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Estrela azul

Joan Miró. Étoile Bleu. 1925

Blue is the colour of my feelings. Gosto de ouvir blues quando deslizo para o lado autómato da minha identidade. Hoje, colhi os Yardbirds (Eric Clapton, Jeff Beck e Jimmy Page), do álbum Blue Eyed Blues (1973). 23 hours too long tem participação de Sonny Boy Williamson. Segue uma interpretação ao vivo.

Yardbirds (Feat Sonny Boy Willianson). 23 hours too long. Blue Eyed Blues. 1973. Ao vivo.

Echo and The Bunnymen

Agora que o tempo pasma, ando apressado. Outrora, na crista das aulas materiais, presenciais e banais, saía a pé de casa para a universidade e, à hora exacta, no lugar certo, a aula acontecia. Agora, na contingência da imaterialidade à distância, ando há três dias a preparar uma aula já preparada. Nem sobram uns minutos para um artigo. Ousemos, mesmo assim, uma pausa no dever. Segue uma versão interessante da canção Forgiven dos Echo & The Bunnymen.

Echo & The Bunnymen. Forgiven. Evergreen. 1997. Acústico ao vivo.

Híbrido de mil faces

Recordando, não se esquece? Gosto de recordar o prazer. E as mágoas? Prefiro não lhes espetar o anzol. Mordem o presente. Duas ou três canções do David Bowie. Das mais antigas. Para descer à cave da memória. When I live my dreams (1967) e Come and buy my toys (1967). Para completar a conta que Deus fez, acrescento Space Oddity, a versão original.

Come and buy my toys. David Bowie, 1967
When I Iive my dreams. David Bowie, 1967
Space Oddity. Versão original de 1969. Álbum London Boy, de 1995.

Moinhos do coração

Michel Legrand

A canção The Windmills of Your Mind inspirou imensas interpretações. Por exemplo, Alison Moyet, Petula Clark e Sting. A origem é francesa. É da autoria de Michel Legrand, reputado compositor de músicas para filmes. The Windmills of your Mind pertence à banda sonora do filme The Thomas Crown Affair, de 1968. Michel Legrand ganhou um Óscar pela melhor canção original (The Windmills of your Mind). Recebeu mais dois Prémios da Academia pelas bandas sonoras de Summer of ’42 (1971) e Yentl (1983). Segue a versão interpretada por Abbey Lincoln, bem como a versão francesa, Les Moulins de Mon Coeur, interpretada pelo próprio Michel Legrand.

Abbey Lincoln. The Windmills of Your Mind (de Michel Legrand). Over the years. 2000.
Michel Legrand plays and sings Les Moulins de Mon Coeur. 1969

900 000 visualizações

O blogue Tendências do Imaginário ultrapassou 900 000 visualizações, 282 000 visitas e 3 040 artigos. A distribuição das visualizações por países pouco se alterou ao longo dos anos. O gráfico 1 contempla o conjunto das visualizações, desde o início em 2011 (carregar nos gráficos para aumentar a imagem).

Visualizações por país. Desde 2011.

Quatro países (Brasil, 38%; Portugal, 23,9%; Estados-Unidos, 8,5%; e Espanha, 7,5%) somam perto de quatro quintos (77,9%) das visualizações. Não obstante, o Tendências do Imaginário é um blogue global. O mapa 1 ilustra a cobertura ao nível do planeta. Pela perspectiva, pelo conteúdo e pelo estilo, o Tendências do Imaginário é um blogue internacional. Podia estar sediado em Austin, Antuérpia ou Seul que pouco ou nada, de fundo, se alteraria. Mas está escrito em português.

Cobertura à escala mundial

O gráfico 2 destaca os dez artigos mais visualizados.

Dez artigos com mais visualizações

O blogue assenta-me bem. Prefiro a criação solitária e sou viciado em jogos de letras. Mas afasta-me dos outros, dos colegas, do convívio e do progresso colectivos. Torno-me mais hermético do que um eremita.

A principal falha reside na publicação de artigos em revistas nacionais e internacionais. O blogue não é complementar mas concorrente. Opto por escrever e editar no blogue. Detesto pedir. A auto-proposta ou a resposta a chamadas é, no meu sentimento, andar com o texto numa bandeja. Um artigo do blogue com 2 154 consultas alcança um valor razoável. Persiste o prejuízo profissional: não dá para registar pontos na caderneta da carreira. Para o Homo Academicus, um artigo não vale pelo seu conteúdo mas pelo livro ou pela revista onde se insere. Continuo a publicar artigos em livros e revistas, sempre que sou convidado. Admito que esta atitude enferma de romantismo anarquista, senão reaccionário. Os outros, amigos e colegas, tendem a ser diferentes, têm direito a ser diferentes. Para minha penitência.

O Tendências do Imaginário pede tempo, requer atenção e exige dedicação. Mas dá prazer. Obrigado pela tua visita! “Amigo maior que o pensamento”, “Traz outro amigo também”, sabendo que o “vento nos leva”.

José Afonso. Traz outro amigo também. Traz outro amigo também. 1970.
Mea Culpa Jazz. Le vent nous portera. Cover dos Noir Désir (2001). 2017.

Artes florescentes

Jean-Philippe Rameau. Les Sauvages (Les Indes Galantes). 1735. Coreografia de Blanca Li. Bailado : Les Arts Florissants.

Acordei rococó. Os artigos de hoje convocam o estilo. Antes de mais, boa disposição: Les Sauvages (Les Indes Galantes, 1735), de Jean-Philippe Rameau, com coreografia de Blanca Li, interpretada por Les Arts Florissants.

No ensino à distância, o diálogo é sui generis. A reação, frequentemente dessincronizada, ou é escrita ou é falada. Mas reduzida. A comunicação não verbal é rara. Imagina-se! Por exemplo, os alunos a dançar.

Jean-Philippe Rameau. Les Sauvages (Les Indes Galantes). 1735. Coreografia de Blanca Li. Bailado : Les Arts Florissants.

Nos telhados de Paris

Jacky Terrasson

Para acompanhar a preparação da próxima aula imaterial, música que vitamina a mente: Jacky Terrasson.

Jacky Terrasson. Plaisir d’amour. Jacky Terrasson à Paris. 2001.
Jacky Terrasson. Ne me quitte pas. Jacky Terrasson à Paris. 2001.

Intervalo

Sergei Rachmaninoff.

Chegaram as flores, como de costume. Está um belo dia para teletrabalhar. Numa redoma, como aconselha a saúde. O lazer faz falta. Tempera o espírito. Rachmaninoff pode ajudar.

Rachmaninoff Prelude Op. 23 No. 5 g minor. Piano: Valentina Lisitsa.

Chegaram as flores, como de costume. Está um belo dia para teletrabalhar. Numa redoma sanitária. O lazer faz falta. Quando é obrigatório deixa de ser lazer. Uma boa dose de lazer tempera o espírito. Rachmaninoff pode ajudar.

Os anos cinquenta existiram?

O inconveniente de uma pessoa se lembrar é a dificuldade de parar. Lembrar Jamaica, Bob Marley e o activismo social é lembrar Harry Belafonte. É curioso como antes dos anos sessenta existiram os anos cinquenta! Com estrelas tais como Elvis Priesley, Pat Boone, Diamonds, Everly Brothers, Debbie Reynolds, Chuck Berry, Paul Anka, Jerry Lee Lewis, Buddy Holly, Nat King Cole…

A música de Belafonte tem raízes jamaicanas. As canções escolhidas pertencem ao álbum Calypso, publicado em 1956. Foi o primeiro LP a ultrapassar o milhão de vendas nos Estados Unidos. No segundo vídeo, Belafonte interpreta Jamaica Farewell, ao vivo, em 1997, com setenta anos de idade.

Não teria recordado o Harry Belafonte se não tivesse visitado a última gaveta dos cds. As coisas constam entre os melhores guias de viajem ao passado. Devemos estimá-las. A propósito de gavetas e de memória, acode-me uma história.

Nos anos noventa, investiguei, com o Moisés de Lemos Martins e a Helena Pires, a romaria da Senhora da Agonia, em Viana do Castelo. O resultado foi o livro cuja capa se reproduz. Uma pessoa de idade, ensaísta e poetisa, destacava-se entre as pessoas que mais sabiam sobre as festas. Pela memória e pela documentação. Passava horas, na mesma mesa, na pastelaria da Praça da República. Um dia, convidou-me para me mostrar as suas coisas. Abriu o primeiro gavetão e fiquei desencantado: pouco de novo.

Mostrei-me agradado e agradecido. Sucedem-se os dias. Muitos dias. Volta a convidar-me para ver as suas coisas. E abre o último gavetão! Senti-me como um pioneiro que descobre um filão de ouro. Até bilhetes para a tourada de 1952 tinha guardado. Tive o privilégio de me cruzar com pessoas a quem muito devo e que muito admiro. Em termos de centelha da memória, a última gaveta é a primeira.

Harry Belafonte. Banana Boat Song (Day-O). Calypso. 1956.
Harry Belafonte. Jamaica Farewell. Calypso. 1956. Ao vivo em 1997.

Nenúfares

Woodstock. 1969.

Dedilhei os cds da última gaveta. Passei pelo Bob Marley e comentei: “O reggae é que foi um apagão! É difícil encontrar memória mais esquecida”. Respondem-me: “Mudaram as drogas. Agora são ácidos”. Fiquei a ruminar. A imagem veiculada pelo Woodstock (1969) foi a de uma descontração desvelada. Até os nus que deslizavam na água pareciam nenúfares. O mesmo no festival da ilha de Wight, em 1970. A imagem de Bob Marley respirava paz e amor (ver vídeo 2). A tendência era apolínea (Friedrich Nietzsche, O nascimento da tragédia, 1872; Ruth Benedict, Padrões de cultura, 1934). A aura dos festivais atuais parece mais dionisíaca. O meu rapaz envia-me um vídeo ilustrativo com a nova versão do Gollum numa tribo efervescente a chapinhar em trajes mínimos (vídeo 1).

Fernando e Albertino

“Gollum na Woodstocku 2014”
Bob Marley & The Wailers. One Love. Exodus. 1977.