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Humoresco

Antonin Dvorak

Em regime mais solar do que lunar, com o social a sobrepor-se cada vez mais ao digital, partilho uma música bem disposta, um humoresco, “curta peça de humor e humor”. Dvorak, com Yo-Yo Ma, no violoncelo, e Itzhak Perlman, no violino.

Yo-Yo Ma & Itzhak Perlman. Humoresque No. 7 in G-flat Major, Op. 101, de Antonin Dvorak. Com a Boston Symphony Orchestra, dirigida por Seiji Ozawa.

“Japanese conductor, American orchestra, Chinese cellist, Israeli violinist, Czech composer”.

Primeiro os amigos

Jacques Brel, Léo Ferré e Georges Brassens

Existem mundos onde predominam as encostas. Os seus membros encostam-se uns aos outros formando montículos dispostos em redes de dependência pessoal. Quem não se encosta nem é encosto candidata-se ao papel de mosquito numa teia de aranha. A autonomia definha como uma quimera, um gesto raro e caro. Seguem quatro canções francesas sobre a parceria (os comparsas) e a diferença (os marginais).

George Brassens. Les copains d’abord. Les copains d’abord. 1964.
Georges Brassens. La mauvaise réputation. La mauvaise réputation. 1954.
Georges Moustaki. Le métèque. Le métèque. 1969.
Isabelle Mayereau. Difference. Isabelle Mayereau. 1978.

Virar páginas. Bob Seger

Tantas páginas viramos contra o vento e não lhe tomamos o jeito. Amarrotamo-las e o livro nunca permanece o mesmo. Com esta seca, ou sede, de comunicação, as palavras não brotam, evaporam-se. Torna-se conveniente pedi-las emprestadas.

Bob Seger & The Silver Bullet Band. Turn The Page. Back in ’72. 1973. Bob Seger & The Silver Bullet Band, live At Cobo Hall, Detroit, 1975.
Bob Seger. Against the wind. Against the Wind. 1980. Bob Seger & The Silver Bullet Band. Live remasterized 1980.
Bob Seger. Still the same. Stranger in Town. 1978. Bob Seger & The Silver Bullet Band. Live From San Diego, ca. 1978.

Sementeira

Acabou de sair um artigo meu num jornal. Uma página inteira. De reflexão, original, algo crítico e bastante pessoal. Não é mencionado o autor. Tenho um Best of dos Barclay James Harvest de 1991. Proporciona-se. Comecemos com o Hymn, prossigamos com o Poor Man’s Moody Blues, para concluir com a canção mais antiga: Mockingbird. Já publicámos o Child of the Universe (https://tendimag.com/2021/03/22/a-crianca-e-o-mundo/).

Barclay James Harvest. Hymn. Gone to Earth. 1977. Filmed in East Berlin 1987
Barclay James Harvest. Poor Man’s Moody Blues. Gone to Earth. 1977. Music video 1978.
Barclay James Harvest. Mockingbird. Once Again. 1971.Town & Country Club, 1992

Melancolia e inconformismo

Léo Ferré

Existem cantores que são mais do que intérpretes. São artistas, compositores, poetas e, em particular, personalidades marcantes que dão voz e alma a uma maneira de estar no mundo. Alguns acrescentam, ainda, a cereja da rebeldia e da controvérsia: Bob Dylan, Jim Morrison, Jacques Brel, Georges Brassens, Victor Jara, Zeca Afonso… O “anarquista” Léo Ferré é um caso único. É estereofónico: num canal, solidão, melancolia, memória e desencanto; simultaneamente, no outro, inconformismo, garra, potência e renovação. Sintonizados. Um bálsamo. Uma dose certa para os momentos certos.

Engana-se quem pense que posts como este são meros monólogos digitais, pingos artificiais num ecrã para um público imaterial. Circunstanciais e dialógicos, substantivos e performativos, reação e interlocução, interpelam “outros significativos”. “apostrofados”, em condição de os decifrar e, porventura, sentir. São parte e partilha de vida. Um combustível do blogue.

O Tendências do Imaginário já contempla as canções Avec le Temps, Solitude e C’est Extra, de Léo Ferré. Acrescento La Mélancolie, La Mémoire et la Mer e Requiem.

Léo Ferré. La Mélancolie. La Mélancolie. 1964.
Léo Ferré. La mémoire et la mer. Amour Anarchie. 1970.
Léo Ferré. Requiem. Je te donne”. 1976. Ao vivo: Théâtre des Champs-Élysées. 1984.

Dono do tempo?

“Agora não é mais dono do seu tempo?” Pergunta uma amiga. Na realidade, ando ocupado. Talvez para fugir do vazio, vou-me deixando ocupar. Os meus colegas e amigos também andam ocupados, mas com coisas importantes: meetings, calls, papers, media, projects, reports, classrooms, contracts, bureaucracies, protocols, platforms, virtualities, travels, budgets, referees, metrics, contests, prices, rankings, positions & propositions. As minhas ocupações resumem-se a minudências invisíveis: revejo e traduzo textos alheios, presto-me a ser organizador sombra ou suplente de última hora, preparo aulas e encontros na aldeia, entrego-me a investigações vadias, intermitentes e gratuitas, edito e reescrevo livros que nunca têm fim, cuido da saúde que bem precisa e convivo cada vez mais com os amigos. Vale-me isso e a música, minha musa e companhia. E insisto em pingar pensamentos e sentimentos neste blogue. É certo que, reformado, a maioria destas atividades, decididas ou aceites, são livres. Mas uma vez iniciadas deixam de o ser. Devoram recursos e tempo. Regressando à pergunta inicial: neste momento, sou menos dono do meu tempo, mas provisoriamente. Trata-se de uma perda a que não me resigno, que não sei se prefiro à riqueza de ter todo o tempo do mundo.

Franz Schubert. Serenade. 1826. Camille Thomas and Beatrice Berrut. Live at Palais des Beaux-Arts in Brussels on June 5, 2011
Vanessa-Mae. A Poet’s Quest (For a Distant Paradise). Vanessa-Mae Storm. 1997

Pink Floyd e a Guerra na Ucrânia

No último artigo do Tendências do Imaginário, aludi ao último concerto dos Pink Floyd durante o Live 8, em 2005. Cumpre-me precisar: o último concerto ao vivo com todos membros do grupo: Roger Waters, David Gilmour, Nick Mason e Richard Wright. O desentendimento de longa data entre Waters e Gilmour a morte de Wright em 2008 impediram qualquer reunião ulterior. Mas a marca Pink Floyd, de facto, não desapareceu. Os Pink Floyd editaram, por exemplo, em 2014, o álbum Endless River. David Gilmour, com 76 anos, e Nick Mason, com 78 anos, reativaram o grupo este ano para uma intervenção de protesto contra a guerra na Ucrânia e de apoio ao povo ucraniano. O resultado é a canção e o vídeo Hey Hey Rise Up.

Pink Floyd – Hey Hey Rise Up (feat. Andriy Khlyvnyuk of Boombox). Abril 2022

(En)canto

Há quem não aprecie os Pink Floyd, embora o grupo tenha passado por fases e criado canções para quase todos os gostos. No que me respeita, representam uma banda presente em momentos marcantes, inaugurais. Juntos pela última vez durante o Live 8, no Hyde Park, em 2005, abriram o pequeno concerto com Speak to me / Breath. Um (en)canto biográfico.

Pink Floyd. Speak To Me / Breathe. Dark Side of the Moon, 1973. Ao vivo: Live 8. Hyde Park. Julho 2005.

A princesa noiva e a velha grávida

Baubo. Estatueta de terracota, de Alexandria. Período ptolemaico.

Estou a escrever sobre velhas grávidas impúdicas, de preferência, risonhas [pertence a um conjunto de textos que não dá para publicar no Tendências]. Para compensar a carga grotesca e a penúria de escrita, recorro à músicas, sobretudo, músicas harmoniosas como as compostas por Mark knopfler para filmes dos anos oitenta.

Mark Knopfler. Going Home. Local Hero, 1983. Ao vivo em Barcelona, 2019.
Mark Knopfler. The Long Road. Cal. 1984.
Mark Knopfler & Willy DeVille. Storybook Love The Princess Bride. 1984

A identidade e o selo postal

Selo português. Cavaleiro. 30 centavos. 1953

Quanto mais ínfimas e exclusivas, pequenos restos de um nós menor, se revelarem as memórias mais nos resguardam do tédio e do apagamento. Paradoxalmente, quanto mais nossas, maior gozo dá partilhá-las. Como selos postais carimbados pelo destino. A música propicia-se a este contrabando miúdo.

Seguem três canções interpretadas por Willy deVille (1950-2009): Heaven Stood Still; Let It Be Me; e Night Falls.

Willy deVille. Heaven Stood Still. Willy DeVille (live). 1993
Willy deVille. Let it be me. Ao vivo em 2002.
Willy deVille. Night Falls. Miracle. 1987. Ao vivo em 2002.