Abençoados

Peia Luzzi

Peia Luzzi é uma colecionadora de canções, escritora e multi-instrumentista nascida nos Estados Unidos, que vive nas montanhas dos Apalaches. Tal como a água de um poço profundo, ela inspira-se nas suas raízes ancestrais da música folclórica irlandesa e do Velho Mundo europeu. A voz de Peia dança com agilidade desde as «Child Ballads» e os lamentos gaélicos do século XVII até às «Waulking Songs» e aos chamamentos das montanhas búlgaras. Ao longo dos últimos 10 anos, viajou e estudou extensivamente para se reconectar com a sua própria tradição musical ancestral. Ao descobrir melodias marcadas pelo tempo e repletas de sabedoria, tendo sempre o cuidado de honrar a sua língua e as suas histórias, Peia traz um pedaço de si mesma para cada canção que interpreta.
Voz influente na crescente comunidade global de pessoas empenhadas em restabelecer uma relação equilibrada com a Terra, Peia expressa a sua visão holística e a sua paixão através da sua música, de workshops educativos e do apoio a grupos de defesa dos direitos sociais e ambientais. (https://peiasong.com/about/bio/)

Peia – “Machi”. Four Great Winds, 2012
Peia – Blessed We Are. Four Great Winds, 2013. At Sant Pau del Camp, Barcelona. Posted 23.10.2014
Estas Tonne feat. Peia – Bird’s Teardrops. Captured Live in Ashland, Oregon, 2018.  Anthology, Vol. I & Vol. II (Live), 2021

O voo da monstruosidade interior

Colocado entre A cor do abismo, no dia 20, e Um silêncio de morte: Goya, dia 28, Leveza e turbulência na pintura de Goya, no dia 25, completa a tríade de artigos substantivos dedicados a Goya no mesmo mês de julho de 2017. Um indício provável do estado de espírito, e do corpo, em que me encontrava então mergulhado.

Imagem:
Goya – Autorretrato , ca. 1796. The Metropolitan Museum of Art

Ilusionismo e controlo

Ilustração: Joelle L., in The Camera Panopticon (https://ar.al/notes/the-camera-panopticon/, acedido em 25.07.2026)

Os artigos Jogo viciado e Pós-modernidade vitoriana abordam temas recorrentes no Tendências do Imaginário: o ilusionismo social e a vigilância disciplinar.

O primeiro, algo extenso e denso, incide sobre a eufemização da dominação e das desigualdades sociais. O segundo, mais leve e breve, ilustra a censura pública. Viral, conhecido ou ignorado, o anúncio “Alexandria Morgan run strapless”, da Tom Tom, foi proibido de aparecer na TV. Por uma qualquer conveniência. Não interessa aqui qual. Todas as censuras se justificam para quem as promove e visam poupar danos aos vulneáveis, que nem sequer se dão conta de semelhante zelo. Não recordo, na história da humanidade, de tamanha abrangência, concentração e eficiência de meios de controlo e censura. Tão pouco, tanta exposição e acomodação por parte dos visados. Talvez nos tempos de maior obsessão com o diabo e suas extensões.

A migração da contracultura

Professores, vocês nos fazem envelhecer [numa parede da Sorbonne]
Abram as janelas do vosso coração
(Slogans de Maio 1968)

Excessos do corpo e limiares da consciência

As danças de São Guido, observadas entre a Idade Média e a Idade Moderna, consistiam em surtos de histeria coletiva caracterizados por movimentos involuntários, espasmos e episódios de dança aparentemente incontroláveis. Grupos inteiros de pessoas começavam a dançar de forma compulsiva durante horas ou dias, por vezes até à exaustão ou desfalecimento.

As raves contemporâneas lembram, guardadas todas as proporções, as antigas danças de São Guido: multidões entregues ao ritmo até ao esgotamento, como se o corpo procurasse um limiar onde a consciência se transforma. Por outro lado, não deixam de dialogar com as longas peregrinações, nas quais o excesso já não é o da dança, mas o da marcha.

Imagem: William Blake – Illustration to John Bunyan’s The Pilgrim’s Progress. Composed c. 1824-27

Canto castrado

Recupero o artigo Castrati, de 2019. O vídeo primitivo, legendado “Farinelli il Castrato, de Gérard Corbiau. 1994. Excerto: Opera Orgasm”, “foi removido após uma solicitação de direitos de autor”. Substituo-o pela montagem “Cenas e música do filme Farinelli”, colocada por Marcos Vieira em 04.04.2021. Acrescento o excerto com a ária “Ombra fedele anch’io”, que penso corresponder ao vídeo removido.

Imagem: Bartolomeo Nazari – Portrait of Farinelli. 1734

Film ‘Farinelli’ – Ombra fedele anch’io (Aria of Dario from opera ‘Idaspe’ by Riccardo Broschi). Colocado no YouTube por George Eross, em 17.06.2016 [“Recuperado” em 24.07.2026]

Efeméride

Marc Chagall – As Luzes do Casamento, 1945. Coleção privada

Natureza, Luz e Beleza

Céu estrelado. Moledo do Minho. Photo by João Gonçalves & Fernando Gonçalves. 21.07.2026. (3000/2000)

Há mais estrelas no céu do que aquelas que conseguimos enxergar. Com uma câmara apropriada, bastante paciência e alguma técnica, o João e o Fernando conseguiram obter esta fotografia do céu da praia Moledo do Minho, na noite 21 de julho de 2026.

Existem também mais estrelinhas na terra do que aquelas que conseguimos abraçar. Com abertura e algum sentido de orientação, encontrei a música da adorável cantora, mult-instrumentista e compositora de origem irlandesa Ajeet.

Imagem: A defumar estrelas

Ajeet é uma artista de world music que entrelaça inspirações que vão do folclore tradicional irlandês a paisagens sonoras místicas e meditativas. A banda reúne músicos da Espanha, da Irlanda e dos Estados Unidos para oferecer uma experiência musical que transcende fronteiras e conduz os ouvintes a uma jornada através da canção. Harmonias sublimes e letras poéticas unem-se à harpa, à percussão africana e latina, ao violão e a instrumentos irlandeses, criando um intercâmbio musical profundamente enraizado na melodia e na textura sonora (…) Com obras que alcançaram o primeiro lugar na parada de World Music do iTunes e o Top 10 da parada New Age da Billboard, a música de Ajeet continua a ser abraçada por comunidades ao redor do mundo. (https://www.youtube.com/@Ajeetmusic/about; consulta em 23.07.2026)

Ajeet – Kiss the Earth (La Luna). Kiss the Earth (La Luna) (Live in Ludwigsburg). Live in Amsterdam with Ezra Landis and Raffa Martinez. Colocado por Spirit Voyage em 14.02.2018
Ajeet Kaur – Adi Shakti Namo Namo. Shuniya: Healing Chants, 2018
Ajeet Kaur – Light of My Soul [Official Music Video]. Darshan, 2015
Moledo do Minho. 21.07.2026. Fotografia por João Gonçalves & Fernando Gonçalves. Com esboço da Ursa Maior

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Bónus do dia:

Credo da Técnica

Gino Severini – Red Cross Train Passing a Village, 1915. Guggenheim, New York

Estamos atualmente na fase de evolução histórica de eliminação de tudo o que não é técnico (Jacques Ellul).

Será que um destes dias o monte de Santa Tecla se chamará monte de Santa Técnica?