Archive | Janeiro 2022

Tempestade

John William Waterhouse. Miranda, a character in The Tempest, a play by William Shakespeare; 1916.

A campanha eleitoral pode não ter sido muito substantiva, foi mobilizadora. E a votação lembra uma tempestade: varreu à esquerda e dispersou à direita, mais ao jeito de Vivaldi do que de Branduardi.

Antonio Vivaldi. Storm. The Divertissement Chamber Orchestra. 2016.
Angelo Branduardi. La Tempesta. Musiche da film. 1992.

Urna meio vazia

Rafael Bordalo Pinheiro. Levantar-se-á. O dia dos reis. Gravura do Zé Povinho, no jornal O António Maria, 6 de janeiro de 1881.

A música do duo Air é boa receita para a espera dos resultados de umas eleições decididas pela política e pela pandemia. Durante a campanha, destacaram-se os moralismos e os atos de fé. Nada se ganha em confundir política e moral. São domínios distintos. Nenhum grande vulto político da história da humanidade ficou conhecido pela moral ou pela transparência. Pense-se, por exemplo, em Alexandre, Dario, Ramsés, Augusto, Carlos Magno, Isabel I de Espanha, Napoleão, Lincoln, Bismarck ou Churchill, para não convocar outros demasiado óbvios. Desconfio de moralismos políticos e de políticas moralistas. Os políticos entenderam por bem inverter a ordem das coisas, subordinando as eleições à governabilidade em vez de subordinar a governabilidade aos resultados eleitorais. Em consonância, diagnósticos e projetos programáticos resultaram ofuscados por declarações de virtudes e boas intenções. E comentários, muitos comentários, sobre as insignificâncias do dia. De todas as campanhas que presenciei, no País e no estrangeiro, esta é aquela em que menos me reconheci. Lamento, porque sou apreciador de campanhas eleitorais. Neste contexto, nem alguns minutos após o fecho das urnas, ouso prever os resultados. É melhor continuar a ouvir música, de preferência temas pouco votados a moralismos transparentes, tais com Alpha Beta Gaga, Sexy Boy ou Talisman.

Air. Alpha Beta Gaga. Talkie Walkie. 2004. Binaural Live. Live performance for La Blogothèque. Paris, 2016.
Air. Sexy Boy. Moon Safari. 1998. Vivid LIVE 2017, Sydney Opera House.
Air. Talisman. Moon Safari. 1998. Binaural Live. Live performance for La Blogothèque. Paris, 2016.

Momento para abanar o capacete

Pearl Jam. Rio Act. 2002

Hoje é dia de reflexão. De respirar fundo e abanar o capacete. “Eu sou meu”. O voto só o é transitoriamente. Como o dinheiro, melhor, como o segredo, quando o uso deixa de o ser. Neste sentido, se hoje é dia de reflexão, amanhã é dia de “desapoderamento”, ou, como se costuma dizer, de delegação. Seguem Even Flow e I Am Mine, dos Pearl Jam.

Pearl Jam. Even Flow. Ten. 1991. Ao vivo. Official video, 2009.
Pearl Jam. I Am Mine. Riot Act. 2002. Live at Reading Festival, UK – 27th August 2006.

A tragédia de Silka

Ilse Losa. Silka. Ilustrado por Manuela Bacelar. 1989.

Os silkies (ou selkies) são criaturas mutantes da mitologia nórdica, nomeadamente das Ilhas Faroé, Islândia, Irlanda e Escócia. Vivem como focas no mar e humanos na terra. Para transitar de um meio para outro, têm que retirar, ou recolocar, a sua pele de foca. Sem as suas peles, as silkies, de rara beleza, convivem à vontade com os humanos, mas, mal recuperam a pele, não hesitam em regressar ao mar. Os contactos com os humanos são breves e espaçados de sete em sete anos. Regressada ao mar, a silkie evita rever o seu marido humano, mas não se furta a brincar com os filhos na praia.

As lendas com silkies assinalam a dualidade, difícil de conciliar, entre o mar e a terra, mundos separados entre os quais o trânsito só é possível mediante uma metamorfose associada a uma mudança de pele. Mas a pele que liga os dois mundos acaba por encerrar uma vulnerabilidade fatal que conduz a uma morte insólita e terrível. A pele como chave abre a porta a um destino invulgarmente trágico. The Selkie of Suleskerry distingue-se como uma das lendas mais célebres:

Uma jovem tem um filho de um homem desconhecido que se revelou ser um silkie: homem na terra, foca no mar, residia nas rochas de Sule. Volvidos sete anos, a criatura do mar regressa para reclamar o filho, ao qual oferece uma corrente de ouro. A mãe deixa-o partir. Passado algum tempo, esta casa-se com um caçador negociante em peles de animais. Um dia o marido regressa a casa com as peles de duas focas que tinha matado com o fim de as oferecer à esposa: uma era de uma velha foca cinzenta, a outra de uma foca jovem com uma corrente de ouro no pescoço! Ela morre, dilacerada pela dor causada por esta visão.

A lenda The Selkie of Suleskerry inspirou uma balada, com várias versões, entre as quais de Joan Baez (vídeo 1). A interpretação do trio britânico Serious Kitchen resulta particularmente interessante (ver vídeo 2). Angelo Branduardi traduziu a balada para italiano acompanhando-a com um arranjo próprio (álbum Il Rovo e la Rosa: ballate d’amore e di morte; ver vídeo 3). Mas o motivo principal deste artigo não reside nem no trio Serious Kictchen, nem em Angelo Branduardi, nem na lenda de Silkie em si mesma. Este artigo é dedicado ao conto Silka (Edições Afrontamento, 1989), um texto original de Ilse Losa, escritora portuguesa de origem alemã. Estimo-o como um dos contos mais maravilhosos que me foi dado devorar. Para preservar o impacto da surpresa, não adianto mais nada. Reforço apenas o convite: ao investir alguns minutos nesta leitura, não perderá tempo, conquistará um momento feliz. Para aceder ao conto, carregar na imagem com a capa do livro ou no seguinte link:

Joan Baez. Silkie. Joan Baez. Vol. 2. 1961.
Serious Kitchen. The Selkie O’ Suleskerry. Tig. 2002. Recorded at The High Barn in February 2013.
Angelo Branduardi. Silkie. Il Rovo e la Rosa: ballate d’amore e di morte. 2013.

The Selkie O’ Suleskerry. Letras.

I
An earthly nurse sits and sings,
And aye, she sings by lily wean,
“And little ken. I my bairn’s father,
Far less the land where he dwells in.
II
For he came one night to her bed feet
And a grumbly guest, I’m sure was he,
Saying, “Here am I, thy bairn’s father,
Although I be not comely.”
III
He had ta’en a purse of gold
And he had placed it upon her knee
Saying, “Give to me my little young son,
And take thee up thy nurse’s fee.”
IV
“I am a man upon the land,
I am a silkie on the sea,
And when I’m far and far frae land,
My home it is in Sule Skerrie.”
V
“And it shall come to pass on a summer’s day,
When the sun shines bright on every stane,
I’ll come and fetch my little young son,
And teach him how to swim the faem.”
VI
“Ye shall marry a gunner good
And a right fine gunner I’m sure he’ll be,
And the very first shot that e’er he shoots
Will kill both my young son and me.”
 
Silkie
Col suo bambino stretto al seno
Stava piangendo una fanciulla
“Chi sia tuo padre non so più dire
Così remoto ora lui vive”
 
Ma a notte fonda lui ritornò
Un’ombra oscura che gemeva:
“Io sono il padre del tuo bambino
Benché non sia il benvenuto
 
Io sono un uomo sulla terra
Io sono un Silkie nel mio mare
Ma quando da te io vado lontano
La mia dimora è Sule Skerrie”
 
E poi lui prese una borsa d’oro
E la depose ai suoi piedi:
“Tu ora dammi il mio bambino
Questa è la paga per le tue cure
 
E quando poi verrà l’estate
Col sole ardente sulle pietre
Io prenderò il mio bambino
E nuoteremo tra le onde
 
“Tu troverai un buon marito
Un buon fucile al suo fianco
Ed io già so che al primo colpo
Ucciderà mio figlio e me”

Convite à viagem

Quando escuto música francesa, espanhola, italiana, portuguesa ou brasileira, acontece entusiasmar-me. Anuncia-se difícil desligar. Neste mundo, com esta globalização, os Doors, os Pink Floyd, os Rolling Stones ou os Moody Blues fazem parte da minha identidade, não fazem, contudo, parte da minha identificação específica, mais ancorada em outros compositores e cantores, tais como Jacques Brel, Angelo Branduardi, José Afonso ou Maria Bethânia. Convocam outras raízes e provocam outros sentimentos. São “cânticos da alma”, que se destacam não tanto pela qualidade, mas, como diriam os galegos, pelas afinidades do fado e de fala.

  • No artigo precedente, Perto do Céu, Antony canta com Franco Battiato, compositor, cantor, pintor e escritor italiano, “un símbolo de la cultura europea moderna: iconoclasta, misterioso, místico, único” (El Mundo, Martes, 18 mayo 2021 – 17:20). Com cerca de 40 álbuns editados, Franco Bettiato faleceu em maio do ano passado com 76 anos de idade, vítima de “uma doença que lhe devorou lentamente o cérebro prodigioso”.

Não é fácil selecionar três músicas de uma discografia tão extensa e diversificada. Seguem Invito al viaggio, La cura e La stagione dell’amore. O videoclip oficial de La Cura foi filmado em Lisboa e a presente versão de Invito al viaggio é transmitida pela televisão espanhola, dois indícios de alguma cumplicidade.

Franco Battiato. Invito al viaggio. Tve1, 2015.
Franco Battiato. La cura. Com Royal Philharmonic Concert Orchestra. 2016.
Franco Battiato. La stagione dell’amore. Orizzonti perduti. 1983. Music video, 2013.

Perto do sol

À Zé Gomes

Se tiver tempo, descanse a ver este artigo! Pela companhia aérea Emirates, pelo Elias e, principalmente, pelos Antony and The Johnsons com Franco Battiato. Este blogue pode ser discreto, mas é rico em coisas raras. Se não puder parar, passe ao largo, e não olhe para trás, como em noites de bruxedo.

Emirates. We’re on top of the world. Making of. 2022.

Apetece-me ouvir a canção Fistful of love, dos Antony and The Johnsons. Procuro no Tendências do Imaginário e encontro um retângulo negro com o seguinte letreiro: “Este vídeo não está disponível devido a uma reivindicação de direitos autorais”. Paciência! Substituo o link por outro, por sinal, melhor: uma atuação ao vivo, de 2007 (https://www.youtube.com/watch?v=1-524bnuYdM). O Tendências do Imaginário está cheio de retângulos negros. Na maioria dos casos, por um motivo inocente: o link foi, entretanto, desativado. As pequenas contrariedades dão-me vontade de brincar, de me divertir com maneirismos. Por exemplo, criar um falso gémeo, Perto do sol, a partir do artigo amputado, o Voo dos sentidos (https://wordpress.com/post/tendimag.com/40706).

O impressionante anúncio da companhia aérea Turkish Airlines (5 senses With Dr. Oz) é substituído pelo faraónico, We ‘re on top of the world, da congénere Emirates: uma hospedeira de bordo dá as boas-vindas à Expo 2020 Dubai no topo do edifício mais alto do mundo. Lembra um novo Ícaro com trejeitos de Estátua da Liberdade. A canção Revolution permuta com Thinking of you, ambas de Elias. Por último, a canção Firstful of love, dos Antony and The Johnsons, dá lugar à canção Del suo veloce volo, também dos Antony & The Johnsons, interpretada com Franco Battiato, no concerto da Arena de Verona, em 2013. Uma raridade! Como quem conta um conto acrescenta um ponto, ainda sobra espaço para um link do álbum (áudio) completo deste espetáculo.

Marca: Emirates. Título: See you at Dubai Expo. Produção: Prime Productions AMG. Emirados Árabes Unidos, janeiro 2022.
Elias. Revolution. Entwined. 2018.
Franco Battiato, Antony and the Johnsons. Del Suo Veloce Volo. Ao vivo na Arena de Verona, em setembro de 2013. Republica TV.
Franco Battiato, Antony and the Johnsons. Del Suo Veloce Volo. Gravação do concerto ao vivo na Arena de Verona, em 2013. Álbum completo.

Capricho polaco: o violão de Marcin Dylla

Roberto Chichorro. Sem Título. 1999.

Marcin Dylla é um violonista clássico polaco. Coleciona prémios e distinções. Venceu mais de quinze competições internacionais. Seguem três interpretações de compositores espanhóis: Capricho Árabe, de Francisco Tárrega; Junto al Generalife e Concerto de Aranjuez (Adagio), de Joaquín Rodrigo. As músicas e as ideias, quero-as muitas, coloridas e variadas. Três vídeos é demais, sobretudo para visionamento por telemóvel. Comporta, no entanto, uma dupla vantagem: não me obriga a preterir conteúdos favoritos e oferece a solução de experimentar apenas um.

Marcin Dylla interpreta Capricho Árabe (1892), de Francisco Tárrega, em 2014.
Marcin Dylla interpreta Junto al generalife (1959), de Joaquín Rodrigo, em 2013.
Marcin Dylla interpreta Concerto de Aranjuez – II Adagio, de Joaquín Rodrigo, em 2015.

Estamos no vento

Fernando Namora. Estamos no vento. 1974

Fluxos e refluxos, eventualmente, alterados. De onde sopram os ventos? Do Oeste? Do Leste? Os seguintes anúncios provenientes de quatro países (Tailândia, Índia, Malásia e China) dão que pensar.

Em Window with view, da SCG Home, a ilusão publicitária externa é substituída pela interioridade do lar; em It’s time to change the equation, da Olay, a desigualdade de género não remete para uma falocracia abstrata mas para a proximidade experiencial comunitária, tendo como agentes o pai, a mãe, os vizinhos, o amigo, a professora, o funcionário; em A spark for change, do RHB Bank, a redenção ecológica de uma civilização incivil não é fruto de uma qualquer organização global mas da soma mimética de um impulso infantil, espontâneo, puro e inocente; e em Meet the OnePlus Buds Z2, da OnePlus, a ficção ocidental à James Bond é parodiada com uma sobrecarga de motivos absurdos e grotescos.

Assistimos a uma ocidentalização do oriente ou a uma orientalização do ocidente? Há quem sustente que o tempo é de orientalização. É plausível. Certo é que, de um ou de outro quadrante, estamos no vento, vento que sopra hoje o amanhã emergente.

Estamos no vento: narrativa literário-sociológica (1974) é o título de um livro de Fernando Namora dedicado às transformações e aos novos movimentos sociais, em particular juvenis, que desafiam o Ocidente. Esta obra, que se propõe sentir a pulsação da sociedade contemporânea, inspirou a minha vocação. Um legado e uma memória que se me afigura não vibrar o suficiente no rodopio da paisagem intelectual portuguesa atual. Pelo menos, vista de onde estou, do meu inconformado miradouro. Representa, porém, uma abordagem lúcida, atenta à mudança, uma brisa de frescura na crista da história.

“A sociedade ocidental está em crise: crise de crescimento, crise de adaptação. As velhas estruturas não suportam já uma mentalidade que, partindo da juventude, dia a dia se impõe e generaliza” (Fernando Namora. Estamos no vento, 1974, da capa do livro).

Regressando ao tema inicial, Fernando Namora releva, há quase meio século, a tendência de “orientalização do Ocidente”. Leia-se, por exemplo, o que escreve na página 190:

Fernando Namora. Estamos no Vento, p. 190. Extraído do site Fernando Namora (httpfernando-namora.blogspot.com)
Marca: SCG Home. Título: Window with the view. Agência: Saatchi & Saatchi. Direção: Suthon Petchsuwan. Tailândia, maio 2020.
Marca: Olay. Título: It’s time to change the equation. Agência: Publicis Singapore. Índia, janeiro 2022.
Marca: RHB Bank. Título: A spark for change. Agência: FCB Malaysia. Direção: Telly Koay. Malásia, janeiro 2022.
Marca: OnePlus. Título: Meet the OnePlus Buds Z2. Produção:  Sweetshop Shanghai. Direção: Sebastien Guy. China, janeiro 2022.

Condenados

Marca: Galeries Barbès. Título: Condamné à mort. França, 1935.

Sem anúncios, nem alusão à morte, o Tendências do Imaginário está descaracterizado. Urge reparar.

Encontrei na página Culturepub o anúncio Condamné à mort, das Galerias Barbès, datado de 1935. Uma relíquia estranha! Numa cena de fuzilamento, os soldados não obedecem à ordem de “fogo” do oficilal. Em vez de disparar, mostram caixas de fósforos. Na verdade, recusam-se a disparar, não contra o condenado que fuma um despreocupado cigarro, mas contra a cadeira onde este está sentado. O oficial não tem outro remédio senão libertar o prisioneiro. Um anúncio a uma marca de tabaco? Só se for subliminar ou currículo oculto. Trata-se de um anúncio às Galerias Barbès onde a cadeira pode ser comprada. Carregar na imagem acima para aceder ao vídeo.

Alexandre Parafita. Mitologia Popular Portuguesa. 2021.

Ando entretido com o livro Mitologia Popular Portuguesa, de Alexandre Parafita, publicado em novembro de 2021. Inclui um poema que me apraz partilhar.

O CASAL DE ANCIÃOS E A MORTE

Conta-se que outrora havia
Em certa aldeia do norte
Dois anciãos, noite e dia,
Sempre a cismar com a Morte.

“- Oxalá na frente eu vá! –
Dizia sempre o velhinho.
– Não me vejo andar por cá
Co’ a falta do teu carinho”

E, ouvindo tal, a mulher
Responde-lhe sempre assim
“- Se a Morte por’ i vier,
Que me leve antes a mim!”

Nisto, uma pancada forte
Na porta se faz ouvir
“- Quem vem l´?” “- Sou eu, a Morte,
Quero entrar, venham abrir.”

E logo cheio de medo,
Diz o homem p’rá mulher:
“- Tenho um pé com formigueiro,
Vai lá ver o que quer!”

“Mas eu não posso! – diz-lhe ela –
Estou bem pior do que tu.
O formigueiro que tenho
Chega-me dos pés ó cu”.

Estavam assim nesta faina,
Sem vontade de lá ir,
E a Morte sempre a dizer:
“Vamos lá, venham abrir”

Até que farta e irritada,
Que faz a Morte depois?
Entrou com a porta fechada
E, em vez de um, levou os dois.

(Alexandre Parafita. Mitologia Popular Portuguesa. Sintra: Zéfiro. 2021, p. 100-101).

Por supuesto

Joaquín Sabina. Kikelin Caricaturas.

À Bina.

“Cantad alto, oiréis que oyen otros oídos (dónde los hombres)
(¿Qué miran los poetas, poetas andaluces de ahora?)
Mirad alto, veréis que miran otros ojos (dónde los hombres)
(¿Qué sienten los poetas, poetas andaluces de ahora?)
Latid alto, sabréis que palpita otra sangre (dónde los hombres)” – Aguaviva. Poetas Andaluces. Cada Vez Más Cerca. 1970.

! Sin embargo, no ganamos nada hablando y cantando solo en inglés. ¡ Hay tanto mundo por descubrir.

Andaluz, nascido em 1949, Joaquín Sabina exilou-se em Londres nos últimos anos da Espanha de Franco, perseguido como muitos outros compositores e cantores espanhóis, portugueses, argentinos ou chilenos. Alguns foram assassinados (por exemplo, Victor Jara: ver Matar a música. Victor Jara; e O Coração da Terra. Os Direitos do Homem). A voz dos poetas e dos cantores manifesta-se particularmente incómoda aos ouvidos dos ditadores. Regressou em 1977, com a queda do regime. Tem mais de vinte álbuns editados. Selecionei três vídeos musicais.

Joan Manuel Serrat & Joaquín Sabina. Cantares/Y Nos Dieron Las Diez. Music video. Sony. 2019.
Joaquín Sabina, com Mara Barros. Y Sin Embargo Te Quiero / Y Sin Embargo. Ao vivo em  El Luna Park. Buenos Aires. 2015.
Joaquin Sabina. Con la Frente Marchita (Ao vivo). Music video. Sony. 2015.