Uma morte bem bebida

Mosaico grego. Província de Hatay, sul da Turquia. Séc. III a.C.. Antakya Archaeology Museum

Bebamos à morte, que a vida merece ser bebida!

Uma morte regalada. Tendências do Imaginário, 13.08.2012

A Mãe, o Sol e a Lua

A Virgem Maria costuma ser associada ao sol, à lua e às estrelas, nomeadamente nas imagens como Virgem do Apocalipse e Virgem da Lua Crescente. Na imagem da Virgem da Humildade de Fra Paolo Serafini da Modena, o redondo no canto inferior esquerdo parece representar um eclipse.

Há dias, no 9 de agosto, foi o dia dos pais no Brasil. “Só não são todos dias da mãe porque alguém se lembrou de decretar um dia especial. A relação com a mãe desdobra-se numa tensão entre união e separação, em que vibram as cordas tangíveis do coração: sensação, sentimento e emoção. Com a emigração e com a guerra colonial, exacerbou-se esta tensão. Multiplicaram-se os poemas e as canções. Poemas e canções que faziam chorar, perto e longe. Há pessoas que ainda agora se comovem ao ouvir estas músicas.”

A Mãe e a Guerra. Tendências do Imaginário, 12.08.2018

O regresso do sol

Booking.com. Booking Hero. Holanda, Fevereiro 2015

O 12 de agosto manifesta-se fértil em artigos dignos de resgate. E ainda vamos no ano 2015. O artigo Turismos acena com a evasão. Graças à Booking.com, somos heróis e exploradores.

O artigo Estigma com barbas resulta mais arrevesado. Um homem com barba é menosprezado pelos entes próximos. Que as barbas sirvam de pretexto para discriminação e marginalização não admira. Especialmente num anúncio a uma lâmina de barbear. Aliás, à partida, tudo pode tornar-se estigma. Basta existirem estigmatizadores e uma relação eventualmente assimétrica. O mais curioso é que, muitas vezes, através de uma cambalhota simbólica, são, como no anúncio, os estigmatizadores a armar-se em vítimas.

Turismos. Tendências do Imaginário, 12.08.2015
Estigma com barbas. Tendências do Imaginário, 12.08.2015

Sol aluado

Eclipse do sol

Os segmentos da indústria de automóveis e das telecomunicações disputam o pódio da publicidade. No artigo O sonho americano dorme na Suíça, o anúncio ” Tina Turner’s love story with Switzerland ain iO” (2014), da Swisscom, não desmerece. Por seu turno, no artigo Inocência são questionados os meandros da censura pública dos anúncios publicitários, em particular quando aparecem crianças ou seios femininos.

O sonho americano dorme na Suíça. Tendências do Imaginário, 12.08.2014
Inocência. Tendências do Imaginário, 12.08.2026

O beijo da lua ao sol

Fase inicial de um eclipse solar

Nos artigos O Beijo e Voz extrema, ambos de 12 de agosto de 2013, encontra uma imagem do “Beijo” (1888-89) de Rodin e o anúncio “Kiss” (2009) da Topline, que pode acompanhar com as canções “Sanvean” (1994) de Lisa Gerrard e “Der Nussbaum” (1983) de Klaus Nomi.

O Beijo. Tendências do Imaginário, 12.08.2013
Voz extrema. Tendências do Imaginário, 12.8.2013

Originalidade indigesta

Will You Join Us For Dinner from Les Métamorphoses du Jour by J.J. Grandville – 1829

“Lembram-se das capas dos álbuns dos Penguin Cafe Orchestra? Humanóides com cabeça de pinguim em movimentos parados. Os Penguin Café Orchestra são um testemunho de que, muitas vezes, a originalidade é um opção para o esquecimento. Preferimos adubar a inteligência com mais do mesmo, de preferência, com certificação ISO. A originalidade é indigesta” (https://tendimag.com/2020/10/09/pinguins-2/).

Pinguins. Tendências do Imaginário, 12.08.2012
Pinguins 2. Tendências do Imaginário, 09.10.2020

Dar a volta por fora

“O teatro tece o quotidiano”. O anúncio “Adultério”, da Câmara Municipal da Maia”, é uma raridade ousada e preciosa. Mostra como superar uma crise dando a volta por fora. “Dar a volta por cima” e “dar a volta por fora” constituem duas virtualidades da “força dos fracos”. (Anúncio português vintage 8. Adultério, 10.09.2025)

Imagem: Estátua do lidador. Maia

Triangulação. Tendências do Imaginário, 11.08.2015

Desilusão a conta gotas / Carta de Pierre Bourdieu

Abóboras. Por altura do regresso a Braga em 1982. Fotógrafo: Álvaro Domingues

Há dias, submetive-me a uma plataforma “administrativa”. Foi complicado provar quem era e de onde vinha. Não o fazia há décadas. Não encontrei nem diploma de doutoramento nem certidão de agregação. A maior parte dos papéis dormiam em caixotes por motivo de obras em casa e não me dispus a acordá-os.  Encontrei um certificado do doutoramento e desisti de ser agregado.

Há males que vêm por bem! Tive a fortuna de deparar com uma carta tresmalhada do Pierre Bourdieu, que anexo. Compensou, mas também ensimesmou. Não consegui evitar uma pergunta recorrente:

O que me motivou, em 1982, a regressar a Braga para marinar profissionalmente durante 39 anos numa desilusão a conta gotas?

Calhaus e areia. Aposentado. Fotógrafo: Miguel Bandeira

Convidado em 1981, resisti. Em Paris, tinha emprego, estava a fazer doutoramento e acalentava boas perspetivas.

Em 1982, acabei por seguir as pegadas de centenas de milhares de compatriotas. Mas esta resposta genérica não me satisfaz. Cada um é um caso e existem nadas que fazem grandes diferenças: os tais “efeitos borboleta”. Por exemplo, desamores lá e amizades cá.

Carta de Pierre Bourdieu a Albertino Gonçalves. 27.02.1986

*****

Manuel Freire – Pedro Só. Da banda sonora da longa-metragem de Alfredo Tropa, “Pedro Só, de 1972. Poema de Fernando Assis Pacheco e música de Manuel Jorge Veloso

O avô do surrealismo

Jean I. I. Gérard (1803 – 1847) foi um ilustrador e caricaturista francês que publicou sob o pseudônimo de Grandville (…) Historiadores e críticos da arte chamaram-no de “a primeira estrela da grande era da caricatura francesa” e descreveram suas ilustrações como apresentando “elementos do simbólico, onírico e incongruente”, mantendo um senso de comentário social e “a transfiguração mais estranha e perniciosa da forma humana já produzida pela imaginação romântica” (Wikipedia, 11.08.2026)

Grandville: Disfarces e Metamorfoses. Tendências do Imaginário, 11.08.2016

Gárgulas obscenas

Parador de Santiago de Compostela, Hostal dos Reis Católicos. Edifício construído em 1509

Acontece investir mais num artigo. É o caso de Gárgulas Impúdicas, de 10 de agosto de 2014, revisto posteriormente em 23 de novembro de 2021.

Em 2017, decidi elaborar uma antologia, intitulada A Morte na Arte, com uma trintena de artigos do Tendências do Imaginário. Embora tenha revisto uma boa parte, com as vicissitudes da vida, acabei por suspender o projeto. Sinto, contudo, o dever de o reassumir.

O artigo que recoloco é o revisto: Gárgulas Impúdicas (para o livro A Morte na Arte. O link para o artigo de 2014 é https://tendimag.com/2014/08/10/gargulas-impudicas/

Gárgulas Impúdicas (para o livro A Morte na Arte), 23.11.2021