Oração às avessas. Vida de esqueleto II

Em 2017, sentia a morte rondar-me. Os três anos seguintes foram de aproximação paulatina, mas iniludível. Em vez de a esconjurar, optei por me familiarizar com ela. Vida de esqueleto II. O espelho, como muitos outros textos que escrevi nesse período, nasceu desse exercício. Volvidos nove anos, leio-o hoje como uma espécie de oração às avessas.
Imagem: William Cheselden. Esqueleto rezando. 1733
Pesadelos acordados

A próxima edição dos Serões dos Medos em Melgaço está programada para a noite de 23 de outubro. Entretanto, convém exercitar os neurónios. Assistindo, antes de deitar, a imagens de pesadelo, com música a condizer. Recomendo as pinturas grotescas, corrosivas e perturbadoras dos expressionistas alemães Otto Dix e Georg Grosz.
Imagem: Georg Grosz – Battalion of the Hole, 1948
Uma vida por viver

No final da Idade Média, acreditava-se que, na hora da morte, os moribundos reviviam os momentos mais marcantes de suas vidas. Esta crença não desapareceu. O anúncio Una vida por ver, da Movistar, operadora de telemóveis ibero-americana, é distinto. Não se trata de uma “revisão do passado” mas de uma “visão do futuro”, da vida que a morte amputou. Não é um rewind nem um forward, mas um retrocesso do futuro para o presente. (A família, um valor tradicional, 27.09.2018)
Extensões ou intrusões do humano?

As novas ferramentas — a teleconferência, os telemóveis, a IA — são extensões que nos capacitam, mas que também nos podem possuir, por vezes sem passar pelo filtro da consciência. Não esconjuradas, mas desejadas, relevam mais da maçã do que da serpente. Estreados este mês, os três anúncios que se seguem oferecem-se como pretexto para pensar essa ambivalência.
Imagem: Marshall McLuhan – Understanding Media The extensions of Man. 1ª ed 1964
Libertação da lei da morte

Ao ritmo a que são publicados, os artigos do Tendências do Imaginário são flashes de palavras e imagens, fruto aparente de geração espontânea. Mas acontece um ou outro estar na forja durante dias, senão semanas. Continuam a ser palpites, mas um pouco menos. Nestes casos, gosto de falar em imaginação criativa de médio alcance. O artigo Até que a morte nos separe?, colocado pela primeira vez no dia 22 de setembro de 2018, representa um exemplo.
Entre mundos. Mortos interativos

A cabeça na almofada e o corpo na jangada. A cama é um rio. Água, duas águas, águas turvas, águas mil. O mesmo, o outro, os outros a nadar no mesmo. Metecos (…) Todos somos metecos. Vogamos, dentro e fora, em águas incertas. (Entre duas águas , 20.09.2020)
Bem-vindos a um admirável mundo novo

Estes cinco anúncios estrearam nas últimas semanas. Mesmo quando não parece, somos uns afortunados!
Gato Preto
Pode cair o céu, pouco importa, desde que haja conserto.


