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Memória, para que te quero?

Salvador Dali – The Disintegration of the Persistence of Memory, 1954

“Não fosse a Dra. Aida Mata convidar-me para uma comunicação sobre a memória num encontro no Mosteiro de Tibães, este texto nunca teria sido escrito. Pouco se perdia!”. Quando nos convidam para falar sobre um determinado tema, convém partilhar algo diferente, com marca própria, mas, de preferência, despretensioso. Não é nada fácil. A inspiração na experiência pessoal, quando existe, pode proporcionar uma chave… para uma ilusão de sabedoria.

O nariz de Cleópatra: o presente no passado. Tendências do Imaginário, 06.09.2018

Caixinha mágica. NÓS fazemos parte!

NOS. Caixinha mágica. Havas. Marco Martins. Portugal, Novembro 2018
Tu fazes parte!. Tendências do Imaginário, 05.09.2019

Lembranças (do blogue Marginália)

O aniversário do Tendências do Imaginário recordou-me um blogue pessoal anterior, de que já nem sequer sabia o nome. Voltei a escavar. Primeiro, confirmei que era blogger do Blogspot desde 2008. Em seguida, procurei o nome do blogue, com a ajuda da IA. Descobri muita coisa, mas não o que pretendia. Decidi pesquisar, pelos meus próprios meios, no caos imenso dos meus discos duros. Utilizei muitas palavras-chave, até que me acudiu “dobras”. Surgiu apenas um documento promissor: um atalho para a Internet datado de 27 de agosto de 2010. Carreguei e… eis-me no blogue Marginália. Era esse o nome do meu blogue. Quem diria? Ignoro a quantidade de artigos que publiquei entre 2008 e 2012. Para já, só consegui aceder a doze. Recoloco Lembranças, de 5 de agosto de 2008. Dedicado a postais ilustrados, resulta uma boa mensagem de parabéns.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Lembranças


Postais 1 e 2

Neto de comerciante, foi-me dado assistir à morosa hesitação da escolha dos postais ilustrados. Não deixa de constituir tarefa azada, quase um milagre, conseguir acomodar, num rectângulo tão exíguo, emissor, destinatário, pretexto, mensagem e imagem. Lembro-me, também, da recepção de alguns postais. Ao estremecimento e à comunhão iniciais, com o postal a passar de mão em mão, sucedia-se a exposição num “altar improvisado”e o recolhimento numa gaveta, caixa ou álbum destinado às relíquias memoráveis. Quase todos nós, apesar dos anos e das mudanças, preservamos alguns destes tesouros semiprivados. Compõem uma espécie de bálsamo para a nossa identidade.


Postal 3

Os postais ilustrados comportam uma vertente estética. Podem ainda apresentar uma aura de magia, risco, aliás, próprio de um objecto que se interpõe entre duas pessoas. Absorvem o emissor que neles se inscreve (“estou aqui!”) e convocam o destinatário que neles se adivinha (“Esta menina és tu a pedir à Nª Sª pª vires passar as férias a casa”: postal 1). Podem, inclusivamente, aspirar a uma certa tangibilidade das almas ou, se se preferir, a um magnetismo dos corpos separados: “Se o pensamento fosse visível, ver-me-hias sempre ao teu lado” (postal 2). Muitos postais ilustrados são dádivas. Antes de mais, dádivas de si. São lembranças, “something between a message and a present” ( Andrew Martin: http://blogs.guardian.co.uk/travelog/2008/07/postcards_back_from_the_edge.html).


Postal 4

São prendas! Apreciadas, exibidas e guardadas. Pessoalizadas em sintonia com o outro, pedem criatividade, dedicação e sentido de oportunidade. Confesso nutrir alguma predilecção pelos postais ilustrados anteriores a 1902, aqueles em que “de um lado só se escreve a direcção”. Reduzem o importante ao essencial. E o essencial, como bem sabemos, cabe no buraco de uma agulha. As soluções, variadas, oscilam entre a incontinência de letras que afoga a imagem e o gesto discreto e precioso que lhe acrescenta valor. Mesmo com a possibilidade de escrita no reverso do postal, as marcas e as inscrições na imagem perduraram, como uma espécie de luxo ou de requinte pessoal ( atente-se no postal 3 e, sobretudo, no pormenor do postal 4: estes postais podem ser vistos no blogue Postais Antigoshttp://postais.do.sapo.pt/). É certo que, na maioria dos casos, estas prendas são surpresas esperadas, ao sabor das efemérides ou das viagens. Se tardam, sente-se a falta, num misto de frustração e inquietação.

Publicada por Albertino Gonçalves à(s) 09:41 Sem comentários: 

Etiquetas: Postais ilustrados

Com a desigualdade na lapela

William Hogarth – Captain Lord George Graham in his Cabin, ca. 1745

Um artigo para pensar um pouco no muito que já se sabe.

Riqueza vaidosa. Tendências do Imaginário, 29.08.2020

Estado de corpo

Sobrevêm artigos que, ao resgatá-los, acabo por reconher neles a expressão, não de estados de espíritos, mas de estados de corpo.

Corria o ano de 2019 e a cadeira adquiria rodas…

Imagem: Vincent van Gogh Paul. Gauguin’s Armchair, 1888. Van Gogh Museum

Quando o corpo incomoda a alma. Tendências do Imaginário, 28.08.2019

Nazismo e antitabagismo

German anti-smoking campaign poster, ca. 1940
Antitabagismos. Uma nota histórica parcelar. Tendências do Imaginário, 26.08.2026

Sushi e Performance

Wagakki Band

Ao Fernando

Sushi. Tendências do Imaginário, 26.08.2017

A vez e a voz das crianças

Henri Rousseau – Pour fêter le bébé! 1903
Dar a mão a uma criança. Tendências do Imaginário, 26.08.2014
Ninguenização. Tendências do Imaginário, 17.12.2012
Alimentação e diálogo cultural. Tendências do Imaginário, 26.08.2018

A Beleza do Perfume

Shiseido. All Beautiful Things Come From Nature. Japão, Junho 2017

Admiro os anúncios a perfumes. Um mar de dificuldades. Através do monitor, vemos e ouvimos. Não apalpamos, degustamos ou cheiramos. Não obstante, sentimo-nos tocados. Reagimos aos vídeos e à música com o corpo. Mas o perfume, não o vemos, nem o ouvimos, nem o tocamos. A comunicação do cheiro é complicada, tanto mais que o cheiro é pessoal, irredutível à agregação colectiva.

O anúncio japonês “All Beautiful Things Come From Nature” (2017), pelo Dvein, para a Shiseido, é lindo, lindo, lindo! “Lindo de morrer”!

Perfume. Tendências do Imaginário, 24.08.2026

Saxophone in Rock

Gerry Rafferty. City to city, 1978

Acordar com um saxofone escocês: Gerry Rafferty.

O saxofone de Baker Street. Tendências do Imaginário, 22.08.2020