É possível

Recordar apenas uma canção (La Luna) de Angelo Branduardi sabe a pouco. Compositor e intérprete de eleição, tenho publicado muitas canções suas. Por exemplo, Ballo in Fa diesis Minore (Sono Io la Morte) e Nelle Palludi di Venezia (com Teresa Salgueiro), ambas no artigo A passo de caranguejo. Canção da morte (24.04.2015), que recoloco. Acrescento quatro canções: Confessioni di un malandrino (1975); Alla Fiera Dell’Est (1976); La pulce d’acqua (1977); e Si può fare (1992). Um consolo…

Angelo Branduardi – Confessioni di un malandrino. La luna, 1975. Premio Città di Recanati IX, anno 1999
Angelo Branduardi – Alla fiera dell’ Est. Alla Fiera Dell’ Est. 1976. Ao vivo em 1996. DVD “Camminando Camminando”, 2006
Angelo Branduardi – La Pulce D’Acqua. La Pulce D’Acqua. 1977. Ao vivo em 1983. Roma, Teatro Sistina.Tour “Cercando l’oro”
Angelo Banduardi. Si può fare. Si può fare. 1992. Ao vivo, em 1996. DVD “Camminando Camminando”, 2006

Lua, Estrela, Vénus, Gaivotas e Teslas

Moledo do Minho, 16.06.2026

A lua
La Luna

Um dia, ao improviso
Un giorno all’improviso

A lua se cansou
la luna si stancò

De olhar para o mundo, la de cima
di guardare il mondo di lassù

Ela pegou um cometa,
prese una cometa,

Seu rosto, escondeu
il volto si velò

E até o fim do céu, caminhou.
e fino in fondo al cielo camminò

(Angelo Branduardi, La Luna, 1975)

Um satélite, uma estrela e um planeta, três luzinhas solitárias e quase alinhadas. Falta um cometa, mas esses parecem estar do outro lado do mar. Curiosamente, nas recentes dezenas de vezes que tenho ido à varanda, afigura-se-me ver, nesta praia minhota, poucas gaivotas e muitos Teslas.

Continuo, obstinadamente, a escutar música italiana, hoje, La Luna de Angelo Branduardi

Angelo Branduardi – La Luna. La Luna, 1975. Music Festival “Avo Session”, Basel. Edition 2000

Demasiado potentes, prepotentes e impotentes

Quino e Mafalda

Que desenharia Quino (1932-2020) se estivesse vivo? Não lhe faltariam exemplares de potentes, prepotentes e impotentes em que se inspirar. Nada sofisticados nem discretos. A minha geração foi das mais “empoderadas” ao longo da vida; foi, também, daquelas cuja esperança mais inchou e desinchou.

Os novos missionários

Os estafetas das entregas ao domicílio parecem ser os missionários do século XXI: convictos, confiáveis e expeditos. Em qualquer lugar, hora e porta.

Tesco Whoosh – Serious Delivery. Agência: BBH London. Direção: Bradley & Pablo. Junho 2026

As andorinhas. Lucio Dalla

Andorinhas. Fotografia de Almerinda Van Der Giezen. Junho 2026

Mas eu quero conversar,
Ouvir,
continuar agindo como um idiota,
me comportar mal
e depois não fazer isso de novo.
(Lucio Dalla – Felicità)

Lucio Dalla (Bolonia; 4 de marzo de 1943 – Montreux; 1 de marzo de 2012) fue un cantautor italiano. Músico de formación jazzística, está considerado uno de los más grandes cantautores de su país. Inicialmente sólo compositor de música, descubrió en su fase madura que también era autor de sus propias letras, convirtiéndose, con el paso de los años, en uno de los artistas musicales más influyentes e innovadores del siglo XX italiano. A lo largo de su carrera, que duró cincuenta años, siempre tocó el piano, el saxofón y el clarinete. (…) También conocido en el extranjero, algunas de sus canciones han sido traducidas y llevadas al éxito en numerosos idiomas. Entre ellos, «Caruso», ha vendido más de 40 millones de copias, convirtiéndose en una de las canciones italianas más famosas del mundo. (Wikipedia,16.06.2026)

Continuo sintonizado com a música italiana. Seguem cinco canções de Lucio Dalla.

Lucio Dalla – Caruso. Single, 1986. Dvd live: 12000 Lune Classica & Jazz, 2006
Lucio Dalla – Canzone. Canzoni, 1996
Lucio Dalla – Le rondini. Cambio, 1990
Lucio Dalla – L’anno che verrà (Official Video). Lucio Dalla, 1979
Felicità – Lucio Dalla. Dalla/Morandi, 1988

Ternura

Das esculturas da Virgem com o Menino, com mais de quinhentos anos, às recentes gravuras de namorados de Raymond Peynet, a ternura e o humor juntos são uma delícia.

Pensamento lapidar

Às vezes, peco. Sinto uma ponta de orgulho no que publiquei. Em Música, envelhecimento e desativação, de 14.06.2022, surpreende a frase lapidar:  O “envelhecimento” é um processo coletivo. É menos o indivíduo que envelhece e mais a sociedade que o envelhece. Desativa-o! Não surge por acaso: destilação pura de uma preocupação demoradamente incubada.

Vincent Van Gogh – At Eternity’s Gate, 1890

As Cidades na Idade da Inteligência

Depois da Idade das Trevas e da Idade das Luzes, chegou a Idade da Inteligência, a uma velocidade que já não é a do caracol. Recuei mais de dez anos para rever o artigo Cidades Inteligentes (14.06.2014). Recoloco-o, restaurando o anúncio desaparecido e acrescentando dois também da mesma série da IBM.

Smart cities, creative industries and entrepreneurship, they seem to be the musketeers of her majesty Europe. Nos logotipos e nas representações de cidades inteligentes, a lâmpada sobressai como motivo central. Multiplicam-se como gafanhotos as imagens a louvar as cidades inteligentes. Escasseiam, porém, as imagens dedicadas aos cidadãos inteligentes.

IBM – Smarter Cities, 2014

A figura do caracol lâmpada, ao jeito dos híbridos medievais, assevera-se aliciante: SSS – Slow Smart Snail. O passo de caracol presta-se à observação e à memória. Melhor que hoje só anteontem; e anteontem não existiu. Até as novas palavras se dão ares de superioridade: cidades inteligentes, indústrias criativas, empreendedorismo. Não resultam da evolução da língua. São criadas em laboratório. Cheiram a provetas, pipetas e bicos de bunsen.

IBM – Smart Cities. Agência: Ogilvy & Mather France. França, 2013.
IBM – Smarter Cities. Agência: Ogilvy & Mather, 2014
IBM – Smart Cities. BDigital Global Congress 2011

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Os vídeos estão numa ordem interessante!

Primeiro, uma ideia criativa, simples mas que oferece pequenas grandes comodidades; um banco onde descansar ou esperar, uma rampa nas escadas, um abrigo para o mau tempo.

Depois entra o planeamento a uma maior escala; planeia-se, criam-se interações, mas parece-me uma mudança mais ao nível estético, para impressionar.

Finalmente, as pessoas já não entram na história; são as cidades, como organismos vivos e autónomos, mais rapidez, mais dinheiro, mais informação.

Esta é a cadência dos vídeos, uma escolha pouco aleatória, atendendo às datas.

Crescente ou decrescente? Seria preciso uma rampa para entender a velocidade, um banco onde absorver o choque, um abrigo para a devastação de algo valioso, inominável. Um telhado, ainda aue curvo, não será suficiente. (Almerinda Van Der Giezen, 14.06.2026).