Sociologia sem palavras

Faz 12 anos, em 20 de setembro de 2014, iniciei uma série intitulada Sociologia sem palavras. Ao todo, foram publicados 26 artigos até 13 de janeiro de 2018.
Segue o primeiro, com um excerto do filme Luzes da Cidade (1931), de Charles Chaplin.
Inicio, com este artigo, uma nova série de vídeos intitulada “Sociologia sem Palavras”. Pergunta-se, com frequência, o que estuda a Sociologia e o que faz o sociólogo. Eis uma pergunta clara de resposta ingrata.
As margens dos livros da Idade Média contêm pequenas gravuras excêntricas que funcionavam, segundo os especialistas, como marcadores simbólicos úteis nos sermões e nas trocas de argumentos. Na senda destas artimanhas medievais, a série “Sociologia sem Palavras” faculta, na era das imagens em movimento, cábulas electrónicas.
O objectivo desta série é contribuir para a divulgação da Sociologia. Com humor e desenvoltura. Está criado um conceito. Pequeno, mas original. Seguir esquemas não é o meu forte, criá-los é o meu fraco. (20.09.2014)
Vamos brincar aos pensadores com imagens do inferno

“O que perturba a mente dos homens não são os eventos, mas os seus julgamentos sobre os eventos. Por exemplo, a morte não é nada horrível ou então Sócrates a teria considerado como tal. Não, a única coisa horrível sobre ela está no julgamento dos homens de que ela é horrível.”
(Epicteto, Manual: 5)
Imagem: Marten de Vos. Juízo Final. 1570. Detalhe
Superação

“O indivíduo estigmatizado pode, também, tentar corrigir a sua condição de maneira indireta, dedicando um grande esforço individual ao domínio de áreas de atividade consideradas, geralmente, como fechadas, por motivos físicos e circunstanciais, a pessoas com o seu defeito. Isso é ilustrado pelo aleijado que aprende ou reaprende a nadar, montar, jogar tênis ou pilotar aviões, ou pelo cego que se torna perito em esquiar ou em escalar montanhas.” (Erving Goffman, Estigma, 1963)
Solidão solidária



A solidão desola-me; a companhia oprime-me (Fernando Pessoa, Livro do Desassossego).
Uma menina, na terra, e um idoso, na lua, têm dificuldade em comunicar. Mas tudo se resolve…
Imagens babélicas

É cada vez mais frequente as imagens não se alinharem harmoniosamente em função de uma história. Há vídeos em que as imagens se acotovelam e se atropelam sem prosseguir um destino. Parecem mosaicos que se desfragmentam à medida que o tempo passa. Não têm princípio, nem trama, nem desenlace. Quando muito, retorno. Descuidam a razão e o raciocínio. Agarram-se ao corpo, às sensações, aos sentimentos, às emoções e ao imaginário. Aceleradas e babélicas, as imagens atordoam e excitam os sentidos. Abraçadas à música, multiplicam os efeitos. Geram ambientes e disposições. Absorvem. Perturbadoras, remetem para a potência, para o sonho e para o mito. Dispensam a lógica e a palavra (artigo Chuva de Imagens, Tendências do Imaginário, 18.09.2011).
Segue “Life Wasted” (2006), dos Pearl Jam, vídeo musical eventualmente chocante. Para aceder, acarregar na imagem seguinte.






