Ninguém morreu; apenas poesia
Pouco ou nada parece passar-se. Entretanto, o YouTube entende sugerir, de St. Vincent a Saint Saviour, músicas menos estreladas.
Automóveis brutais

Nos anúncios “Mean Green” e “The Button”, os automóveis convocam entidades e propriedades ferozes. O skoda resulta uma besta; o volkswagem, bestial.
Vamo-nos deixando

Marianne Faithfull, nascida em dezembro de 1946, faleceu faz um ano, em janeiro de 2025. Continua a agradar-me, sem qualquer sombra de pecado.
Estranhamente, o Tendências do Imaginário contempla apenas duas canções dela: “As tears go by”, de 1964, e “This littel bird”, de 1965 (Marianne Faithfull). Acrescento “It’s All Over Now Baby Blue”, “Scarborough Fair”, “The Ballad Of Lucy Jordan”, “Guilt” e “She Moved Thru’ The Fair”.
Sereia das dunas
A Almerinda Van Der Giezen sugeriu-me o “Hymn to the Sea” interpretado pela londrina Andrea Krux. Em boa hora o fez porque estou possuído de preguiça e falho de inspiração. Seguem cinco canções, todas de curta duração.
Vida desconectada / Questões

The best thing you can find online is a reason to go offline (A melhor coisa que você pode encontrar online é um motivo para se desconectar da internet).
Eis o mote do anúncio da Pinterest [por quem Deus nos manda avisar] que se ganha em recordar todas as manhãs. Sou, por sinal, utilizador desta rede social que recomendo.
O Fio de Ariadne e o Portal de Perséfone


“Este impactante filme da MullenLowe London ilustra (…)como, desde cedo em sua educação, as crianças já definem as oportunidades de carreira como masculinas e femininas. Quando solicitadas a desenhar um bombeiro, um cirurgião e um piloto de caça, 61 desenhos retratam homens e apenas 5 mulheres.”
“Os estereótipos de géneros são definidos entre os 5 e os 7 anos de idade”. Muitos outros, também!
Imagem: Estátua Perséfone. Mármore. Séc. II
Existirá um fio de Ariadne ou um portal de Perséfone que permita aceder a uma nova visão?
Ariadne e Perséfone recordam-me Lisa Gerrard, em particular as canções “Ariadne” e “Persephone (The Gathering of Flowers). O Tendências do Imaginário já contempla 13 canções de Lisa Gerrard. Segue mais meia dúzia.
Invasões, revoluções e involuções
Invasões. Disse invasões? Bizarro, como é bizarro! Revoluções ou involuções. Disse revoluções ou involuções? Confuso, muito confuso, senão trágico! Coisas próprias de novos Tyrannosaurus Rex.
Trágico foi o fim de Marc Bolan. Fundador da banda T. Rex e pioneiro do glam rock, morreu em setembro de 1977 num acidente de automóvel um dia antes de fazer 30 anos. Mais um caso da extensa lista de artistas precocemente falecidos nos anos setenta. Compôs a canção “Children of Revolution” adotada no anúncio “Italian Invasion” da Fiat. Será que a escutamos hoje como filhos “deslizantes” da involução?
Em memória de Marc Bolan, acrescem três música ainda não colocadas no Tendências do Imaginário: “Hot Love”; “The Slider” e “Buick Mackane”.
Os Ovos da Galinha e os Galos de Briga

Atendendo às alternativas disponíveis, mais vale continuar a correr atrás de ovos de galinhas [Ver Ser bom e estar bem e O mistério da galinha e a extensão farmacóide] do que insistir em chocar galos de briga (game cocks).
Imagem: Cover and inside illustration for the @newstatesman, 20.11.2024
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Refúgio da atrocidade
Quando se procura acontece encontrar-se, eventualmente, o que não se espera e nos choca. Para acompanhar o anúncio “Member of the British Empire”, da The Respite Association, é preciso ter “coração, cabeça e estômago”.
A guitarra de jeff Beck e a voz de Imelda May
Ao escutar o álbum Emotion & Commotion, a guitarra do Jeff Beck voltou a lembrar-me, de algum modo, um violino. Pedi o parecer à IA, que anexo no fim. Selecionei 4 faixas: 1 – Corpus Christi Carol; 7 – Lilac Wine (ft. Imelda May); 8 – Nessun Dorma; e 10 – Elegy for Dunkirk (ft. Olivia Safe). Acrescento 2 canções ao vivo de Jeff Beck e Imelda May durante a homenagem a Les Paul (uma performance a não perder).
Jeff Beck e o Violino
“Dito por si:
Até que ponto se pode sugerir que a forma como Jeff Beck compõe e toca guitarra o aproxima frequentemente da sonoridade do violino?
Dito pelo ChatGPT:
Pode-se sugerir com bastante fundamento que Jeff Beck frequentemente aproxima a guitarra da sonoridade e da expressividade do violino, embora isso não seja um objetivo literal ou constante, mas sim uma consequência do modo como ele pensa a melodia, o fraseado e o timbre.
Essa aproximação acontece em vários níveis:
- Fraseado essencialmente “cantabile”
Beck raramente toca como um guitarrista “de notas”. Ele pensa em linhas melódicas contínuas, muito próximas da lógica de instrumentos de arco ou da voz humana.
Assim como um violinista:
• Ele evita ataques excessivamente percussivos
• Prioriza legato, frases longas e curvas melódicas
• Trabalha com respiração musical, deixando espaços expressivos
Isso fica muito claro em peças instrumentais como “Where Were You”, “Cause We’ve Ended as Lovers” ou “Brush with the Blues”.
- Uso extremo da alavanca como substituto do arco
A alavanca é talvez o elemento mais “violinístico” do Beck:
• Ele a usa constantemente, não apenas para efeitos
• Controla micro-variações de afinação, vibrato contínuo e portamentos
• Cria a sensação de nota sustentada e moldada no tempo, como um arco passando pela corda
Isso se aproxima muito da maneira como um violinista controla pressão e velocidade do arco para dar vida à nota.
- Vibrato orgânico e não padronizado
O vibrato de Jeff Beck não é:
• Regular
• Mecânico
• Sempre igual
Ele varia em:
• Largura
• Velocidade
• Intensidade emocional
Isso é típico de instrumentos de arco, nos quais o vibrato é expressivo, não decorativo. Muitas vezes, Beck inicia uma nota “reta” e só depois introduz o vibrato — exatamente como um violinista faria.
- Ataque suave e controle do timbre
Beck frequentemente:
• Usa os dedos em vez da palheta
• Controla o volume da guitarra o tempo todo
• Evita distorção excessiva
O resultado é um ataque menos abrupto, mais próximo da entrada gradual do som de um violino do que do ataque seco de uma palheta.
- Harmonia implícita em linhas simples
Assim como um violinista solista em música clássica ou jazz:
• Beck sugere a harmonia com uma única linha melódica
• Explora tensões, resoluções e cromatismos
• Não depende de acordes para criar contexto
Isso reforça a sensação de um instrumento melódico “líder”, não rítmico.
Limite da comparação
É importante dizer que:
• Beck não soa como um violino
• Ele não tenta imitar tecnicamente o instrumento
• A guitarra continua sendo claramente uma guitarra elétrica
A semelhança está no pensamento musical, não na imitação tímbrica literal.
Conclusão
Pode-se afirmar que Jeff Beck está entre os guitarristas que mais transcenderam a lógica tradicional da guitarra, aproximando-se da expressividade de instrumentos de arco — especialmente o violino — através de:
• Fraseado contínuo
• Controle microtonal
• Sustentação expressiva
• Uso da alavanca como “arco”
Mais do que tocar guitarra, Beck “esculpe” o som no tempo, o que é justamente o coração da linguagem violinística.” (IA, Chat-GPT).
