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Entre Babel e Toronto

Calcedónia

Desde que não se castre a curiosidade, uma diferença costuma entreabrir outra. Os franceses Orange Blossom conduzem aos Light in Babylon de origem turca. Nesta perdição, reencontramo-nos, algures, sem surpresas absolutas nem estranhamentos excessivos. Raízes, vísceras ou outra coisa qualquer… Um namoro do mesmo com o outro numa folia sem princípio nem fim. A Terra é redonda, mas imensa. Com ou sem nomes em inglês, não existe mainstream que a resuma.

À semelhança dos Orange Blossom, os membros dos Light in Babylon, fundados em Istambul em 2010, têm nacionalidades diversas: Michal Elia Kamal (voz e djembe) é israelita de pais iranianos; Julien Demarque (guitarra), francês; Metehan Çiftçi (santur), turco; Jack Butler (baixo), britânico; e Stuart Dikson (percussão), escocês. “Além do árabe, turco e farsi (persa), Michal canta também em hebraico antigo (…) As composições são originais e misturam estilos balcânicos e flamencos. A sua música étnica está catalogada como World Fusion, entrelaçando as culturas do Médio Oriente com a música europeia” (Wikipedia, 18.04.2026).

Light in Babylon – Kipur. On Our Way, 2022. Light in Babylon at Dance in Concert 2019. Em hebraico
Light in Babylon – Sal Sal. On Our Way, 2022. Colocado em 20.03.2024. Em Farsi
Light in Babylon – Canim Benim. Yeni Dunya, 2016. Colocado em 02.04.2019. Em hebraico e turco
Light in Babylon – Gypsy Love. Life sometimes doesn’t give you space, 2011. Colocado em 11.05.2014. Em hebraico.

Ouvidos vadios

Continuemos a (a)variar. A banda francesa Orange Blossom presta-se. Fundada em Nantes em 1993, combina trip hop e rock, progressivo e eletrónico, com música oriental. Os membros principais são o francês PJ Chabot, violino, o mexicano Carlos Robles Arenas, percussão, e a egípcia Hend Ahmed, voz. Os demais têm origem argelina, marfinense e turca. “Multiculturais”, cantam em árabe, francês, inglês, turco, espanhol e português (Meu amor se foi).

Anónimo, ca. 1500. Univ. de Liège

Orange Blossom – Ya Sidi. Under the Shade of Violets, 2014. Clip oficial da série “Marseille” iniciada em 2016
Orange Blossom – Mexico. Under the Shade of Violets, 2014. Live Sessions, 2022
Orange Blossom – Habib. Everything Must Be Change, 2005. Ao vivo na FIP (France Inter Paris), em 16 de outubro de 2014.
Orange Blossom – Maria. Under the Shade of Violets, 2014. Ao vivo na FIP (France Inter Paris), em 16 de outubro de 2014.
Orange Blosson – Souffrance. Everything Must Change, 2005
Orange Blosson – Ode. Spells From The Drunken Sirens, 2024

Adaptação

O anúncio indiano “Har Koi Peera Lahori Zeera 2.0”, da Lahori Zeera, aproxima-se mais da teoria da evolução de Lamarck do que da de Darwin: os seres humanos adaptam-se em vida aos novos requisitos ambientais, inclusivamente decorrentes das suas próprias inovações, tais como a bebida direta pela garrafa em todas as circunstâncias.

Lahori Zeera – Har Koi Peera Lahori Zeera 2.0. Agência: Enormous. Índia, janeiro 2026

O sabor fresco das árvores

Faz muito tempo que não via um anúncio tão belo, sobretudo ao nível da cor, e com este ritmo. Estreado há menos de duas semanas, provem da Índia e pretende celebrar o Dia Mundial da Árvore 2025.

Anunciante: Naturals. Título: Tree To Treat. Agência: Drink Water Design. Produção: Studio Zuno. Direção: Harshhik S Suraiya. Índia, novembro 2025

Agonístico

Ocidentalização do oriente ou ocidente orientalizado? Ou um oriente, animada e delirantemente, bel(ic)o?
A canção “Let’s just crash” (2nd Opening Theme of TV Anime GACHIAKUTA), de Mori Calliope estreou ontem, dia 3 de novembro de 2025.
Um mimo filial, espécie de vacina contra a fossilização do espírito.

LET’S JUST CRASH – Mori Calliope (2nd Opening Theme of TV Anime GACHIAKUTA). Director : Yohei Kameyama, 03.11.2025

O jardim das verduras inadiáveis

A Marta Carvalho enviou-me o anúncio “Bok Choy/Garden of Doom”, da Thai Health Promotion. Agradeço sobremaneira porque resulta difícil encontrar uma curta-metragem mais delirante, ousada e polissémica. Já a tinha colocado no Tendências do Imaginário em 2019 (Verdura fora de época). Não obstante, continua digna de ser (re)revista.

Imagem: Bok choy ou acelga chinesa

Marca: Thai Health Promotion Foundation. Título: Bok Choy/Garden of Doom. Agência: The Leo Burnett Group Thailand. Suthon Petchsuwan. Tailândia, Novembro 2019.

Anúncios de arrepiar

Brinquemos aos disparates!

Se existem profissionais cuja capacidade de aprendizagem admiro são os médicos. Mas, até entre os mais dotados e afoitos, a aprendizagem pode enredar-se num qualquer nó. Talvez seja o caso do “sistema” [informático], mais mecânico do que orgânico. Por trágica ironia, quando se começa a dominar o “sistema”, logo o dito cujo cuida de mudar.

Por seu turno, os sociólogos comprazem-se a desatar nós. Desconstroem-nos, “reformando ilusões”. No conhecimento sociológico proliferam, portanto, as pontas soltas. Entre enlaces e desenlaces, o diálogo entre médicos e sociólogos pode ser edificante. Mesmo quando é questão do senso comum sábio acerca dos malefícios mais que evidentes do tabaco.

Imagem: Kamal Gurung, Lalitkala Fine Art Campus. Kathmandu, Nepal

Tenho sugerido que a publicidade de consciencialização varia geograficamente. O Ocidente tende a apostar no sério realista assustador, o Oriente, no humor delirante persuasivo.

O anúncio português “Heavy Silence”, sobre o risco de afogamento, segue a regra; já o anúncio tailandês “Park”, sobre os perigos do cigarro eletrónico, afasta-se da tendência oriental. A fantasia e o riso congelam dando lugar ao drama. Pelos vistos, a adesão dos jovens ao cigarro eletrónico assevera-se particularmente alarmante.

Anunciante: APSI (associação para a promoção da segurança infantil). Título: Heavy Silence. Agência: Havas Worldwide Portugal. Portugal, julho 2022
Anunciante: Thai Health Promotion Foundation. Título: Park. Agência: Grey Thailand. Direção: Suthon Petchsuwan. Tailândia, agosto 2025

Libertar as raízes. Ganavya

Ganavya

Quem esquece as suas raízes nunca alcança o seu destino. (Provérbio filipino)

Recebo poucas sugestões. Mas compensam. É possível que o receio de não acertar no alvo ou de redundância desencorajem as iniciativas. A Ana Paula Alves Pinto costuma acertar. Enviou-me o anúncio de consciencialização “Break Free” [já colocado em outubro de 2020], da Peta, e a interpretação musical na KEXP de Ganavya, artista ímpar, que desconhecia. Uma descoberta que se aproximou de uma epifania. Obrigado!

Anunciante: Peta. Título: Break Free. Agência: Peta inhouse. Direção: Jesper Ohlsson. Alemanha, outubro 2020
Ganavya performing live in the KEXP studio. Recorded September 27, 2024

Ganavya nasceu em Nova Iorque e cresceu na Índia. É cantora, compositora, investigadora e educadora, com formação em teatro, psicologia, performance contemporânea, etnomusicologia e pensamento crítico. (…) O novo álbum, Nilam, é o resultado de uma vida dedicada à escuta, à criação e à interrogação constante do lugar da arte no mundo. Um disco que convida à reflexão, à presença e à experiência sensível da música que ganhará ainda mais camadas ao vivo. (,,,) Nilam significa “terra” em Tamil, e é precisamente esse sentido de enraizamento que atravessa todo o disco — uma meditação sobre pertença, equilíbrio e continuidade. Com composições delicadas e tocantes, ganavya oferece ao ouvinte um espaço de escuta profunda, onde a fragilidade se transforma em força. Este é um trabalho que se distingue pela honestidade e pela beleza, construído a partir de influências múltiplas e de um percurso artístico e académico ímpar. (Uguru. Ganavya: https://www.uguru.net/artista/ganavya/)

Cosmética pomífera. Maçãs, ideias e ilusões

“Se tens uma maçã [um dólar] e eu tenho outra; e trocamos as maçãs [os dólares], então cada um ficará com uma maçã [um dólar]. Mas se tens uma ideia e eu tenho outra, que partilhamos; então cada um terá duas ideias.” (A partir de George Bernard Shaw)

Imagem: George Bernard Shaw

Numa série de anúncios provenientes da Arábia Saudita, a Apple propôe-se contribuir para a (re)composição dos retratos e dos laços de família, designadamente no que respeita ao protagonismo e ao encanto dos membros atuais e futuros. Trata-se de uma gestão da imagem capaz de potenciar o desígnio de ilusionismo almejado, sobretudo, por tantas figuras públicas, ver políticas.

Marca: Apple. Título: Favorite Son. Agência: TBWAMedia Arts Lab London. Direção: Ali Kalthami. Arábia Saudita, 2025
Marca: Apple. Título: The Matchmaker. Direção: Ali Kalthami. Arábia Saudita, 2025