Colar sem pérolas

Este blogue está cheio de retângulos negros correspondentes a vídeos que se tornaram inacessíveis. Autênticas pérolas desaparecidas de um colar. Costumo recuperar essas falhas, procurando endereços alternativos. Mas, às vezes, a missão resulta impossível. Aconteceu, ontem, com o vídeo “La terre se rechauffe”, imputado à General Electrics em 1936 (ver O aquecimento global em 1936, 05.07.2012).
Após horas de pesquisa, com a ajuda da IA, não o desencantei. Trata-se, contudo, de uma peça de arquivo de enorme valor. Parece asseverar-se mais fácil encontrar vestígios de uma gravura do século XVII do que a fonte de uma obra digital do século XXI.
Aprende-se com a experiência. Doravante, não me contentarei em atualizar o acesso online dos vídeos cujo rasto não quero perder; passo a descarregá-los e a gravá-los num disco duro “frio”. O mundo da Internet é demasiado efémero!
Encontrei nos “artigos do dia” dois vídeos desativados: os anúncios “Le Secret”, da L’Oréal, no artigo Emancipação, de 2016, e “The Look”, da P&G (Procter & Gamble), no artigo Não é por mal! A discriminação natural, de 2019. Como não arrisco perder o segundo, gravei-o!
Escrevi este artigo à pressa. Quero acabar um prefácio. Regressarei mais tarde para o aprimorar.
“Idadismo”. Preconceito etário

Seguem dois anúncios que não abonam a favor do envelhecimento.

O Fio de Ariadne e o Portal de Perséfone


“Este impactante filme da MullenLowe London ilustra (…)como, desde cedo em sua educação, as crianças já definem as oportunidades de carreira como masculinas e femininas. Quando solicitadas a desenhar um bombeiro, um cirurgião e um piloto de caça, 61 desenhos retratam homens e apenas 5 mulheres.”
“Os estereótipos de géneros são definidos entre os 5 e os 7 anos de idade”. Muitos outros, também!
Imagem: Estátua Perséfone. Mármore. Séc. II
Existirá um fio de Ariadne ou um portal de Perséfone que permita aceder a uma nova visão?
Ariadne e Perséfone recordam-me Lisa Gerrard, em particular as canções “Ariadne” e “Persephone (The Gathering of Flowers). O Tendências do Imaginário já contempla 13 canções de Lisa Gerrard. Segue mais meia dúzia.
O Valor da Diferença
À M

Rever-se no olhar dos outros é um consolo; não sentir o mérito reconhecido, uma desgraça. Pensei incluir os subtemas inclusão e reconhecimento no vídeo dedicado à Felicidade. Mas a duração de cerca de 1 hora já duplica o previsto. Sinal de que a participação ultrapassou as expetativas. Impõe-se filtrar e cortar. Com alguma frustração. Os três vídeos seguintes, como muitos outros, ficam, assim, de fora. Coloco-os neste último reduto. Sensibilizam!
Refúgio da atrocidade
Quando se procura acontece encontrar-se, eventualmente, o que não se espera e nos choca. Para acompanhar o anúncio “Member of the British Empire”, da The Respite Association, é preciso ter “coração, cabeça e estômago”.
Passagem

A Deputación de Pontevedra solicitou à Diana Gonçalves a realização de um vídeo de um minuto (apropriado para divulgação online) para assinalar o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher (25 de novembro). Resultou a curtíssima metragem “O machismo vese claro cando enfocas, e ti velo?”. Num dia de nevoeiro sebastiânico, a ponte adquire um protagonismo inspirador. Graças aos planos e ângulos de filmagem, significa, melhor, proporciona sentir o confronto entre a clausura envolvente e a passagem libertadora.
A dádiva da Memória. De filho para pai
Gratidão: não ver a prenda, mas quem a oferece (anónimo).
Todos os anos, próximo do Natal, a rede britânica de lojas John lewis faz questão de lançar um anúncio marcado pelo espírito de partilha e generosidade. Convoca quase sempre a família e recorre frequentemente à fantasia. “Where Love Lives” prescinde da fantasia e concentra-se na relação entre gerações, designadamente entre filho e pai.
Memória puxa memória. O tempo, suposto linear, contorce-se. E o início, o passado, e o fim, o presente, abraçam-se.
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Prenda cortesã precursora

Concluído em 1405, o Livro da Cidade das Damas (Le Livre de la Cité des Dames) foi escrito, em prosa, por uma mulher, Christine de Pisan, em defesa das mulheres, Uma obra pioneira “antimisógin”. Foi ainda autora do Livro das Três Virtudes (Le Livre des Trois Vertus), de 1405, e do livro de poesia Le Ditié de Jehanne d’Arc, de 1429.
“Cristhine de Pisan (1365.1431) é considerada como uma das primeiras mulheres escritoras em França. Viúva e mãe de família aos 25 anos, escolheu a escrita para ganhar a sua vida. Tornou-se poetisa de corte, oferecendo-lhe alguns senhores a sua proteção, a exemplo do duque de Borgonha ou do duque de Orléans. Mas foi também autora de livros de pendor político e moral, e dirigiu uma oficina de copistas.
No Le Livre de la Cité des dames, de 1405, promove uma análise crítica da sociedade a par de soluções para sair da crise do século XV. Christine de Pisan inclui-se a si mesma na narrativa: consternada pelas divisões que dilaceram a França, decide construir uma “Cidade das damas” onde as mulheres ilustres dariam o exemplo. Personagens alegóricas exclusivamente femininas, tais como a Dama Razão, a Dama Retidão e, ainda, a Dama Justiça [Dame Justice] ajudam-na a educar as mulheres de todas as idades e condições sociais” (Le Livre de la Cité des dames de Christine de Pisan, Passerelle[s ] – Bibliothèque Nationale de France).

Citação de Christine de Pisan:
Se fosse o costume mandar jovens meninas para a escola e ali ensiná-las toda sorte de diferentes matérias, assim como se faz com jovens meninos, elas entenderiam e aprenderiam as dificuldades de todas as artes e ciências com tanta facilidade quanto os meninos. […] Sabes por que mulheres conhecem menos que homens? […] é porque elas são menos expostas a uma larga variedade de experiências já que precisam ficar em casa o dia inteiro em nome do lar. Não há nada como uma gama completa de diferentes experiências e atividades para expandir a mente de qualquer criatura racional (Christine de Pizan, Livro da Cidade das Damas. Manuscrito original: 1405).




