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Incontinência digital

Inconveniência amigável, 22.09.2013

O apelo do abraço

Gustav Vigeland. Homem e Mulher, 1905
O elogio do abraço. Tendências do Imaginário, 12.09.2014

Patas de caranguejo

Imagem de caranguejo numa calçada

Tinha içado a vela, navegava à deriva obliquamente, como um caranguejo; depois, ao chegar ao fim do seu percurso, corrigia a deriva a baixa velocidade, posicionava-se de lado a três quartos do vento e a sua proa robusta abria-lhe caminho. (Roger Vercel, Remorques, 1935).

Apesar de estar com pouco tempo livre, assoberbado a escrever um capítulo intitulado A Senhora da Cabeça, São Bartolomeu e o sagrado em Penso, dei-me ao luxo, com imenso prazer, de revisitar o artigo A canção da morte a passo de caranguejo, colocado em 11 de setembro de 2017. A primeira parte retoma o artigo A passo de caranguejo. A canção da morte, publicado em 24 de abril de 2015. Versa sobre postais ilustrados, embora o mais interessante não seja o conteúdo, mas a indagação e a digressão, ao jeito de um crustáceo. O resultado não é pequeno. As coisas com que me entretinha em tempos adversos! Quando tiver uma folga, recomendo uma espreitadela. Já agora, o meu signo é o caranguejo.

A canção da morte a passo de caranguejo. Tendências do Imaginário, 11.09.2017

A resistência dos humanoides. Desvio e conhecimento

HR Giger. Exhibition at the Lentos Kunstmuseum Linz, 2013

O desvio é uma forma de fazer caminho. Em temos de conhecimento, pode não implicar separação, mas alargamento ou aprofundamento [de uma parte). Eventualmente para comparação. Creio ser o caso da invocação de quatro hinos da resistência europeia a partir do trailer ” We All Lift Together”, da Warframe.

“Os trailers dos videojogos situam-se na vanguarda da estética e do imaginário contemporâneos. Chamam a si os maiores recursos e os melhores profissionais e criativos. No trailer We All Lift Together, do videojogo Warframe, criaturas, mistos de máquinas e seres humanos, surgem como guerreiros do trabalho, num estaleiro amplo, composto por partes metálicas e partes líquidas. / Lembra as canções de resistência.” (Apagar o inferno, 17.08.2018).

Imagem: HR Giger

Apagar o inferno. Tendências do Imaginário, 17.08.2018

Varas há muitas

“Segundo uma tradição antiga, depois da morte de São Joaquim, Maria teria chegado à idade de casar. Os pretendentes teriam sido chamados ao Templo, levando cada um uma vara. A vara de José teria milagrosamente florescido, enquanto as outras permaneceram secas. Esse prodígio teria sido interpretado como sinal da escolha divina de José para esposo de Maria. Daí vem a representação de São José com uma vara ou cajado florido, normalmente com flores brancas.

Imagem: Josefa de Óbidos – São José e o Menino, 1670. Museu Nacional de Arte Antiga

Em Portugal, a flor pode aparecer identificada com a açucena/lírio, símbolo de pureza e castidade (…) Com o passar do tempo, a vara florida tornou-se praticamente um atributo iconográfico de São José. O lírio branco passou a representar a sua pureza, mas também a sua dignidade e santidade. Por isso é frequente encontrar São José representado com o Menino Jesus num braço e uma vara florida na outra mão. (ChatGPT, 16.08.2026).

Mas nas pinturas contempaladas no artigo A vara do noivo, colocado no dia 16 de agosto de 2014, a vara aparece com uma pomba branca. Porquê?

A vara do noivo. Tendências do Imaginário, 16.08.2014

Ter o Diabo no Corpo

Pedro Abrunhosa e Bandemónio. Momento, 2002

No imaginário medieval, os demónios eram expulsos pela boca. Pareciam morcegos ou répteis voadores envoltos em fumo.
Entre os santos exorcistas, dois sobressaem: São Bento e São Francisco. São Bento não era meigo com os endemoninhados. Arreava-lhes umas bofetadas e umas pauladas.
Mil anos depois, São Francisco retoma o exorcismo colectivo característico de São Bartolomeu. Cidade onde este santo entrasse, não demorava demónio. (A Fuga dos Demónios, 08.08.2014)

Em 8 de agosto de 2014, escrevi o artigo A Fuga dos Demónios. Três anos volvidos, retomei-o no artigo Exorcismos, de 15 de agosto de 2017, acrescentando-lhe outro texto: Esqueletos vampiros. Recoloco o artigo Exorcismos, mais completo, acompanhando-o com duas canções do Pedro Abrunhosa: “Diabo no corpo” e “Momento”, ambas de 2002.

Pedro Abrunhosa, Os Bandemónio – Diabo No Corpo. Momentos, 2002
Pedro Abrunhosa, Os Bandemónio – Momento. Momento, 2002

Canto castrado

Recupero o artigo Castrati, de 2019. O vídeo primitivo, legendado “Farinelli il Castrato, de Gérard Corbiau. 1994. Excerto: Opera Orgasm”, “foi removido após uma solicitação de direitos de autor”. Substituo-o pela montagem “Cenas e música do filme Farinelli”, colocada por Marcos Vieira em 04.04.2021. Acrescento o excerto com a ária “Ombra fedele anch’io”, que penso corresponder ao vídeo removido.

Imagem: Bartolomeo Nazari – Portrait of Farinelli. 1734

Film ‘Farinelli’ – Ombra fedele anch’io (Aria of Dario from opera ‘Idaspe’ by Riccardo Broschi). Colocado no YouTube por George Eross, em 17.06.2016 [“Recuperado” em 24.07.2026]

Boa noite, amor

Boa noite, amor
Vou voltar a ver-te nos meus sonhos
Boa noite
Boa noite para ti, que estás longe

“Buona notte amore
Ti rivedrò nei miei sogni
Buona notte
Buona notte a te che sei lontano”
(Nini Rosso – Il Silenzio)

Imagem:
Sandro Botticelli, Vénus. Detalhe, ca. 1484 -1490. Galleria Sabauda. Turin

Formiguinha autocarregada

Hoje, pareço uma formiguinha atarefada a carregar artigos do passado para o presente. Entre 2012 e 2020, publiquei muitos artigos dignos de resgate. Já “despachei” quatro. Seguem mais dois dedicados à música: Contudo, tu moves-te!, de 2013, com os Pink Floyd, e Ler também cansa, de 2018, com Ennio Morricone. Lá para a meia-noite, talvez coloque um derradeiro. O mais sério de todos.

O burro e a cenoura de geração em geração

Cartaz do Carnaval de Loulé de 2014

Recupero dois artigos: “O burro e a cenoura”, de 7 de julho de 2018, e “Entre gerações”, de 6 de julho 2017. O primeiro vale pela provocação, o segundo, pela música.