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Tu fazes parte!

Guimarães. Tu fazes parte! 2012.

Um blogue tem um público. Que público? Quem e como são os visitantes do Tendências do Imaginário? Como sintonizar um público desconhecido.

O Tendências do Imaginário funciona como um arquivo. Se quero ouvir a folia portuguesa, projectar O Desconcerto do Mundo ou transferir o artigo “Uma Vida Entre Parêntesis”, o blogue está à mão. É uma espécie de “nuvem” temática. Mas os arquivos pedem arrumação. Por exemplo, colmatar falhas, como a canção Come together do Beatles.

The Beatles. Come Together. Abbey Road. 1969.

O Tendências do Imaginário funciona também como caderno de apontamentos, cujo alcance pode ser grande. A Morte na Arte, livro em fase de conclusão, é composto, exclusivamente, por artigos do blogue.

O Tendências do Imaginário releva de um bricolage pessoal, que combina desejo, intuição e oportunidade. As ideias andam soltas como as cabras na montanha.

Esta reflexividade de três vinténs vem a propósito da inserção da música Come Together, dos Beatles. Toda a gente conhece. Mas sente-se a falta no “arquivo”. No que respeita ao registo musical, esta ausência é uma falha.

Propenso a misturas, entendi complementar a Come Together com um anúncio afim. Um anúncio centrado no sentimento de estar em conjunto. Cismei que devia ser um anúncio português. Há muitos anúncios portugueses com ajuntamentos. Mas voltei a cismar: o anúncio deve abranger tanto a união como a separação.

Marca: NOS. Título: Caixinha mágica. Agência: Havas. Direcção: Marco Martins. Portugal, Novembro 2018.

O anúncio Caixinha Mágica, da NOS, cumpre os requisitos. As pessoas juntam-se, separam-se e voltam a juntar-se. Um trabalho fabuloso da agência Havas e da produtora Escritório. Mas o anúncio contém uma “surpresa”: a filmagem é em Guimarães, na Praça da Oliveira. Lembra o lema de Guimarães 2012, Capital Europeia da Cultura: Tu fazes parte! Por sinal, o vídeo promocional da Capital Europeia da Cultura começa precisamente na Praça da Oliveira.

Vídeo promocional da campanha TU FAZES PARTE, Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura. 2012.

A mensagem, o discurso, não se desfia, não se desfaz, escava-se e revolve-se.

Coroa de louros

Nike. Never stop winning. 2019

O futebol já não é o que era. Nunca foi! As mulheres jogam, treinam e sonham. No futebol, como no resto, aspiram ser as melhores.

Uma equipa feminina de futebol, a selecção americana, venceu o campeonato do mundo de futebol feminino de 2019. O sentido de oportunidade da Nike e a categoria da agência Wieden + Kennedy resultaram numa campanha de publicidade que alia visão, drama e emoção. Never stop winning estreou no dia 7 de Julho, dia da vitória da selecção americana.

Acrescento dois anúncios da Nike, do mesmo teor, publicados antes da edição do campeonato do mundo de futebol feminino (7 de Junho a 7 de Julho, em França): Dream with us (12 de Maio) e Dream further (1 de Junho). Estes hinos e chamamentos da Nike são excessivos, quase sagrados. Por feitio e por memória, dispenso as exaltações colectivas. Se visionar apenas um anúncio, Capta o essencial do dispositivo da campanha.

Marca: Nike. Título: Never stop winning. Agência: Wieder + Kennedy (Portland). Estados Unidos, Julho 2019.
Marca: Nike. Título: Dream Further. Agência: Wieder + Kennedy (Portland). Estados Unidos, Junho 2019.
Marca: Nike. Título: Dream with us. Agência: Wieder + Kennedy (Portland). Estados Unidos, Maio 2019.

Música para não ouvir na areia

Revisitemos Paris com a pianista franco-georgiana Khatia Buniatishvili. Há três semanas, no dia 14 de Julho, dia nacional da França, Khatia Buniatishvili toca Mozart, músico barroco, acompanhada pela Orchestre Nationale de France, no Champs de Mars, junto à Torre Eiffel (vídeo 1). O ambiente é excessivo, barroco. Até a torre Eiffel parece um anjo tocheiro… Mais artifício do que artefacto. Só faltou o Jean-Michel Jarre.

Paris é uma cidade barroca? Nem por isso. Nada a ver com cidades barrocas como Roma ou Braga. A relação histórica da França com o barroco é complicada. Existem vários exemplares barrocos em Paris. Por exemplo, a capela da Sorbonne ou a igreja dos Invalides. O insuficiente para fazer de Paris uma cidade barroca. Paris é gótico e neoclássico. Gótico, da Notre Dame, da Sainte Chapelle e da torre de Saint Jacques. Neoclássico, da Igreja da Madeleine, da praça da Concorde ou do Arco de Triunfo.

Paris não é barroco? Talvez. Menos ao nível do monumento e mais ao nível do acontecimento. Paris é uma das capitais mais destacadas do efémero, o efémero caro ao barroco dos séculos XVII e XVIII: triunfos, festas, festivais de água e luz, efemérides, concertos, bailes, paradas, desfiles e procissões… Paris é barroco, por exemplo, no que respeita à moda: roupas, joias, adereços, perfumes, protagonistas, desfiles, anúncios publicitários… Paris também é barroco na política: recordo a cerimónia da visita ao Panthéon por François Mitterrand, em 1981, recém-eleito Presidente da República (ver https://tendimag.com/2015/01/04/sociologia-sem-palavras-15-a-encenacao-do-poder/). Paris é ainda barroco pela cultura: recordo vários eventos, entre os quais a efémera Fête de la Musique, uma iniciativa do ministro da cultura Jacques Lang, no início dos anos oitenta: na noite de 21 de Junho, data de início da Primavera, qualquer pessoa ou grupo pode tocar música nas ruas de Paris.

Acrescento dois vídeos em que Khatia Buniatishvili toca Schubert (vídeo 2) e Beethoven (vídeo 3).

Khatia Buniatishvili – Mozart Piano Concerto no.23 (14 Juillet 2019).
Khatia Buniatishvili – Schubert: Impromptu No. 3 in G-Flat Major, Op. 90, D. 899.
Khatia Buniatishvili. Largo from Beethoven’s Piano Concerto No. 1 in C Major, Op. 15.

São João do Churrasco

Saint John the Baptist in the Wilderness by Jheronimus Bosch, dated around 1489.

A churrasqueira é o equivalente popular da piscina burguesa. Não existe vivenda realmente acabada sem uma churrasqueira. Algumas fazem inveja a toda a gente e, sobretudo, aos vizinhos. A maioria releva do consumo ostentatório. À semelhança das piscinas, são pouco usadas, a não ser nos dias extraordinários e propícios ao ritual. Um ritual sacrificial: primeiro, queima-se o carvão no altar, em seguida, grelha-se o peixe ou a carne, designadamente as costelas e as sardinhas, por último, comunga-se à mesa. Entretanto, perfuma-se o ar. Uma graça atmosférica.

Uma pergunta: por que motivo tende a ser o homem a ocupar-se do churrasco? Será que, como Pierre Bourdieu (Esquisse d’une théorie de la pratique, 1972) afirma a propósito dos cabilas da Argélia, o interior é feminino e o exterior, masculino? Logo, compete à mulher o interior da casa e ao homem, o exterior. Nada que a tradição não sugira: “quem manda na casa é ela…”

Hoje é dia de Don Churrasco, perdão, de São João. Festa de balões, manjericos, alhos, fogueiras, dança, folia e churrasco. Já me cheira a fumo; do vizinho da direita. O vizinho da esquerda atrasou-se, mas também já deita fumo. Quem dera estar em Moledo. No mar não se costuma fazer churrascos!

Para terminar, duas sugestões:

  1. Talvez fosse musicalmente interessante convencer o Quim Barreiros a dedicar uma canção ao churrasco;
  2. É de ponderar colocar uma churrasqueira no centro de uma rotunda.

Existem muitos anúncios com o triângulo homem + futebol + churrasco. O Parri in Picture, da Directv, é um bom exemplo.

Marca: Direct tv. Título: Parri in Picture. Agência: Ogilvy & Mather (Argentina). Direcção: Fede Russo. Argentina, 2016.

Luxúria

Morpheus. Kia. The Truth. 2014.

Conduzir é uma tentação. Conduzir um Kia é pecado, o pecado da luxúria. Morpheus, o guia omnisciente, introduz-nos ao delírio dos sentidos e à música paranormal. Tudo no maior luxo.

The Truth – Official Kia K900 Morpheus Big Game Commercial 2014. HalfTime SuperBowl.

Um passo de dança

Almada Negreiros. Cine San Carlos. Madrid.

A dança é uma vocação do corpo. É um momento em movimento. A dança abre e a dança fecha. De essencial, nada mais sucede nesta ilha de sensualidade. É uma forma simbólica que, irredutível a textos e contextos, vale em si e por si. A dança, a arte da dança, não é papel timbrado. A dança desentorpece a humanidade desde Adão e Eva. “No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó e em pó te tornarás” (Genesis 3:19). Um pó que dança. Por muito que o mundo ordene, um passo de dança é um passo de dança, um rio a abraçar perdidamente o mar.

“Dance me to the wedding now, dance me on and on
Dance me very tenderly and dance me very long
We’re both of us beneath our love, we’re both of us above
Dance me to the end of love”
(Leonard Cohen. Dance me to the end of love. Various Positions. 1984).

A curta-metragem Bear and Squirrel, do programa Dancing On Ice, da ITV, espelha o nosso fascínio pelos desenhos dançantes, como, por exemplo, no filme Fantasia (1940-2000), da Walt Disney. Opto pelo excerto dedicado ao Carnaval dos Animais (1886) de Camille Saint-Saëns.

Marca: Dancing on Ice (ITV). Título: Bear and Squirrel. Produção: ITV Creative. Direcção: Kirk Hendry. Reino Unido, 2018.
Fantasia. Walt Disney. 2000. Excerto: Flamingos. The Carnival of the Animals, composição de Camille Saint-Saëns. 1886.

Sobre rodas

Bertha Benz. Motorwagen.

Em 2018, por altura do Dia Internacional da Mulher, a Mercedes-Benz dos Estados-Unidos lançou um anúncio intitulado “First Driver” dedicado a Bertha Benz, mulher do inventor e empresário do primeiro automóvel (ver vídeo 1). Este ano, por altura do Dia Internacional da Mulher, a Mercedes-Benz alemã lança um anúncio intitulado “The journey that change everything” dedicado, também, a Bertha Benz. Para o próximo ano, por altura do Dia Internacional da Mulher, não estranhará se a Mercedez-Benz lançar um anúncio intitulado “Visita à família em quatro rodas”, dedicado, mais uma vez, a Bertha Benz. A consumar-se esta eventualidade, consolida-se uma saga internacional com Bertha Benz como protagonista.

Marca: Mercedes-Benz. Título: The First Driver. Agência: R/GA. Estados Unidos, Agosto 2018.

Os dois anúncios partilham a mesma protagonista e a mesma história: a viagem de cerca de 60Km em automóvel até à residência da mãe. Ela própria cuidou que o evento justificasse uma grande cobertura mediática e publicitária. Bertha Benz, uma mulher notável, é uma referência para a marca Mercedes-Benz, bem como para a emancipação da mulher. Nestes anúncios, Bertha Benz é uma dupla embaixadora.

Marca: Mercedes-Benz. Título: The Journey That Changed Everything. Agência: antoni garage. Direcção: Sebastian Strasser. Alemanha, Março 2019.

Os dois anúncios são semelhantes no conteúdo, mas bastante distintos no estilo. First Driver, a preto e branco, acusa um pendor clássico. The journey that change everything comporta, a começar pelo título, uma propensão barroca, por vezes, grotesca. A acção é exuberante e sobram as personagens feias, porcas e más. Esta diversidade no estilo intriga. Poucos anos atrás, a Mercedes-Benz primava por cultivar uma imagem robusta, ver previsível. Recentemente, a saída de um novo anúncio gera expectativa. Não se consegue adivinhar, à partida, qual é o estilo, o conteúdo e o público-alvo. A publicidade da Mercedes-Benz parece ter adoptado uma estratégia de comunicação poliédrica e polifónica.

Fantasia

Bruges. Bélgica. Fotografia de Joel Morais.

Don Quixote de la Mancha, depois da refrega com os gigantes transformados em moinhos de vento, virou-lhes as costas e entregou-se à leitura de um romance de cavalaria. Mas o Moinho da fotografia é de Bruges e não das bandas de Teboso. Aquele ponto negro não é o Don Quixote, mas o meu rapaz mais novo a comunicar com as estrelas. Adora fantasia, que lê e escreve com afinco. Dedico-lhe este artigo.

Marca: Bud Light. Título: Game of Thrones. Joust. Agência: Wieden+Kennedy. Estados Unidos, Fevereiro 2019.

A cerveja Bud Light apostou no Super Bowl. Estes dois anúncios passaram na fase final do campeonato de futebol americano. Assinados pela agência Wieden+Kennedy, são excelentes. Ressalte-se que um único anúncio, o primeiro, promove duas marcas: a Bud Light e o Game of Thrones. Tudo indica que é um expediente que vai vingar.

Marca: Bud Light. Título: Special Delivery. Agência: Wieden+Kennedy. Estados Unidos, Fevereiro 2019.

Cavaleiros, torneios, castelos e dragões são tópicos, eventualmente com ancoragem medieval, repletos de encantos. Não é de estranhar a opção pela música Arthur, de Rick Wakeman. Costuma associar-se o barroco e o faustoso. No caso de Rick Wakeman, o faustoso torna-se, algumas vezes, fastidioso.

Rick Wakeman. Arthur. The Myths and Legends of King Arthur and the Knights of the Round Table. 1975.

Noite dos medos. O Carnaval macabro

Noite dos Medos. Melgaço. Noite de 31 de Outubro de 2018. Produção: Rádio Vale do Minho.

A segunda edição da Noite dos Medos de Melgaço ultrapassou as expectativas. Centenas de pessoas partilharam medos numa catarse colectiva respaldada na tradição. Nenhum medo escapou, nem sequer “os medos que metem medo a um susto”. Numa noite para aquecer, com chamas e queimadas, o protagonista foi o corpo, mascarado, pintado, representado, dançado e comunicado. Revitaliza-se, tribalmente, a memória e reinventa-se o passado.

Acrescento duas músicas a condizer: The End, dos The Doors, e Highway to Hell, dos AC/DC. Faltavam no Tendências do Imaginário. Dispus os vídeos por ordem de estreia. A menor qualidade do som e da imagem do vídeo dos The Doors é compensada pelo facto de se tratar de uma actuação ao vivo no próprio ano do lançamento da música (1967).

The Doors. The End. The Doors. 1967.

AC/DC, Highway to Hell. Original: Highway to Hell. 1979.

Até que a morte nos separe

01. Gustav Vigeland. Death parting man and woman. Foutain relief. 1916.Vigeland Park, Oslo, Norway

01. Gustav Vigeland. Death parting man and woman. Foutain relief. 1916.Vigeland Park, Oslo, Norway.

Na Internet, esta escultura de Gustav Vigeland aparece quase sempre intitulada: “Até que a morte nos separe” (Till Death Do Us Part). A designação original é: “Death Parting Man and Woman (“A Morte Separando um Homem e uma Mulher”). O sentido é praticamente o mesmo: a separação pela morte.

Apetece-me desconversar. Renovemos o olhar. A escultura apresenta um homem e uma mulher abraçados e a Morte a interpor-se. Lembra as danças macabras. Mas o casal não está separado nem a morte está em pose de triunfo. O casal continua abraçado e a morte concentrada no seu trabalho. Será que o Amor pode resistir à Morte?

02. Gustav Vigeland in the studio. 28 May 1917.

02. Gustav Vigeland in the studio. 28 May 1917.

“Falava Camões daqueles “que por obras valerosas se vão da lei da morte libertando”. Todos resistimos à mortalidade, uns valerosamente, outros nem tanto” (Rita Ribeiro). Camões sabe que não é apenas “por obras valerosas que nos vamos da lei da morte libertando”, pelo amor, também. No Triunfo da Morte, de Pieter Bruegel o Velho, ninguém escapa à fúria de Morte. Ninguém excepto um par de namorados, alheados da tragédia envolvente (ver no canto inferior direito do quadro da Fig. 11). Tristão e Isolda, Romeu e Julieta, Pedro e Inês, “da lei da morte se libertaram”.

11. Pieter Bruegel the Elder - The Triumph of Death (1562).

11. Pieter Bruegel the Elder – The Triumph of Death (1562).

As obras de arte permitem várias interpretações, por vezes, opostas. São polissémicas. Quem vence? O Amor ou a Morte? Depende da perspectiva. Como num poema de Clarice Lispector, se o olhar desce, surpreende a morte a separar o casal; se o olhar sobe, vislumbra o casal a resistir à Morte. As obras de arte ganham em ser ambivalentes.

Qual é a opinião do escultor? Ignoro. Mas, por importante que seja, não é a única nem, porventura, a mais decisiva. Esta é uma questão polémica no seio da sociologia da arte. A interpretação alternativa resume-se a um enxerto de sentido, neste caso, apressado e atrevido? Naturalmente. É um mero exercício de pensamento, que convoca um provérbio distinto: “nem a morte nos separa”. Mas a sina das obras de arte reside, precisamente, em incorporar as interpretações que suscita, incluindo as mais bárbaras. Esta é outra questão polémica na sociologia da arte.

03. Gustav Vigeland. The Monolith, modelled in 1924-1925.

03. Gustav Vigeland. The Monolith, modelled in 1924-1925.

Gustave Vigeland (1869-1943) é um reputado escultor norueguês. Em 1921, a cidade de Oslo disponibilizou-lhe um estúdio em Frogner, nos arredores de Oslo. É o início de uma obra monumental que culmina no actual parque Vigeland. Desenha o parque, ao mesmo tempo, que introduz as esculturas. Começa com o Monólito (Fig 3) e a Fonte (Fig 6 ). No conjunto, são mais de 200 esculturas da sua autoria. O Parque Frogner/Vigeland, o maior da cidade de Oslo, destaca-se como uma maravilha mundial.

Esculturas de Gustav Vigeland. Vigeland Park. Oslo. Noruega.

Passar pela Noruega sem ouvir Edward Grieg não me parece bem. Edvard Munch pode esperar. Opto pela famosa Solveig’s Song. A canção termina com os seguintes versos:

“If you are in heaven now waiting for me
In heaven for me
And we shall meet again love and never parted be
And never parted be!”

(Edward Grieg. Solveig’s Song).

No céu, ninguém nos separará! Nem sequer as asas dos anjos.

Edward Grieg. Solveig’s Song. Peer Gynt. Intérprete: Marita Solberg. Direcção de Neemi Jarvi.