Archive | Abril 2025

O Êxtase de Santo Horácio Jogador

Xbox. Wake Up. Trailer. 2025

Horácio, transformado em rato, recupera a humanidade graças ao prazer do jogo (gaming). Seguimo-lo na azáfama quotidiana como rato: ambiente sobrepovoado, tédio laboral, almoço apressado na secretária. A rotina é interrompida por aparições breves de jogadores misteriosos — os únicos humanos entre os ratos. Findo mais um dia interminável, Horácio liga o Xbox na TV OLED Samsung e conecta-se com os amigos. Uma dose de diversão imprescindível que o converte no ser humano que sempre foi (Tradução muito livre).

“Deus criou três inimigos por causa dos nossos pecados: o rato nas nossas casas, a raposa na montanha e o cura na nossa paróquia” (provérbio da América Latina)”. Que fazer contra o estigma, a obsessão profundamente enraizada? Pobres ratos, associados ao mal, calhou-lhes o lado noturno do imaginário.

Xbox – Wake Up. Agência: Droga5, New York. Direção: David Fincher. USA, abril 2025

Humor belga

“O surrealismo está profundamente enraizado na cultura belga, e isso transparece no humor, que frequentemente brinca com o absurdo, o ilógico e o inesperado (…) Os belgas costumam rir de si mesmos, seja em relação à sua identidade nacional, seus hábitos, sotaques ou rivalidades linguísticas (entre flamengos e valões). (…) O humor belga não evita temas sombrios.

São bastante comuns piadas envolvendo morte, tragédia ou situações desconfortáveis, mas tratadas de uma forma leve ou irónica. (…) Grande parte do humor belga (…) tem uma forte dimensão visual e foge muitas vezes da lógica convencional (…) Introduz críticas à sociedade, à política ou a instituições sob o disfarce de uma capa de absurdo ou de comédia leve.” (ChatGPT, consultado 29.04.2025).

Em termos de banda desenhada belga, recomendo dois autores: Franquin, criador do Gaston Lagaffe, e Greg, do Achille Talon. Prefiro ao consagrado Hergé, do Tintim.

A seguinte meia dúzia de anúncios recorda o dito humor belga. Os anúncios podem não ser belgas, são quase todos britânicos, mas a cerveja Stella Artois teve origem em Lovaina, ainda em plena Idade Média. Talvez subsistam algumas raízes de inspiração.

Stella Artois – Quest. Agência: Rattling Stick (London). Produção: Mother. Reino Unido, 2011
Stella Artois – Respect. Agência: Mother. Direção: Patrick Daughters. Reino Unido, 2011
Stella Artois – Masterpiece. Agência: Lowe Roche (Toronto). Direção: Matthijs Van Heijningen. Canadá, 2006
Stella Artois – Ice Skating Priests. Agência: Lowe (London). Direção: Jonathan Glazer. Reino Unido, 2006
Stella Artois – The Plague. Agência: Lowe. Direção: Ivan Zacharias. Reino Unido, 2002
Stella Artois – Monet. Agência: Lowe. Direção: Michael Seresin. Reino Unido, 1991

Probabilidades pouco prováveis

Creio que já partilhei este anúncio. Recordo-o. Brilhante, vencedor de vários prémios (Cannes 2023; ANDY Awards 2024) e com um aproveitamento oportuno da Inteligência Artificial, sensibiliza pela inspiração. Pelo sim, pelo não, coloco-o. Serve como transição para o próximo artigo dedicado a anúncios da marca de cerveja Stella Artois.

Imagem: Cartaz da campanha The Artois Probability

Desenvolvemos um algoritmo que analisou cada pintura e, com base em variáveis ​​como o ano em que foi pintada, a localização geográfica, o tipo de vidro e a cor do líquido, cruzamos esses dados com o extenso histórico da marca, resultando em uma porcentagem que indica com probabilidade a presença de uma Stella Artois nessas pinturas (Haroldo Moreira, redator da agência GUT)

Marca: Stella Artois. Título: The Artois Probability (case study). Agência: GUT, Buenos Aires. Argentina, 2023

Viagem ao Interior do Coração

Para quem se deita às tantas da madrugada, hoje levantei-me cedo. Das nove em ponta às catorze bem badaladas, o meu desempenho cardíaco foi examinado. Jejuado, cateterizado, injetado, radioativo, sensorizado, tomografado, esforçado e eletrogramado, regressei vigiado, sem saber, contudo, em que estado.

Imagem. Dead Can Dance. Aion, 1990

Bem atendido, mas repassado, em casa, apeteceu-me entorpecer com música soprada com uma ponta de ironia. Os Doors? Léo Ferré? Não, os Dead Can Dance…

Dead Can Dance – Anabasis. Anabasis, 2012
Dead Can Dance – “Saffron”. Ao vivo em 2005
Dead Can Dance – How Fortunate The Man With None. Into the Labyrinth, 1993

Alpercatas emancipatórias

Mais um anúncio tailandês.

Marca: Gambol. Título: The Violent Ape. Agência: YDM Thailand. Direção: Teerapol Suneta. Tailândia, abril 2025

Balanço da Espada, da Cruz e do Cálice

Bem-disposta e algo intimista, a conversa sobre “a espada, a cruz e o cálice nas imagens de Cristo e da Virgem Maria” já pertence ao passado. Mobilizou uma vintena de pessoas. Data e hora pouco oportunas. De qualquer modo, a conversa teve a audiência merecida.  Por sinal, suficiente. Com fraco espírito missionário, não cuido de espalhar a palavra. Pouco importa o tamanho da audiência, o que conta é a qualidade da comunicação.

Durante 150 minutos, com um intervalo de 15, foram projetados 93 diapositivos e 160 imagens. As ideias propostas, algumas originais e sustentadas em anos de investigação pessoal, justificam prudente reserva.

A Sala das Cavalariças do Mosteiro de Tibães é um aconchego. Motivados, saímos exaustos, mas satisfeitos. Uma experiência única, que ganha em não ser repetida.

Segue uma galeria com uma seleção de 20 imagens (desordenadas). Um oitavo do conjunto.

Despistados e confusos

Apetece-me colocar três canções dos Led Zeppelin que ainda não partilhei, “Going to California” (1971), “That’s the way” (1970) e “Dazed and Confused” (1969), todas ao vivo. Por ordem inversa da data de edição. Por que motivo as resgato? Não sei! Calhou ouvir e vibrar…

Led Zeppelin – Going to California. Led Zeppelin IV, 1971. Live at Earls Court 1975
Led Zeppelin – That’s the way. Led Zeppelin III, 1970. Live at Earls Court 1975
Led Zeppelin – Dazed and Confused. Led Zeppelin, 1969. Live at The Royal Albert Hall 1970

A Espada, a Cruz e o Cálice

No próximo sábado, dia 26 de abril, às 15 horas, vou falar no mosteiro de Tibães sobre a relevância dos símbolos da espada, da cruz e do cálice na interpretação das imagens de Cristo e da Virgem Maria. A meio de um fim-de-semana prolongado e coincidente com a Festa do Alvarinho em Melgaço, a data não é a mais propícia. Desejava-a perto da Páscoa e no mosteiro de Tibães, espaço que me é particularmente grato. Nestas condições, foi a única disponível. Não me apoquenta. Interessa-me mais a relação com o público do que a sua dimensão. Como a generalidade das minhas conversas, será única. Projeto retomá-la apenas como aula na academia sénior de Melgaço.

Demasiado ampla, tive que a reduzir. Concentra-se, assim, nos seguintes episódios e figuras: Juízo Final, Menino Jesus com a cruz, Anunciação, Expetação e Virgem Entronizada. Principalmente na Baixa Idade Média e no início da Moderna. A Senhora da Misericórdia e a Pietà resultam adiadas para uma próxima conversa. A Natividade e a Virgem do Leite justificarão, porventura, uma terceira. Não obstante, prevê-se densa e extensa. Afortunadamente, bastante ilustrada e algo original.

Se se proporcionar, apareça. Caso contrário, não lhe sentirá a falta.

Maravilha melodiosa

Eis-nos redimidos num mundo maravilhado!

Quando desejo aconchegar-me num berço prazeroso costumo escutar (e ver) a Katie Melua (ver, no Tendências do Imaginário, Apego à loucura e Serenidade).

Katie Melua – Wonderful Life, 2014, Ultimate Collection, 2018. Music video for ‘Wonderful Life’, originally featured on BBC Radio 2’s Sound of The 80’s Compilation (2014)

Véus de vidro

Aqueles que têm mais consciência são quem tem maiores pesadelos (atribuído a Gandhi)

Entre a sexta do sacrifício e o domingo da vitória, a descida ao limbo e a subida às alturas, talvez se proporcione a sonoridade dos Glass Beams: “uma fusão hipnótica de rock psicadélico, funk, surf rock australiano e música clássica indiana. A banda utiliza escalas orientais, riffs cíclicos e polirritmias que evocam uma atmosfera cósmica e meditativa” (ChatGPT, 19.04.2025).

O misterioso trio de Melbourne Glass Beams é um dos mais recentes fenómenos deste globo cada vez mais pequeno (…) / Com as suas máscaras exóticas, uma identidade secreta e um universo musical em permanente polenização entre o oeste e o oriente mágico, o segredo parece ser a alma deste fantástico trio. / O pouco que sabemos sobre os Glass Beams é que se fundaram em torno de Rajan Silva, um filho de emigrantes, com evidentes raízes portuguesas, que no final da década de 70 emigrou da Índia para a Austrália com uma colecção de discos na bagagem que se estendia entre Bollywood, Ravi Shankar, George Harrison e Muddy Waters. A formação de Rajan Silva bebeu por isso dessa intersecção entre a música clássica indiana e uma fusão de estilos ocidentais do rock ao funk, entre o passado e o futuro (https://www.oxigenio.fm/glass-beams-mahal/).

Os Glass Beams atuaram em agosto de 2024 no festival de Paredes de Coura. Vários trechos lembram-me os Camel da primeira metade dos anos setenta.

Glass Beams – Mahal. Mahal, 2024
Glass Beams – Mirage. Mirage, 2021
Glass Beams – Rattlesnake. Mirage, 2021
Glass Beams – Taurus. Mirage, 2021