Pneus futuristas

Guilherme de Santa Rita – Orfeu nos Infernos, ca. 1904

No próximo ano letivo projeto abordar o movimento futurista na disciplina de Estéticas Contemporâneas e Sociologia do Imaginário, na Academia Sénior do Município de Braga. O artigo Pneus Olímpicos /Futurismo poderá servir como introdução.

Pneus olímpicos / Futurismo. Tendências do Imaginário, 14.08.2016

Santa Luzia dos meus amores

Masterpieces on Paper. The fifteenth-century choir books of the Abbey of Santa Giustina in Padua

O culto a Santa Luzia (ou Lúcia) é antigo. Existem indícios de remontar ao século IV em cujo início terá sido martirizada (por volta de 304).

Foi condenada pelo cônsul romano Pascásio a ser conduzida a um bordel para que fosse estuprada por libertinos. Mas o Espírito Santo intervém, tornando o corpo de Luzia totalmente imóvel e impossível de transportar. Nem mesmo com uma equipa de inúmeros homens e bois é possível movê-la. Enfurecido, Pascásio ordena que se despeje sobre ela piche, resina e óleo ferventes e, em seguida, manda cercá-la com uma pira que é incendiada. Contudo, as chamas não lhe causam dano algum, e ela continua a cantar louvores a Cristo no meio ao fogo. Então, uma espada é cravada em sua garganta, mas ela não morre imediatamente. Um sacerdote vem ministrar-lhe a Comunhão; só então expira.

Santa Lucia, pintura entre 1290 e 1310

Outras fontes [datadas do século XIV) especificam que seus olhos foram arrancados. (Ou, alternativamente, que, quando seu noivo lhe disse que a amava tanto por causa de seus olhos, ela mesma os arrancou e os levou até ele em uma bandeja, tateando o caminho.) Diz-se que, depois disso, a Virgem lhe trouxe olhos ainda mais belos. É por isso que ela é frequentemente invocada para curar doenças oculares e retratada por pintores carregando seus olhos em uma bandeja ou em uma taça. Outros recorrem a ela em busca de alívio para dores de garganta. (Wikipedia, em francês, 14.08.2008).

Os Olhos de Santa Luzia. Tendências do Imaginário, 14.08.2014

O Eclipse, o Real e o Imaginado

Não me desloquei 600 km, nem sequer 500 metros; tão pouco cuidei de adquirir os óculos apropriados para eclipses. Em suma, perdi a experiência visual do século.

Moveu-me o pressentimento de que o real iria, mais uma vez, ficar aquém do imaginado. Registei apenas a diminuição, pouco expressiva em Braga, da luz e da temperatura.

Imagem: Durante o eclipse do sol de 13 de agosto de 2026. Fotografia por Almerinda Van Der Giezen

Mas o eclipse propiciou outros fenómenos extraordinários. Para os surpreender era preciso afastar os olhos do sol. As fotografias que a Almerinda Van Der Giezen tirou às projeções e às sombras nos cortinados e nas paredes da manifestam-se espetaculares. Desta vez, o real ultrapassa o imaginável. Um efeito, todavia, natural, tal como as fotografias.

“Pinhole” e “efeito estenopeico” são precisamente os termos que explicam aquilo que, à primeira vista, parece quase uma intervenção artística.
As pequenas frestas entre as folhas funcionam como minúsculos orifícios de uma câmara escura e projetam no chão a imagem do Sol eclipsado. Durante um eclipse, isso torna-se particularmente evidente porque cada pequena abertura produz uma réplica da forma do Sol. (Almerinda Van Der Giezen, 14.08.2026)

Não houve, portanto, “visão múltipla”.

Efeitos do eclipse solar de 13 de agosto de 2026. Fotografias por Almerinda Van Der Giezen

O Rei dos Parvos

Nunca subestimem o poder da estupidez humana (Robert Heilein).
São inúmeros os nomes atribuídos à sociedade contemporânea. Sociedade parva também cabe na lista. Somos uma SARL: Sociedade Anónima de Responsabilidade Limitada. O anúncio brasileiro Be an asshole, da Sociedade dos amigos da Amazónia, é uma boa introdução à estupidez, à inércia e à dissipação humanas. (Estúpidos, 21.08.2017).

imagem: George Grosz – The Grey Man Dances, 1949

Estupidez global. Tendências do Imaginário, 14.08.2019
Georges Brassens – Le Roi (des Cons). Fernande, 1972

Fotografias e árvores

Lunch Atop a Skyscraper (1932). Rockefeller Center, New York

Entre os testemunhos do devir histórico e da passagem do tempo sobressaem as fotografias e… as árvores (ver, por exemplo, Registo Civil Vegetal e Limoeiro). Ilustram-no, por um lado, a Leica ao celebrar o seu centenário no anúncio do artigo Um século de fotografia e, por outro, a Mata Nacional do Bussaco no anúncio “A História de uma Árvore” lançado há menos de três semanas, em 28 de julho de 2026.

Um século de fotografia. Tendências do Imaginário, 13.08.2015
Fundação da Mata Nacional do Bussaco – A História da Árvore. Agência: Coming Soon. Portugal, julho 2026

Parto pela boca

Gárgula do Mosteiro de San Martín Pinario de Santiago de Compostela. Fonte: Dolores Herrero Ferrio, Gargoyles of the Monastery of San Martín Pinario of Santiago de Compostela (Spain): Part Two

Não é raro deixar-me tentar por temas estranhos que não lembram ao diabo. Cuido, contudo, de os abordar com um mínimo de sobriedade.

Gárgula do Mosteiro de Santa Maria da Vitória. Batalha. Fonte – Jornal de Leiria

Grotescas, as gárgulas incarnam o pecado, em acto ou em expiação. Constituem exemplos a evitar. Muitas gárgulas com figuras humanas são frades ou freiras que caíram na tentação da carne, da luxúria e da gula. Várias freiras têm manto, mas subido ou aberto, exibindo os peitos e as partes genitais. Umas estão com as mãos juntas, em sinal de arrependimento, outras com as mãos em partes impróprias. Por vezes, aparece uma criança, de corpo inteiro ou só a cabeça (no peito, no ventre…). Há quem associe estas figuras de mulheres devassas com criança a freiras que tiveram filhos, nomeadamente com autoridades da comunidade eclesiástica. (Paródia disparatada, Tendências do Imaginário, 13.08.2014).

1984 em 2013 e 2026

George Orwell. 1984. 1ª ed. 1949

O artigo A Fábrica da Vida, colocado no dia 13 de agosto de 2013, contempla três anúncios extraordinários: “The G Forces of Nature” (link) e “Factory of Life”, ambos da Nissan Infiniti; e “1984”, da Apple. A (re)ver.

A Fábrica da Vida. Tendências do Imaginário, 13.08.2013

Uma morte bem bebida

Mosaico grego. Província de Hatay, sul da Turquia. Séc. III a.C.. Antakya Archaeology Museum

Bebamos à morte, que a vida merece ser bebida!

Uma morte regalada. Tendências do Imaginário, 13.08.2012

A Mãe, o Sol e a Lua

A Virgem Maria costuma ser associada ao sol, à lua e às estrelas, nomeadamente nas imagens como Virgem do Apocalipse e Virgem da Lua Crescente. Na imagem da Virgem da Humildade de Fra Paolo Serafini da Modena, o redondo no canto inferior esquerdo parece representar um eclipse.

Há dias, no 9 de agosto, foi o dia dos pais no Brasil. “Só não são todos dias da mãe porque alguém se lembrou de decretar um dia especial. A relação com a mãe desdobra-se numa tensão entre união e separação, em que vibram as cordas tangíveis do coração: sensação, sentimento e emoção. Com a emigração e com a guerra colonial, exacerbou-se esta tensão. Multiplicaram-se os poemas e as canções. Poemas e canções que faziam chorar, perto e longe. Há pessoas que ainda agora se comovem ao ouvir estas músicas.”

A Mãe e a Guerra. Tendências do Imaginário, 12.08.2018

O regresso do sol

Booking.com. Booking Hero. Holanda, Fevereiro 2015

O 12 de agosto manifesta-se fértil em artigos dignos de resgate. E ainda vamos no ano 2015. O artigo Turismos acena com a evasão. Graças à Booking.com, somos heróis e exploradores.

O artigo Estigma com barbas resulta mais arrevesado. Um homem com barba é menosprezado pelos entes próximos. Que as barbas sirvam de pretexto para discriminação e marginalização não admira. Especialmente num anúncio a uma lâmina de barbear. Aliás, à partida, tudo pode tornar-se estigma. Basta existirem estigmatizadores e uma relação eventualmente assimétrica. O mais curioso é que, muitas vezes, através de uma cambalhota simbólica, são, como no anúncio, os estigmatizadores a armar-se em vítimas.

Turismos. Tendências do Imaginário, 12.08.2015
Estigma com barbas. Tendências do Imaginário, 12.08.2015