Archive | Maio 2025

Enlevo

Compositor e cantor britânico, Harry Styles revelou-se, com 15 anos, no programa de “caça-talentos” The X- Factor. No mesmo ano, cofundou a boy band One Direction. A partir de 2017, iniciou a carreira a solo. Conquistou um sucesso notável tanto a solo como com a banda. Seguem as canções “Sign Of The Times” e “Falling”, primeiro, as interpretações ao vivo, em seguida, os vídeos musicais oficiais, ambos notáveis.

Harry Styles – Sign Of The Times. Harry Styles, 2017. On X Factor 2017
Harry Styles – Falling. Fine Line, 2019. Live From The BRIT Awards, London 2020
Harry Styles – Sign Of The Times. Official Video, 2017
Harry Styles – Falling. Official Video, 2020

Luzes

Acontece fazer incursões no passado do Tendências do Imaginário, principalmente para verificar se determinado anúncio, música ou imagem já foi colocado. Hoje, ao deparar com o artigo Luz, não consigo evitar constatar que o blogue já teve mais qualidade. Menos sôfrego, entre outras virtudes, privilegiava a maturação e a criatividade. Devo pensar em langar o vício de publicar um artigo por dia.

Recoloco a artigo Luz (25/11/2012) pelo vídeo que combina, algo inesperadamene, as pinturas do William Turner com a música dos Creedence Clearwater Revival. Acrescento os vídeos com as canções a que o texto alude: “Blinded By The Light”, dos Manfred Mann’s Earth Band; e “Light My Fire”, dos Doors.

Pensar! Pensar em quê? No presente pixélico dos formulários electrónicos? No futuro? Na luz ao fundo do túnel que nem ilumina, nem aquece? No passado? Nas luzes que embalaram “a criação do mundo”? Luzes que cegam, da Manfred Mann’s Earth Band, luzes que incendeiam, dos Doors, luzes que rasgam caminhos, dos Creedence Clearwater Revival. Pelo menos, estas luzes enchiam os olhos, não eram falácias políticas. Não eram luz de vela invertida… Eram faróis de cabo de mar que enchiam os céus de luz como nos quadros de William Turner. Carregar em HD.

Manfred Mann’s Earth Band – Blinded By The Light (original: Bruce Springsteen) . The Roaring Silence, 1976. On the television program The Midnight Special, recorded on March 18, 1977
The Doors – Light My Fire. The Doors, 1967. Live at Hollywood Bowl, 1968

Memorial

Existem momentos em que é muito importante recordar; nos outros, também! Agradeço à Almerinda Van Der Giezen a partilha deste dois links respeitantes ao espiritual “Wade in the Water”.

Imagem: Peter Lely. Elizabeth Murray (1626–1698)with a Black Servant. C. 1651

“Wade in the Water” é um dos espirituais afro-americanos mais conhecidos e carregados de significado histórico, cultural e religioso. A canção remonta ao século XIX e está profundamente ligada à experiência dos escravizados nos Estados Unidos e ao movimento de libertação por meio da Underground Railroad (Rede de Fuga). (…)
Interpretação religiosa:
• Faz alusão ao episódio bíblico de João 5:4, onde um anjo “agitava as águas” e quem entrasse primeiro seria curado. A ideia é que Deus está presente e ativo, oferecendo livramento e cura.
• O uso da palavra “trouble” (perturbar/agitar) sugere que algo milagroso está prestes a acontecer.
Interpretação codificada:
• Acredita-se que essa música também tinha função prática na fuga de escravizados. “Wade in the water” era um conselho literal: entrar na água para mascarar o rastro e confundir os cães farejadores dos caçadores de escravos.
• Harriet Tubman, uma das principais líderes da Underground Railroad, teria usado canções como essa para comunicar rotas e perigos de forma velada. (…)
Legado
“Wade in the Water” é mais que uma canção: é um símbolo de resistência, fé e inteligência coletiva dos povos escravizados. Faz parte de um legado musical e cultural que influenciou o gospel, o blues, o jazz e o soul, sendo até hoje cantada em contextos religiosos, educacionais e artísticos. (ChatGPT, 29/05/2025)

Wade in the Water (Spiritual) – A Cappella Academy Choir. A Capella Academy. Arranged and directed by Rob Dietz. Soloist: Shakale Davis. Video: Ryan Parma. Posted: 21/09/2016
Harris, K. & Harris, R. (1997). Wade in the Water. On Steal Away: Songs of the Underground Railroad [c.d.]. Morristown, NJ: Brooky Bear Music. (1984)

A reincidência do grotesco

A publicidade parece desinibir-se, revisitando uma vocação excêntrica algo esmorecida. Seguem 4 anúncios exemplares: uma metamorfose (Bing your saturday to live), uma disformidade (Chocolate Like Nobody’s Watching), uma paródia (Beers To Come True) e uma alegoria (Care You Can Count On).

Marca: Skoda. Título: Bring Your Saturday to Life. Agência: Selmore Amsterdam. Direção: Joe Vanhoutteghem. Países Baixos, maio 2025
Marca: Toblerone. Titulo: Chocolate Like Nobody’s Watching. Agência: LePub. Direção: Martin Werner. Itália, abril 2025
Marca: Balter Brewing Co. Títulos: Beers do come true. Agência: ATime&Place. Austrália, maio 2025
Marca: Allianz. Título: Care You Can Count On. Agência: Howatson+Company. Direção: Michael Gracey. Austrália, maio 2025

O Rei da “Música da Alma”

Acabei de dar uma aula à Academia Sénior de Braga. Duas horas de pé sem vacilar.

Nas sociedades contemporâneas, designadamente nas cidades, insinuam-se duas ameaças que assombram os mais velhos: a solidão e o sentimento de inutilidade. As academias seniores oferecem-se como uma forma de lhes fazer face. O efeito da idade consta entre os mais negligenciados pela Sociologia.

Sem descurar a interação entre gerações, as pessoas tendem a apreciar o convívio com os da mesma idade. Os jovens, certamente; mas os mais velhos, também.

Prosseguindo a viagem pelo outro lado da América, ao ouvir Percy Sledge acode Otis Redding. Dois grandes da soul music. Otis Redding faleceu, com 26 anos. O seu avião pessoal caiu em dezembro de 1967 num lago gelado a cerca de 5 Km do destino. Acabara de gravar a canção “(Sittin ‘On) The Dock of the Bay” lançada postumamente em janeiro de 1968, “o único single de Redding a alcançar o número um na Billboard Hot 100 e o primeiro single póstumo número um na história das paradas dos Estados Unidos”.

Otis Redding – (Sittin’on) The Dock of the Bay. The Dock of the Bay, 1968
Otis Redding – For Your Precious Love. The Great Otis Redding Sings Soul Ballads, 1965
Otis Redding – I’ve Been Loving You Too Long. Otis Blue/Otis Redding Sings Soul, 1965
Otis Redding – These Arms of Mine. Pain in My Heart, 1964
Otis Redding – Try a Little Tenderness (cover). Complete & Unbelievable: The Otis Redding Dictionary of Soul, 1966

Sem precipitações

Amanhã, vou dar uma aula respeitante à iconografia da Virgem Maria. Por outro lado, continuo às voltas com os Estados Unidos. De passagem pelos anos sessenta dos presidentes John F. Kennedy e Lyndon B. Johnson, desemboquei na figura do Percy Sledge e na canção “My Special Prayer”.

Percy Sledge – My Special Prayer. The Percy Sledge Way, 1967
Percy Sledge – When a Man Loves a Woman. When a Man Loves a Woman, 1966
Percy Sledge – Take Time to Know Her. Take Time to Know Her, 1968
Percy Sledge – It Tears Me Up. When a Man Loves a Woman, 1966

Corações ao alto

A história é uma galeria de quadros onde há poucos originais e muitas cópias (Alexis de Tocqueville, L’Ancien Régime et la Révolution, cap. VI, 1ª ed. 1856).

Hegel observa algures que todos os grandes fatos e pessoas da história mundial acontecem, por assim dizer, duas vezes. Esqueceu-se de acrescentar: uma vez como tragédia, a outra como farsa” (Karl Marx, O 18 Brumário de Luís Bonaparte, 1ª ed. 1852). 

A propósito dos Estados Unidos, onde é que já vi algo semelhante como tragédia? Importa, no entanto, não esquecer aqueles que nos enriqueceram

Pelos vistos, tenho o coração em estado razoável! Reconheceu-o ontem a cardiologista após semanas de exames. Para saborear, deu-me para ouvir os Pearl Jam. Títulos como “Alive” (1991), “I Am Mine” (2002), “Just Breath” (2009) e “Future Days” soavam de feição.

Há duas semanas, 8 de maio, no concerto da Bridgestone Arena, em Nashville, os Pearl Jam convidaram o Peter Frampton para os acompanhar na canção “Black”. Pois o que se costuma dizer das divindades e dos anjos, parece aplicar-se a determinadas estrelas do rock: “sem idade”. Peter Frampton, embora com 75 anos, mobilidade reduzida e bengala, evidencia a habitual destreza na guitarra.

Proporcionou-se recuar a 1976, ano em que adquiri o Frampton Comes Alive. Naquele tempo, comprar um álbum duplo doía na carteira. Convinha, efetivamente, gostar!

Seguem três vídeos com músicas contempladas no álbum Frampton Comes Alive. Todas ao vivo: “Do You Feel Like We Do”, em 1975, “Show Me The Way”, em 1977, e, finalmente, “Baby I Love Your Way”, em 2019. Acresce o vídeo referido com a interpretação de “Black” com os Pearl Jam, tinha Peter Frampton 75 anos de idade.

A comparação do Peter Frampton em 1975 e 2025 comove. Afortunadamente, o bom coração parece estar bem.

Peter Frampton – Do You Feel Like We Do. Frampton’s Camel, 1973. Performance at Burt Sugarman’s Midnight Special, circa 1975
Peter Frampton – Show Me The Way. Frampton, 1975. Live at Oakland Coliseum Stadium, 7/2/1977
Peter Frampton – Baby I Love Your Way. Frampton, 1975. Live at  ine Knob Music Theatre, Clarkston, Michigan, 25/7/2019
Pearl Jam – Black (with Peter Frampton). Ten, 1991. Live at Bridgestone Arena, Nashville, 8/5/2025

Concha crepuscular

Imagino os anos noventa como uma concha com bastantes pérolas raras, mas de pouco aconchego para a geração vindoura. Mergulhou-a em águas paradoxais e paroxísticas, com a herança por desventura mais complicada desde a Segunda Guerra.

Os Mazzy Star eclodiram nos anos noventa. As suas canções ainda reverberam, sem, contudo, viralizar. Um rio subterrâneo em território sombrio e confuso. Em suma, desconchavado. Em vez de nos ufanar com as riquezas e conquistas que conseguimos, creio revelar-se mais oportuno assumir os desafios e as misérias que criámos e não enfrentámos. Um legado de tanta potência e vulnerabilidade numa vertigem de ansiedade e melancolia.

Os Mazzy Star são uma banda norte-americana de rock alternativo, fundada em 1989, composta, principalmente, pelo guitarrista David Roback e pela vocalista Hope Sandoval. Particularmente ativa até 1997, lançou três álbuns durante esse período: She Hangs Brightly (1990); So Tonight That I Might See (1993); e Among My Swan (1996). O quarto álbum, Seasons Of Your Day, foi editado em 2013, um ano antes de a banda se dissolver. “Fade Into You” (1993), “Into Dust” (1993), “Blue Light” (1993), “Flowers in December” (1996) e “Look On Down The Bridge” (1996) constam entre as canções mais caraterísticas e de maior sucesso.

Mazzy Star – Fade Into You. So Tonight That I Might See, 1993. Live at the Shoreline Amphitheatre in 1994
Mazzy Star – Into Dust. So Tonight That I Might See, 1993. Black Session, Studio 105 Paris. October 26th 1993
Mazzy Star – Blue Light. So Tonight That I Might See, 1993
Mazzy Star – Flowers In December. Among My Swan, 1996. Dutch music show “2 Meter Sessies”. Filmed on November 6, 1996
Mazzy Star – Look On Down From The Bridge. Among My Swan, 1996

Uma longa caminhada

LONE (Project). Ferdinand Bakker e Michel van Dijk

A collaboration between two former bandmates. A duo which decided to go solo. After their band Alquin stopped performing, Michel van Dijk and Ferdinand Bakker decided to make their own album, just titled LONE. They embarked on a quest of musical experimentation, a search for the stories and references that inspired them both. It was at these crossroads of mutual inspiration that their journey became most interesting, resulting in six more albums. Their new album is appropriately titled “We came a long way” (release 4-25-25). (http://www.loneproject.nl/).

A banda neerlandesa Alquin conheceu dois períodos de atividade: 1971-1977 e 2003-2012. O seu rock progressivo lembra os Camel, com a ressalva de terem lançado o primeiro álbum, Marks (1972), um ano antes dos Camel (1973) [escutar a faixa “Oriental Journey”].  

Após a dissolução da banda, Michel van Dijk e Ferdinand Bakker, criaram o duo Lone (Project). Desde 2013, lançaram 7 álbuns; o mais recente, com mais de 70 anos de idade, We came a long way, no passado dia 25 de abril. Existe pouca informação a seu respeito acessível na Intenet. Regra geral, o número de visualizações dos vídeos resulta ínfimo. Os Lone vêm de longe, mas, provavelmente, não irão tão longe quanto mereceriam.

Tenta-me, às vezes, prestar atenção a “menoridades” aparentes. O percurso do duo Lone recoloca-me uma pergunta que me inquieta: o que contribui para a notoriedade de um autor ou de uma obra? O que vale, portanto, o (in)sucesso?

Dada a “invisibilidade”, retive cinco canções dos Lone: “We came a long way” (2025); “Like a Mountain” (2025); “Wait for me” (2023); “Let it rain on me” (2020); e “The lighthouse” (2020). Acresce “Oriental Journey” (1972), dos Alquin.

LONE (Project) – We came a long way. We came a long way. 2025
LONE (Project) – Like a mountain. We came a long way. 2025
LONE (Project) – Wait for me. Isolated heroes. 2023
LONE (Project) – Let it rain on me. Let it rain on me. 2020
LONE (Project) – The Lighthouse. Let it rain on me. 2020. Live at ‘De Boerderij’ dec 2020

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Alquin – Oriental Journey. Marks. 1972

Herança viking

O amigo Joel sugeriu-me a música dos noruegueses Wardruna (c/ Einar Selvik) acrescentando o link para a canção “Snakepit Poetry: “lembro-me que gostava da Lisa Gerrard. É capaz de gostar desta música de 2 cantores que gosto bastante também”. Em boa hora! Abençoada partilha. Obrigado, Joel!

Ressalvando uma ou duas amigas, quase ninguém me música. Talvez devido a um erro de ótica. Pressupõe-se que conhecendo quanto baste, um acréscimo resulta uma minudência. Ora, quanto maior é o conhecimento, maior o valor de uma novidade. Tive a experiência como colecionador de selos. Com a música não é diferente

Passei o dia a ouvir os Wardruna. Segue uma seleção apressada.

Wardruna – Snakepit Poetry. Performed by Einar Selvik, Eivør, The Danish National Symphony Orchestra & The Danish National Concert Choir. Recorded in DR Koncerthuset in May 2023
Trevor Morris’ and Einar Selvik – Vikings suite. International TV Series Gala at 8th Krakow Film Music Festival. Orchestra Sinfonietta Cracovia, Polish Radio Choir. 2015
Assassin’s Creed Valhalla Suite. Composed by Jesper Kyd and Sarah Schachner + Einar Selvik. Performed by Einar Selvik & Danish National Symphony Orchestra & Vocal Ensemble. Recorded at DR Koncerthuset as part of the concert VIKING in May 2023
Wardruna – Lyfjaberg (Healing-mountain). Official Video. Birna, 2025