Tag Archive | música

Nas nuvens

oboe-musical-instrument-symphony-orchestra-19462872Sabe bem uma pausa no “desempenho das funções”. Com boa música, ainda mais bem sabe. Segue um ramalhete de quatro músicas para oboé: duas do séc. XVIII, de Alessandro Marcello e Tomaso Albinoni; e duas do séc. XX, de Michel Colombier e Ennio Morricone. Parafraseando, Blaise Pascal, já coloquei algumas no blogue, mas não nesta ordem.

Alessandro Marcello. Concerto Per Oboe in D minor_ Adagio.

Tomaso Albinoni. Concerto for oboe in D minor, Op.9/2: Adagio. 1722.

Michel Colombier. Emmanuel. Wings. 1971.

Ennio Morricone. Gabriel’s Oboe. The Mission. 1986.

 

Encontro de Sociologia no mosteiro de Tibães

O Encontro de Sociologia traz-me afastado da música e do blogue. Mas é uma iniciativa compensadora. Seguem o cartaz, o texto de divulgação, o programa e a imagem do íman que será oferecido durante o Encontro.

Cartaz Encontro Sociologia

O Encontro de Sociologia congrega todos os alunos dos cursos de Sociologia da Universidade do Minho (licenciatura, mestrados e doutoramento), bem como os docentes e os funcionários do Departamento de Sociologia. O Encontro decorre no dia 18 de Abril, durante a tarde, no Mosteiro de Tibães. Para a deslocação entre a Universidade e o Mosteiro, haverá dois autocarros que partem às 13 horas junto à pastelaria Montalegrense e regressam às 19 horas. O Encontro inclui visita guiada ao Mosteiro, um dos mais belos exemplares da arte barroca em Portugal, uma conferência e um espetáculo com música, teatro e vídeo protagonizado por estudantes de Sociologia.

Contamos com a presença de todos!
A Direção do Departamento de Sociologia

Programa

14h00 | Visita guiada ao Mosteiro

16h00 | Sessão de Abertura

Rui Vieira de Castro, Reitor da Universidade do Minho,
Helena Sousa, Presidente do Instituto de Ciências Sociais
Albertino Gonçalves, Diretor do Departamento de Sociologia
Maria de Lurdes Rufino, Coordenadora do Mosteiro de Tibães
Joana Mota Silva, Presidente do NECSUM

Conferência “Vigilância, segurança e crime: desafios para a Sociologia”

por Helena Machado, Departamento de Sociologia da Universidade do Minho.

17h00 | Espetáculo de Música, Teatro e Vídeo pelos alunos dos cursos do Departamento de Sociologia

Moderação: José Cunha Machado, Diretor adjunto do Departamento de Sociologia & Joana Mota Silva, Presidente do NECSUM.

19h00 | Encerramento.

Imagem do íman alusivo ao encontro

Imagem do íman alusivo ao Encontro de Sociologia.

Pausa

Frédéric Chopin

Frédéric Chopin

Não é fácil encontrar a serenidade. Tudo nos excita, irrita ou deprime. Estes tempos fazem de nós umas baratas tontas ou umas lesmas arrastadas. Valha-nos a música! O Kit Kat da alma. Agora Chopin, logo Bach, depois Saint-Saëns…

Martha Argerich. Chopin: Piano Concerto Nº 1 in E minor, Op. 11. Ao vivo em Varsóvia em 2010.

Beleza audiovisual

Jackson Hole

Ver e ouvir com prazer. Pena não haver nem gosto, nem tacto nem cheiro digitais. O anúncio Stay Wind, da Jackson Hole Travel & Tourism Board, é uma delícia para os olhos. E para os ouvidos. A música é dos Fleet Foxes. Acrescento outra música do mesmo grupo: White Winter Hymnal (2008). E pronto! Acabo de falar em Ponte de Lima e esperam-me em Briteiros (Guimarães).

Marca: Jackson Hole Travel & Tourism Board. Título: Stay Wild. Agência: Colle McVoy. Estados Unidos, Março 2018.

Fleet Foxes. White Winter Hymnal. Fleet Foxes. 2008.

Da importância dos fósforos

BrunuhVille

BrunuhVille

Conhece BrunuhVille? Não é uma cidade. É o pseudónimo de Bruno Miguel Correia José, compositor nascido em Coimbra em 1989. Na área do New Age Instrumental, BrunuhVille é uma grande estrela do YouTube, com vários Cd editados: The Eternal Forest (2011); Anima (2012); Tales of Lost Kingdom (2012); Aura (2013); Aurora (2014); Rebirth (2014); Northwind (2015); e Age of Wonders (2016). Foi o meu rapaz mais novo que me falou deste compositor. Os filhos servem para educar os pais. Entre tantas músicas, escolhi Emotional Dark Music, do cd The Eternal Forest. Tem mais de 6,6 milhões de visualizações no YouTube! As outras músicas que consultei ultrapassam todas os 2 milhões de consultas. Os portugueses brilham no estrangeiro. Em Portugal, há falta de fósforos.

BrunuhVille. Emotional Dark Music. The Eternal Forest. 2011.

Música sobre a emigração

Fotografia rasgada. Metade ficava em Portugal, a outra regressaria mais tarde

Fotografia rasgada. Metade ficava em Portugal, a outra regressaria mais tarde.

Sem eira, nem beira
Sem Pátria onde albergar
Estrangeiro em terra alheia
Estranho no meu lugar
(Letra de uma canção sobre a emigração).

Um grupo de alunos propôs-se fazer um vídeo sobre a emigração. Felicito-os pela ideia e pela vontade. Quatro músicas sobre a emigração são incontornáveis: Tema do filme O Salto (1967), de Luís Cilia; Eles (1968), de Manuel Freire; Cantar de Emigração (1971), de Adriano Correia de Oliveira; e O Emigrante (1977), do Conjunto Maria Albertina.

Tema do filme O Salto (1967), de Luís Cilia.

Eles (1968), de Manuel Freire.

Cantar de Emigração (1971), de Adriano Correia de Oliveira.

O Emigrante (1977), do Conjunto Maria Albertina.

 

Inspiração

Chicago

Chicago

Quando estou com gripe, tusso as palavras. Espalham-se sem nexo. A audição, essa, escapa imune. Escrevo menos e escuto mais. Recorro à prateleira dos vinis. Afigura-se-me que a memória auditiva suplanta a memória visual. Do passado, trauteio músicas mas não pincelo imagens. Massajem-se, portanto, os tímpanos.

Três canções melodiosas dos norte-americanos Chicago, uma das grandes bandas dos anos sessenta e setenta.

Chicago. Colour of my world. 1970

Chicago. If you leave me now. Chicago X. 1976

Chicago. Hard to say I am sorry. Chicago 16. 1982.

Sociologia sem palavras 26. Música e comunicação não verbal

Harpo Marx

Harpo Marx

Faz tempo, iniciei uma série chamada Sociologia sem palavras. Socorrendo-me do linguajar em voga, a série acabou por ser descontinuada. Dava trabalho e, com um formato pré-definido, cada episódio pouca novidade formal aportava. Mas, pontualmente, sinto-me tentado a revisitar a série.

Harpo Marx é a personagem muda dos filmes dos Marx Brothers. Na verdade, não é mudo, apenas não fala. Opta por estar calado. Mestre em comunicação não verbal, exprime-se por outros meios. Harpo Marx, para além de actor, é músico. Harpo toca harpa. Publicou, pelo menos, três discos com música de harpa (Harp by Harpo, 1952; Harpo in Hi-Fi, 1957; e Harpo at Work, 1958). Neste excerto do filme The Marx Brothers at the Circus, de 1939, Harpo, actor e músico, toca harpa, perante uma assistência sui generis: os trabalhadores do circo.

Excerto do filme The Marx Brothers at the circus. 1939. Harpo Marx toca harpa.

A menina de Paris

France Gall e Michel Berger

France Gall e Michel Berger

Morreu hoje em Paris France Gall, a menina bonita e frágil da canção francesa. Junto dois vídeos.

O primeiro com a canção Les sucettes, de 1966, com Serge Gainsbourg, compositor que não poupou duplos sentidos numa letra infantil a resvalar para a sexualidade.

O segundo com a canção La Lettre,  de 1992, com Michel Berger, compositor e marido.

France Gall & Serge Gainsbourg. Les Sucettes. Les Sucettes. 1966.

France Gall & Michel Berger. La Lettre. Double Jeu. 1992

Dúvidas íntimas

À primeira vista, o anúncio Gueule de Nain, da Media Markt, parece pós-moderno. À última vista, continua a parecer pós-moderno. Na recente mesa redonda Identidades & Territórios (Universidade do Minho, 06 de Dezembro de 2017), permiti-me uma provocação: duvidar da existência de um período histórico singular apelidado pós-modernidade. Mas como este anúncio é pós-moderno, a pós-modernidade existe.

Identidades & Territórios. 06.12.2017

Anões de jardim adquirem vida na ausência dos donos da casa. O vómito de um gato, cujo nome deve ser Shrek, é o acto inaugural. Segue-se uma festa, com música, bebida, dança, sexo, objectos técnicos, desvarios e excessos. Como é costume, os anões de jardim têm atitudes e comportamentos estranhamente humanos. François Rabelais (1494-1553) poderia subscrever a orgia, E.T.A. Hoffman (1776-1822), a vitalização dos bonecos e Tex Avery (1908-1980), o humor absurdo. Em suma, um anúncio que convoca algumas perplexidades.

Se as pessoas são líquidas, fragmentadas, polifónicas e híbridas, por que é que, passados vinte ou trinta anos, quando encontro alguém ele me parece a mesma pessoa? Será que a sua identidade oscila como um boneco teimoso?

Marca: MediaMarkt. Título: ZIPFELRAUSCH. Alemanha, Novembro 2017.

Continua a nossa sociedade empenhada no futuro, eventualmente com menos projecto e mais balanço? Será a nossa sociedade mais pós ou mais pré? A maior parte das nossas preocupações não deixam de se debater com o futuro.

Por que rara alquimia a sociedade é órfão de narrativas quando às narrativas da modernidade se acrescentam as narrativas da pós-modernidade?

Como é que uma injunção, o carpe diem (Horácio, 65 a.C – 8 a.C.; ver poema) caracteriza uma sociedade quando o atributo é transversal à humanidade. Não há como fazer escala no após I Guerra Mundial.

E, em termos de hibridismo, são os biomecanóides e os pós-humanos assim tão distantes das metamorfoses de Ovídeo e dos sonhos cómicos (songes drolatiques) de François Desprez?

François Desprez. Songes drolatiques de Pantagruel. 1565.

François Desprez. Songes drolatiques de Pantagruel. 1565.

Acabei de ser convidado para participar num programa de televisão. Declinei. Uma pessoa que não sabe o que é não deve expor-se. E eu não sei se sou pré-moderno ou pós-moderno. Moderno consta que ninguém é. Toda esta confusão é muito grave. Entretanto, tive uma epifania. As epifanias servem para saber quem somos e para onde vamos. Que o diga São Paulo! Pois, finalmente, sei quem sou. Sou um pós-moderno à moda antiga, à moda dos maneiristas e dos barrocos. Parafraseando John F. Kennedy, na modernidade, sou pós-moderno!

Não sei que me diga! Ainda estou confuso. Mas, repito, o anúncio da Media Markt é excelente.

Tradução do poema de Horácio

Colha o dia, confia o mínimo no amanhã.
Não perguntes, saber é proibido, o fim que os deuses darão a mim ou a você,
Leuconoe, com os adivinhos da Babilônia não brinque.
É melhor apenas lidar com o que cruza o seu caminho.
Se muitos invernos Júpiter te dará ou se este é o último, que agora bate nas rochas da praia com as ondas do mar.
Tirreno: seja sábio, beba seu vinho e para o curto prazo reescale suas esperanças.
Mesmo enquanto falamos, o tempo ciumento está fugindo de nós.
Colha o dia, confia o mínimo no amanhã.
Podemos sempre ser melhores. Basta pensarmos melhor.

(http://claudialins58.blogspot.pt/2009/08/carpe-diem-o-poema-completo-de-horacio.html).