel e Toronto

Calcedónia

Desde que não se castre a curiosidade, uma diferença costuma entreabrir outra. Os franceses Orange Blossom conduzem aos Light in Babylon de origem turca. Nesta perdição, reencontramo-nos, algures, sem surpresas absolutas nem estranhamentos excessivos. Raízes, vísceras ou outra coisa qualquer… Um namoro do mesmo com o outro numa folia sem princípio nem fim. A Terra é redonda, mas imensa. Com ou sem nomes em inglês, não existe mainstream que a resuma.

À semelhança dos Orange Blossom, os membros dos Light in Babylon, fundados em Istambul em 2010, têm nacionalidades diversas: Michal Elia Kamal (voz e djembe) é israelita de pais iranianos; Julien Demarque (guitarra), francês; Metehan Çiftçi (santur), turco; Jack Butler (baixo), britânico; e Stuart Dikson (percussão), escocês. “Além do árabe, turco e farsi (persa), Michal canta também em hebraico antigo (…) As composições são originais e misturam estilos balcânicos e flamencos. A sua música étnica está catalogada como World Fusion, entrelaçando as culturas do Médio Oriente com a música europeia” (Wikipedia, 18.04.2026).

Light in Babylon – Kipur. On Our Way, 2022. Light in Babylon at Dance in Concert 2019. Em hebraico
Light in Babylon – Sal Sal. On Our Way, 2022. Colocado em 20.03.2024. Em Farsi
Light in Babylon – Canim Benim. Yeni Dunya, 2016. Colocado em 02.04.2019. Em hebraico e turco
Light in Babylon – Gypsy Love. Life sometimes doesn’t give you space, 2011. Colocado em 11.05.2014. Em hebraico.

Ouvidos vadios

Continuemos a (a)variar. A banda francesa Orange Blossom presta-se. Fundada em Nantes em 1993, combina trip hop e rock, progressivo e eletrónico, com música oriental. Os membros principais são o francês PJ Chabot, violino, o mexicano Carlos Robles Arenas, percussão, e a egípcia Hend Ahmed, voz. Os demais têm origem argelina, marfinense e turca. “Multiculturais”, cantam em árabe, francês, inglês, turco, espanhol e português (Meu amor se foi).

Anónimo, ca. 1500. Univ. de Liège

Orange Blossom – Ya Sidi. Under the Shade of Violets, 2014. Clip oficial da série “Marseille” iniciada em 2016
Orange Blossom – Mexico. Under the Shade of Violets, 2014. Live Sessions, 2022
Orange Blossom – Habib. Everything Must Be Change, 2005. Ao vivo na FIP (France Inter Paris), em 16 de outubro de 2014.
Orange Blossom – Maria. Under the Shade of Violets, 2014. Ao vivo na FIP (France Inter Paris), em 16 de outubro de 2014.
Orange Blosson – Souffrance. Everything Must Change, 2005
Orange Blosson – Ode. Spells From The Drunken Sirens, 2024