Negro escuro. Goya

Acontece-me, embora raramente, produzir um ou outro artigo mais sério e encorpado. Afundo-me. É o caso de A cor do abismo, colocado em 20 de julho de 2017, e Um silêncio de morte: Goya, ambos dedicados a Francisco de Goya, artista que muito aprecio. Convém digeri-los sentado, de preferência, com bom audiovisual. Não forçosamente hoje, mas quando se proporcionar.
Imagem: Cartaz de Os fantasmas de Goya. De Miloš Forman, 2006
Males do Mundo

No Tendências do Imaginário, existem, na década de 2010, nove artigos de 16 de julho com interesse: Apelo (2012); Idolatria (2012); Chove na natalidade (2014); Sisifite (2015); Havemos de ir a Viana (2016); Sociedade de choque (2017); Umbilicados, narcisistas e egoístas (2018); e Simplesmente só (2019).
Pensei publicar hoje dois “pacotes”: 1) Miopia umbilical, com os artigos Umbilicados, narcisistas e egoistas(2018), a que acrescentava Avatar Narcisista (10.12.2017) e Nota de rodapé (26.11.2016); 2) Solidões, com os artigos Simplesmente só (2019), a que acrescentava A solidão como companheira (19.11.2016) e Aspirar a solidão (21.02.2021).
Desisto do pacote Solidões. Fica para o ano. Substituo-o por outro pacote, Males do mundo, com os artigos Apelo (16.07.2012) e Sociedade de choque (16.07.2017). Não só porque condiz mais com a “miopia umbilical”. mas, sobretudo, porque ao procurar uma versão com melhor resolução da sequência de abertura, com direção da NoBrain, do filme Huit, só o encontrei na minha própria página do YouTube. Precise-se que o filme Huit teve a participação de oito realizadores, entre os quais Jane Campion, Gus Van Sant e Wim Wenders. Nestas circunstâncias, descarreguei a referida sequência de abertura, salvaguardando-a em triplicado: no disco duro, na página do YouTube e no Tendências.
Segue o pacote Males do Mundo com dois artigos, Apelo (2012) e Sociedade de Choque, com dois vídeos veras impressionantes: “Huit“ (2009) e “Article 13 – L’horreur ne prend jamais de vacances” (2017).
Comer com os olhos na cama de Shakespeare

Tenho que ser mais comedido na recolocação de artigos antigos. Vou passar a fazer uma seleção da seleção. Hoje, cinco artigos merecem resgate. Retenho apenas dois, ambos de julho de 2014. Os restantes ficam à espera de ser, eventualmente, colocados em 2027, se os deuses quiserem! Os anúncios “Adventure awaits”, da Lurpak, no artigo Comer com os olhos, e ” There’s no bed like home”, da IKEA, no artigo A cama de Shakespeare, são ambos espetaculares, sobretudo do ponto de vista estético.
O Cabelo e o Violino. Pantene e Pachelbel

“Crysalis” é um belíssimo anúncio, ao nível áudio e vídeo, da Pantene, de 2009, com uma história à tailandesa, que culmina com o cânone de Pachelbel. Colocado no Tendências do Imaginário no longínquo dia 14 de julho de 2012, oferece uma boa oportunidade para começar o dia com uma pequena centelha no coração.
Imagem: Johann Pachelbel (1653-1706)
Macacos me mordam! Surpresas e sustos
Ao Daniel N.

São amoras, senhor/a, amoras! Maduras e negras, prontas a ser devoradas, com picadas e nódoas nos dedos. Não paro de recuperar e gravar vídeos. Fabulosos, por sinal! Por esta altura, em julho de 2013, andava, provavelmente, virado do avesso. Torrado em Braga à espera de Moledo, a escrita resultava retorcida e afiada, carregada de cinismo e ironias sarcásticas.
Imagem: Frida Kahlo – Autorretrato con Changuito,Frida, 1945. MuseoDolores Olmedo,
Mas, senhor/a, se o texto é silvestre, os vídeos contemplados nos artigos seguintes são uma maravilha: um amor de amoras. A pedir por mais. Se emagrecer… e Anomalia foram colocados no mesmo dia, 13 de julho de 2013; Apanhados, esquecido, no dia 11 de julho de 2015.
Miscelânea visual

As agências de produção audiovisual costumam publicar miscelâneas (“medleys”) de vídeos como forma de autopromoção. Algumas raiam a arte. Creio ser o caso de “Showreel”, da agência de pós-produção alemã The Marmalade, anúncio contemplado no artigo A engenharia da imagem, de 10 de julho de 2016. Um regalo duplo: para a vista e para o ouvido.
Des-graças

Continuo pouco criativo. Nem sequer adianto um prefácio urgente. Entretenho-me a repescar “artigos do dia”, com dificuldade de amostragem. As flores do mal, de 2019, encerra um isco que me assombra: a ambivalência do mal. Adiciono, a preceito, a curta-metragem disfórica The Gloaming (14 minutos), extraída do artigo Descontrolo, de 2012.
Surrealismo grotesco


Ontem, selecionei quatro “artigos do dia” (27 de junho). Recoloquei apenas dois: “A roseira dos cravos”, de 2014, e “Pintar o campesinato: o Luttrel Psalter”, de 2016, ambos com imagens medievais. Divertido numa sunset party com os alunos de Cidadania, da Academia Sénior do Município de Braga, adiei “Matar o vício”, de 2018, e “A ceia dos pobres (eventualmente chocante)”, de 2013, para o dia seguinte. Ainda considerei colocá-los fora de horas, enquanto Portugal empatava com a Colômbia, mas sabia que arriscava provocar pesadelos…
“Matar o vício” e “A ceia dos pobres” relevam de uma espécie de surrealismo grotesco, mais próximo da conceção de Wolfgang Kayser (Das Groteske. Seine Gestaltung in Malerei und Dichtung, 1957) do que da de Mikhail Bakhtin (A cultura popular na Idade Média e no Renascimento, 1941).

Na versão de Wolfgang Kayser, o grotesco gera um sentimento corrosivo de estranheza, em que o mundo familiar se revela, insolitamente, ameaçador e inquietante. Sério e visceral, provoca confusão, desorientação, mal-estar e angústia. Os quadros da chamada fase negra de Francisco de Goya representam um bom exemplo.

Em Mikail Bakhtin o grotesco é, pelo contrário, carnavalesco, animado por um movimento de rebaixamento coletivo, cómico e regenerador. Embora fantástico, desconcertante e excessivo, tende a resultar afirmativo e esperançoso.
Os vários livros de François Rabelais com os gigantes Gargantua e Pantagruel como protagonistas oferecem-se, agora, como um exemplo eloquente.
Em “Matar o vício”, o ambiente dos anúncios da revista Men’s Health é fantasmático, claustrofóbico e sinistro, com a figura do duplo, o outro eu, a insinuar-se como um intruso ambíguo, perturbador e ameaçador, senão fatal.
Com “A ceia dos pobres”, transitamos da publicidade para o cinema. O filme Viridiana (1960), de Luis Buñuel, encena uma paródia da Última Ceia, de Leonardo da Vinci, que frisa a blasfémia.
O filme Um Cão Andaluz (1928), de Luis Buñuel e Salvador Dali, destaca-se como um marco incontornável da história do cinema. Não se pode afirmar que propicie boa disposição. Deveras criativo, desconcerta e impressiona, cravando-se, indelével, na memória. Um cúmulo emblemático do surrealismo grotesco ao jeito de Kayser. Não aconselhável a pessoas sensíveis.
Surrealismo grotesco, eis uma noção que pode manifestar-se interessante!
Beleza tranquila

Ao entardecer, há três anos, em Moledo do Minho, invadiu-me, como hoje, uma rara sensação de apaziguamento estético. Quando se procura o que é difícil de encontrar, dita a sabedoria antiga que importa beber na fonte certa. Por exemplo, nesta ocasião, nos filmes do Bruno Aveillan em que a poesia não só se escuta como se vê.
Sensibilidade (13.06.2026)

Quando as palavras não sonham, as notícias não prestam, a música não dança, as pessoas não se abraçam, as sombras não se escondem, os minutos não passam e o depois não chega… segue os pássaros ou bebe um anúncio bem cheio, sem gelo, do Bruno Aveillan. Perde-te em Nova Iorque ou descobre AluLa. Sente! Sente os rostos, as mãos, os objetos e o que mais se oferecer.
