A velha grávida e o riso da morte

O artigo O riso da velha grávida (revisto), colocado em 29 de janeiro de 2023, não surgiu por geração espontânea. Uma primeira versão homónima remonta ao do dia 13 de março de 2016. um intervalo de reincubação de quase sete anos. E ainda não está fechado. Hoje, volvidos três anos, introduzir-lhe-ia bastantes alterações. Mas assinei-o, e continuo a identificar-me com ele.
Imagem: Terracota com Baubo sentada num porco. British Museum.
O riso da velha grávida evidencia alguns defeitos e virtudes de uma forma de pensamento e de um estilo de escrita. Não são uniformes, nem lineares: adotam o desvio e a fragmentação como roteiro e arquitetura. Atardam-se nos detalhes e nas margens para aceder ao todo e ao núcleo. Como os vitrais, convocam uma variedade de pedaços não transparentes que aspriram a configurar-se juntos proporcionando uma nova luz. Pelo meio, esquecem a arte de ir direito ao assunto, de procurar sem se perder e de argumentar sem complicar. Empenham-se em seduzir o interlocutor, mas não ao ponto de lhe facilitar a recepção, um risco de preguiça mental e anestesia criativa.
Ontem, 31 de agosto, os artigos incidiram sobre a música e a publicidade. Hoje, será questão de imagens e pensamentos.
Grotesco e Desconcerto do Mundo
O Desconcerto do Mundo é o meu primeiro vídeo. Seguiram-se outros, mas é deste que gosto mais. Foi apresentado no seminário internacional O Trágico e o Grotesco no Mundo Contemporâneo, no Mosteiro de Tibães, em Braga, no dia 19 de Abril de 2005. Dura 38 minutos. Este exagero é compensado pela originalidade, pela variedade e pelo encanto das imagens e dos sons. De espanto em espanto, o tempo passa.

Organizei muitos encontros, mas o seminário O Trágico e o Grotesco no Mundo Contemporâneo destaca-se na minha memória. O Moniz Sodré veio do Brasil, o Michel Maffesoli e o David Le Breton, de França… O vídeo O Desconcerto do Mundo foi concebido para ser projetado durante os intervalos. As pessoas interromperam a saída para assistir. Recordo, em particular, a expressão de espanto e admiração do Michel Maffesoli. No artigo seguinte, para saborear aos poucos.
Que força é essa?
Da beleza do perfume para força do cimento.
Uma perdição!
À Minda

Ano após ano, reuni centenas de imagens de livros de oração medievais. Constituem um dos principais repositórios fantásticos da humanidade. Não foi fácil seleccioná-las. Quanto às músicas, ainda foi mais complicado: destacaram-se duas cantigas de Santa Maria, de Afonso X, o Sábio, interpretadas pelo Clemencic Consort. A meu ver, a música é a parte mais preciosa do vídeo.
Há treze anos, no dia 23 de agosto de 2013, coloquei o vídeo “Imagens de Salvação”, com iluminuras e músicas medievais. Uma montagem que me deixou duplamente satisfeito: pelo resultado e pelo prazer. Mais palavras para quê?
Eventos. O apelo do efémero

Ao Fernando, aficionado de eventos
A atração pelos eventos tende a aumentar. De todos os feitios e para todos os gostos. Próximos ou distantes. Motivam cada vez mais pessoas. A visita a monumentos e a paisagens tende a vir por arrasto. Primeiro, o efémero; depois, os monumentos, a história e a geografia. Não o inverso.
O anúncio “Going to GameStock / Bathroom”, para um festival de videojogos, “mete medo a um susto”.





