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Prazer tranquilo

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Hoje, dei aulas das 14 às 20 horas. Estou temporariamente alérgico à Sociologia. Nada como música suave. Daquelas que nos fazem sonhar dentro da memória. Há tempos coloquei um post com três videoclips dos Pavlov’Dog. Apagaram-lhes as velas! Nem se ouve, nem se vê. Retomo as canções, mas sem velas. Só uns palitos.

“Originários de St Louis (EUA), os Pavlov’s Dog publicam Pampered Menial, em 1974, e At The Sound Of The Bell, em 1975. O insucesso foi de tal ordem que a editora, a Columbia Records, recusa editar, em 1977, o terceiro disco (The Third). A banda original desfez-se. Há muitos casos como este de qualidade sem sucesso, menos, porém, do que os casos de sucesso sem qualidade”.

Pavlov’s Dog. Julia. Pampered Menial. 1974.

Pavlov’s Dog. Standing here with you. At The Sound Of The Bell. 1975.

Pavlov’s Dog. Only you. TheThird. 1977.

De que são feitas as raparigas?

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What are girls made of?, da Nike, é mais um anúncio polarizado pelo Dia Internacional da Mulher. De algum modo, pensamento e sentimento acontecem por agenda e por medida. Um anúncio assumido e sedutor. Particularmente feliz a aposta na juventude, na música e na poesia. É, por acréscimo, um anúncio russo! Faltam anúncios russos no Tendências do Imaginário.

Marca: Nike. Título: What are girls made of? Agência: Wieden + Kennedy (Amsterdam). Rússia, Março 2017.

 

Acompanhamento

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O anúncio espanhol Acompañarte, do Banco Sabadell, mostra-se diferente. Inicia com o nome da marca e o lema, que, normalmente, aparecem no fim deste tipo de anúncio. Talvez para dar o tom e evitar a confusão. Aposta na classe: no preto e branco e na música. A música cativa e envolve. Tal como o banco acompanha os clientes, os músicos acompanham-se uns aos outros. O ambiente é de competência, confiança, informalidade e criatividade. Em suma, um acompanhamento recomendável!

Esta campanha do Banco Sabadell contém vários vídeos. Colocamos uma versão curta (42 segundos) e uma versão mais longa (5:57).

Marca: Banco Sabadell. Título: Acompañarte. Agência: SCPF. Direcção: Bernat Lliteras. Espanha, Fevereiro 2017.

Ternura

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Ternura

Mais longe? Mais perto? A distância certa é aquela em que se abraça mais as virtudes e menos os defeitos. Não deixe que a ternura se afaste do tabuleiro da sua vida. ”Sem a ternura, o amor não seria nada” (Bourvil, Tendresse, 1963) . A ternura não tem tamanho, lugar ou momento fixo. Num simples gesto, num simples olhar, numa simples atitude, num infinitamente nada, cabe uma galáxia de sentimentos.

Hoje é dia de São Valentim, um bispo romano, do século III, que celebrou casamentos contra a lei do Imperador Cláudio II. São Valentim diz-me pouco, mais me diz Inês de Castro.

“Apercebeu-se que havia mais no mundo do que as especulações da Sorbonne e os versos de Homero, que o Homem tinha necessidade de afectos, que a vida sem ternura e sem amor era apenas uma engrenagem seca, estridente e desoladora” (Hugo, Victor, Notre-Dame de Paris, 1831).

O anúncio Eternal Love, da Instrumentarium, e a canção La Tendresse, de Bourvil, são dois postais ilustrados em dia de namorados. Hoje, não é Fevereiro, nem chove no quintal. Hoje, nas margens do rio Coura, caem do céu as sombras das árvores do luar de Agosto.

Marca: Instrumentarium. Título: Eternal Love. Agência: Cassius Helsinki. Direcção: Pete Riski. Finlândia, Fevereiro 2017.

Bourvil. La tendresse. Letra de Noël Roux. Música de Hubert Giraud. 1963.

La Tendresse (Bourvil)

On peut vivre sans richesse
Presque sans le sou
Des seigneurs et des princesses
Y’en a plus beaucoup
Mais vivre sans tendresse
On ne le pourrait pas
Non, non, non, non
On ne le pourrait pas

On peut vivre sans la gloire
Qui ne prouve rien
Etre inconnu dans l’histoire
Et s’en trouver bien
Mais vivre sans tendresse
Il n’en est pas question
Non, non, non, non
Il n’en est pas question

Quelle douce faiblesse
Quel joli sentiment
Ce besoin de tendresse
Qui nous vient en naissant
Vraiment, vraiment, vraiment

Le travail est nécessaire
Mais s’il faut rester
Des semaines sans rien faire
Eh bien… on s’y fait
Mais vivre sans tendresse
Le temps vous paraît long
Long, long, long, long
Le temps vous parait long

Dans le feu de la jeunesse
Naissent les plaisirs
Et l’amour fait des prouesses
Pour nous éblouir
Oui mais sans la tendresse
L’amour ne serait rien
Non, non, non, non
L’amour ne serait rien
Quand la vie impitoyable
Vous tombe dessus
On n’est plus qu’un pauvre diable
Broyé et déçu
Alors sans la tendresse
D’un coeur qui nous soutient
Non, non, non, non
On n’irait pas plus loin
Un enfant vous embrasse
Parce qu’on le rend heureux
Tous nos chagrins s’effacent
On a les larmes aux yeux
Mon Dieu, mon Dieu, mon Dieu…
Dans votre immense sagesse
Immense ferveur
Faites donc pleuvoir sans cesse
Au fond de nos coeurs
Des torrents de tendresse
Pour que règne l’amour
Règne l’amour
Jusqu’à la fin des jours.

 

Noël Roux

Com um burro às costas. Música com humor.

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Francisco Goya. Tu que no puedes. Los caprichos 42. 1799.

Estive sete dias sem Internet. O apoio técnico por parte da operadora, a única entidade que o pode prestar, só chegou hoje. Uma simples troca de modem. Podia ter recorrido a outros acessos à Internet, mas estas conversas são pessoais e têm um nicho, a minha casa. Sou fetichista.

Há quem acredite que a técnica nos conduzirá à eternidade. Quanto a mim, a técnica, parente da obsolescência, é aceleradora da morte. Atropelam-se os funerais de técnicas de ponta, computadores incluídos. Deus não fez, neste mundo, obra perfeita. O que fez desfaz-se. Não faltam porém divindades de barro em busca da perfeição. São os piores inimigos da humanidade.

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Pássaro alimenta uma cria proveniente do ovo de um cuco.

Neste País de mil leis, uma operadora não tem prazo para acudir a uma participação de avaria! E nem sequer é possível denunciar o contrato. Por causa da fidelização. Quando o poder político e o poder económico se sentam no mesmo banco, o melhor é o consumidor não se pôr a jeito. Para a próxima, pense duas vezes antes de avariar, não vá carregar dois burros às costas.

Esta abstinência digital lembrou-me quatro músicas dedicadas a animais. Na primeira, os burros zurram; na segunda, as galinhas esgaravatam; na terceira, os cucos parasitam; e na quarta, os zangões zumbem.

La Fête de l’Ane. Excerto. Música medieval. Clemencic Consort.

Jean-Philippe Rameau. La Poule. 1728. Sir Neville Merrimer.

Louis-Claude Daquin. Le Coucou. 1735. Trevor Pinnok.

Nikolai Rimsky-Korsakov. Flight of the Bumblebee. 1899-1900. David Garrett.

Um ano novo cheio de ideias próprias!

 

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Ano novo, cabeça nova. A gata não se engana: é tempo de cuidar das ideias. Coitada da gata! Alvo de violência simbólica! Estou a pensar enveredar pela carreira de artista. Já são 35 anos de carreira académica. Vou fazer instalações. Esta, com uma gata sábia com um rolo de papel higiénico na cabeça, chama-se: Upside down 3. Para compensar, dedico uma música à minha gata. Chama-se Dueto Para Gatos, atribuído a Rossini, mas que, de facto, resulta de uma compilação de excertos das suas óperas.

Reis Magos

De mago e de rei, todos temos um pouco
Assim como de sábio, de juiz e de louco
Adiantados, atrasados, parados ou sem alento
Guardamos sonhos maiores que o movimento (AG).

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Adoração dos magos. Sarcófago romano do séc. IV, proveniente do cemitério de Santa Inês. Museu Pio Christiano. Roma.

Journey of the Magi, álbum Barry & Beth Hall, A Feast of Songs: Holiday Music from the Middle Ages, 2002.

No friso de um sarcófago romano do séc. IV, figuram os três reis magos e respectivos camelos. Parecem clones. A estrela paira sobre a cabeça de Maria. Não há sinal do burro nem da vaquinha. O menino nasceu crescido. A música medieval, Journey of the Magi, é pequena mas encantadora.

Que uma bela morte toda a vida honra!

circa-1500-o-lusitanoFelizes os tempos que ofuscam o passado; deles será o reino do espelho! Períodos houve, na idade média e no renascimento, em que a música portuguesa constava entre as melhores. Atente-se, por exemplo, na folia. Ironia à parte, Puestos están frente a frente canta a batalha de Alcácer-Quibir (1578), louva “Sebastião, o Lusitano”. Termina com uma citação de Petrarca: “Que uma bela morte toda a vida honra”. Aparece transcrita pela primeira vez na Miscelânia (1629) de Miguel Leitão de Andrada. Foi interpretada e gravada por vários grupos nacionais e estrangeiros.

O Lusitano: Portuguese Vilancetes, Cantigas And Romances. Gérard Lesne & Circa 1500. 1992.

Concerto aquático

Le livre des échecs amoureux moralisés (sec. XV), de Évrart de Conty (iluminuras de Robinet Testard), contém gravuras fantásticas, como esta com uma sereia encantadora. Pode consultar e descarregar o livro de Évrart de Conty no seguinte endereço: http://gallica.bnf.fr/ark:/12148/btv1b8426258c/f264.image.

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Concerto aquático. Le livre des échecs amoureux moralisés. Sec. XV

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Concerto aquático. Le livre des échecs amoureux moralisés. Sec. XV. Pormenor.

Deflorestação

Quino. Pensamiento

Quino. Pensamento

Este blogue anda meio macabro. Não é de estranhar. Participo numa equipa de investigação sobre a morte nos media e estou a dedicar-lhe a escrita de um livro. A própria sociedade também anda obcecada com a morte. Tropecei com anúncio argentino Sin bosques nos ahogamos todos, da Greenpeace. O título é sugestivo: nos ahogamos todos. Mas o vídeo reforça: um homem, fechado num recipiente transparente, fica sem ar, à medida que as florestas são destruídas, até ao afogamento. Um “espectáculo” de morte.

Anunciante: Greenpeace. Título: Sin bosques nos ahogamos todos. Agência: Wofbpp. Argentina, Agosto 2016.

Para contrariar esta onda funesta, pesquisei as entradas felicidade, alegria e vitalidade nas bases de anúncios. Saiu este Moved by Magic, da rádio Magic FM. Estimulante.

Marca: Magic FM. Título: Moved by Magic. Agência: Mother. Direcção: Daniel Kleinman. UK, 2003.