Um buraco na água. Julien Clerc.

M.C. Escher. Rippled Surface, March 1950.

Sinto falta! Sinto falta! Sinto a tua falta, mulher! Quero a quem não quer. Um buraco na água. É estúpido querer quem não quer. Como é estúpida a estupidez!

Julien Clerc. Femmes je vous aime. Femmes, indiscrétion, blasphème. 1982. Ao vivo: Le Grand Studio RTL, 2016 (?).

Alegria

Alegra-te! Pinta o purgatório de amarelo.

Manfred Mann – The Mighty Quinn (Quinn The Eskimo) (1968). Original de Bob Dylan.

Publicidade do mundo

Giorgio Armani. 2020.

Existe “música do mundo”, “cinema do mundo”, “literatura do mundo”; há espaço para uma “publicidade do mundo”? O anúncio My Way, da Giorgio Armani, parece enveredar por esse trilho. Há mais casos. De qualquer modo, o mundo Armani é infalivelmente bonito. Sem discriminação de género.

Marca: Giorgio Armani. Título; My Way. Direcção: Hunter & Gatti. Setembro 2020.

Dados

A censura vem quase sempre do lado bom da sociedade. Faz-se em nome do Bem. É muito protetora.

Quino. Mafalda.

Através dos nossos ossos

Deep Purple

Nos anos setenta, os Deep Purple eram uma das minhas orações. A partir do álbum Burn (1974), deixei, porém, de rezar pelos ouvidos. Aconteceu o mesmo com os Pink Floyd, a partir do álbum The Wall (1979), e com os Camel, a partir do álbum Moonmadness (1975). Saiu, em agosto, o 21º álbum dos Deep Purple: “Whoosh!”. A banda é composta pelos seguintes membros. Primitivos: Ian Gillan, vocalista, 75 anos; Roger Glove, baixo, 74 anos; Ian Paice, baterista, 72 anos. Mais recentes: Don Airey, teclista, 72 anos; Steve Morse, guitarra, 66 anos. Uma banda enérgica, talentosa, experiente, com uma idade média de 72. anos. Uma longevidade profissional invejável.

Seguem o vídeo de uma sessão de ensaio para a canção “Throw My Bones”, mais o vídeo oficial desta canção, a primeira do álbum “Whoosh!”. Para comparação, o terceiro vídeo recua a uma sessão de ensaio de 1971, para a música “No No No” (do álbum Fireball).

Deep Purple “Throw My Bones” Live Rehearsal Session – New album “Whoosh!”. 2020.
Deep Purple “Throw My Bones” Official Music Video. Album “Whoosh!”. 2020.
Deep Purple. No No No. Take 2. Fireball. 1971. Rehearsal Session for German TV.

Sem salvação

Em tempo de epidemia, as empresas sofrem. O anúncio Survive, do facebook, é um requiem ao Coogan’s, pub irlandês da Broadway (ver acima carta de despedida). Um pub acolhedor, que lembra o bar da série Cheers (ver vídeo 2). O facebook encara a falência do Coogan’s como uma perda coletiva, expressa num memorial de três minutos e meio. O facebook parece estar de luto.

Marca: Facebook. Título: Survive – Coogan’s. Agência: Droga 5, New York. Direção: Miles Jay. Estados-Unidos, Setembro 2020.
Intro song to the tv show Cheers ( 1983-1992); Where everybody knows your name, by Gary Portnoy (1982).

O sabor da felicidade

Monstro das Bolachas. Rua Sésamo.

Publiquei o anúncio Biblioteca, da Oreo, no facebook, em 2011. Não hesito em retomá-lo. Retomar é viver duplamente: no passado e no presente. O anúncio Biblioteca é uma ternura. Trata da felicidade que tanto perseguimos e tanto nos escapa. Um pensamento estorva-me as ideias: qual é o lugar da felicidade na televisão, mormente na informação? Nos anos sessenta, chamava-se à televisão a “caixa mágica”, uma adição, uma droga, da sociedade do consumo e da imagem. Com todas as nossas viragens e posteridades, da sociedade do consumo e da imagem ainda não saímos. A felicidade na informação televisiva joga às escondidas ou aparece passada a ferro. Manifesta-se mais natural gerar medo, insegurança e tristeza do que inspirar confiança, esperança e felicidade. Existe atração pelo medo? Compensa o drama e a tragédia? A felicidade mora ao lado. E o golo? E o hino? E a lotaria? E os festivais? E a saída nacional do “lixo”? Extraordinários efémeros. A felicidade é um sentimento. Não é fácil contribuir para a felicidade alheia. Tão pouco para a nossa. O anúncio Biblioteca é um sobressalto da alma. Menos pelo conteúdo, “o apetite guloso”, e mais pela forma: o apetite aguça a arte de superar limites. Nos anúncios, como em quase tudo, a forma transcende o conteúdo. Conheci a Felicidade; até tenho fotografias; era uma das figuras da minha aldeia; uma excelente pessoa; despediu-se há muito tempo.

Marca: Oreo. Título: biblioteca. Agência: Draftfcb Argentina. Director: Martín Hodara. Argentina, 2010.

O avião de Carlos Paredes

Airbus da TAP Air Portugal com o nome de Carlos Paredes,

Há notícias felizes: a TAP batizou, em 2019, um avião, um Airbus novo, com o nome de Carlos Paredes. Anos antes, Carlos Paredes tinha gravado um álbum em homenagem à TAP: Asas Sobre o Mundo (1989). Seguem o vídeo de homenagem da TAP e duas músicas de Carlos Paredes: Verdes Anos e Medley: Coimbra e o Mondego.

TAP homenageia o mestre da guitarra portuguesa, Carlos Paredes. 2019.
Carlos Paredes. Canção Verdes Anos. Guitarra Portuguesa. 1967.
Carlos Paredes. Medley: Coimbra e o Mondego. Espelho de Sons. 1987.

Entre duas águas

Paco de Lucia.

A cabeça na almofada e o corpo na jangada. A cama é um rio. Água, duas águas, águas turvas, águas mil. O mesmo, o outro, os outros a nadar no mesmo. Metecos ( méta significa, em grego, “no meio de, entre, com”). Todos somos metecos. Vogamos, dentro e fora, em águas incertas.

Luzia é uma música, um monumento musical, que Paco de Lucia dedica à mãe, Luzia Gomes, portuguesa de Castro Marim. Entre dos aguas é o título de um dos grandes e mais antigos sucessos de Paco de Lucia. Estava a faltar música flamenga no Tendências do Imaginário.

Paco de Lucia (e Banda). Luzia. Luzia. 1998. Ao vivo no Festival Leverkusener Jazztage, em Leverkusen, Novembro 2013.
Paco de Lucia. Entre dos aguas. Fuente Y Caudal. 1973. Extraído do documentário La Búsqueda (2014).

No teu olhar se perde o meu

Rodrigo Leão.

Separar-se sem partir; partir sem se separar. Há fados assim (AG).

Gosto do Rodrigo Leão e da Ana Vieira. Mas hesito. Em Portugal, quem não os conhece? Reconsidero. Em termos de receção, este blogue não é lusitano. Oito em cada dez visitas provêm do estrangeiro. Dedico-lhes música, voz e poesia. Dedico-lhes um País.

Rodrigo Leão. Voltar. O Mundo [1993-2006]. 2006. Ao vivo.
Rodrigo Leão. Vida Tão Estranha. A Mãe. 2009.