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Albatroz

Albatroz errante.

Albatroz: descolagem lenta, voo largo.

Rescaldo das eleições, música para espairecer. Albatross (1969) é um instrumental de início de carreira dos Fleetwood Mac. Gosto do grupo. Acrescento as canções Dreams e Ho Daddy, ambas do álbum Rumours, de 1977.

Fleetwood Mac. Albatross. The Pious Bird of Good Omen. 1969.
Fleetwood Mac. Oh Daddy. Rumours. 1977.
Fleetwood Mac. Dreams. Rumours. 1977.

A canção dos pássaros. Pablo Casals

Juan Fernández. Portrait du violoncelliste Pablo Casals. 1958.

A música expulsa o ódio dos que vivem sem amor. Dá paz aos que não têm descanso, e consola os que choram (Pablo Casals).

A tempestade promete a bonança. Pablo Casals, compositor, maestro e violoncelista catalão, foi um acérrimo defensor da democracia em tempos adversos de franquismo, fascismo e nazismo. Song of the birds (El cant dels ocells), uma composição para violoncelo de Pablo Casals, inspirou várias interpretações. Retenho duas: a interpretação pelo próprio Pablo Casals, na Casa Branca, em 1961; e a adaptação da ucraniana Nataliya Gudziy, caraterizada por uma singularidade e uma simplicidade amigas da beleza.

Pablo Casals. Song of the birds (El cant dels ocells). White House. 1961.
Nataliya Gudziy. Song of the Birds (El Cant dels Ocells). Kobzar / Nataliya3. 2014.

Confinamento desconfinado

Gustave Courbet. Les Cribleuses de Blé. 1854.

Confinamento desconfinado. Uma peneira esburacada. Estas palavras turvam-me o pensamento. Há dias publiquei um gráfico que comparava o número de infetados por 100 000 habitantes nos países da Europa. Portugal estava numa posição delicada. Volvidos poucos dias, a situação piorou: Portugal é o país com mais casos por milhão de habitantes a nível mundial. Avoluma-se o número de infetados, de hospitalizados e de mortos. Que incómodos rivalizam com o internamento nos cuidados intensivos ou a agonia nas instituições de idosos? Que efeitos colaterais rivalizam com a doença? Com as filas de ambulâncias às portas das urgências? Os mortos não sofrem traumas pedagógicos, assimétricos ou identitários. A morte não é reversível. Para os mortos, não há futuro perdido. Não admira que num confinamento desconfinado, o essencial pareça depender de cada um e de todos nós. Decretos coletivos com responsabilidade individual. A avaliação das consequências é uma arte, a arte de decidir.

The Beatles. Don’t Let Me Down. Hey Jude. 1970.
The Beatles. Come Together. Abbey Road. 1969.

Música das esferas

René Magritte. Voice of Space. 1931

O dinamarquês Rued Langgaard (1893-1952) compôs Música das Esferas entre 1916 e 1918. Original, experimental e sem sucesso imediato. Existem muitas músicas a que me habituei a chamar “músicas das esferas”. Lembro os Tangerine Dream, Jean-Michel Jarre e, especialmente o Klaus Schulze. Retenho, por enquanto, duas músicas: Tubular Bells II, de Mike Oldfield; e Mammagamma, de The Alan Parsons Project. Acrescento um terceiro vídeo com a Música das Esferas, de Rued Langgaard.

Mike Oldfield. Tubular Bells II. Ao vivo em Edinburgh Castl. Parte 1. 1992.
The Alan Parson Project. Mammagamma. Eye in the sky. 1982.
Rued Langgaard. Music of the Spheres. 1916-1918.

Ralph Vaughan Williams

Ralph Vaughan Williams

O compositor inglês Ralph Vaughan Williams (1872-1958) não consta, até ao momento, do Tendências do Imaginário. Seguem duas músicas: uma célebre, Sir John in Love: Fantasia on Greensleeves (1924-28); e a outra, bastante diferente, Tuba Concerto: Mov. 1 (1954).

Ralph Vaughan Williams. Sir John in Love: Fantasia on Greensleeves (1924-28). Leonard Bernstein. New York Philharmonic Orchestra. 1971.
Ralph Vaughan Williams. Tuba Concerto in F minor – I. Prelude. 1954. Taipei Wind Orchestra.

Amor em tempo de confinamento

Mordillo

Canta o amor e namora a felicidade! A música é performativa.

Marca AT&T. Título: A Little Love. Agência: BBDO LA. Direção: Peter Thwaites. USA, janeiro 2021.
James Brown. I Got You (I Feel Good). 1965.

Falar com as imagens

Busto da República

Há católicos que falam com as imagens dos santos. Mais, afigura-se-lhes que estes lhes respondem. Em casa, tenho um busto da República original. Herança de meu avô. Acontece-me falar com ela. Às vezes, tento dialogar. Perdeu o cocuruto. Não tem vida fácil. Gostava muito de lhe dedicar uma canção. Mas não sei cantar. Peço a outros. Por exemplo aos The Who.

The Who. I’am Free. Tommy. 1969. Ao vivo em Kilburn, em 1977.

As imagens interpelam-nos, o busto da República interpela-nos. Num século, perdeu o cocuruto. É vulnerável. A república é vulnerável.

Washington. 06.01.2021.

Netos da revolução, filhos do esquecimento

Elton John, Marc Bolan & Ringo Starr. Londres. 1973.

Gosto de escavar como um arqueólogo indisciplinado. Por exemplo, na história do rock. Numa sociedade acelerada, cinquenta anos representa muito tempo. Quem ouviu os T. Rex? Uma banda de rock inglesa, com um som próprio, ativa entre 1967 e 1977. The Slider foi o álbum mais vendido em 1972 no Reino Unido. A banda dissolveu-se em 1977 na sequência da morte num acidente de automóvel do vocalista Marc Bolan.  Em dez anos, produziram treze álbuns.

T. Rex. Cosmic Dancer. Electric Warrior. 1971.
T. Rex (com Elton John). Get it on. Electric Warrior. 1971
T. Rex. Children of revolution. Single. 1972.

Violino

Pablo Picasso – Violin and Grapes, 1912.

Às vezes, chove música.

The last violin performance of Ladies in Lavender (O amor não escolhe idades). Violino: Joshua Bell. 2004.

Perda

Procol Harum. Home. 1970.

“Que é pior do que fazer o mal quando se pretende fazer o bem?” (Jean-Michel Guenassia, Le club des incorrigibles optimistes, 2009).

Há várias maneiras de almejar simbolicamente o futuro. Chamar o bem, com fogo de artifício; esconjurar o mal, com uma canção fúnebre. Se 2021 seguir 2020, seremos constrangidos a aproximar o bem e a afastar o mal. Para além das bem-aventuranças e dos exorcismos, pode-se optar pela homeopatia do mal. Algo como reciclar o mal.

Procol Harum. Nothing that i didn’t know. Home. 1970.