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“Idadismo”. Preconceito etário

Vincent van Gogh – Portrait of Patience Escalier . 1888

Seguem dois anúncios que não abonam a favor do envelhecimento.

Instrumentarium – Eternal Love. Agência: Cassius Helsinki. Direcção: Pete Riski. Finlândia, Fevereiro 2017
Student flights – Travel before its not fun anymore. Agência : Tbwa. Direção : Dean Blumberg. África do Sul, 2014

O Fio de Ariadne e o Portal de Perséfone

Ariadne Adormecida. Cópia romana da obra criada no período helenístico médio (III e II século a.C.)

“Este impactante filme da MullenLowe London ilustra (…)como, desde cedo em sua educação, as crianças já definem as oportunidades de carreira como masculinas e femininas. Quando solicitadas a desenhar um bombeiro, um cirurgião e um piloto de caça, 61 desenhos retratam homens e apenas 5 mulheres.”

“Os estereótipos de géneros são definidos entre os 5 e os 7 anos de idade”. Muitos outros, também!

Imagem: Estátua Perséfone. Mármore. Séc. II

Existirá um fio de Ariadne ou um portal de Perséfone que permita aceder a uma nova visão?

Inspiring the Futur – Redraw the Balance. Agência: MullenLowe London. UK, junho 2016

Ariadne e Perséfone recordam-me Lisa Gerrard, em particular as canções “Ariadne” e “Persephone (The Gathering of Flowers). O Tendências do Imaginário já contempla 13 canções de Lisa Gerrard. Segue mais meia dúzia.

Dead Can Dance / Lisa Gerrard – Ariadne. Into The Labyrinth, 1993.
Dead Can Dance / Lisa Gerrard – Indus. Spiritchaser, 1996
Lisa Gerrard – Now We Are Free. Hans Zimmer & Lisa Gerrard. From the 2000 Ridley Scott film “Gladiator”
Dead Can Dance / Lisa Gerrard – Persephone (The Gathering of Flowers). Within the Realm of a Dying Sun, 1987
Dead Can Dance / Lisa Gerrard – The Host of Seraphim. The Serpent’s Egg, 1988. Live in Bulgaria, Sofia, National Palace of Culture, 14.03.2018
 Gavin Greenaway · The Lyndhurst Orchestra · Lisa Gerrard – The Wheat (From “Gladiator” Soundtrack), 2000

O Valor da Diferença

À M

Jerome Ruillier

Rever-se no olhar dos outros é um consolo; não sentir o mérito reconhecido, uma desgraça. Pensei incluir os subtemas inclusão e reconhecimento no vídeo dedicado à Felicidade. Mas a duração de cerca de 1 hora já duplica o previsto. Sinal de que a participação ultrapassou as expetativas. Impõe-se filtrar e cortar. Com alguma frustração. Os três vídeos seguintes, como muitos outros, ficam, assim, de fora. Coloco-os neste último reduto. Sensibilizam!

Jerome Ruillier – Por 4 esquinitas de nada. 2004. Adaptado por Mayte Calavia con Alumnos del CEIPEl Espartidero de Zaragoza. Colocado em 01.04.2011
Inclusão e Educação – Um vídeo impactante. Produção: Naked Heart Foundation, Rússia, 2020. Colocado pelo Prof. Paulo Henrique em 26.11.2020
Paro | Follow Your Dreams | HP. Para o Dia Internacional da Mulher. Colocado em 08.03.2018

Refúgio da atrocidade

Quando se procura acontece encontrar-se, eventualmente, o que não se espera e nos choca. Para acompanhar o anúncio “Member of the British Empire”, da The Respite Association, é preciso ter “coração, cabeça e estômago”.

The Respite Association – Member of the British Empire. Ag. Partizan. Dir. Rob Sanderson. UK. Jan. 2026

Passagem

A Deputación de Pontevedra solicitou à Diana Gonçalves a realização de um vídeo de um minuto (apropriado para divulgação online) para assinalar o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher (25 de novembro). Resultou a curtíssima metragem “O machismo vese claro cando enfocas, e ti velo?”. Num dia de nevoeiro sebastiânico, a ponte adquire um protagonismo inspirador. Graças aos planos e ângulos de filmagem, significa, melhor, proporciona sentir o confronto entre a clausura envolvente e a passagem libertadora.

O machismo vese claro cando enfocas, e ti velo?. Guión y dirección: Diana Gonçalves. Producción: Raia Creativa. Deputación de Pontevedra, 25.11.2025

A dádiva da Memória. De filho para pai

Gratidão: não ver a prenda, mas quem a oferece (anónimo).

Todos os anos, próximo do Natal, a rede britânica de lojas John lewis faz questão de lançar um anúncio marcado pelo espírito de partilha e generosidade. Convoca quase sempre a família e recorre frequentemente à fantasia. “Where Love Lives” prescinde da fantasia e concentra-se na relação entre gerações, designadamente entre filho e pai.

Memória puxa memória. O tempo, suposto linear, contorce-se. E o início, o passado, e o fim, o presente, abraçam-se.

Anunciante: John Lewis. Título: Where Love Lives. Agência: Saatchi & Saatchi (London). Direção: Jonathan Alric. Reino Unido, novembro 2025

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Prenda cortesã precursora

Mestre do Livro da Cidade das Damas. Christine de Pisan apresentando o seu livro à rainha de França, Isabel de Baviera. Detalhe de miniatura iluminada de The Book of the Quen, ca. 1410-1414. British Library

Concluído em 1405, o Livro da Cidade das Damas (Le Livre de la Cité des Dames) foi escrito, em prosa, por uma mulher, Christine de Pisan, em defesa das mulheres, Uma obra pioneira “antimisógin”. Foi ainda autora do Livro das Três Virtudes (Le Livre des Trois Vertus), de 1405, e do livro de poesia Le Ditié de Jehanne d’Arc, de 1429.

“Cristhine de Pisan (1365.1431) é considerada como uma das primeiras mulheres escritoras em França. Viúva e mãe de família aos 25 anos, escolheu a escrita para ganhar a sua vida. Tornou-se poetisa de corte, oferecendo-lhe alguns senhores a sua proteção, a exemplo do duque de Borgonha ou do duque de Orléans. Mas foi também autora de livros de pendor político e moral, e dirigiu uma oficina de copistas.

No Le Livre de la Cité des dames, de 1405, promove uma análise crítica da sociedade a par de soluções para sair da crise do século XV. Christine de Pisan inclui-se a si mesma na narrativa: consternada pelas divisões que dilaceram a França, decide construir uma “Cidade das damas” onde as mulheres ilustres dariam o exemplo. Personagens alegóricas exclusivamente femininas, tais como a Dama Razão, a Dama Retidão e, ainda, a Dama Justiça [Dame Justice] ajudam-na a educar as mulheres de todas as idades e condições sociais” (Le Livre de la Cité des dames de Christine de Pisan, Passerelle[s ] – Bibliothèque Nationale de France).

Mestre de Margarida de York. Christine de Pisan e as três Damas (Razão, Retidão e Justiça). Christine de Pisan, Livre de la Cité des Dames. 1405. Bibliothèque Nationale de France

Citação de Christine de Pisan:

Se fosse o costume mandar jovens meninas para a escola e ali ensiná-las toda sorte de diferentes matérias, assim como se faz com jovens meninos, elas entenderiam e aprenderiam as dificuldades de todas as artes e ciências com tanta facilidade quanto os meninos. […] Sabes por que mulheres conhecem menos que homens? […] é porque elas são menos expostas a uma larga variedade de experiências já que precisam ficar em casa o dia inteiro em nome do lar. Não há nada como uma gama completa de diferentes experiências e atividades para expandir a mente de qualquer criatura racional (Christine de Pizan, Livro da Cidade das Damas. Manuscrito original: 1405).

Nós precoces

Existem duas fundações cujos anúncios normalmente aprecio: a tailandesa Thai Health Promotion Foundation e a internacional Save the Children. O anúncio “La fiesta de Itzel”, da Save the Children México, é extenso e lento. A duração e o ritmo apropriados para desembocar num final inesperado e perturbador. Tanto mais perturbador que o fenómeno não se circunscreve ao México.

Anunciante: Save the Children México. Título: La Fiesta. Agência: FCB NEWLINK. Direção: German Tejada. México, outubro 2025

Anúncio português vintage 5: As Algemas

O preconceito imagina a realidade dispensando alternativas (ver Com a verdade me enganas e Falácias da Perceção). O anúncio “Algemas”, da associação Olho Vivo, apanha-nos, desprevenidos, em flagrante. [Carregar na imagem para aceder ao vídeo]

Anunciante: Olho Vivo. Título: As Algemas. Agência: McCann Erickson. Portugal, 2001

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A Almerinda Van Der Giezen acaba de me enviar este vídeo com a canção “Atmosphere” dos Joy Division. Para além de recordar o Ian Curtis, creio que se ajusta, com a devida gravidade, a este artigo.

Joy Division – Atmosphere. Vídeo oficial lançado em 1988.

Memorial

Existem momentos em que é muito importante recordar; nos outros, também! Agradeço à Almerinda Van Der Giezen a partilha deste dois links respeitantes ao espiritual “Wade in the Water”.

Imagem: Peter Lely. Elizabeth Murray (1626–1698)with a Black Servant. C. 1651

“Wade in the Water” é um dos espirituais afro-americanos mais conhecidos e carregados de significado histórico, cultural e religioso. A canção remonta ao século XIX e está profundamente ligada à experiência dos escravizados nos Estados Unidos e ao movimento de libertação por meio da Underground Railroad (Rede de Fuga). (…)
Interpretação religiosa:
• Faz alusão ao episódio bíblico de João 5:4, onde um anjo “agitava as águas” e quem entrasse primeiro seria curado. A ideia é que Deus está presente e ativo, oferecendo livramento e cura.
• O uso da palavra “trouble” (perturbar/agitar) sugere que algo milagroso está prestes a acontecer.
Interpretação codificada:
• Acredita-se que essa música também tinha função prática na fuga de escravizados. “Wade in the water” era um conselho literal: entrar na água para mascarar o rastro e confundir os cães farejadores dos caçadores de escravos.
• Harriet Tubman, uma das principais líderes da Underground Railroad, teria usado canções como essa para comunicar rotas e perigos de forma velada. (…)
Legado
“Wade in the Water” é mais que uma canção: é um símbolo de resistência, fé e inteligência coletiva dos povos escravizados. Faz parte de um legado musical e cultural que influenciou o gospel, o blues, o jazz e o soul, sendo até hoje cantada em contextos religiosos, educacionais e artísticos. (ChatGPT, 29/05/2025)

Wade in the Water (Spiritual) – A Cappella Academy Choir. A Capella Academy. Arranged and directed by Rob Dietz. Soloist: Shakale Davis. Video: Ryan Parma. Posted: 21/09/2016
Harris, K. & Harris, R. (1997). Wade in the Water. On Steal Away: Songs of the Underground Railroad [c.d.]. Morristown, NJ: Brooky Bear Music. (1984)

Nova arte pós-moderna

fahrenheit DDB Lima. Perú

A bricolagem caseira improvisada pode estar na origem de uma nova forma, imprevisível e efémera, de arte pós-moderna, eventualmente herdeira de um cruzamento de Magritte com Escher.

Marca: Promart. Título: Postmodern Homelistic Art. Agência: Fahrenheit DDB Lima. Perú. Seleção Cannes Lions 2015

A criatividade não costuma ser um ato isolado. Quando deparo com algo que me surpreende, disponho-me a procurar mais, a desfiar o novelo. No que respeita à publicidade, sigo normalmente três fios: a marca, a agência e o diretor. Desta vez, começo a busca pelo próprio Tendências do Imaginário. Conta 4 314 artigos (posts) que contemplam muitas centenas de anúncios, por acréscimo filtrados pelo meu radar e pelo meu sistema de relevâncias. Convenha-se que este blogue, ativo desde 2011, se tornou um arquivo apreciável.

Descobri cinco anúncios criados pela agência Fahrenheit DDB Lima, entre os quais este Postmodern Homelistic Art. Três para marca Promart. Em suma, graças a uma memória preguiçosa, constato que não me surpreende apenas o novo mas também o repetido, aliás já retido.

Os demais quatro anúncios, apostados na ironia e na provocação, manifestam-se primorosamente concebidos e apresentados. Recomendo a visualização. Segue a indicação do título, da marca, do ano e do artigo/link em que está acessível.