Archive | Janeiro 2022

Convite à viagem

Quando escuto música francesa, espanhola, italiana, portuguesa ou brasileira, acontece entusiasmar-me. Anuncia-se difícil desligar. Neste mundo, com esta globalização, os Doors, os Pink Floyd, os Rolling Stones ou os Moody Blues fazem parte da minha identidade, não fazem, contudo, parte da minha identificação específica, mais ancorada em outros compositores e cantores, tais como Jacques Brel, Angelo Branduardi, José Afonso ou Maria Bethânia. Convocam outras raízes e provocam outros sentimentos. São “cânticos da alma”, que se destacam não tanto pela qualidade, mas, como diriam os galegos, pelas afinidades do fado e de fala.

  • No artigo precedente, Perto do Céu, Antony canta com Franco Battiato, compositor, cantor, pintor e escritor italiano, “un símbolo de la cultura europea moderna: iconoclasta, misterioso, místico, único” (El Mundo, Martes, 18 mayo 2021 – 17:20). Com cerca de 40 álbuns editados, Franco Bettiato faleceu em maio do ano passado com 76 anos de idade, vítima de “uma doença que lhe devorou lentamente o cérebro prodigioso”.

Não é fácil selecionar três músicas de uma discografia tão extensa e diversificada. Seguem Invito al viaggio, La cura e La stagione dell’amore. O videoclip oficial de La Cura foi filmado em Lisboa e a presente versão de Invito al viaggio é transmitida pela televisão espanhola, dois indícios de alguma cumplicidade.

Franco Battiato. Invito al viaggio. Tve1, 2015.
Franco Battiato. La cura. Com Royal Philharmonic Concert Orchestra. 2016.
Franco Battiato. La stagione dell’amore. Orizzonti perduti. 1983. Music video, 2013.

Perto do sol

À Zé Gomes

Se tiver tempo, descanse a ver este artigo! Pela companhia aérea Emirates, pelo Elias e, principalmente, pelos Antony and The Johnsons com Franco Battiato. Este blogue pode ser discreto, mas é rico em coisas raras. Se não puder parar, passe ao largo, e não olhe para trás, como em noites de bruxedo.

Emirates. We’re on top of the world. Making of. 2022.

Apetece-me ouvir a canção Fistful of love, dos Antony and The Johnsons. Procuro no Tendências do Imaginário e encontro um retângulo negro com o seguinte letreiro: “Este vídeo não está disponível devido a uma reivindicação de direitos autorais”. Paciência! Substituo o link por outro, por sinal, melhor: uma atuação ao vivo, de 2007 (https://www.youtube.com/watch?v=1-524bnuYdM). O Tendências do Imaginário está cheio de retângulos negros. Na maioria dos casos, por um motivo inocente: o link foi, entretanto, desativado. As pequenas contrariedades dão-me vontade de brincar, de me divertir com maneirismos. Por exemplo, criar um falso gémeo, Perto do sol, a partir do artigo amputado, o Voo dos sentidos (https://wordpress.com/post/tendimag.com/40706).

O impressionante anúncio da companhia aérea Turkish Airlines (5 senses With Dr. Oz) é substituído pelo faraónico, We ‘re on top of the world, da congénere Emirates: uma hospedeira de bordo dá as boas-vindas à Expo 2020 Dubai no topo do edifício mais alto do mundo. Lembra um novo Ícaro com trejeitos de Estátua da Liberdade. A canção Revolution permuta com Thinking of you, ambas de Elias. Por último, a canção Firstful of love, dos Antony and The Johnsons, dá lugar à canção Del suo veloce volo, também dos Antony & The Johnsons, interpretada com Franco Battiato, no concerto da Arena de Verona, em 2013. Uma raridade! Como quem conta um conto acrescenta um ponto, ainda sobra espaço para um link do álbum (áudio) completo deste espetáculo.

Marca: Emirates. Título: See you at Dubai Expo. Produção: Prime Productions AMG. Emirados Árabes Unidos, janeiro 2022.
Elias. Revolution. Entwined. 2018.
Franco Battiato, Antony and the Johnsons. Del Suo Veloce Volo. Ao vivo na Arena de Verona, em setembro de 2013. Republica TV.
Franco Battiato, Antony and the Johnsons. Del Suo Veloce Volo. Gravação do concerto ao vivo na Arena de Verona, em 2013. Álbum completo.

Capricho polaco: o violão de Marcin Dylla

Roberto Chichorro. Sem Título. 1999.

Marcin Dylla é um violonista clássico polaco. Coleciona prémios e distinções. Venceu mais de quinze competições internacionais. Seguem três interpretações de compositores espanhóis: Capricho Árabe, de Francisco Tárrega; Junto al Generalife e Concerto de Aranjuez (Adagio), de Joaquín Rodrigo. As músicas e as ideias, quero-as muitas, coloridas e variadas. Três vídeos é demais, sobretudo para visionamento por telemóvel. Comporta, no entanto, uma dupla vantagem: não me obriga a preterir conteúdos favoritos e oferece a solução de experimentar apenas um.

Marcin Dylla interpreta Capricho Árabe (1892), de Francisco Tárrega, em 2014.
Marcin Dylla interpreta Junto al generalife (1959), de Joaquín Rodrigo, em 2013.
Marcin Dylla interpreta Concerto de Aranjuez – II Adagio, de Joaquín Rodrigo, em 2015.

Estamos no vento

Fernando Namora. Estamos no vento. 1974

Fluxos e refluxos, eventualmente, alterados. De onde sopram os ventos? Do Oeste? Do Leste? Os seguintes anúncios provenientes de quatro países (Tailândia, Índia, Malásia e China) dão que pensar.

Em Window with view, da SCG Home, a ilusão publicitária externa é substituída pela interioridade do lar; em It’s time to change the equation, da Olay, a desigualdade de género não remete para uma falocracia abstrata mas para a proximidade experiencial comunitária, tendo como agentes o pai, a mãe, os vizinhos, o amigo, a professora, o funcionário; em A spark for change, do RHB Bank, a redenção ecológica de uma civilização incivil não é fruto de uma qualquer organização global mas da soma mimética de um impulso infantil, espontâneo, puro e inocente; e em Meet the OnePlus Buds Z2, da OnePlus, a ficção ocidental à James Bond é parodiada com uma sobrecarga de motivos absurdos e grotescos.

Assistimos a uma ocidentalização do oriente ou a uma orientalização do ocidente? Há quem sustente que o tempo é de orientalização. É plausível. Certo é que, de um ou de outro quadrante, estamos no vento, vento que sopra hoje o amanhã emergente.

Estamos no vento: narrativa literário-sociológica (1974) é o título de um livro de Fernando Namora dedicado às transformações e aos novos movimentos sociais, em particular juvenis, que desafiam o Ocidente. Esta obra, que se propõe sentir a pulsação da sociedade contemporânea, inspirou a minha vocação. Um legado e uma memória que se me afigura não vibrar o suficiente no rodopio da paisagem intelectual portuguesa atual. Pelo menos, vista de onde estou, do meu inconformado miradouro. Representa, porém, uma abordagem lúcida, atenta à mudança, uma brisa de frescura na crista da história.

“A sociedade ocidental está em crise: crise de crescimento, crise de adaptação. As velhas estruturas não suportam já uma mentalidade que, partindo da juventude, dia a dia se impõe e generaliza” (Fernando Namora. Estamos no vento, 1974, da capa do livro).

Regressando ao tema inicial, Fernando Namora releva, há quase meio século, a tendência de “orientalização do Ocidente”. Leia-se, por exemplo, o que escreve na página 190:

Fernando Namora. Estamos no Vento, p. 190. Extraído do site Fernando Namora (httpfernando-namora.blogspot.com)
Marca: SCG Home. Título: Window with the view. Agência: Saatchi & Saatchi. Direção: Suthon Petchsuwan. Tailândia, maio 2020.
Marca: Olay. Título: It’s time to change the equation. Agência: Publicis Singapore. Índia, janeiro 2022.
Marca: RHB Bank. Título: A spark for change. Agência: FCB Malaysia. Direção: Telly Koay. Malásia, janeiro 2022.
Marca: OnePlus. Título: Meet the OnePlus Buds Z2. Produção:  Sweetshop Shanghai. Direção: Sebastien Guy. China, janeiro 2022.

Condenados

Marca: Galeries Barbès. Título: Condamné à mort. França, 1935.

Sem anúncios, nem alusão à morte, o Tendências do Imaginário está descaracterizado. Urge reparar.

Encontrei na página Culturepub o anúncio Condamné à mort, das Galerias Barbès, datado de 1935. Uma relíquia estranha! Numa cena de fuzilamento, os soldados não obedecem à ordem de “fogo” do oficilal. Em vez de disparar, mostram caixas de fósforos. Na verdade, recusam-se a disparar, não contra o condenado que fuma um despreocupado cigarro, mas contra a cadeira onde este está sentado. O oficial não tem outro remédio senão libertar o prisioneiro. Um anúncio a uma marca de tabaco? Só se for subliminar ou currículo oculto. Trata-se de um anúncio às Galerias Barbès onde a cadeira pode ser comprada. Carregar na imagem acima para aceder ao vídeo.

Alexandre Parafita. Mitologia Popular Portuguesa. 2021.

Ando entretido com o livro Mitologia Popular Portuguesa, de Alexandre Parafita, publicado em novembro de 2021. Inclui um poema que me apraz partilhar.

O CASAL DE ANCIÃOS E A MORTE

Conta-se que outrora havia
Em certa aldeia do norte
Dois anciãos, noite e dia,
Sempre a cismar com a Morte.

“- Oxalá na frente eu vá! –
Dizia sempre o velhinho.
– Não me vejo andar por cá
Co’ a falta do teu carinho”

E, ouvindo tal, a mulher
Responde-lhe sempre assim
“- Se a Morte por’ i vier,
Que me leve antes a mim!”

Nisto, uma pancada forte
Na porta se faz ouvir
“- Quem vem l´?” “- Sou eu, a Morte,
Quero entrar, venham abrir.”

E logo cheio de medo,
Diz o homem p’rá mulher:
“- Tenho um pé com formigueiro,
Vai lá ver o que quer!”

“Mas eu não posso! – diz-lhe ela –
Estou bem pior do que tu.
O formigueiro que tenho
Chega-me dos pés ó cu”.

Estavam assim nesta faina,
Sem vontade de lá ir,
E a Morte sempre a dizer:
“Vamos lá, venham abrir”

Até que farta e irritada,
Que faz a Morte depois?
Entrou com a porta fechada
E, em vez de um, levou os dois.

(Alexandre Parafita. Mitologia Popular Portuguesa. Sintra: Zéfiro. 2021, p. 100-101).

Por supuesto

Joaquín Sabina. Kikelin Caricaturas.

À Bina.

“Cantad alto, oiréis que oyen otros oídos (dónde los hombres)
(¿Qué miran los poetas, poetas andaluces de ahora?)
Mirad alto, veréis que miran otros ojos (dónde los hombres)
(¿Qué sienten los poetas, poetas andaluces de ahora?)
Latid alto, sabréis que palpita otra sangre (dónde los hombres)” – Aguaviva. Poetas Andaluces. Cada Vez Más Cerca. 1970.

! Sin embargo, no ganamos nada hablando y cantando solo en inglés. ¡ Hay tanto mundo por descubrir.

Andaluz, nascido em 1949, Joaquín Sabina exilou-se em Londres nos últimos anos da Espanha de Franco, perseguido como muitos outros compositores e cantores espanhóis, portugueses, argentinos ou chilenos. Alguns foram assassinados (por exemplo, Victor Jara: ver Matar a música. Victor Jara; e O Coração da Terra. Os Direitos do Homem). A voz dos poetas e dos cantores manifesta-se particularmente incómoda aos ouvidos dos ditadores. Regressou em 1977, com a queda do regime. Tem mais de vinte álbuns editados. Selecionei três vídeos musicais.

Joan Manuel Serrat & Joaquín Sabina. Cantares/Y Nos Dieron Las Diez. Music video. Sony. 2019.
Joaquín Sabina, com Mara Barros. Y Sin Embargo Te Quiero / Y Sin Embargo. Ao vivo em  El Luna Park. Buenos Aires. 2015.
Joaquin Sabina. Con la Frente Marchita (Ao vivo). Music video. Sony. 2015.

Berenice

“A principal regra é agradar e sensibilizar. Todas as outras existem para alcançar esta primeira” (Jean Baptiste Racine. Prefácio a Bérénice. 1670).

“Que o dia recomece e que o dia acabe, sem que jamais Tito possa ver Berenice” (Racine, Bérénice, Ato IV, Cena 5). Pois, hoje, Berenice visitou Tito. Chamo-lhe Berenice em homenagem a Racine. É a mais extrovertida das antigas alunas, tão jovem quanto eu. Trouxe alegria, energia, abraços e doces, incluindo o bolo que, durante uma das edições da Escola da Primavera, confidenciei preferir. Fico-lhe a dever um momento, como diria Racine, de prazer e emoção. Fiquei tão comovido com o seu gesto, que me permito brincar, partilhando uma ideia que, provavelmente, não lhe vai ser de nenhuma utilidade. Conheço o seu entusiasmo pela sociologia, mas também pelo vestuário, pela moda, pelo design e pela sua terra. A arte, o sentimento e gosto. Como passatempo, para os momentos de lazer, proponho-lhe um tema de investigação: “a influência da indústria têxtil na elegância vimaranense”. Não tanto pela vertente do vestuário, da moda e do design, mas pelo labirinto desafiante da organização e da mundividência sociais. Talvez um dia, quem sabe, pudesse inspirar uma dissertação de doutoramento em sociologia. Talvez “dê pano para mangas”. Como a Berenice sabe, tenho o vício de brincar a sério. Várias teses, algumas das quais me coube a sorte de orientar, sugerem que o modelo de industrialização do vale do Ave, em particular a relação dos patrões com as empresas e a cidade, propiciou a persistência histórica de uma espécie de “sociedade cortesã”, com convívio seleto de famílias aristocratas, burguesas e mistas, no berço de Portugal. Persistência que deixou, porventura, algumas marcas. Tito está a provocar Berenice, a sua vocação e o seu bairrismo, e não devia! Devia ter juízo, limitar-se a deliciar-se com mais uma fatia de bolo, uma rabanada ou uma colher de aletria.

Seguem a canção Titus et Bérénice, de Bénabar, e um excertoda ópera Bérénice, de Michael Jarrel, dois espelhos da verdade a refletir a Berenice antes e depois da tentação. “Quem se supera uma vez, pode superar-se sempre” / “Qui se vainc une fois peut se vaincre toujours” (Pierre Corneille, Tite et Bérénice, Ato II, Cena 2, 1670).

Bénabar. Titus et Bérénice (Version acoustique). Com Isabelle Nanty. Inspiré de faits réels. 2014.
Bérénice (excerto), de Michael Jarrell, com Barbara Hannigan, Palais Garnier, 2018.

Com uma lágrima no canto do olho. Angola 72 e Portugal 75

Bonga. Angola 72. 1972

Ao Mingos

Após o artigo Portugal: Competitividade e custos de contexto das empresas, do trabalho e do país, por demais pesado, denso e extenso, posso voltar a entreter-me a dar música. Não música da moda, em que sou falho, mas da memória, em que sou fértil.

Nos anos 1974 a 1976, Portugal abre-se, sôfrego, ao mundo: às ideias (mormente ao marxismo e ao existencialismo), e às letras (o Círculo dos Leitores batia a todas as portas); aos filmes e à pornografia (os galegos, sob Franco, acudiam ao Estúdio Acil, em Braga, para ver O Último Tanto em Paris (1972), Emmanuelle (1974) e o Império dos Sentidos (1976); folheava-se a Gaiola Aberta e colecionavam-se os posters da Ciné Revue); à música (sobretudo, de intervenção e o rock progressivo); e às gentes, nomeadamente originárias das ex-colónias. Ouviam-se canções angolanas e cabo-verdianas, dançava-se kizomba e merengue, bebia-se Martini e viajava-se com liamba. Eu e o meu amigo A fumávamos apenas tabaco, bastava-nos andar alucinados com duas irmãs naturais de Luanda, a G e a G, que encontrávamos no café Nordeste, junto ao Liceu D. Maria II. Embalava-nos, entre outras, a música de Bonga, que, perseguido pelo governo de Marcelo Caetano, se exilou em 1972 em Roterdão, na Holanda, onde gravou o álbum Angola 72, que inclui estas quatro canções.

Bonga. Mona Ki Ngi Xiça. Angola 72. 1972. Ao vivo com Paulo Flores na Antena 3. 2017.
Bonga. Balumukeno. Angola 72. 1972.
Bonga. Luanda Nbolo. Angola 72. 1972.
Bonga. Paxi Ni Ngongo. Angola 72. 1972.

Melgaço: Marco nº1

Passadiço de Cevide e o marco nº1. Aqui começa Portugal.

Melgaço é um recanto recôndito. As condições objetivas, tais como o decréscimo populacional, o envelhecimento e o descentramento, parecem destiná-lo à depressão e ao esgotamento. Não obstante, resiste. Valoriza aquilo que tem, e aquilo que não tem, mas que pode aproveitar, com energia própria e alheia. Atento, não perde nem desperdiça oportunidades. Cada costume, artefacto, iguaria, raiz, pedra, cascata, golpe de asa ou suspiro, cada potencialidade torna-se distinção e traço-de-união. Investe, reinveste, e o pormenor mais simples transforma-se num banco de símbolos mobilizador, sempre característico, sempre cosmopolita. Migra, regressa, assenta ou volta a migrar. Conta com os melgacenses e os amigos, para jogar dentro e fora de casa. Assim encontra, e não se cansa de procurar.

Segue uma notícia do Jornal de Notícias sobre a iniciativa recente envolvendo o marco nº1 da fronteira portuguesa, no lugar de Cevide. Acresce o vídeo musical Suprahuman, de Manuel Brásio, e o filme promocional do Parque Nacional da Peneda-Gerês premiado em 2014.

Carregar na imagem da notícia para aumentar.

Ana Peixoto Fernandes. A aldeia mais a Norte tem uma “banda sonora”. JN Jornal de Notícias, 15 Janeiro 2022 às 20:06.

Manuel Brásio. S U P R A H U M A N (excerto 1). Produção: Interferência. 2019.
Filme promocional da Reserva da Bioesfera Transfronteiriça Gerês – Xurés co-produzido pelo ADERE-PG. 2014.

Canto galego

Tanxugueiras. Contrapunto. 2021.

Anque tocan as campás
non tocan polos que morren.
Tocan polos que están vivos
para que deles se acorden.
(Tanxugueiras. Albedrío. Contrapunto. 2019)

Um canto de Galiza, terra de meus avós. As Tanxugueiras, três vozes femininas, seis dedos de música festiva. Esmorecer é começar a perder.

Tanxuqueiras. Terra. 2021.
Uxía y Tanxugueiras. Túa nai e méiga / A rianxeira.  Real Filharmonía de Galicia. 2019.
Tanxuqueiras. Figa. 2021.
Tanxuqueiras. Midas. 2021.
 Tanxugueiras. Albedrío. Contrapunto. 2019.