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Surrealismo grotesco

Durante a sunset party da Academia Sénior do Município de Braga. Fraião, 27.06.2026. Fotografia de Maria Afonso

Ontem, selecionei quatro “artigos do dia” (27 de junho). Recoloquei apenas dois: “A roseira dos cravos”, de 2014, e “Pintar o campesinato: o Luttrel Psalter”, de 2016, ambos com imagens medievais. Divertido numa sunset party com os alunos de Cidadania, da Academia Sénior do Município de Braga, adiei “Matar o vício”, de 2018, e “A ceia dos pobres (eventualmente chocante)”, de 2013, para o dia seguinte. Ainda considerei colocá-los fora de horas, enquanto Portugal empatava com a Colômbia, mas sabia que arriscava provocar pesadelos…

“Matar o vício” e “A ceia dos pobres” relevam de uma espécie de surrealismo grotesco, mais próximo da conceção de Wolfgang Kayser (Das Groteske. Seine Gestaltung in Malerei und Dichtung, 1957) do que da de Mikhail Bakhtin (A cultura popular na Idade Média e no Renascimento, 1941).

Na versão de Wolfgang Kayser, o grotesco gera um sentimento corrosivo de estranheza, em que o mundo familiar se revela, insolitamente, ameaçador e inquietante. Sério e visceral, provoca confusão, desorientação, mal-estar e angústia. Os quadros da chamada fase negra de Francisco de Goya representam um bom exemplo.

Em Mikail Bakhtin o grotesco é, pelo contrário, carnavalesco, animado por um movimento de rebaixamento coletivo, cómico e regenerador. Embora fantástico, desconcertante e excessivo, tende a resultar afirmativo e esperançoso.

Os vários livros de François Rabelais com os gigantes Gargantua e Pantagruel como protagonistas oferecem-se, agora, como um exemplo eloquente.

Em “Matar o vício”, o ambiente dos anúncios da revista Men’s Health é fantasmático, claustrofóbico e sinistro, com a figura do duplo, o outro eu, a insinuar-se como um intruso ambíguo, perturbador e ameaçador, senão fatal.

Com “A ceia dos pobres”, transitamos da publicidade para o cinema. O filme Viridiana (1960), de Luis Buñuel, encena uma paródia da Última Ceia, de Leonardo da Vinci, que frisa a blasfémia.

O filme Um Cão Andaluz (1928), de Luis Buñuel e Salvador Dali, destaca-se como um marco incontornável da história do cinema. Não se pode afirmar que propicie boa disposição. Deveras criativo, desconcerta e impressiona, cravando-se, indelével, na memória. Um cúmulo emblemático do surrealismo grotesco ao jeito de Kayser. Não aconselhável a pessoas sensíveis.

Surrealismo grotesco, eis uma noção que pode manifestar-se interessante!

Beleza tranquila

Confraternização na última aula de Sociologia da Arte e do Imaginário na Academia Sénior do Município de Braga. Fotografia: Maria Ivone Soares

Ao entardecer, há três anos, em Moledo do Minho, invadiu-me, como hoje, uma rara sensação de apaziguamento estético. Quando se procura o que é difícil de encontrar, dita a sabedoria antiga que importa beber na fonte certa. Por exemplo, nesta ocasião, nos filmes do Bruno Aveillan em que a poesia não só se escuta como se vê.

Sensibilidade (13.06.226)

Quando as palavras não sonham, as notícias não prestam, a música não dança, as pessoas não se abraçam, as sombras não se escondem, os minutos não passam e o depois não chega… segue os pássaros ou bebe um anúncio bem cheio, sem gelo, do Bruno Aveillan. Perde-te em Nova Iorque ou descobre AluLa. Sente! Sente os rostos, as mãos, os objetos e o que mais se oferecer.

Marca: Tiffany & Co. Título: Love (in) New York (Fashion Film). Agência: Ogilvy NY. Direção: Bruno Aveillan. 2022
AluLa, The World’s Masterpiece. UNESCO World Heritage Site. Agência: Leo Burnett KSA, Riyadh. Produção: QuadDireção: Bruno Aveillan. Arábia Saudita, 2021

Sem palavras

Ludovico Einaudi Experience par Claire et Antho. Colocado em 15.10.2022

Criatividade e Inteligência Artificial

Lexus – Energy That Drives You On. Agência: AKQA. USA. Abril 2026

Se a campanha “Energy That Drives You On / Energia Que Te Impulsiona”, da Lexus, tivesse estreado um mês antes, teria certamente integrado o vídeo Anúncios que nos dão música.

Enquadrado num universo totalmente criado por inteligência artificial, o filme acompanha o veículo enquanto este se move com fluidez de paisagens serenas do campo para ruas dinâmicas da cidade. À medida que viaja, a sua presença desencadeia uma onda de energia contagiante que transforma o ambiente. A arquitetura altera-se subtilmente. A luz reage. Flores desabrocham em parques urbanos. Peixes cintilam na superfície dos rios. Luzes ramificadas espalham-se pelas florestas. O mundo parece energizado pela própria experiência do utilizador (UX), uma metáfora visual para desempenho elétrico e propulsão emocional.
O filme culmina quando o UX chega a uma estação de carregamento ao ar livre ao pôr do sol. Em um momento silencioso e de expectativa, a narrativa pausa, sugerindo que a próxima aventura já está à espera de recomeçar — reforçando a ideia central da campanha: energia não é apenas poder, é possibilidade. (…)
Jakob Mark, Diretor Criativo da AKQA, acrescentou: “Esta campanha demonstra o que é possível quando o trabalho artesanal e a IA são projetados para funcionar como um único sistema. O Virtual Studio nos permitiu construir um mundo imersivo onde cada quadro responde à energia do veículo. Não se trata de substituir a criatividade, mas sim de expandir o que ela pode fazer. Para a Lexus, isso significou proporcionar profundidade emocional, precisão e qualidade cinematográfica numa nova escala.” (Ads of the World, Lexus – Built for Every Kind of Wonder. Consultado em 03.04.2026).

Lexus – Energy That Drives You On. Agência: AKQA. USA. Abril 2026

Anúncios que nos dão música

A comunicação nos anúncios publicitários é plural, “orquestral” e “polifónica”. Para além da “racional”, convoca múltiplas vias e dimensões: sensações, sentimentos, emoções, memórias, valores, símbolos… Por acréscimo, parte do efeito costuma ser subliminar. O que importa é que no momento oportuno o comprador, ou quem o influencia, faça a escolha desejada. Neste quadro, o fundo sonoro, especialmente a música, é particularmente relevante.

O segmento automóvel é, porventura, o mais proeminente em quantidade, recursos mobilizados e qualidade. O alcance do(s) anúncio(s) a um (novo) modelo é decisivo. Contratam-se, normalmente, os realizadores mais conceituados e as melhores agências de criatividade e produção.

Um anúncio a um automóvel não atende apenas às propriedades reais ou imaginárias do modelo; considera também as caraterísticas do público alvo a envolver e cativar. Para conseguir que este adira e nele se reconheça, convém conhecê-lo, designadamente as suas prioridades, aspirações e visões do mundo.

Embora bastante esbatida, esboçam-se correspondências entre o tipo de automóvel, as propriedade sociais dos potenciais compradores e o género musical. Ilustra-o, até certo ponto, o vídeo “Anúncios que nos dão música”, apresentado no dia 18 de março de 2026 na segunda parte de uma conferência A Música na Publicidade durante a Semana Aberta da Academia Sénior do Município de Braga.

Anúncios que nos dão música. Por Albertino Gonçalves. Conferência A Música na Publicidade, Semana Aberta da Academia Sénior do Município de Braga, 18.03.2026

Felicidades. Condições e Momentos

A pretexto do Dia Internacional da Felicidade, 20 de março, a turma de Sociologia da Arte e do Imaginário, da Academia Sénior do Município de Braga, produziu o vídeo Felicidades: Condições e Momentos, uma compilação de textos, fotografias, curtas metragens, videoclips e anúncios produzidos ou escolhidos pelos alunos. Ao integrar a generalidade das propostas, resulta uma obra heterogénea. Não é de ninguém em particular, antes uma soma de iniciativas. Coube-me a coordenação e a montagem. Com a participação a ultrapassar as expetativas, o vídeo dura 1 hora e 4 minutos. É um gosto partilhá-lo.

Para visualizar o vídeo no YouTube, carregar na imagem seguinte ou aceder ao endereço https://www.youtube.com/watch?v=AVNGu2bk-ns

Felicidades Condições e momentos. Pela turma de Sociologia da Arte e do Imaginário, da Academia Sénior do Município de Braga, 20.03.2026

Bosque de medíocres

Em bosque de medíocres, resulta difícil a qualidade vingar. Se existe algo de que os incapazes são capazes é secar, derrubar ou queimar qualquer árvore que se distinga.

“El Empleo” (o Emprego) – Curta-metragem de animação com direção de Santiago ‘Bou’ Grasso & Patricio Plaza. Fondo Nacional de la Artes. Argentina, 2008

Cultivar o futuro

Existem várias formas de cultivar, ou conquistar, mundos, sem que as sementes sejam fatalmente armas. A campanha equatoriana “Almax Mandarín” avança o seguinte provérbio: “O melhor momento para plantar uma árvore foi há 20 anos. O segundo melhor momento é agora”. Falta acrescentar que para que as árvores cresçam não basta terra, luz e água; são cada vez mais imprescindíveis bombeiros.

Garnier Ecuador creó para Minutocorp, en el marco del Año Nuevo Chino, la campaña ‘Almax Mandarín’, una propuesta artística que conecta con el sector de empresarios chinos que hoy representan el 77% de las importaciones en Ecuador.

Minutcorp & Almax – Almax Mandarín. Agência Garnier BBDO Ecuador. Equador, 2026

História Trágica com Final Feliz

À Leonor

A Minda enviou-me a curta metragem de animação “Tragic story with happy ending” (França, 2005), da autoria da portuguesa Regina Pessoa.

Regina Maria Póvoa Pessoa Martins (Coimbra, 16 de Dezembro de 1969) é uma realizadora de animação portuguesa. É membro da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood e vencedora de diversos prémios de animação internacionais como o Annie Awards e o Anima Mundi.

O seu filme Kali, o Pequeno Vampiro foi considerado Património Mundial pela UNESCO (…) A sua curta-metragem História Trágica com Final Feliz é o filme português mais premiado de sempre, tendo obtido mais de 35 prémios (…) O seu nome encontra-se em terceiro lugar, na lista dos 50 melhores filmes de animação dos últimos 25 anos, compilada pelo Animac – Festival Internacional de Cinema de Animação da Catalunha em 2021. (Wikipedia, 27.02.2026).

Andar às voltas com a felicidade propicia recompensas como esta.

Regina Pessoa – Tragic story with Happy ending. França, 2005.

Felicidade, Fantasia e Dança

Com duas décadas de experiência em design, Kelly Boesch é pioneira em termos de linguagem visual com recurso à IA. Alcançou mais de 1,5 milhão de seguidores e 60 milhões de visualizações por mês em diversas plataformas. Encara a IA como uma interlocutora poderosa, que expande os limites da criatividade conjugando a arte humana e com a capacidade de aprendizagem da máquina.

Como o asno de Buridan no meio da ponte, hesitamos entre dois vídeos de sua autoria: “I found happiness” e “Be Kind”. Além da felicidade, o primeiro ilustra a dança e o segundo, a fantasia. Ambos duram três minutos. Com um limite máximo assumido de 4 minutos para qualquer autor, não é possível contemplar os dois.

Não quer dar uma ajuda?

Kelly Boesch – I found happiness. AI Surreal Dance Video. Kelly Boesch AI Art. Posted 17.12.2025
Kelly Boesch – Be kind. AI Music Video about Joy. Kelly Boesch AI Art. Posted 02.11.2025