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Émilie e o Pinguim

The March of Penguins

Gosto da música de Emilie Simon. Tem um aroma francês. Lembra Yann Tiersen e, sobretudo, os Air. A canção Désert (2003) é incontornável. Em 2005, compôs a banda sonora do documentário La Marche de l’Empereur, dedicado à vida dos pinguins; retenho a música To the Dancer on the Ice.

Émilie Simon – Desert (28.02.04). Editado em 2003.

Émilie Simon. To the Dancer on the Ice. Da banda sonora do documentário La Marche de L’Empereur. 2005.

A eloquência da velhice

Cabu. Votez Mère Denis. 1981

Cabu. Votez Mère Denis. 1981.

“Pode-se nascer velho bem como morrer jovem” ( Jean Cocteau).

“Estou velho. Mas não me preocupa nem a natureza nem a idade. Dispensava os sintomas…” (AG).

As pessoas de idade aparecem frequentemente nos anúncios publicitários. Representam mundos, experiências e valores. São associadas à tradição, à continuidade, à natureza, ao saber-fazer, à confiança, à autenticidade, ao respeito e ao carinho.

No anúncio à água Rozana, é o próprio presidente da empresa que dá a cara. “É uma água naturalmente gasosa. A natureza é perfeita”.

Marca: Rozana. Título: Pierre Papillaud. França, 2009.

O anúncio Mère Denis é um clássico da história da publicidade. A figura da Mère Denis tornou-se um ícone na França dos anos 70 e 80. Um impacto semelhante ao dos anúncios da Frize, com Pedro Tochas, em Portugal no início do milénio (ver https://tendimag.com/?s=freeze). A máquina de lavar roupa Vedette inscreve-se na continuidade do saber-fazer da Mère Denis.

Marca: Vedette. Título: La Mère Denis. Agência: Synergie Polaris. França, 1980.

Simone de Oliveira confia no Calcitin: a cantora e atriz não só confia no Calcitin, garante a autenticidade e a eficácia do produto.

Marca: Calcitrin. Título: Simone de Oliveira confia no Calcitrín. Realizado pela Marketividade. Portugal, Novembro 2017.

Na canção O Velho e a Flor, de Vinicius de Morais e Toquinho, apenas um “velhinho” soube dizer ao poeta o que era o amor.

Vinicius de Morais & Toquinho. O Velho e a Flor.

A indiferença

Swedish Public Employment Service. Make Room. Agência Le bureau Stocholm. Direcção Bjorn Stein. Suécia, Março 2018

“A majestosa igualdade das leis, que proíbe tanto o rico como o pobre de dormir sob as pontes, de mendigar nas ruas e de roubar pão” (Anatole France , 1894, Le Lys Rouge).

“A sociedade da prosperidade, aquela que pretende o ser próspero, odeia todos aqueles que não alcançam aquilo que ela institui. O indivíduo desfavorecido é pois julgado e responsabilizado pela coletividade por não ter alcançado melhor lugar no seu seio.
Da mesma maneira em que a sociedade da informação penaliza o indivíduo desinformado; da mesma maneira que a sociedade tecnológica penaliza o indivíduo desprovido de técnica; da mesma maneira que a sociedade politizada penaliza o indivíduo desprovido de polítiquice.
Todos os dias se pode observar como o ricaço escorraça o mendigo com cólera…” (Georg Simmel, através de Pedro Costa).

O diferente é igual? Devemos amar os outros como a nós mesmos ou amar os outros como outros? Pode a igualdade abraçar a diferença sem a apagar? És tão igual quanto prevê a lei? E tão único quanto o teu cartão de cidadão? A expansão da mesmidade aproxima-nos da nulidade, de um deserto em que somos areia. No Make Room, do Swedish Public Employment Service, vale o anúncio, vale a causa e vale a música (de John Lennon). Na canção L’Indifférence, de Gilbert Bécaud, vale o talento e a poesia. Vale a sabedoria: “a indiferença destrói o mundo”.

Anunciante: Swedish Public Employment Service. Título: Make Room. Agência: Le bureau Stocholm. Direcção: Bjorn Stein. Suécia, Março 2018.

Gilbert Bécaud. L’Indifférence. 1977.

Gilbert Bécaud. L’Indifférence.

Les mauvais coups, les lâchetés
Quelle importance
Laisse-moi te dire
Laisse-moi te dire et te redire ce que tu sais
Ce qui détruit le monde c’est
L’indifférence

Elle a rompu et corrompu
Même l’enfance
Un homme marche
Un homme marche, tombe, crève dans la rue
Eh bien personne ne l’a vu
L’indifférence

L’indifférence
Elle te tue à petits coups
L’indifférence
Tu es l’agneau, elle est le loup
L’indifférence
Un peu de haine, un peu d’amour
Mais quelque chose
L’indifférence
Chez toi tu n’es qu’un inconnu
L’indifférence
Tes enfants ne te parlent plus
L’indifférence
Tes vieux n’écoutent même plus
Quand tu leur causes

Vous vous aimez et vous avez
Un lit qui danse
Mais elle guette
Elle vous guette et joue au chat à la souris
Mon jour viendra qu’elle se dit
L’indifférence

L’indifférence
Elle te tue à petits coups
L’indifférence
Tu es l’agneau, elle est le loup
L’indifférence
Un peu de haine, un peu d’amour
Mais quelque chose

L’indifférence
Tu es cocu et tu t’en fous
L’indifférence
Elle fait ses petits dans la boue
L’indifférence
Y a plus de haine, y a plus d’amour
Y a plus grand-chose

L’indifférence
Avant qu’on en soit tous crevés
D’indifférence
Je voudrai la voir crucifier
L’indifférence
Qu’elle serait belle écartelée
L’indifférence

Cantar sem voz

Unsilenced-Parole-aux-Sourds-Haute-BETC

À Té.

Não são apenas as grandes marcas que promovem causas, o terceiro sector também o faz, eventualmente, com brio e arte. No anúncio Unsilenced, da associação francesa La Parole Aux Sourds, a imagem, o som, a dança e a mensagem dialogam de um modo ímpar. O resultado é sublime: um bailarino surdo “canta” com gestos…  Para pessoas que têm a cabeça do avesso.

“Première en son genre, Unsilenced est un morceau original dont les paroles sont “chantées” dans une combinaison de langue des signes et de danse. La création des paroles et des mouvements a demandé une étroite collaboration entre le danseur Billy Read et le duo electro Haute. Découvrez-en plus sur le projet et soutenez-le sur Unsilenced.fr. » (La Parole Aux Sourds).

Anunciante : La Parole Aux Sourds. Título : Unsilenced. Agência : BETC. Direcção : Alban Coret. França, Março 2018.

Reflexos

Apple

Hoje é Dia da Mulher. No anúncio, da Apple, uma mulher descobre  a  faculdade de alterar o espaço. E dança, não para de dançar. Só ou consigo mesma. Abre, simultaneamente, as janelas do espírito. E continua a dançar. A música e as imagens são notáveis. Eva? Maria? Madalena? Não, Alice, Super-Alice! O realizador é Spike Jonze. Ganhou o Óscar para o melhor roteiro original com o filme Her, de 2004. Foi considerado, com Chris Cunningham e Michel Gondry, um dos melhores realizadores de vídeos musicais. Cantora e bailarina, FKA Twigs enche o ecrã.

Acrescento três músicas de Francis Lai, dos filmes Un Homme et une Femme (1966), Love Story (1970 e Bilitis (1977).

Francis Lai, 124 Miles an Hour. Un Home et une Femme.1966.

Francis Lai. Theme from Love Story (Finale). Love Story. 1970.

Francis Lai. L’arbre. Bilitis. 1977.

Marca: Apple. Título: Welcome Home. Direcção: Spike Jonze. Estados Unidos, Março de 2018.

 

Ecologia do Espírito

Quino

Quino

A originalidade é uma raridade. Um descuido dos deuses. Tanta criação antes de nós. Esta dificuldade em ser original sobressai, curiosamente, no universo da magia e da fantasia. Por isso, há tanta reciclagem da Alice, da Capuchinho Vermelho e da Cinderela. E do Pinóquio, do Peter Pan e do Aladino. A imaginação não é tão infinita quanto nos apressamos a acreditar. Daqui não advém mal ao mundo. As ideias coçadas podem ser brilhantes. São artes e manhas da “ecologia do espírito”. Nos anúncios Choose  Go, da Nike, e Rewind City, da Orange, a repetição dos gestos concorre para a mudança desejada.

Marca: Nike. Título: Choose Go. Agência: Must Be Something. Direcção: Edgar Wright. Estados Unidos, Fevereiro 2018.

Marca: Orange. Titulo: Rewind City. Agência: Publicis Conseil, Paris. Direção: Ringan Ledwidge. França, Maio 2008.

Robots zombies

Total. Zombie

O imaginário publicitário, propenso ao encontro dos contrários, não descansa: acaba de engendrar os robots zombies. Ferrugem versus metal, passado versus futuro; ferrugem do passado e metal do futuro. E esta mecânica da lata e da inteligência artificial funciona. Com Total Quartz, o lubrificante certo.

Marca: Total. Título: RobotQuartz. Agência: BETC. Direcção: Thierry Poiraud. França, Fevereiro 2018.

Olhares Lugares. Cinema e fotografia

JR. Palais de Tokyo. Paris.

01. JR. Palais de Tokyo. Paris.

02. JR. Panthéon. Paris

02. JR. Panthéon. Paris.

Agnès Varda é uma cineasta e fotógrafa belga, residente em Paris, empenhada na intervenção social e no movimento feminista. Na sua filmografia, constam, como realizadora, mais de 40 filmes, desde 1955. Recebeu o Oscar Honorário em 2017, o César Honorário em 2001; o Grande Prémio do Júri no Festival de Berlim; e o Leão de Ouro do Festival de Veneza em 1985.

JR (de Jean René) é um fotógrafo e muralista francês, de origem tunisina, que se dedica à arte de rua. Lembrando o grafite, procede à colagem de grandes fotografias, normalmente em preto e branco, nos espaços públicos. Apresenta-se como “photograffeur” votado, tal como Agnès Varda, à intervenção social.

03. JR. Women Are Heroes in the Favela, Kibera Slum , Kenya

03. JR. Women Are Heroes in the Favela, Kibera Slum , Kenya.

Agnès Varda anda pelos 89 anos de idade, JR pelos 34. Podiam ser avó e neto. Não obstante, uniram-se para realizar, em 2017, o filme Olhares Lugares. Qual é o espanto? Na sociedade, o cruzamento mobilizador das diferenças é uma banalidade extrema. Em contrapartida, esbater as diferenças, igualizar, é delírio totalitário.

Obrigado, Adélia!

Trailer do filme Olhares Lugares. Realização: Agnès Varda & JR. 2017.

A última ceia

burgerking_lastmeal_2

Onde está o sagrado?

Marca: Burger King. The Last Meal. Agência: Buzzman. Direcção: Ivan Grbovic. França, Janeiro 2018.

A menina de Paris

France Gall e Michel Berger

France Gall e Michel Berger

Morreu hoje em Paris France Gall, a menina bonita e frágil da canção francesa. Junto dois vídeos.

O primeiro com a canção Les sucettes, de 1966, com Serge Gainsbourg, compositor que não poupou duplos sentidos numa letra infantil a resvalar para a sexualidade.

O segundo com a canção La Lettre,  de 1992, com Michel Berger, compositor e marido.

France Gall & Serge Gainsbourg. Les Sucettes. Les Sucettes. 1966.

France Gall & Michel Berger. La Lettre. Double Jeu. 1992