Mentes ofuscantes

No Oriente, não é apenas a Tailândia que nos surpreende com o humor extremo e insólito. A Índia também dá o seu pé de dança com anúncios extravagantes, hilariantes, fascinantes e outros adjetivos terminados em “antes”, tais como ofuscantes.
A Happydent desenvolveu na Índia, entre 2005 e 2009, uma campanha publicitária luminosa, com um humor absurdo que lembra o surrealismo.
No primeiro anúncio, de 2005, durante uma sessão fotográfica, um homem, que mastiga uma pastilha elástica Happydent, substitui, ao rir, o flash.
O segundo, datado de 2007, é um anúncio monumental. Num palácio, um jovem corre aflito. Entra numa sala, sobe para o candeeiro, mostra os dentes e faz-se luz. Graças ao efeito Happydent, o jantar pode começar.
No terceiro anúncio, de 2009, um pastor perde um cordeiro. As defesas dos elefantes mergulhadas em água com Happydent iluminam a busca nocturna.
Piscar ou não piscar, eis a questão!

Há anúncios assim. Comparativamente longos, optam por se atardar em torno de um assunto lateral. Em Papadeos, da Honda, o produto propriamente dito é abordado na parte final. O corpo e a conclusão do anúncio requerem, no entanto, algum tipo de ligação. É frequente a ligação entre o tema e o produto convocar as figuras do excesso e da exceção. Por excesso, a mulher, ofuscada pelo Honda, não conseguiria parar de pestanejar. O anúncio aposta, porém, na exceção: seduzida pelo automóvel, a mulher, contra a natureza humana, deixa de pestanejar.
Acrescento o anúncio argentino Ojos, da Nextel. Enternecedor, também incide sobre o ato de pestanejar.
Orçamento das famílias e crise no acesso à habitação

O anúncio Breaking News – Bank of Mum & Dad in crisis, da Shelter, “é uma obra-prima. Parodia a comunicação social e parodia o mundo financeiro. Enquanto que os governos adquirem e consolidam bancos, o Mum & Dad afunda-se (…) A Shelter chama assim, com humor e inteligência, a atenção para duas realidades preocupantes: a pressão crescente e insustentável que se abate sobre as famílias e o aumento das necessidades em termos de habitação.” Faz 13 anos, no Reino Unido!
Semelhanças entre homens e bestas

“A associação entre as morfologias humana e animal remonta, pelo menos, à Antiguidade. Às respetivas afinidades corresponderiam semelhanças ao nível das tendências de carácter.
Imagem: Ticiano – Alegoria da Prudência, ca. 1565-157
Por exemplo, nariz em forma de bico de corvo significaria descaramento; de galo, luxúria; e de águia, generosidade. Por sua vez, olhos de carneiro revelam depravação; os de cervo, espiritualidade; e os de burro, loucura.”
Os dois infinitos

O meu filho mais velho, o João, descobriu um novo entretenimento: tirar fotografias noturnas ao infinito. Um deslumbramento. Ao contemplá-las, acode-me um extenso pensamento de Blaise Pascal sobre os dois infinitos. Não me canso de o reler. Junto dois excertos em pdf. Como se tornou raro publicar artigos de raiz, aproveito a ocasião para acrescentar três vídeos dos Dvein, de Barcelona.





