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Jovialidade, elegância e leveza

Jean-Honoré Fragonard. L’Escarpolette, 1766, Detalhe.

Como diria a Rita, apetece dar música neste início de ano novo. Haydn e Vivaldi, com direção de Lazar Gosman.

Joseph Haydn. String Quartet in F Major, Op. 3 No. 5, Hob. III:17: II. Serenade. Andante cantabile. Tchaikovsky Chamber Orchestra. Direção: Lazar Gosman. 1989.
Antonio Vivaldi. Vivaldi Concerto for Mandolin, Strings and Basso Continuo in C major. Leningrad Chamber Orchestra. Direção: Lazar Gosman. 1967

Perfeitamente divino e perfeitamente humano

Divino, perfeitamente divino, e humano, perfeitamente humano, a natureza de Cristo em três pinturas de Antonello da Messina (1430-1479): a anunciação (a Virgem Maria lendo); a infância (no colo da Virgem Maria); e o calvário (Ecce Homo: Jesus chorando). O arco da salvação, desde a anunciação do menino Jesus, Deus feito homem, ao Cristo crucificado, o homem que vence a morte. Mas chora!

Antonello da Messina. Ecce Homo. Pormenor. 1470–1475.

It’s the Music, Stupid!

Ambrogio Lorenzetti. Allegory of Good Government. 1338-40. Palazzo Pubblico. Siena.

Não se consegue a harmonia quando todos cantam a mesma nota (Doug Floyd).

O anúncio The best moments are those we spend together, do Palácio das Artes Müpa, em Budapeste, coaduna-se com a vocação musical da Hungria. Acrescento dois excertos do filme O Violinista do Diabo (2013), dedicado a Niccolò Paganini.

Anunciante: Müpa Budapest. Título: The best moments are those we spend together. Agência: Müpa. Direção: Péter Bergendy. Hungria, dezembro 2021.
O Violinista do Diabo (Niccolò Paganini). De Bernard Rose. 2003. Excerto. Intérprete: David Garrett.
O Violinista do Diabo (Niccolò Paganini). De Bernard Rose. 2003. Excerto. Intérprete: David Garrett.

Gianna Nannini e a tribo dos PIGS

Gianna Naninni. Giannabest. 2007.

Gianna Nannini, a “rainha do rock Italiano”, nasceu em 1954 e continua ativa. Uma voz única, na música, no pensamento e na intervenção política. Lembra Janis Joplin, mas à italiana. A música italiana possui uma identidade forte, no ritmo, na melodia, no canto e na performance. Ainda não se afogou no oceano. Berço da Europa, a Itália oferece uma música, viva e melancólica, que empolga e embala. Reconforta. Como é bom pertencer à tribo dos PIGS!

Gianna Nannini completou em 2019, com La Differenza, uma trintena de álbuns publicados, o primeiro, homónimo, Gianna Nannini, em 1976. Quarenta e cinco anos de carreira! Resulta difícil selecionar cinco dedos de canções. Limitei a escolha ao CD, que seguro na mão, Giannabest – 1 (2007): uma música de estúdio, Io senza te, e três ao vivo, Meravigliosa creatura,  Sei nell’anima e Radio baccano. Como extra, acrescento o vídeo oficial de La differenza, nome de batismo do álbum mais recente de originais (2019).

Gianna Nannini. Io senza te. X forza e X amore. 1993.
Gianna Nannini. Meravigliosa creatura. Dispetto. 1995. Ao vivo com Il Volo, no programa House Party, em 2017.
Gianna Nannini. Sei nell’anima. Grazie. 2006. Ao vivo com Laura Pausini, em San Siro. DVD Amiche Per L’Abruzzo (2010).
Gianna Nannini. Radio Bacano. X forza e X amore. 1993. Ao vivo, convidada de radioItaliaLive. 2013.
Gianna Naninni. La differenza. La differenza. 2019.

Reincidência. O híbrido e o ciclista

Umberto Boccioni. Dinamismo de um ciclista. 1913.

Sem descurar a pedalada belga, holandesa e chinesa, a França é, em termos míticos, o país do ciclismo. Retenha-se, por exemplo, o filme As Bicicletas de Belleville (ver anexo 2) ou o álbum Tour de France, dos Kraftwerk (anexo 3). O protagonista do anúncio Unstoppable, da Renault, é um veterano ciclista que regressa à estrada. Barroco, o argumento não é original (anexo 1). Um sucedâneo da lenda da fonte da juventude, neste caso, a prenda.. Empolgante, o anúncio é extenso, sinuoso, invertido e retorcido. Ironicamente, vejo e revejo este anúncio sentado numa cadeira de rodas.

Marca: Renault Captur. Título: Unstoppable. Agência: Publicis Conseil. França, Maio 2021.

Anexo 1: Anúncio Dream Rangers.

Marca: TC Bank. Título: Dream Rangers. Agência: Ogilvy Taiwan. Direcção: Thanonchai. Taiwan, Março 2011.

Anexo 2: Trailer do filme Les Triplettes de Belleville.

Les triplettes de Belleville (trailer). Realizador: Sylvain Chomet. França, 2004.

Tour de France, dos Kraftwerk.

Kraftwerk. Tour de France. Tour de France Soundtracks. 2003. Ao vivo.

O bom, o mau, o feio e o crítico

Somos um país de marretas. Tempo de pandemia, tempo de crítica. Crónicas de maldizer.

Ennio Morricone. Main theme. The Good, The Bad and The Ugly. Sergio Leone. 1966.

Madrigal de Monteverdi

Bernardo Strozzi. ClaudioMonteverdi, c.1630.

Claudio Monteverdi (1567-1643), compositor maneirista, merecia mais reconhecimento. Selecionei o madrigal “Hor che’l ciel e la terra”, pela música e pela interpretação (Les Cris de Paris). Espero não ser o único a gostar. Carregar na seguinte imagem para aceder ao vídeo.

Claudio Monteverdi. Madrigals, Book 8 “Hor che’l ciel e la terra” (Les Cris de Paris, Geoffroy Jourdain)

Para a minha dama

Amadeo Modigliani. Woman in black dress. Detalhe. 1918.

Para a minha dama! Sem ela, não sou eu.

The Moody Blues. For My Lady. Seventh Sojourn. 1972.
Supertramp . Lady. Crisis what crisis. 1975.

Ninguém é normal.

01. Nobody is normal. 2020.

A normalidade não existe. Apenas desvios à norma. Na literatura, abundam figuras de monstros que são bons e de bons que são monstros. Por exemplo, a Bela e o Monstro, de Gabrielle-Suzanne Barbot de Villeneuve (1745), Quasímodo, de Victor Hugo (1831) ou Dorian Gray, de Oscar Wilde (1890). No anúncio Nobody is normal, da britânica Childline  –  NSPCC (Sociedade Nacional para a Prevenção da Crueldade contra Crianças), todos são anormais por dentro e por fora.

02 Fonte de Diana de Éfeso. Tivoli. Villa d’Este

A metamorfose da figura feminina galardoada (ver figura 1) lembra, os justos que me perdoem, uma deusa grega, Ártemis, ou romana, Diana, na versão dita de Éfeso. “Bolsas” cobrem-lhe o peito (ver figuras 2 a 7). Há entendidos que alvitram seios, outros ovos ou testículos de touro. Sempre atributos de fertilidade, apanágio da “mãe natureza”. Entre as imagens de Ártemis de Éfeso, retenho a escultura no jardim da Villa D’Este, um colossal palácio maneirista construído no século XVI, em Tivoli, perto de Roma. As fontes de Villa d’Este são famosas (figuras 8 a 17). Os jatos de água provenientes das “bolsas” de Diana de Éfeso não enganam. Parecem seios, uma abundância de seios! Estes esguichos não são de ovos, nem de testículos de touro. Acode-me, que os justíssimos me perdoem, a lactação de São Bernardo (ver https://tendimag.com/2012/10/26/um-abraco-a-divindade-sao-bernardo-de-claraval/).

Anunciante: Nspcc. Título: Nobody is normal. Agência: The Gate. Direcção: Catherine Prowse. Reino Unido, Novembro 2020.

Galeria de imagens 1: Esculturas de Ártemis/Diana de Éfeso.

Galeria de imagens 2: Fontes da Villa d’Este, em Tivoli.

Master and Commander. Luigi Boccherini

Luigi Boccherini

Luigi Bocherini (1743-1805), compositor de origem italiana, radicou-se jovem em Espanha (1768). Sobre a vida de Luigi Bocherini, pode consultar-se: https://tendimag.com/2018/12/28/beleza-interior/. Acrescente-se que durante séculos repousou no lado cinza da fama. Em 1927, Benito Mussolini resolveu transladar os seus restos de Madrid para a igreja de sua terra natal, Lucca. Segue o Quinteto de Cordas em C Maior, Op 30 Nº 6, G324, tal como é interpretado na banda sonora do filme Master and Commander: O Lado Longínquo do Mundo (2003).

Luigi Bocherini. Quinteto de Cordas em C Maior, Op 30 Nº 6, G324, na versão do filme Master and Commander (2003).