Gostos bárbaros

“Considero o gosto, o bom e o mau, o maior inimigo da arte”. (Marcel Duchamp)
É difícil evitar comentários humorísticos próprios do gosto dito bárbaro perante a criatividade pura de obras de arte contemporânea.
Segue o artigo Públicos da arte, colocado em 19 de julho de 2016.
Imagem: Marcel Duchamp e a sua Roda de Bicicleta (1913)
Que contento estoy!

Alguém se lembra do boneco Macario de um programa de humor da televisão espanhola dos anos oitenta? Celebrizou a expressão “Que contento estoy”. Pois, que contento estoy! Por um lado, terminei um prefácio que se arrastava; por outro, Bruno Aveillam, o meu realizador preferido de anúncios publicitários, acabou de colocar três corações no meu artigo Beleza Tranquila, de 13 de junho de 2026.
Imagem: Starlux puzzle. Macario. Detalhe
Em jeito de celebração, resgato três “artigos do dia” com anúncios notáveis: O sorriso dos alimentos, de 2020; Do You Fantasy?, de 2014; e Uma espécie de spoiler, de 2012, este último com um anúncio dirigido referido pelo próprio Bruno Aveillan. Acrescento um pequeno excerto de um episódio do programa “Jose Luis Moreno y su Macario”.

Felicidades. Condições e Momentos
A pretexto do Dia Internacional da Felicidade, 20 de março, a turma de Sociologia da Arte e do Imaginário, da Academia Sénior do Município de Braga, produziu o vídeo Felicidades: Condições e Momentos, uma compilação de textos, fotografias, curtas metragens, videoclips e anúncios produzidos ou escolhidos pelos alunos. Ao integrar a generalidade das propostas, resulta uma obra heterogénea. Não é de ninguém em particular, antes uma soma de iniciativas. Coube-me a coordenação e a montagem. Com a participação a ultrapassar as expetativas, o vídeo dura 1 hora e 4 minutos. É um gosto partilhá-lo.
Para visualizar o vídeo no YouTube, carregar na imagem seguinte ou aceder ao endereço https://www.youtube.com/watch?v=AVNGu2bk-ns

Foco e exorbitância na publicidade
No início do século XXI, a publicidade, algo aliviada das amarras da “mensagem”, como que se soltou aproximando-se da arte: criativa e fabulosa, aposta em cativar através de imagens, emoções e sensações, quase dispensando demorar-se no produto (ver vídeo My Car Is Baroque). Esta propensão esmoreceu nos últimos anos: aumenta o foco no produto em detrimento da exorbitância envolvente. A publicidade torna-se mais racional e menos excêntrica. A divagação e o delírio abrandam. O sonho reside cada vez menos no anúncio, em geral, e mais no produto, em particular. Mas, com maior ou menor prevalência, as diversas modalidades coexistem. Demonstra-o, pelo menos em parte, esta série de anúncios recentes a automóveis. Aliás, até parece que a vaga está em vias de se inverter.
Super Bock, Super Bom

A Ana Paula enviou-me o link do anúncio “Sabor Autêntico”, da Super Bock, filmado em Guimarães. Em boa hora: por um lado, tenta-me reanimar a ligação com os vimaranenses; por outro, inicio na próxima quinta, 8 de janeiro, uma série de 5 aulas dedicadas à publicidade na disciplina de Sociologia da Arte e do Imaginário. Aproveito ainda para prestar tributo à Super Bock com um belo ramalhete de anúncios.
Com o Filho no Colo. Evento no Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa

Há três anos na forja (desde a conferência “O Olhar de Deus na Cruz: O Cristo Estrábico”, em novembro de 2022), a conversa “Com o Filho no Colo: As Esculturas da Humildade e da Piedade” aproxima-se. Ocorrerá no dia 28 de novembro, às 16 hora. O Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa, que a acolhe no respetivo auditório, é uma das instituições organizadoras. Destaca-a no programa de eventos mensal. Para aceder à notícia detalhada, carregar numa das imagens ou no link: https://www.museuddiogodesousa.gov.pt/event-item/com-o-filho-no-colo-as-esculturas-da-humildade-e-da-piedade/

Recordações do liceu Sá de Miranda

Esparsa
Não vejo o rosto a ninguém,
cuidais que sou, e não sou.
Sombras que não vão nem vêm,
parece que avante vão.
Entre o doente e o são
mente cada passo a espia;
no meio do claro dia
andais entre lobo e cão.
(Sá de Miranda)
Revolvo o passado. Por estímulo alheio. O Facebook conduziu-me às publicações de agosto 2021 (Jogar às cartas com o Diabo 1 a 5), a Almerinda Van Der Giezen desencantou esta entrevista de 2014: O ensino depois da Revolução. O Fernando precisou que já me tinha mostrado a fotografia. A minha memória parece uma peneira que só retém o restolho.
A vida está cheia de ruturas e viragens, mas, pelos vistos, persistem algumas linhas de fundo. Por exemplo, a alergia à disciplina e o amor, entre outros, à arte.
Reparo que me tenho autocentrado demasiado. Quase sem convívio, propicia-se o diálogo comigo mesmo. Por acréscimo, experiências recentes inspiram-me a apostar menos na invisibilidade.
Neste mundo (no outro, não sei), para que serve e a quem serve a humildade? Não resulta de escassa utilidade para o próprio? Não tende a prejudicá-lo e a beneficiar os outros? Quem prega a humildade? A quem? Pregar a humildade não costuma ser uma iniciativa de humildes.
A despropósito, as palavras humilde e humilhado partilham a mesma raiz etimológica. Ambas derivam do adjetivo humilis (perto do solo) associado ao vocábulo humus (terra ou solo). Humilde significa perto do solo, sem elevação excessiva; humilhado, remetido para o solo, rebaixado.
Na banda desenhada, por exemplo, existem personagens que brilham pela humildade ou, até, humilhação, tais como o Pateta, o Felipe e o Charlie Brown ou Calimero e o Cascão.
O Tendências do Imaginário funciona não só como diário, mas também como arquivo. Faltava esta peça. Para aceder à entrevista, carregar na fotografia acima ou no seguinte endereço: https://ensinopij1314.weebly.com/vocaccedilatildeo.html.






![[DisfarçARte] Fotografia por Liu Bolin](https://i0.wp.com/tendimag.com/wp-content/uploads/2026/07/Fotografia-por-Liu-Bolin.jpg?resize=479%2C401&ssl=1)

