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A Caverna dos Fantasmas de Estimação. The Cinematic Orchestra

Numa poltrona ampla, perto de uma lareira abençoada, pode-se viajar, no inverno, até ao infinito (Hippolyte Laroche)

Há anos que não me expunha assim, tão fora de casa e tão fora de mim. Deixei o mundo penetrar até aos ossos e a expressão soltar-se. Como desfecho, sinto-me massajado, amassado e moído. Surpreendo-me, por drástica que tenha sido a vacina, a desejar o torpor cálido da caverna. Com a visita desta frente nórdica, frio apenas tolero o da música, compassada, suave, minimalista… Etérea!

Por exemplo, a trompete do norueguês Nils Petter Molvær. Ao procurar nos discos, tropecei nos The Cinematic Orchestra. Afins, também servem. Talvez não sejam do agrado de todos, mas não me inibo em partilhar coisas que colidem com o gosto alheio, apenas não partilho aquelas de que não gosto. Acontece colocar música a pensar numa única pessoa, que, porventura, não vejo há uma eternidade e decerto não voltarei a ver. O suficiente. Fantasmas de estimação!

The Cinematic Orchestra – ‘To Build A Home’. Ma Fleur, 2007. Filme Step Up Revolution. 2012.
The Cinematic Orchestra – Arrival of The Birds & Transformation. Crimson Wings – Mystery of the Flamingos. 2008. Interpretado com a London Metropolitan Orchestra
The Cinematic Orchestra – Wait For Now (feat. Tawiah). Wait For Now. To Believe (Remixes), 2020
The Cinematic Orchestra – To Believe (feat. Moses Sumney). To Believe. 2019

Identidade, alteridade e virtualidade

René Magritte, Decalcomania, 1966,

A publicidade pode ser instrutiva. Acontece com os anúncios “New Dawn”, da Hyundai, e “Un-Australia”, da Meat & Livestock Australia, que ilustram duas noções elementares das ciências sociais, que passo a resumir.

O valor de uma palavra provém do carácter distintivo dos seus usos virtuais. Simplificando, uma palavra vale quando permite dizer algo que as outras palavras não conseguem (a partir de F. Saussure, Cours de Linguistique Générale, 1916).
A identidade não remete para uma essência mas decorre da relação com os outros, com a alteridade. Simplificando, somos o que somos menos pelas semelhanças e mais pelas diferenças (a partir de C. Lévi-Strauss, L’ Identité, 1977).

Marca: Hyundai. Título: New Dawn. Agência: Innocean UK. Direção: Jeroen Mol. Reino Unido, Reino Unido, janeiro 2023
Marca: Meat & Livestock Australia. Título: Un-Australia. Agência: The Monkeys. Direção: Yianni Warnock. Austrália, janeiro 2023

Cinco Zero 7

Após uma semana complicada muito fica por fazer. Mas apetece-me ouvir música: muita, sedosa, original e rara. A exposição Vertigens do Barroco, no mosteiro de Tibães, em 2007, incluía dois ecrãs: um grande, com anúncios, na “sala das emoções confortáveis”, e outro, maior, com vídeos musicais, um dos quais pertencia aos Zero 7 (Futures, 2006). Se não conhece este grupo britânico, invejo-lhe o prazer da descoberta..

Zero 7 (com Martha Tilston). Pop Art Blue. Yeah Ghost. 2009
Zero 7 (com Jem Cooke). Swimmers. Swimmers. 2019
Zero 7 (com Sophie Barker). In The Waiting Lines. Simple Things Special Edition. 2001
Zero 7 (com Sia). Somersault. When It Falls. 2004
Zero 7 (com Jose Gonzalez). Futures. The Garden. 2006

E as crianças?

Save the Children

As realidades abordadas nestes três anúncios da Save the Children não são inauditas. De vez em quando, os meios de comunicação social fazem-lhe alusão. Save the Children Fund é uma organização internacional não governamental de defesa dos direitos da criança, ativa desde 1919, com sede em Londres.

Anunciante: Save the Children. Título: Save the Survivors. Agência: POL. 2022.

Anunciante: Save the Children. Título: Save the Children. Agência: POL. Direção: Niels Windfeldt. 2022.

Anunciante: Save the Children. Título: Survivors. Agência: Landia. Direção: Francisco Paparella. 2019.

Mãos

Albertino Gonçalves. Coisas do Outro Mundo. Esculturas Tumulares. Melgaço. 21.10.2022. Diapositivo 6

Numa apresentação dedicada às esculturas tumulares, releva-se o papel das mãos. Afirmam-se cruciais na comunicação, nomeadamente de disposições e emoções humanas. A arte privilegia-as. Recorde-se, por exemplo, Albrecht Dürer ou Auguste Rodin. O anúncio Christmas Nailed, da Tk maxx, confirma esta importância.

Marca: Tk maxx. Título: Christmas Nailed. Agência: Wieden + Kennedy (London). Direção: Max Siedentopf. Reino Unido, outubro 2022.

Sementeira

Acabou de sair um artigo meu num jornal. Uma página inteira. De reflexão, original, algo crítico e bastante pessoal. Não é mencionado o autor. Tenho um Best of dos Barclay James Harvest de 1991. Proporciona-se. Comecemos com o Hymn, prossigamos com o Poor Man’s Moody Blues, para concluir com a canção mais antiga: Mockingbird. Já publicámos o Child of the Universe (https://tendimag.com/2021/03/22/a-crianca-e-o-mundo/).

Barclay James Harvest. Hymn. Gone to Earth. 1977. Filmed in East Berlin 1987
Barclay James Harvest. Poor Man’s Moody Blues. Gone to Earth. 1977. Music video 1978.
Barclay James Harvest. Mockingbird. Once Again. 1971.Town & Country Club, 1992

(En)canto

Há quem não aprecie os Pink Floyd, embora o grupo tenha passado por fases e criado canções para quase todos os gostos. No que me respeita, representam uma banda presente em momentos marcantes, inaugurais. Juntos pela última vez durante o Live 8, no Hyde Park, em 2005, abriram o pequeno concerto com Speak to me / Breath. Um (en)canto biográfico.

Pink Floyd. Speak To Me / Breathe. Dark Side of the Moon, 1973. Ao vivo: Live 8. Hyde Park. Julho 2005.

Canções frias

Klaus Nomi (1944-1983)

Gosto do Klaus Nomi, um cometa extraordinário que teve uma breve passagem pela música antes de ser vítima da sida em 1983. Quase todas as suas canções estão contempladas no Tendências do Imaginário. O que não me impede de continuar a procurar versões com melhor qualidade. Encontrei três respeitantes a outros tantos covers: The Cold Song, da ária What Power Art Thou?, da ópera King Arthur, de Henry Purcell (1691); Can’t Help Falling in Love, de Elvis Priesley; e Death, da ária Dido’s Lament, da ópera Dido and Aeneas, de Henry Purcell (1689). Com votos de frescos sentimentos!

Klaus Nomi. The Cold Song. 1981. Cover da ária What Power Art Thou?, da ópera King Arthur, de Henry Purcell, 1691.
Klaus Nomi. Can’t Hel Falling in Love. Cover de Elvis Priesley, Can’t Help Falling in Love, 1961.
Klaus Nomi. Death. Cover da ária Dido’s Lament, da ópera Dido and Aeneas, de Henry Purcell, 1689.

Tangível

Catrin Finch

Corda a corda, a vida vibra. Seguem três músicas interpretadas pela harpista galesa Catrin Finch.

Catrin Finch – Clear Sky. Tides. 2015. Live at the Llangollen International Musical Eisteddfod 2019.
Catrin Finch – Lisa Lan (Celtic Harp Tune). Annwn. 2010.
John Rutter & Catrin Finch – Meditation. Blessing. 2012.