A Minda enviou-me a curta metragem de animação “Tragic story with happy ending” (França, 2005), da autoria da portuguesa Regina Pessoa.
Regina Maria Póvoa Pessoa Martins (Coimbra, 16 de Dezembro de 1969) é uma realizadora de animação portuguesa. É membro da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood e vencedora de diversos prémios de animação internacionais como o Annie Awards e o Anima Mundi.
O seu filme Kali, o Pequeno Vampiro foi considerado Património Mundial pela UNESCO (…) A sua curta-metragem História Trágica com Final Feliz é o filme português mais premiado de sempre, tendo obtido mais de 35 prémios (…) O seu nome encontra-se em terceiro lugar, na lista dos 50 melhores filmes de animação dos últimos 25 anos, compilada pelo Animac – Festival Internacional de Cinema de Animação da Catalunha em 2021. (Wikipedia, 27.02.2026).
Andar às voltas com a felicidade propicia recompensas como esta.
Regina Pessoa – Tragic story with Happy ending. França, 2005.
“O teatro tece o quotidiano”. O anúncio “Adultério”, da Câmara Municipal da Maia”, é uma raridade ousada e preciosa. Mostra como superar uma crise dando a volta por fora. “Dar a volta por cima” e “dar a volta por fora” constituem duas virtualidades da “força dos fracos”. Carregue na imagem para aceder ao vídeo.
Anunciante: Câmara Municipal da Maia. Título: Adultério. McCann Erickson. Portugal, 2002
O preconceito imagina a realidade dispensando alternativas (ver Com a verdade me enganas e Falácias da Perceção). O anúncio “Algemas”, da associação Olho Vivo, apanha-nos, desprevenidos, em flagrante. [Carregar na imagem para aceder ao vídeo]
A Almerinda Van Der Giezen acaba de me enviar este vídeo com a canção “Atmosphere” dos Joy Division. Para além de recordar o Ian Curtis, creio que se ajusta, com a devida gravidade, a este artigo.
Joy Division – Atmosphere. Vídeo oficial lançado em 1988.
Em 1995, o contágio pelo vírus da sida entra no seu auge e o preservativo impõe-se como um imperativo prioritário. Ter relações sexuais com uso de preservativo é encarado como um “pecado” que não merece punição. Assim (a)parece no anúncio “Padre”, da campanha Anti sida. [Carregar na imagem para aceder ao vídeo]
A campanha IKEA Hidden Tags da agência Uzina para a IKEA, lançado em maio de 2024, acaba de conquistar cinco Leões no Festival de Cannes 2025: dois de Ouro, dois de Prata e um de Bronze. Poucas semanas antes, em 23 de maio, a campanha foi a “grande vencedora” do 27.º Festival do Clube da Criatividade de Portugal (CCP), arrecadando os dois maiores troféus: o Grande Prémio CCP e o Grande Prémio Jornalistas. A agência Uzina foi então eleita “agência do ano”.
O trabalho “Etiquetas Escondidas”, da Uzina para a Ikea, vai receber mais uma prata, esta vez na categoria de Brand Experience. Ao prémio que será anunciado esta quinta-feira, recorde-se, somam-se já dois ouros, nas categorias de Direct e de Creative Media. EAestes, juntam-se ainda uma prata em Direct e um bronze em Creative Data. / A campanha foi lançada pela Ikea para celebrar os seus 20 anos em Portugal, tendo a marca desafiado os clientes a procurarem as etiquetas dos seus produtos, com o objetivo de encontrar o móvel mais antigo da marca sueca em Portugal. Quem tivesse a peça de imobiliário com maior idade ganhava um voucher de 2.000 euros. / Para comunicar a ação, a marca apostou na altura numa campanha presente com um filme em televisão e digital, mas também com imagens em mupis, redes sociais e site. Contou ainda com conteúdo de uma influenciadora para mostrar aos consumidores como ler as etiquetas. / A campanha gerou um aumento de 14% nas vendas (em relação ao ano passado), com 31% das vendas registadas provenientes de novos membros Ikea Family e 42% de crescimento de novos membros no programa de fidelização (+95,5 mil novos membros). (Idias +M 19.06.2025 – Uzina e Ikea somam mais uma prata em Cannes).
O Fernando parte hoje para Vancouver (Canadá). Vai representar Portugal no 45º World Amateur Go Championship que se realiza de 16 a 23 de maio de 2025. Já o tinha feito no campeonato de 2016 na Coreia do Sul. Que tenha uma boa experiência! No artigo ” Este português vai representar Portugal num Campeonato Mundial… e quase ninguém sabe“, da GEEKINOUT, Jorge Loureiro entrevista Fernando Gonçalves. Carregar na imagem ao lado para aceder ao artigo.
Vejo pouco televisão. O meu ecrã é o do computador e os canais são o YouTube ou o Prime. Mas ontem cedi à conjuntura: jogos em Camp Nou e São Bento. O Benfica perdeu e Portugal não ganhou. Mais valia ter fechado os olhos e reouvir o Ezio Bosso, compositor, pianista e maestro italiano que faleceu com 48 anos de doença neurodegenerativa diagnosticada aos 39 (ver Quando a alma fecha a porta).
Io li conosco I domani che non arrivano mai Conosco la stanza stretta E la luce che manca da cercare dentro Io li conosco i giorni che passano uguali Fatti di sonno e dolore e sonno per dimenticare il dolore
Conheço os amanhãs que nunca chegam
Conheço o quarto exíguo E a luz que não logra penetrar
Conheço os dias que se repetem Repletos de sono e dor e sono para esquecer as dores
Ezio Bosso
Ezio Bosso (tradução livre)
Anch’io ho fatto questa esperienza, ma la luce insisteva ad entrare da una fessura.
Ezio Bosso – Following a Bird. The 12th Room, 2015. Live in Sanremo, 2016
Ezio Bosso – Smiles for y… Seasong 1 To 4 and Other Little Stories, 2011. Sydney Theater, 2011
Ezio Bosso – Emily’s Room “Sweet and Bitter”. The 12th Room, 2015.
“Os pobres têm gelo no inverno e os ricos no verão” (Anónimo)
O Natal quer-se solidário, não solitário. Caso necessário, imagina-se companhia, e a solidão arrisca tornar-se abençoada. Gosto do Miguel Torga, em particular dos contos. Manifesta-se sempre grato (re)partilhar este “Natal”; (re)lê-lo, quase um milagre! A neve transmontana pode aquecer os corações.
Imagem: Jean-Pierre Philibert. Le vagabond efficace. 2020
Reparei hoje, não me lembra onde (Facebook, e-mail ou jornal), que está aberto o sétimo concurso do Programa Promove, destinado à dinamização das regiões do interior de Portugal, lançado pela Fundação “la Caixa” em parceria com a Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Passo a transcrever:
Objetivos O Programa Promove tem por objetivo apoiar iniciativas inovadoras em domínios estratégicos para o desenvolvimento das regiões do interior com dinâmicas fronteiriças e que sejam replicáveis para outras regiões com características semelhantes. A edição 2025 apoia três tipos de iniciativas: Projetos-piloto inovadores; Projetos de I&D mobilizadores; Ideias com potencial para se tornarem projetos-piloto inovadores. (…) Áreas geográficas O presente Programa está aberto a entidades que pretendam desenvolver projetos apoiados localizados nas áreas geográficas seguintes: Norte: municípios das NUTS III Alto Tâmega, Terras de Trás-os-Montes e Douro. Centro: municípios das NUTS III Beiras e Serra da Estrela, e Beira Baixa. Sul: municípios das NUTS III Alto Alentejo, Alentejo Central e Baixo Alentejo, e ainda municípios de Alcoutim, Castro Marim e Monchique, bem como as freguesias de São Marques da Serra do município de Silves, Alte, Ameixial, Salir e Querença / Benfim / Tôr do município de Loulé, e Cachopo e Santa Catarina de Fonte do Bispo do município de Tavira, da NUTS III Algarve. Mapa [pdf]
Observando o mapa, não consigo evitar a uma pergunta:
Que motivos, substantivos, justificam que municípios como Chaves, Lamego, Vila Real, Bragança, Mirandela e Miranda do Douro se possam candidatar ao contrário de outros como Paredes de Coura, Ponte da Barca, Terras de Bouro, Cabeceiras de Basto, Mondim de Basto ou Vieira do Minho? No primeiro grupo, o rendimento bruto declarado médio por sujeito passivo era, em 2022, superior a 11400 euros; no segundo, inferior a 9600 (ver mapa 1 e tabela 1).
Mapa 1: Valor mediano do rendimento bruto declarado por agregado fiscal. Municípios. 2022
Fonte: Estatísticas do rendimento ao nível local – 2022. INE, 2024
Não consegui aceder a nenhum índice sintético de desenvolvimento desagregado por municípios. Recorro, como complemento, ao índice de envelhecimento, habitualmente associado às realidades, tendências e dificuldades da interioridade. Na tabela 1, não se observam diferenças significativas entre os municípios dos grupos acima referidos.
Poderia convocar outras variáveis, de índole económica, demográfica ou sociológica, mas não desejo demorar-me sobre o assunto. Não é água que me mova o moinho.
Então? Então, o busílis pode residir na escala e na demarcação. Já antes de Galileu se sabia que consoante a escala muda a realidade e Pierre Bourdieu enfatizou que dividir era decidir e dominar. Em suma, o território, com a exceção do Algarve, foi repartido por NUTS 3 e não por municípios.
Em Portugal, existem NUTS 3 que são mais heterogéneas dentro de si do que entre si. No Alto Minho, no Cávado e no Ave são enormes as disparidades entre os municípios do litoral e dos vales e os municípios do interior e de montanha. Por outro lado, não é menosprezável a proximidade destes últimos com, por exemplo, o Alto Tâmega e o Barroso e dos primeiros com a Área Metropolitana do Porto. A divisão por NUTS 3 tem destas artes!
Mapa 2: Índices de envelhecimento. Municípios. 2023
Fonte: PORDATA/INE
O problema da escala cruza-se com o da demarcação, da di-visão do território. Como se pode comprovar nos mapas 1 e 2, no Norte, a linha de clivagem ou a transição, entre o litoral e o interior não coincidem com as fronteiras entre as NUTS 3, por exemplo, do Alto Minho e do Cávado, por um lado, e, por outro, do Alto Tâmega e Barroso. Desenham-se, antes, no próprio seio das NUTS 3 do Alto Minho e do Cávado.
No Noroeste de Portugal, a divisão por NUTS 3 pouco se afasta da distribuição por distritos. A NUT 3 do Alto Minho corresponde ao distrito de Viana do Castelo e as NUTS 3 do Cávado e do Ave, com a ressalva da troca entre Mondim e Celorico de Basto, correspondem ao distrito de Braga. Formalizada há quase dois séculos, em 1835, a divisão do território nacional por distritos constitui uma relíquia do património histórico, ver arqueológico. Em princípio, nada a obstar. Uma unidade administrativa não precisa ser homogénea. Convém, todavia, precaver que, como diria Karl Marx, “o morto não se apodere do vivo”.
A adoção de um ponto de vista parcial, tendencioso, costuma tornar a leitura mais fácil, mas menos lúcida. Importa fazer um esforço de descentramento no sentido de partilhar o outro lado da questão.
Qualquer divisão do território nacional tem que adotar uma escala ou engenhar uma partição que coteje, cole, várias. Para o objetivo do referido concurso/programa (“o desenvolvimento das regiões do interior), a repartição por NUTS 3 não é de desconsiderar, antes pelo contrário. Resulta mais fina do que por NUTS 2. Por seu turno, a desagregação por municípios, além da difícil construção, complicaria a cartografia complicada e comprometeria a operacionalidade. Acresce que o principal argumento esgrimido contra a divisão por NUTS 3, a heterogeneidade interna, também vale para os municípios, com assimetrias internas apreciáveis, por exemplo, entre freguesias da montanha e do vale ou urbanas e rurais.
Nesta ótica, o que pode suscitar reservas? A ponderação da inclusão/exclusão de determinadas NUTS 3 e e a estranheza de não se ter feito para o Minho o que se fez para o Algarve.
Sobra, mesmo assim, a impressão de que, sem ofensa, no caso de alguns municípios, “andam os rotos a ver passar os esfarrapados”. Particularizando, os municípios do arco interior do Minho [ ver pdf anexo: As gentes do Minho] debatem-se, nesta como noutras iniciativas e circunstâncias, com uma situação desconfortável de “duplo vínculo”: “presos [excluídos] por ter cão e presos [excluídos] por não ter”.
Incomoda-me ter desperdiçado algum tempo com este arrazoado. Nada ganho pessoalmente, a não ser mais uma inconveniência. Aliás, até perco: ao fazer download de um pdf, avariei uma pen, por sinal, com muita informação exclusiva.
Se te apetece gritar, grita Não cales a dor que te rompe a alma nem a tempestade que te mareja os olhos. Não temas ventos esquivos que te derrubam nem ondas que te rasguem a pele.
Vem eu ensino-te a arrumar as sombras e a disfarçar as feridas que vagabundeiam pelo teu corpo amotinado.
Não consigo resistir ao prazer de partilhar um pequeno mas generoso poema, uma espécie de carícia reconciliadora, da Fátima Guimarães
Inspirado no encontro entre Alexandre o Grande e Diógenes, costumo alertar para a sombra que difundimos sobre os outros, mormente quando nos consideramos iluminados.
A propósito das comemorações do 25 de Abril, escrevi recentemente: ” A defesa da democracia requer alguma humildade (democrática), mormente ponderação na sombra que se projeta sobre os outros. Amarga ironia seria regar cardos com a água dos cravos. Convém não esquecer o provérbio alemão: “As árvores grandes dão mais sombra do que fruta”.
“Arrumar sombras”. Surpreende-me e seduz-me esta magnífica expressão. Representa, aliás, algo de que estou a precisar. Ressoa a apaziguamento e disponibilidade. Quando muito, uma ou outra reticência quanto ao alcance desta jardinagem do sombrio. Paradoxalmente, as nossas sombras, embora nos estejam vinculadas, resultam difíceis de controlar. Talvez a poesia possa ajudar!
Passei uma década a envelhecer precocemente. Nos últimos três anos, tenho recuperado. Como que rejuvenesço. “Recuo”, agora, meio século recordando-me dos Camel. Sombras lunares no mar da memória! Talvez esteja a aprender a arrumar sombras.
Camel – Selections From The Snow Goose. 1975 (Live At The BBC, London – 1975 – Medley)