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Dinossauros sem cauda

J.J. Cale. Naturally. 1972

J.J. Cale, falecido em 2013, é um compositor, vocalista e guitarrista norte-americano cuja carreira começou em 1958. O primeiro álbum, A Trip Down The Sunset Strip, foi lançado em 1966. Pioneiro do Tulsa Sound, J.J. Cale é um dinossauro. Um dinossauro cuja cauda ninguém enxerga. Algumas das suas músicas brilharam nos covers de Eric Clapton (Cocaine ou After midnight) ou dos Lynyrd Skynyrd (Call me the breeze ou I got the same old blues). A Cocaine original não desmerce a reinterpretação do Eric Clapton. Assim com existem dinossauros com e sem cauda, também existem dinossauros ora com amplificadores, ora sem amplificadores. Comprova-o uma pesquisa na Internet: uns têm links, vídeos e alta resolução, outros originalidade e inspiração. O Tendências do Imaginário já contempla três músicas de J.J. Cale: Cocaine (https://tendimag.com/2014/01/12/saudades-caseiras/), Call me the breeze e Magnolia (https://tendimag.com/2015/12/19/a-sanita-e-a-cocaina/). Acrescento Crying e After midnight (ao vivo com Eric Clapton).

J.J. Cale. Crying. Okie. 1974.
J.J. Cale e Eric Clapton. After Midnigh. Naturally. 1972 . Live at Crossroads Guitar Festival, Dallas, TX, 2004.

Serenidade

Não se ganha em amedrontar as pessoas. Seja qual for o motivo: tabaco, Covid-19 ou inferno. O medo torna as pessoas irracionais. Cabeça e coração. Um amigo, com sintomas graves, adiou vários meses a consulta médica; fumador, receava um cancro nos pulmões. Não era! O problema, grave e urgente, era outro e nada tinha a ver com o tabaco. O evangelho vigente por pouco não foi fatal. A campanha do medo é medonha. É com determinação e serenidade que se atravessa o abismo (AG).

“Não é necessário ter razões par ter medo” (Romain Gary, La vie devant soi, 1975).

Serenas são as canções de Katie Melua. Na intimidade, com o Gori Women’s Choir, em concerto na Irlanda do Norte ou durante o memorial das vítimas da guerra, com a presença da Rainha.

Katie Melua. Dreams On Fire. In Winter, 2016.
Katie Melua. The Closest Thing to Crazy. The Closest Thing to Crazy. 2003. Ao vivo em Belfast, 2004.
Kate Melua. I Will Be There. Ketevan. 2013. At The RBL Festival of Remembrance (09.11.2013). BBC One.

A música entre nós

Sem a música, o mundo seria um erro (Friedrich Nietzsche, Crepúsculo dos Ídolos, 1889)

Henri Matisse. La musique. 1910.

A música toca-nos. É uma ponte para afetos e memórias. O anúncio Crafting Memories – since 1925, da Bang & Olufsen, incide, precisamente, sobre esta relação entre a música e a memória partilhada. Recordo quando ouvi, pela primeira vez, a música Fast Car, da Tracy Chapman, no sótão da casa de uns primos a quem quero bem.

Marca: Bang & Olufsen. Título: Crafting Memories – since 1925. Agência: Camp David Film. Direcção: Stina Lütz. Dinamarca, Novembro 2020.
Tracy Chapman. Fast Car. Tracy Chapman. 1988.

Com o coração

Princepezinho.

Gosto da Lizz Wright, em particular do álbum The Orchard (2008).Um dos álbuns “recentes” que mais me cativou. Interpretações ao vivo impecáveis. O Tendências do Imaginário já contempla duas canções, por sinal, as mais populares, Coming Home e I Idolize You (https://tendimag.com/2016/08/16/greve-da-escrita/). Seguem mais duas: Speak Your Heart e Hit The Ground.

Lizz Wright. Speak Your Heart. The Orchard. 2008.
Lizz Wright. Hit The Ground. The Orchard. 2008.

Estética estática. Música chinesa.

Dali religious painting. Extract of Zhang Shengwen’s Huajuan Scroll (1180) held at the National Palace Museum.

Do Japão para a China. Impressiona a postura dos intérpretes das músicasThe legend of Westward Journey (série de TV de 2011) e Adventure of Dali Prince.Optam por uma actuação discreta, quase imóvel. Por vezes, parecem estátuas ou escudeiros dos instrumentos. O que desconcerta.

Zi De Gukin (?).The legend of Westward Journey. China.
Zi De Gukin (?). Adventure of Dali Prince. China.

Modernidade e tradição. Música japonesa.

Japanese digital Art

A indústria dos videojogos constitui uma actividade em crescimento acelerado.

Le revenu mondial du jeu vidéo est estimé à 81,5 milliards de dollars américains en 2014. Soit plus du double de celui du chiffre d’affaires de l’industrie cinématographique mondiale en 2013. En 2015, il est estimé à 91,5 milliards de dollars. / Les plus grandes nations selon les revenus estimés du jeu vidéo en 2016 sont la Chine (24,4 milliards de dollars), les États-Unis (23,5 milliards de dollars) et le Japon (12,4 milliards de dollars) (fonte : https://fr.wikipedia.org/wiki/Industrie_vid%C3%A9oludique).

O jogo “Red Dead Redemption 2”, lançado em 2018, facturou mais de 600 milhões de euros em três dias. No mesmo ano, o filme recordista de bilheteira Avengers: Infinity War não ultrapassou os 570 milhões de euros. Lançado em 2013,  o Grand Theft Auto V (GTA V) facturou €900 milhões. Trata-se de um fenómeno que abrange todas as idades: no conjunto dos jogadores do mundo, apenas um em cada cinco tem menos de 20 anos.

“Os videojogos agora são transversais. Nos anos 80, eram uma coisa de nicho, mas, com o passar do tempo, as crianças tornaram-se adultos e, agora, o jogo é para o pai e para o filho”, refere Tiago Sousa, da Associação das Empresas Produtoras e Distribuidoras de Videojogos (AEPDV). “É hoje um meio influenciador na cultura popular como poucos alguma vez foram.” (https://visao.sapo.pt/atualidade/economia/2018-12-09-o-negocio-dos-videojogos-e-um-faroeste/).

Um meio influente na cultura popular”, mas não só. Nas outras culturas, também. Os videojogos são uma esponja: absorvem, sem cerimónia, traços e valores culturais de todo o mundo. Mas também irradiam traços e valores culturais por todo o mundo. De uma forma polifónica. Envolvem texto, informática, psicologia, música, dança, desenho, audiovisual, mitologia… Particularmente admirável é a forma como convocam modernidade e tradição.

O grupo japonês 傷林果 (shōrinka) caracteriza-se pelo recurso a instrumentos musicais tradicionais. Em Bad Apple interpretam uma música associada ao videojogo Lotus Land Story (quarto jogo da franquia: Touhou Project), lançado em 1998.

Fernando e Albertino

Shourinka. Bad Apple.

Pomplamoose e Django Reinhardt

Pomplamoose

Pomplamoose é um grupo musical, um duo elástico, norte-americano. Publicou músicas próprias mas também cover,  com arranjos e interpretações notáveis. A música Les Yeux Noirs inspira-se na música homónima (1940) de Django Reinhardt, célebre guitarrista cigano pioneiro do estilo Gipsy Jazz. Segue a reinterpretação dos Pomplamoose e o original de Django Reinhardt.

Pomplamoose ft. The Vignes Rooftop Revival. Les Yeux Noirs (Dark Eyes). En Français. 2020.
Django Reinhardt & Quintette du Hot Club de France. Les Yeux Noirs. Parlaphone. 1940.

Agnes Obel

Agnes Obel

Agnes Obel é uma cantora, compositora e pianista dinamarquesa. As suas canções são despojadas, quase intimistas. Parece soprar uma chama que não quer apagar. Publicou quatro álbuns;  algumas músicas ultrapassam 25 milhões de visualizações. Segue The Curse, ao vivo em Berlim.

Agnes Obel. The Curse. Aventine. 2013. Berlin live session.

Master and Commander. Luigi Boccherini

Luigi Boccherini

Luigi Bocherini (1743-1805), compositor de origem italiana, radicou-se jovem em Espanha (1768). Sobre a vida de Luigi Bocherini, pode consultar-se: https://tendimag.com/2018/12/28/beleza-interior/. Acrescente-se que durante séculos repousou no lado cinza da fama. Em 1927, Benito Mussolini resolveu transladar os seus restos de Madrid para a igreja de sua terra natal, Lucca. Segue o Quinteto de Cordas em C Maior, Op 30 Nº 6, G324, tal como é interpretado na banda sonora do filme Master and Commander: O Lado Longínquo do Mundo (2003).

Luigi Bocherini. Quinteto de Cordas em C Maior, Op 30 Nº 6, G324, na versão do filme Master and Commander (2003).

Exaltação coletiva

A Alemanha é país de boa música. Mesmo quando o pop britânico dominava os tops, a Alemanha patenteava músicos e bandas de vulto. Recordo o Klaus Schulze, os Tangerine Dream, os Kraftwerk, os Can, os Nektar ou os Triumvirat. Na atualidade, a música alemã atravessa um bom momento. Algumas bandas inspiram-se na música medieval ou na fantasia. Notável é a interação com o público. Nada de novo, mas sempre surpreendente. Todos juntos, todos mobilizados. Um corpo coletivo uníssono num espetáculo total. Retenho três bandas: os Schandmaul; os Corvus Corax; e os Blind Guardian.

Schandmaul. Dein Anblick. Narrenkönig. 2002. Live aus der Kölner Lanxess Arena, 2018.
Corvus Corax. Platerspiel. Tritonus. 1995. Live in Berlin 2008.
Blind Guardian. Mirror, Mirror. Nightfall in Middle-Earth. 1998. Official Live Video.