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Blind Guardian. O legado das terras sombrias.

Blind Guardian.

Na adolescência, em 1978, aprendi uma linguagem de programação: o Fortran IV. Os primeiros computadores pessoais (pc) de sucesso começaram em 1977, Apple incluída. Uma das instruções mais importantes consistia no “if… goto”, que assinalava um salto no algoritmo, graficamente representado por um losango. O poder concebe-nos como romeiros de algoritmos. De instrução em instrução, de rotina em rotina, até ao if goto final: If… go to shit!

Mas há quem resista. Há sempre quem resista, embora pouco consiga. Quase sempre, de um modo romântico. Ocorre-me o mundo da música Metal. Por exemplo, a banda alemã Blind Guardian, criada em 1984. Lançou, há dias, o álbum Legacy of the Dark Lands (8 de Novembro de 2019). O meu rapaz mais novo não escuta outra coisa. A minha mulher continua a ouvir melodias e eu, nostalgias. Quando estamos os três ligados, a casa tem uma crise de identidade. À força de ouvir o álbum orquestrado Legacy of the Dark Lands, uma pessoa afeiçoa-se. Afeiçoamo-nos uns aos outros. A fantasia, o fantástico, está na mó de cima. Acrescento uma música de 1990 para ilustrar como os Blind Guardian são sem orquestra e ao vivo.

Fernando e Albertino

Blind Guardian Twilight Orchestra. Nephilim. Legacy of the Dark Lands. 2019
Blind Guardian. Lord Of The Rings [Imaginations Through the Looking Glass]. Tales Form The Twilight World. 1990.

Tão feliz que ele era!

ELP

Em passeio pasmado pelos vinis deprimidos, encontrei a canção “Lucky Man”, dos Emerson Lake & Palmer. “Tão feliz que o homem foi”! Quem? Pantagruel? Tarzan? O rei Salomão? São Francisco de Assis? Os ELP dão a entender que sabem quem foi “esse homem de sorte”. Compunham, nos anos setenta, uma banda tecnologicamente avançada. Lembro-me de trautear a canção Lucky Man (1970).

Emerson Lake & Palmer. Lucky Man. Emerson Lake & Palmer. 1970

Urinar para a lua

Pieter Brueghel o Velho. Urinando para a lua. Doze Provérbios. 1558-1560.

Percorri mil imagens do Pieter Brueghel sem me aperceber dos Doze Provérbios. Quem se aventura sem guia corre o risco de passar ao lado do essencial. Mas tenho os meus rapazes. O mais velho desencantou no Museu Mayer van den Bergh, de Antuérpia, os ditos Doze Provérbios, de Pieter Brueghel. “Figuras com legenda”. Por exemplo, no quarto fragmento, o homem está sentado entre duas cadeiras, ou seja, não consegue decidir-se; em baixo, no oitavo fragmento, o homem não consegue ver o reflexo do sol na água, ou seja, inveja outras pessoas.

Pieter Bueghel o Velho. Doze provérbios. 1558-1560.

Concluído entre 1558 e 1560, os Doze Provérbios ganham em ser confrontados com os Provérbios Flamengos, obra concluída pela mesma altura, em 1559. Pelo menos, onze dos Doze provérbios constam entre os 112 Provérbios Flamengos.

Pieter Brueghel o Velho. Provérbios Flamengos. 1559.

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Doze Provérbios e Provérbios Flamengos ,de Brueghel o Velho. Repetições.
Pieter Brueghel o Velho. Urinando para a lua. Provérbios Flamengos. 1559.

Incomoda-me esta ignorância vetusta. “O homem a urinar para a lua” é uma falha no meu repertório. Não conhecia os Doze Provérbios, nem tão pouco relevei tão estranha figura nos Provérbios Flamengos. Faltava, confesso, no meu imaginário um homem a urinar para a lua.

Importa festejar. Com música, naturalmente. Existem muitas canções dedicadas à lua e aos lunáticos: Moon River (Audrey Hepburn), Harvest Moon (Neil Young), Brain Damage (Pink Floyd),  La Luna (Angelo Branduardi), Moonlight  Shadow (Mike Oldfield), Blue Moon (Elvis Priesley), mas, sentimentalmente, opto pela Sonata ao Luar, de Beethoven. Consta entre as músicas que o meu rapaz mais velho mais gosta de tocar. Coloco a versão completa: o terceiro movimento é o meu preferido. Interpretação da ucraniana Valentina Lisitsa

João e Albertino

Beethoven. Piano Sonata No.14 .Opus 27 No.2. Mov 1, 2, 3 (Sonata ao luar). Valentina Lisitsa.

Canção de embalar

Johannes Brahms (1833-1897)

Dorme, dorme, dorme e sonha também / Conta as estrelas a caminho de Belém.

Yo-Yo Ma, Kathryn Stott – Johannes Brahms Lullaby / Wiegenlied, Op. 49, No. 4 (Arr. for Cello and Piano).

Homo Erraticus (Ian Anderson)

Teimoso, preguiçoso, cínico, melancólico e errático, nada submisso.

Nos anos sessenta e setenta, as bandas primavam por desenvolver uma sonoridade própria, a que se acrescentava, frequentemente, uma voz singular: Beatles, The Shadows, Rolling Stones, The Doors, Moody Blues, Creedence Clearwater Revival, Pink Floyd, Deep Purple, King Crimson, Black Sabath, Camel, Led Zepplin, The Who, Yes, Genesis, AC/DC, Renaissance, Tangerine Dream… E Jethro Tull!

Ando há anos para colocar os Jethro Tull no Tendências do Imaginário. Até agora, não encontrei um bom pretexto. Tão pouco hoje. Mas hoje, dia de descanso fúnebre, dei-me ao luxo de procurar vídeos dos Jethro Tull. Combinando qualidade do vídeo e da música, retive dois clássicos: Aqualung (1971) e Too Old to Rock ‘n’ Roll: Too Young to Die! (1976). Esticando-me no tempo, resgatei o instrumental Bourée (1969), num programa da televisão francesa, com um cenário expressivo.

Jethro Tull. Bourée. Stand up. 1969. Ao vivo na Televisão Francesa, programa La Joconde, 1969.
Jethro Tull. Too Old to Rock ‘n’ Roll: Too Young to Die! Too Old to Rock ‘n’ Roll: Too Young to Die! 1976. Ao vivo. British TV Show “Supersonic”, Março 1976.
Jethro Tull. Aqualung. Aqualung. 1971. Ao vivo. Rockpop In Concert 1982.

Feliz dia dos mortos!

SLOVENIA – MAY 03: Death accompanying a merchant and a wealthy banker, Dance of Death (1490), detail from the frescoes by Janez Iz Kastva, Trinity Church, Hrastovlje fortified church, Slovenia. Detail. (Photo by DeAgostini/Getty Images)

Feliz dia dos mortos! Dancem, dancem a dança macabra! Treinem os fémures e as tíbias.

Para o vídeo, convém uma resolução de, pelo menos, 720p.

Camille Saint-Saëns (1835-1921) Danse Macabre (1874) Opus 40 in G minor for violin + orchestra. National Philharmonic Orchestra, conductor Leopold Stokowski.

Não me consigo desligar

Hoje regressei de Melgaço. Dormi na casa de infância. Não acontecia há décadas. Melgaço anda a mimar-me. Durante a viagem, ouvi Damien Rice. Segue uma canção ao vivo (The Blower’s Daughter) e um vídeo musical (I Don’t Want To Change You, creio que uma adaptação).

Damien Rice. The Blower’s Daughter. Álbum O. 2002. Ao vivo: Sessions@AOL, 2003.
Damien Rice. I Don’t Want To Change You. Álbum My Favourite Faded Fantasy, 2014.

Heitor Villa-Lobos por Francisco Berény Domingues

Hoje, vou à terra, ao lançamento do livro de fotografias Quem Fica, de João Gigante, com um texto do Álvaro Domingues e outro meu. É sobre Prado, a minha freguesia natal. Por falar no Álvaro e em Prado, gostava de voltar a ouvir o Francisco Berény Domingues em Melgaço.

Choros Nrº1 (1920) – Heitor Villa-Lobos (1887-1959) played by Francisco Berény Domingues. Recorded live for Tübingen International Guitar Competition 2019.

Sanfona

Organistrum do Pórtico da Glória da Catedral de Santiago de Compostela. c. século XII. Espanha

Se bem me lembro, quando era criança, na minha terra, havia pessoas que tocavam sanfona. É um instrumento musical medieval com uma sonoridade própria. O meu rapaz mais novo mostrou-me esta interpretação de sanfona. Dá para ouvir? Sanfoniza-te!

Andrey Vinogradov. Aequilibrium. Hurdy-Gurdy Aequilibrium. 2018. Medieval Tune. Hurdy-Gurdy With Organ.

Os anjos também emigram

Marta Carvalho

Marta Carvalho participou no vídeo musical Talk It Out, de Neil Avery & Nigel Planer, estreado ontem, dia 10 de Outubro, por ocasião do Dia Mundial da Saúde Mental 2019. Marta interpreta o papel de uma espécie de anjo que ajuda um homem desesperado.

Marta foi aluna do Mestrado em Comunicação, Arte e Cultura, da Universidade do Minho. Atriz experiente, partiu, há alguns anos, para Inglaterra, onde prossegue uma carreira notável.

Não é de lamentar que os portugueses emigrem em busca do sucesso. Pior seria mantê-los pasmados na sua terra natal. Assuma-se a verdade: quem parte não vai para o inferno, e, por estes lados, ainda não saímos do purgatório. Portugal é um bom país: cheio de oportunidades para quem se aproveita; o melhor do mundo para quem gosta.

Talk It Out – Neil Avery & Nigel Planer. Diretor: Don McVey. Atores: Marta Carvalho & Eric Colvin. 10 de Outubro de 2019.