Pássaros de aço

“Em tempo de exultação da leveza, o peso e a robustez não se intimidam. Dá-me um extremo e mostro-te o outro. Uma barra tem dois extremos. Dobrada, os extremos tocam-se. O mundo anda assim, dobrado, com as distâncias a dançar tango (…) Estes quatro anúncios a automóveis vêm a talhe de foice: apostam no valor da robustez, com a leveza na lapela.” Aos pássaros de aço, de “O peso das coisas” (2016), acrescento “O Pássaro de Fogo” (excerto), conduzido pelo próprio Stravinsky.

Igor Stravinsky – O Pássaro de Fogo (excerto), 1910. Concerto de despedida em Londres, em 1965

Pós-Pavlov

Não consigo renunciar a recolocoar o artigo “Todos diferentes, todos iguais”, publicado há apenas três anos, no primeiro de julho de 2023 no blogue gémeo Margens. As palavras, as imagens e os vídeos estimulam!

Imagem: Kazimir Malevich. Sportsmen, 1931

E agora, o primeiro dia

“Agradeço os votos de aniversário. Fizeram-me sentir mais humano. Entre o peso do passado e a nostalgia do futuro, é bom contar com os amigos no presente”. “E agora, o que vou fazer” a partir do “primeiro dia do resto da minha vida”?

Imagem: Sérgio Godinho – ‘os sobreviventes”, 1972 (capa)

Amor de filha

Às vezes, felizmente cada vez menos, ainda me dá para escrever artigos com trejeitos académicos. Estou convencido que a ideia e o sentimento passariam melhor com meia dúzia de versos bem cantados. A transbordar inspiração e ternura, o anúncio polaco “Masquerade”, colocado em julho de 2017, merecia outra abordagem, mas nem sempre o violino está à mão ou, então, anestesiado, desafina.

Paula Rego – Happy Family – Mother, Red Riding Hood and Grandmother, 2003

Nas nuvens

Quase todos os anos escrevo um artigo a agradecer os votos de bom aniversário. Hoje, com a ida a Melgaço, não sobrou tempo. Não faz mal: aumentam os anos e diminuem os artigos e a estatura. Mas continua a vontade de voar e de comunicar. E de sonhar, também. A amizade ajuda. Recoloco, tardiamente, dois artigos que convocam este espírito: “Memória reincidente” (2020) e “Novidade e originalidade” (2017).

Sopro anímico

Existem situações em que, para nos levantar, não é preciso um guindaste para carregar o corpo; basta uma ligeira aragem que estremeça as asas.

Recoloco, revisto, com as passagens em inglês traduzidas, o artigo ” Momento de felicidade. ‘já me lembrei, já me esqueci'”, publicado há dez anos, no dia 29 de junho de 2016.

O fumeiro e a cesta dos pregos

Outrora, brincava-se com o fumo; hoje, exorciza-se. Da inspiração para a expiração. “Na publicidade dos anos sessenta, os cigarros faziam bem à saúde e o fumador era um homem de sucesso (…) Nos anos 2 000, o tabaco é um veneno e o fumador, um cadáver em potência.”

Imagem: Biblioteca Escolar do Agrupamento de Sande, 2015

Recoloco dois artigos a este título exemplares: “Consolo tóxico”, de 2020, e “Arcanjos e anjos da guarda”, de 2015.

Ser e estar sem avarias

A dos días de cumplir 67 años, sigo aspirando a ser quien soy y a estar en paz conmigo mismo. Sin crisis ni daños.

¿Y tú?

Surrealismo grotesco

Durante a sunset party da Academia Sénior do Município de Braga. Fraião, 27.06.2026. Fotografia de Maria Afonso

Ontem, selecionei quatro “artigos do dia” (27 de junho). Recoloquei apenas dois: “A roseira dos cravos”, de 2014, e “Pintar o campesinato: o Luttrel Psalter”, de 2016, ambos com imagens medievais. Divertido numa sunset party com os alunos de Cidadania, da Academia Sénior do Município de Braga, adiei “Matar o vício”, de 2018, e “A ceia dos pobres (eventualmente chocante)”, de 2013, para o dia seguinte. Ainda considerei colocá-los fora de horas, enquanto Portugal empatava com a Colômbia, mas sabia que arriscava provocar pesadelos…

“Matar o vício” e “A ceia dos pobres” relevam de uma espécie de surrealismo grotesco, mais próximo da conceção de Wolfgang Kayser (Das Groteske. Seine Gestaltung in Malerei und Dichtung, 1957) do que da de Mikhail Bakhtin (A cultura popular na Idade Média e no Renascimento, 1941).

Na versão de Wolfgang Kayser, o grotesco gera um sentimento corrosivo de estranheza, em que o mundo familiar se revela, insolitamente, ameaçador e inquietante. Sério e visceral, provoca confusão, desorientação, mal-estar e angústia. Os quadros da chamada fase negra de Francisco de Goya representam um bom exemplo.

Em Mikail Bakhtin o grotesco é, pelo contrário, carnavalesco, animado por um movimento de rebaixamento coletivo, cómico e regenerador. Embora fantástico, desconcertante e excessivo, tende a resultar afirmativo e esperançoso.

Os vários livros de François Rabelais com os gigantes Gargantua e Pantagruel como protagonistas oferecem-se, agora, como um exemplo eloquente.

Em “Matar o vício”, o ambiente dos anúncios da revista Men’s Health é fantasmático, claustrofóbico e sinistro, com a figura do duplo, o outro eu, a insinuar-se como um intruso ambíguo, perturbador e ameaçador, senão fatal.

Com “A ceia dos pobres”, transitamos da publicidade para o cinema. O filme Viridiana (1960), de Luis Buñuel, encena uma paródia da Última Ceia, de Leonardo da Vinci, que frisa a blasfémia.

O filme Um Cão Andaluz (1928), de Luis Buñuel e Salvador Dali, destaca-se como um marco incontornável da história do cinema. Não se pode afirmar que propicie boa disposição. Deveras criativo, desconcerta e impressiona, cravando-se, indelével, na memória. Um cúmulo emblemático do surrealismo grotesco ao jeito de Kayser. Não aconselhável a pessoas sensíveis.

Surrealismo grotesco, eis uma noção que pode manifestar-se interessante!

Imagens fantásticas de um manuscrito medieval

À Graça

Resgato o artigo “Pintar o campesinato: o Luttrel Psalter, acrescentando-lhe dois vídeos: um primeiro junto ao link da apresentação Luttrel Psalter. Excertos a facilitar a respetiva visualização; logo seguido por um segundo a preceder a galeria de imagens.