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Raia do amor

Na próxima semana vou a Melgaço. Estou a precisar. Com esta perspetiva e as canções “Love is Not Enough” e “The Uncarved Block, do Tom Baxter, desfruto o entardecer. O compositor e cantor inglês Tom Baxter, pouco visualizado, justifica alguma curiosidade, em particular pela guitarra e pela gestão dos silêncios. Coloco apenas estas músicas para deixar a porta aberta à exploração.

Tom Baxter – Love is Not Enough. The Uncarved Block – Part One, 2014
Tom Baxter – The Uncarved Block. The Uncarved Bloc – Part One, 2014. Live on Dutch music show “2 Meter Sessies”, posted 15.03.2019

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Sim, os silêncios…Magistral! E o dedilhar das cordas em suspensão, ânsia, urgência, melodia.
Quando ouvimos a parte instrumental de Love is Not Enough, sentimos o contrário. As primeiras notas, a espera, a expectativa do encontro a crescer dentro de nós, e depois, com toda a mestria, o turbilhão interior das notas em cadência de amor crescente…e quando as palavras chegam, salvam-nos? da esperança que não basta.
Em The Uncarved Block, a guitarra sobrepõe-se. Como se as palavras fossem um sussurro, como um rio que flui. Ele canta:
“Desvenda-me na página, sente os meus dedos flertando,
Tease me open on the page, feel my fingers flirt,
dei o meu melhor em uma noite como esta.
I put my best foot forward on a night like this.”
Adoro a letra, tão genuína quanto a guitarra que ele sustém.
“Devolve-me ao bloco não esculpido,
Return me to the uncarved block,
devolve-me a minha inocência
return me to my innocence
Devolve-me aos campos de cevada de ouro
Return me to the barley fields of gold”. (Minda, 07.05.2026)

Coro de bocejos. Dumb waiters

É um desconsolo terminar a leitura de um artigo muito referido sobre um tema de interesse com a impressão de não ter aprendido nada. Uma experiência deveras rotineira.

A alergia está a tornar-se fisiológica: abro a boca e fecho os olhos.

The Korgis – Everybody’s Got to Learn Sometime. Dumb Waiters, 1980

Ninguém morreu; apenas poesia

Pouco ou nada parece passar-se. Entretanto, o YouTube entende sugerir, de St. Vincent a Saint Saviour, músicas menos estreladas.

Saint Saviour – Poetry. Sunseeker, 2024. Live from Yawn Studios. Colocado em 03.11.2023
Saint Saviour – I Remember. In the Seams, 2014

Fogo, Fumo e Cinzas

Vincent Van Gogh . Caveira com cigarro aceso, 1885-86. Van Gogh Musseum. Amsterdam

Fumar é atividade que ganha cada vez mais em ser relegada para a intimidade. Em público, acenam com a morte. O cigarro tornou-se o memento mori do século XXI: “mais um prego no caixão”; “fumar mata!”. Trata-se de uma sentença ritual bem-intencionada. Aliás, penso que se acredita que com boas intenções não se enche o inferno, mas se sobe a escada de Jacob. Apetece pedir também com amizade: “Já que vou morrer, deixem o prazer”. Mas contenho-me e agradeço com um sorriso penitente. Não me tenta incomodar os outros.

St. Vincent – Smoking Section. Masseduction, 2017
St. Vincent – Broken Man. All Born Screaming, 2024

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Número e proporção de óbitos por algumas causas de morte, Portugal, 2023 e 2024 (Fonte INE)

Incontinência da violência

Se precisar da entrega ao domicílio de um volume de tabaco resulta difícil. Tenho que me deslocar, até numa cadeira de rodas, a espaços cada vez menos acessíveis. É pormenor de somenos consideração. Os missionários do bem entendem tutelar-me. Mas já a intrusão da violência, esteja onde estiver, dispensa qualquer pedido. Copiosa, insinua-se por todos os canais.

Com o anúncio / videoclip “Reward The Scars”, concluo esta incursão centrada no tema da violência. Temo enfartar! Não viro a página, apenas me disponho a saltar algumas.

Korn – Reward The Scars | Official Music Video for Diablo IV: Lord of Hatred. Abril, 2026

A propósito, conhece o Renaud? Ainda vamos a tempo…

Renaud – Laisse béton. Laisse béton, 1977
Renaud & Axelle Red – Manhattan Kaboul. Boucan d’enfer, 2002

Vítimas da Verdade

Fotografia – Reprodução de La Jornada. México

Existem jornalistas de todos os tipos, feitios, interesses e ideologias. Esta diversidade representa um dos pilares das democracias e expõe-os como alvo a controlar ou a abater nos regimes autoritários e pelo crime organizado. O anúncio mexicano “Bullet Machine” ilustra-o de um modo original, veemente e impactante.

Article 19 Office for Mexico and Central America – Bullet Machine. Agência: Grey Mexico. Direção: Andrea Pelegrin & Francisco Paparella. México, abril 2026

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Rage Against The Machine – Killing In the Name. Rage Against the Machine, 1992
Muse – Uprising. The Resistance, 2009

Vamo-nos deixando

Marianne Faithfull, nascida em dezembro de 1946, faleceu faz um ano, em janeiro de 2025. Continua a agradar-me, sem qualquer sombra de pecado.

Estranhamente, o Tendências do Imaginário contempla apenas duas canções dela: “As tears go by”, de 1964, e “This littel bird”, de 1965 (Marianne Faithfull). Acrescento “It’s All Over Now Baby Blue”, “Scarborough Fair”, “The Ballad Of Lucy Jordan”, “Guilt” e “She Moved Thru’ The Fair”.

Marianne Faithfull – It’s All Over Now Baby Blue. Do filme The Girl on a Motorcycle, de 1968. Composição: Bob Dylan
Marianne Faithfull – Scarborough Fair. North Country Maid, 1966
Marianne Faithfull – The Ballad Of Lucy Jordan. Broken English, 1979
Marianne Faithfull – Guilt. Broken English, 1979. At St. Anne’s Cathedral, Brooklyn, New York, 1989
Marianne Faithfull -She Moved Thru’ The Fair. She Moved Thru’ The Fair, 2025

Sociedade hipócrita. O rei vai nu!

Chamo-me Amarna Miller, sou atriz porno e nasci num país hipócrita onde a mesma gente que me chama puta desfruta dos meus vídeos; um país que ama a vida mas permite que se mate em nome da arte; um país indignado com a corrupção mas que continua a votar em vigaristas, onde se salvam os bancos que expulsam milhares de famílias; um país que se diz laico mas que oferece medalhas às virgens, que trata os emigrantes como heróis e os imigrantes como lixo; um país onde os supostos guardiões da moral podem revelar-se os mais perigosos, onde a prostituição ainda não é legal embora o número de clientes aumente todos os anos; um país que se pretende aberto e tolerante mas onde um árbitro recebe ameaças de morte por ser gay; sim, vivemos num país asquerosamente hipócrita; somos, contudo, alguns ainda a resistir. (Tradução livre).

Verifiquei que já tinha partilhado este anúncio do Salón Erótico de Barcelona quando saiu em outubro de 2016 (Erótica política), mas não resisto a recolocá-lo.

Salón Erótico de Barcelona Apricots 2016 – PATRIA. Ideia original e produção: VIMEMA.com. Direção: Carles Valdés. Espanha, setembro 2016
Sinead O’Connor – The Emperor’s New Clothes. I Do Not Want What I Haven’t Got, 1990

Sereia das dunas

A Almerinda Van Der Giezen sugeriu-me o “Hymn to the Sea” interpretado pela londrina Andrea Krux. Em boa hora o fez porque estou possuído de preguiça e falho de inspiração. Seguem cinco canções, todas de curta duração.

Andrea Krux – Hymn to the Sea A Capella. Single, 2022
Andrea Krux – In Dreams Acapella Cover, The Lord of The Rings, 2022
Andrea Krux – Evenstar Acapella Cover, The Lord of The Rings. Evenstar Acapella Cover, The Lord of The Rings, 2022
Andrea Krux – Dunes. Middle Eastern Female Vocals, 2022
Andrea Krux – Siren’s Song. Siren’s Song, 2022

Tão bom que apetece repetir

Retomemos o saboroso e fabuloso anúncio tailandês “The Secret” para continuar a variar a música.

Voiz Waffle Chocolate – The Secret. Agência: Ogilvy & Mather. Direção: Wuthisak Anarnkaporn. Tailândia, dezembro 2017
Yves Montand – C’est si bon. Single, 1968. “Champs-Élysées”, Antenne 2,  17.06.1989
Murray Head – You’re So Tasty. Say It Ain’t So, 1975