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Prazer tranquilo

 

MadnessOs últimos artigos do Tendências do Imaginário saíram amargos. Achei por bem resgatar um anúncio da Kronenbourg que é um consolo. Com os Madness.

Marca: Kronenbourg 1664. Título: Baggy trousers. Agência: BBH London. Direcção: Andy McLeod. Reino Unido, Jun. 2011.

Madness. Our House. The Rise & Fall. 1982.

Notas de violência e sofrimento

Billboard. Sobredosis. La Comunidad. Argentina. 2017.Custa-me sair de um rio de pensamento. Torno-me chato! Regressemos, pois, à afinidade entre a música e a experiência, o sentimento e a emoção. Os anúncios Inspiración, da Billboard Argentina, enfatizam menos a ideia de que há sempre músicas apropriadas aos diversos momento de vida e mais a ideia de que há músicas que ganham em ser encaradas como resultado do próprio mundo da vida. Por outras palavras, há momentos que suscitam músicas. A diferença é ténue, mas existe. Os três vídeos que seguem são violentos, pior, crus. Se é sensível, não vale a pena ver.

“(Buenos Aires, viernes 9 de mayo de 2017, 16:15 hs. hora local) – La violencia familiar, el racismo o incluso la muerte son tragedias que, sin embargo, algunos músicos lograron traducir en algo positivo, al punto que muchas de sus canciones alcanzaron el primer lugar en el ranking Billboard. Los tres spots–“Sobredosis”, “Redada” y “Violencia”–, con escenas duras y con producción de Primo y dirección de Pantera (Brian Kazez), hacen referencia a esa capacidad de los músicos” (http://www.adlatina.com/publicidad/%E2%80%9Cinspiraci%C3%B3n%E2%80%9D-preestreno-de-la-comunidad-para-billboard-argentina).

Anunciante: Billboard (Argentina). Título: Sobredosis. Agência: La Comunidad. Direcção: Pantera (Brian Kazez). Argentina, Junho 2017.

Anunciante: Billboard (Argentina). Título: Redada. Agência: La Comunidad. Direcção: Pantera (Brian Kazez). Argentina, Junho 2017.

Anunciante: Billboard (Argentina). Título: Violencia. Agência: La Comunidad. Direcção: Pantera (Brian Kazez). Argentina, Junho 2017.

Anúncios que nos dão música

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Pode saltar o texto. Não presta! Mas os vídeos são excelentes.

Gosto do ensaio como forma de raciocínio e escrita. Gosto de discorrer sobre temas maiores, essenciais, a partir de temas menores, relativos (Lukacs, Georg, 1974,  L’âme et les formes, Paris, Gallimard, 1ª ed. 1911; Goldmann, Lucien, 1955, Le Dieu Caché, Paris, Gallimard). Abuso, deste jeito, do verbo “lembrar”: memória inquieta que não se senta no tempo. A publicidade presta-se ao ensaio. A publicidade é omnívora, não há assunto que lhe escape. Mais, aborda tudo de qualquer prisma, técnica ou recurso, desde que funcione. Lembra o anarquismo metodológico de Paul Feyerabend (Against Method,1975, London/New York, Verso). Para nós, hoje, flechas tensas no arco de Ulisses, atingir um objectivo é mais heróico do passar o cabo Bojador. Assemelha-se a tocar na santíssima trindade. Enfim, assim como o ensaio discorre sobre temas maiores a partir de temas menores, a publicidade contempla o que bem entende para alcançar o que muito pretende. A publicidade pode nem sequer falar do que interessa. Escrever sobre publicidade pode relevar de uma construção de segundo grau. Em termo de inspiração para o ensaio, apenas a arte rivaliza com a publicidade.

Vem esta leveza de espírito a propósito da comunicação de Júlia Durand, intitulada O elefante na sala de pós-produção: a library music em criações audiovisuais, dedicada aos repositórios musicais procurados para bandas sonoras de filmes, anúncios, vídeos institucionais… Estes reportórios estão categorizados por temas, conteúdos, contextos, emoções, mensagens, estilos… Limito-me a registar a ideia, que não me convence, de que existem pontes claras entre trechos musicais e emoções. Não obstante, acodem-me alguns anúncios em que a marca, a música e a emoção dançam na perfeição.

Marca: BMW. Título: Aesthetics. Agência: Ireland/Davenport, Johannesburg. Direcção: Adrian de Sa Garces. República da África do Sul, Novembro 2006.
Marca: Audi A5. Título: A Rythm of Lines. Agência: BBH, London. Reino Unido, 2007. Música: Prelude 2, de Dustin O’Halloran.

Marca: BMW. Título: See How It Feels. Agência: WCRS, London. Direção: Warren Du Preez & Nick Thornton Jones. Reino Unido, Fevereiro de 2007. Música: UNKLE.

Marca: Nescafé. Título: Sunrise. Direcção: Derek Coutts. UK, 1988. Música: Johnny Nash.

Abrir as janelas

Jean-Pierre Rampal Muppet

Após uma reunião, deixamo-nos conversar à porta de um edifício barroco. Falou-se de flauta e de flautim (piccolo). De Vivaldi e do concerto per piccolo em dó menor p. 78 – 2 Largo (ver https://tendimag.com/2012/01/08/relatorio-in-c-major-rv-443-largo/). Convocou-se Jean-Pierre Rampal, um intérprete de flauta incontornável. Falou-se, por último, de um vídeo com Jean-Pierre Rampal e Miss Piggy, na série Os Marretas. Arejar faz bem! Liberta o espírito.

Antonio Vivaldi. Concerto para flauta em lá menor. P.77 – 2. Jean-Pierre Rampal: Vivaldi, les concertos pour flûte-piccolo. 1988.

Jean-Pierre Rampal & Miss Piggy. The Muppet Show Ep. 106.

Rosas selvagens

Sir John Everett Millais Ophelia 1851-2

Sir John Everett Millais. Ophelia. 1851-2.

Adoro aproximar o que nasce separado. É um vício. A Ofélia de Sir John Everett Millais (1851-2) lembra o vídeo Where The Wild Roses Grow (1996), de Nick Cave & Kylie Minogue. Não quer descobrir as diferenças entre a Ofélia do Millais e a Kylie Minogue do Nick Cave?

Nick Cave & The Bad Seeds / Kylie Minogue. Where The Wild Roses Grow. 1996.

Sevdaliza

Sevdaliza

Uma descoberta que nos cativa é uma janela aberta para o prazer. Conheci a música de Svdaliza na página de facebook da Helena Amaro: https://www.facebook.com/helena.amaro.12.

Sevdaliza é uma cantora de origem iraniana residente na Holanda. Prevê-se o lançamento do seu primeiro LP, ISON, no próximo dia 26 de Abril. Entretanto, publicou vários EPs. A canção “Human” foi editada em 2016 como single e como vídeo musical; “Hubris” foi publicada como single em 2017. Ambas integram o LP ISON.

Sevdaliza. Human. Dir. Emmanuel Adjei. 2016.

Sevdaliza. Hubris. 2017.

Surreal: o homem piano

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Encontrei no sapatinho das maravilhas este anúncio do Banff Center for Arts and Creativity, do Canadá. Estranho e delirante, vibra nos meus sentidos com uma invulgar ternura surreal. Discute-se nas redes sociais se é ou não arte. Afirma-se mais original, criativo e impactante do que muita arte que tive o privilégio de observar. Mas, se é ou não arte, que o ponderem os juízes da estética. Lembra-me arte. Arte da melhor! Por exemplo, Hieronymus Bosch (ver https://tendimag.com/2016/12/19/hieronymus-bosch-death-metal/) ou François Desprez (ver https://tendimag.com/2012/04/21/criaturas-pantagruelicas-1/).

A lembrança é amiga da vadiagem do espírito. Lembrei-me dos Ban (Irreal Social, Surrealizar, 1988). Conquistaram um apreciável sucesso nacional no final dos anos oitenta. É um grupo com música identificável. Uma das qualidades para ser digno de memória. No Tendências do Imaginário, os visitantes portugueses estão em minoria. Não admira. O blogue fala do mundo em língua portuguesa. Podia falar de Portugal, ou do mundo, em língua estrangeira. Sempre seria mais friendly! Seja como for, Portugal, embora nem sempre pareça, faz parte do mundo. Venham os Ban! Pim-Pam-Pum!

Marca: Banff Center. Título: Things you can’t unthink. Agência: Cossette Toronto. Direcção: Rodrigo García Saiz. Canadá, Abril 2017.

Hieronymus Bosch. Jardim das Delícias. Instrumentos musicais.

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Hieronymus Bosch. Jardim das delícias. Inferno. Detalhes. 1503-1504.

François Desprez. Songes Drolatiques. Homens instrumentos musicais.

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François Desprez. Songes Drolatiques. 1565.

Ban, Irreal Social, Surrealizar, 1988.

Por um nome

Reggiani

Serge Reggiani

Acaba de sair o anúncio “El nacimiento de un nombre”, da revista Hahora Mamá. É longo, lento e fala ao coração. Confrontada com costume de atribuir o nome das bisavós às bebés, a bisavó Haydée muda o nome para Matilda, o nome por todos desejado. Pela duração, pela lentidão e pelo enredo, “El nacimiento de un nombre” lembra alguns anúncios orientais. Certo é que a imaginação dos publicitários não tem limites.

A canção francesa tem particular apetência pelo tema da velhice e do envelhecimento. Retenho a Sarah de Serge Reggiani (Album nº2, 1967).

Marca : Ahora Mama. Título : El nacimiento de un nombre. Agência: Ogilvy & Mather Argentina. Direcção: Los Clan. Argentina, Abril 2’017.

Serge Reggiani. Sarah. Album nº2. 1967.

A pauta e as teclas

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É rara a junção de três génios da música: a introdução de Leonard Bernstein, a composição de Bach e a interpretação de Glenn Gould. Não sabia que as pautas no tempo de Bach davam tanto lugar à interpretação. É interessante presenciar o início da carreira de Glenn Gould e da sua dedicação à obra de Bach. Pode não se gostar, mas não se deve subestimar.

Glenn Gould e Leonard Bernstein: J. S. Bach, Concerto para piano nº 1 em Ré Menor (BMW 1052).

Até o bom pode ser efémero

00. Projecto de cartaz que não foi cartaz. Marta Barbosa.

Projecto de cartaz que não foi cartaz. Marta Barbosa.

O III Encontro Minho-Galiza já pertence ao passado. As coisas boas também partem. Perduram, no entanto, na memória dos presentes e na imaginação dos ausentes. O Encontro foi fantástico, do início ao fim. Tomiño e Goián receberam-nos de braços abertos. O auditório era grande, confortável e bem equipado. Houve música e palavras. Uma centelha de diálogo e humanidade acendeu o Encontro, dando azo a momentos de comunhão irrepetíveis. Houve música para todos os gostos: Banda da Escola de Música de Tomiño, Ricardo Almeida (gaita de fole), Pedro Abrunhosa (cantor e compositor português), Ses (cantora e compositora galega) e Joaquim Fidalgo (acordeão). Pedro Abrunhosa entusiasmou-se, e entusiasmou-nos. As comunicações dos painéis testemunharam, dialogaram e agradaram. Tendemos a separar saber e prazer, um engano que nos traz desinteressados. No dia 1 de Abril de 2017, o saber e o prazer dançaram até se cansar. Por obra, talvez, da proximidade do rio Minho, um dos rios que, segundo Orlando Ribeiro, unem mais do que separam.

A organização do Encontro resultou de uma parceria entre o Mestrado em Comunicação, Arte e Cultura, o Centro de Estudos Galegos e o Centro de Estudos Comunicação e Sociedade, todos da Universidade do Minho. Para não diluir os créditos em etiquetas amplas, quem, na realidade, concebeu e se empenhou na organização do III Encontro Minho-Galiza foram:

– Fernando Groba (CEG-ILCH);
– Helena Pires (MCAC/CECS-ICS);
– Francisco Abrunhosa (MCAC-ICS);
– Adriana Silvério (MCAC-ICS);
– Albertino Gonçalves (MCAC/CECS-ICS).

Os eventos científicos converteram-se ao benschmarking e entenderam por bem tirar fotografias como nos casamentos. Uma boa prática. Segue uma galeria com fotografias quase todas da autoria de Francisco Abrunhosa.

Galeria de imagens