Sociologia sem palavras 4. À americana (retoma)

Há Festa na Aldeia é o primeiro filme de Jacques Tati (1949). Com a festa, “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”. As pessoas mergulham numa metamorfose efémera. O carteiro é, neste filme, um caso extremo. Ludibriado por dois malandros, com a cumplicidade dos conterrâneos, o carteiro persegue a ilusão de ser carteiro à americana, num filme pautado pela diversidade de tempos e de ritmos sociais.
Sociologia sem palavras 3 (retoma)

O bailado do ditador com o globo terrestre, cena famosa do filme O Grande Ditador, de Charles Chaplin, é um desafio ao pensamento. Ocorre-me, por exemplo, que, graças à globalização, alguns, quase nenhuns, têm a capacidade de dar pontapés no planeta e muitos, quase todos, têm o direito de recebê-los. (23.09.2014)
Sociologia sem palavras

Faz 12 anos, em 20 de setembro de 2014, iniciei uma série intitulada Sociologia sem palavras. Ao todo, foram publicados 26 artigos até 13 de janeiro de 2018.
Segue o primeiro, com um excerto do filme Luzes da Cidade (1931), de Charles Chaplin.
Inicio, com este artigo, uma nova série de vídeos intitulada “Sociologia sem Palavras”. Pergunta-se, com frequência, o que estuda a Sociologia e o que faz o sociólogo. Eis uma pergunta clara de resposta ingrata.
As margens dos livros da Idade Média contêm pequenas gravuras excêntricas que funcionavam, segundo os especialistas, como marcadores simbólicos úteis nos sermões e nas trocas de argumentos. Na senda destas artimanhas medievais, a série “Sociologia sem Palavras” faculta, na era das imagens em movimento, cábulas electrónicas.
O objectivo desta série é contribuir para a divulgação da Sociologia. Com humor e desenvoltura. Está criado um conceito. Pequeno, mas original. Seguir esquemas não é o meu forte, criá-los é o meu fraco. (20.09.2014)
Grotesco e Desconcerto do Mundo
O Desconcerto do Mundo é o meu primeiro vídeo. Seguiram-se outros, mas é deste que gosto mais. Foi apresentado no seminário internacional O Trágico e o Grotesco no Mundo Contemporâneo, no Mosteiro de Tibães, em Braga, no dia 19 de Abril de 2005. Dura 38 minutos. Este exagero é compensado pela originalidade, pela variedade e pelo encanto das imagens e dos sons. De espanto em espanto, o tempo passa.

Organizei muitos encontros, mas o seminário O Trágico e o Grotesco no Mundo Contemporâneo destaca-se na minha memória. O Moniz Sodré veio do Brasil, o Michel Maffesoli e o David Le Breton, de França… O vídeo O Desconcerto do Mundo foi concebido para ser projetado durante os intervalos. As pessoas interromperam a saída para assistir. Recordo, em particular, a expressão de espanto e admiração do Michel Maffesoli. No artigo seguinte, para saborear aos poucos.
Da “Banda Desenhada” Medieval à “Animação Abstrata” Contemporânea
No século XII, já se produziam histórias dispostas em séries de pequenos quadrados ilustrados. Aparecem, por exemplo, no Livro de Salmos de Canterbury, manuscrito entre 1155 e 1160.

Cerca de 850 anos depois, o videoclip The Kandinsky Effect (2010), de Manu Meyre, pode ser entendido como um exemplo de animação abstrata contemporânea, na medida em que converte os elementos geométricos e cromáticos da Composition VIII (1923), de Wassily Kandinsky, numa composição visual em movimento, articulada ritmicamente com a música Girl/Boy Song.
Imagem: Wassily Kandinsky, Delicate Tension No. 85, 1923
Antecipação do surrealismo no século XVI: Lorenz Stoer

Em férias, a criatividade perde o cio. Sobram algumas rotinas respeitantes a compromissos de escrita e ao restauro do Tendências do Imaginário, uma canseira imperativa, devido à antiguidade e ao alcance do blogue. Urge recuperar e gravar vídeos desaparecidos. Este resgate de artigos (do mesmo dia) trouxe duas surpresas: as visualizações aumentaram 62% e o peso de Portugal subiu de 30 para 43%.
Imagem: Lorenz Stoer – Sem título. Geometria et Perspectiva, 1567
Arquitectura de Paisagem na Geometria Maneirista: Lorenz Stoer, artigo colocado em 15 de agosto de 2013, representa o tipo de incursão que mais me motiva: a exploração de artistas, ao mesmo tempo, desconcertantes e precursores, mas pouco conhecidos. Sempre que possível, proponho galerias de imagens e vídeos musicados. O resultado pode ser interessante.
Moda: Cores e Modelos

Tendências do Imaginário dedicou 22 artigos ao realizador Bruno Aveillan. É um vício. Poucos realizadores terão filmado tantas modelos de elite. Em cada um dos seguintes anúncios da L’Oréal, desfilam sete modelos associadas à L’Oréal. No primeiro, tantas quanto as cores da paleta de bâton, sombras e esmaltes da linha Color Riche. Lembra A Casa das Sete Cores, da Rua Sésamo, com uma cor por cada divisão e cada hóspede.
O segundo anúncio, Red Obsession, é monocromático. Vermelho, só vermelho. Mantém-se o número de modelos. Trata-se de ilustrar a diversidade de vermelhos do bâton Color Riche. O que representa um risco e um desafio para a arte de Bruno Aveillan. Resultado global: classe, charme e elegância.
Momento da verdade

Animação matinal

Nada como madrugar com espírito e os sentidos bem dispostos! Ontem, foram mantras, hoje, trailers de animes recomendados pelo Fernando: “The Beauty of Violet Evergarden” e “The Beauty of Monster”. Imagens deslumbrantes e música a condizer. A bússola prossegue apontada para o Oriente.
Aos mortos

No que respeita ao interesse e à diversidade dos artigos, o primeiro de agosto manifesta-se fértil. Prodiga músicas, anúncios, sexo… Faltam os mortos, esqueléticos ou não. Os artigos Minimalismo corporal, de 2017, e Carta aos mortos, de 2018, vêm colmatar essa falha.
