Naturalidades

Com o recurso à Inteligência Artificial, designadamente às potencialidades de animação, namora-se a hiper-realidade: a ilusão adquire outra vida e espessura. O anúncio “Give life some juice”, da Tropicana parece, assim, “natural” (como o sumo?). Simula a perfeição, “sem ponta por onde se lhe peque”, a não ser “dando-lhe a volta”, refrescando as ideias e os sentidos.
René Magritte – Tempo trespassado, 1938
É possível
Recordar apenas uma canção (La Luna) de Angelo Branduardi sabe a pouco. Compositor e intérprete de eleição, tenho publicado muitas canções suas. Por exemplo, Ballo in Fa diesis Minore (Sono Io la Morte) e Nelle Palludi di Venezia (com Teresa Salgueiro), ambas no artigo A passo de caranguejo. Canção da morte (24.04.2015), que recoloco. Acrescento quatro canções: Confessioni di un malandrino (1975); Alla Fiera Dell’Est (1976); La pulce d’acqua (1977); e Si può fare (1992). Um consolo…
Lua, Estrela, Vénus, Gaivotas e Teslas

A lua
La LunaUm dia, ao improviso
Un giorno all’improvisoA lua se cansou
la luna si stancòDe olhar para o mundo, la de cima
di guardare il mondo di lassùEla pegou um cometa,
prese una cometa,Seu rosto, escondeu
il volto si velòE até o fim do céu, caminhou.
e fino in fondo al cielo camminò(Angelo Branduardi, La Luna, 1975)
Um satélite, uma estrela e um planeta, três luzinhas solitárias e quase alinhadas. Falta um cometa, mas esses parecem estar do outro lado do mar. Curiosamente, nas recentes dezenas de vezes que tenho ido à varanda, afigura-se-me ver, nesta praia minhota, poucas gaivotas e muitos Teslas.
Continuo, obstinadamente, a escutar música italiana, hoje, La Luna de Angelo Branduardi
Demasiado potentes, prepotentes e impotentes

Que desenharia Quino (1932-2020) se estivesse vivo? Não lhe faltariam exemplares de potentes, prepotentes e impotentes em que se inspirar. Nada sofisticados nem discretos. A minha geração foi das mais “empoderadas” ao longo da vida; foi, também, daquelas cuja esperança mais inchou e desinchou.
Os novos missionários

Os estafetas das entregas ao domicílio parecem ser os missionários do século XXI: convictos, confiáveis e expeditos. Em qualquer lugar, hora e porta.
As andorinhas. Lucio Dalla

Mas eu quero conversar,
Ouvir,
continuar agindo como um idiota,
me comportar mal
e depois não fazer isso de novo.
(Lucio Dalla – Felicità)
Lucio Dalla (Bolonia; 4 de marzo de 1943 – Montreux; 1 de marzo de 2012) fue un cantautor italiano. Músico de formación jazzística, está considerado uno de los más grandes cantautores de su país. Inicialmente sólo compositor de música, descubrió en su fase madura que también era autor de sus propias letras, convirtiéndose, con el paso de los años, en uno de los artistas musicales más influyentes e innovadores del siglo XX italiano. A lo largo de su carrera, que duró cincuenta años, siempre tocó el piano, el saxofón y el clarinete. (…) También conocido en el extranjero, algunas de sus canciones han sido traducidas y llevadas al éxito en numerosos idiomas. Entre ellos, «Caruso», ha vendido más de 40 millones de copias, convirtiéndose en una de las canciones italianas más famosas del mundo. (Wikipedia,16.06.2026)
Continuo sintonizado com a música italiana. Seguem cinco canções de Lucio Dalla.




