Cultivar o futuro

Existem várias formas de cultivar, ou conquistar, mundos, sem que as sementes sejam fatalmente armas. A campanha equatoriana “Almax Mandarín” avança o seguinte provérbio: “O melhor momento para plantar uma árvore foi há 20 anos. O segundo melhor momento é agora”. Falta acrescentar que para que as árvores cresçam não basta terra, luz e água; são cada vez mais imprescindíveis bombeiros.
Garnier Ecuador creó para Minutocorp, en el marco del Año Nuevo Chino, la campaña ‘Almax Mandarín’, una propuesta artística que conecta con el sector de empresarios chinos que hoy representan el 77% de las importaciones en Ecuador.
Uma tábula rasa: a zona industrial de Alvaredo

Nos últimos anos, escrevi dois textos que acabaram por não ser publicados.
O primeiro, “Prado Subjetivo: metamorfoses de uma freguesia modernizada”, de 2019, ficou congelado no prelo. Coloquei-o no dia 7 de dezembro de 2025 como peça de arquivo no Tendências do Imaginário (ver Eu, a IA e o Ninho).
O segundo, “Uma tábula rasa: a zona industrial de Alvaredo”, de 2023, entendi enterrá-lo numa gaveta digital até eventual resgate futuro. Passo a arquivá-lo, também, neste blogue. Entretanto, no artigo “Quando a esmola é grande. A industrialização do interior”, no jornal Diário do Minho de 20.02.2024, retomei a reflexão, mas com outra abrangência. Seguem ambos os textos em pdf, sem mais comentários, “para memória futura”.
Texto 1: Uma tábula rasa: a zona industrial de Alvaredo
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Texto 2: Quando a esmola é grande. A industrialização do interior
“As da raia”, contrabando entre Galiza e Portugal
O jornal galego Faro de Vigo publica hoje, 25 de outubro de 2025, a reportagem “«As da raia», contrabando entre Galicia y Portugal”, da autoria de Malena Álvarez. O artigo focaliza-se em particular no concelho de Melgaço. Contém testemunhos de várias mulheres que intervieram no contrabando. Tive o gosto de colaborar, tal como o Américo Rodrigues. Para aceder ao artigo, carregue na imagem seguinte ou no endereço: https://www.farodevigo.es/estela/2025/10/25/as-da-raia-contrabando-galicia-123019046.html

Experimentar algo diferente
Nem só de música e imagem vive o ser humano. O Thomas Lima ousou sonhar diferente. E nasceu o Palatial Restaurant em Arcos, Braga, um espaço de sabor requintado. Segue uma reportagem do Porto Canal. Para aceder, carregar na imagem seguinte:

Acudiu-me, a propósito, algo apetitoso e refinado: a série de anúncios, iniciada nos anos oitenta, da Ferrero Rocher com o Ambrósio e a Madame.
Enfim, se dispuser de seis minutos e estiver interessado na história de um caso extraordinário de empreendedorismo, pode assistir a este pequeno documentário da Culture Pub sobre a família Ferrero, criadora de produtos/marcas de sucesso tais como Nutella, Tic Tac, Kinder (vários), Mon Chéri e, naturalmente, Ferrero Rocher. Carregar na imagem seguinte para aceder.

Sensibilidade à mudança

Será que as diversas formas de capital, designadamente o capital financeiro, estão mais atentas às mudanças sociais do que os governos? Nada a estranhar.
O anúncio “Gamer Loan”, do Banco del Pacífico, pela agência ParadaisDDB Ecuador, recebeu o Gran Effie da edição dos Effie Awards Latin America, bem como um Leão de Ouro no Cannes Lions Festival of International Creativity, ambos de 2024.
A Economia do Sexo

Da frugalidade de género no anúncio do artigo precedente à prodigalidade generosa do sexo no presente.
Bajo el lema “El sexo reactiva la economía”, Zurda Agency y Tulipán presentan su nueva campaña. “Porque para concretar, generalmente arrancamos por una cita y para eso, hay que invertir. Ya sea en una buena cena, ropa nueva o un corte de pelo, todo suma. Pero en tiempos en donde gastar está más difícil que nunca, Tulipán salió al rescate”, explican desde la agencia.
Para esto, crearon una plataforma con descuentos y beneficios con más de veinte marcas de distintos rubros como gastronomía, moda, estética, delivery y entretenimiento, para que la gente disfrute de sus relaciones con responsabilidad, y de paso, mueva el consumo.
“Sabemos que en primavera la gente tiene más ganas de hacer planes y conocer personas. Pero también entendemos que, con la situación económica, no es tan sencillo. Por eso creamos una plataforma con beneficios en más de veinte marcas que cubre todos los momentos de una cita: desde la preparación con ropa y peluquería, pasando por la salida en sí –ya sea una cena, cine o un show– hasta el posible cierre en un albergue transitorio”, comentó Victoria Kopelowicz, directora de Tulipán (https://www.adlatina.com/publicidad/tulipan-zurda-y-retina-lanzan-una-plataforma-para-reactivar-la-economia-con-sexo).
Avaliação dos impactos económicos e sociais da Guimarães 2012: Capital Europeia da Cultura. Relatórios

O blogue Margens acaba de publicar uma análise das repercussões da Capital Europeia da Cultura em 2012 no desenvolvimento do concelho de Guimarães, volvidos dez anos, da autoria de Samuel Silva, que integrou a equipa, que coordenei, do Instituto de Ciências Sociais responsável, a seu tempo, pela avaliação dos impactos sociais e culturais do evento. Pelo interesse, oportunidade e lucidez, recomendo o artigo E tudo se transforma? (https://margens.blog/2023/04/15/e-tudo-se-transforma/).
Aproveito o ensejo para partilhar dois relatórios, em português e inglês, da avaliação dos impactos económicos e sociais da Guimarães 2012 – Capital Europeia da Cultura, publicados em 2012 e 2013: intercalar (fevereiro de 2013) e final (setembro de 2013).
Guimarães 2012: Capital Europeia da Cultura. Impactos Económicos e Sociais. Relatório Intercalar – Fevereiro 2013 – Universidade do Minho:
Guimarães 2012: Capital Europeia da Cultura. Impactos Económicos e Sociais. Relatório Final – Setembro 2013 – Universidade do Minho:
Inflação, poder de compra e desigualdades sociais

O Xerfi Canal (https://www.xerficanal.com/) é uma “revista online sobre o mundo da economia, a estratégia e a gestão das empresas”. Publica diariamente um comentário temático conciso e claro, hoje, 19.01.2023, dedicado à evolução recente da relação entre a inflação, o poder de compra e os rendimentos. O foco é a França, mas estou em crer que a análise é extensível aos demais países da União Europeia, incluindo Portugal. Partilho o vídeo, em francês, seguido por uma tradução livre e algo apressada.
“Sondagem após sondagem, o poder de compra ocupa o primeiro lugar nas preocupações dos franceses. Isso não tem nada de surpreendente uma vez que há meses que os agregados domésticos evidenciam uma degradação clara da sua situação financeira e não aguardam nenhuma melhoria a curto prazo. Os dados do INSEE [equivalente francês do INE] comprovam-no. É verdade que o rendimento real dos franceses embora ameaçado não sofre uma quebra expressiva. Convém equacioná-lo por unidade de consumo de modo a contemplar o fato de, por um lado, se repartir por um número crescente de habitantes e, por outro, de a vida em comum permitir, graças a economias de escala, reduzir determinadas despesas tais como as do alojamento. A evolução da dimensão dos agregados domésticos possui também alguma importância.
Sob esta luz, a tendência resulta menos favorável: o poder de compra baixou 0,6% no ano passado, o que não é muito. Recuando um pouco no tempo, o poder de compra por unidade de consumo mantém-se acima do nível anterior à crise e, recuando ainda mais, o refluxo de 2022 não tem comparação com o registado entre 2011 e 2013. A estatística é, mais uma vez, posta à prova pela experiência da vida quotidiana e surge desfasada da realidade vivida por muitos cidadãos.
Para explicar este hiato, importa reconsiderar o fator atual que mais pesa sobre o rendimento: a descolagem dos preços no consumo. Trata-se de uma inflação geradora de desigualdades profundas. A progressão dos preços não é homogénea e incide, nos dois últimos anos, num núcleo principal, a energia, e num núcleo secundário, a alimentação. Por seu turno, os aumentos dos preços dos produtos manufaturados e dos serviços têm revelado maior contenção. Acontece que a exposição dos agregados domésticos, bastante elevada e muito concentrada, varia significativamente consoante o respetivo nível de vida, devido à estrutura do consumo acentuadamente diferenciada.
A fatura energética é um dos elementos inerentes ao alojamento. Para os mais desfavorecidos representa acima de 6% das suas despesas totais contra menos de 4% no topo da escala. O mesmo sucede no que respeita à despesa alimentar cujo peso diminui à medida que o nível de vida aumenta. A situação pode resumir-se da seguinte forma: a baixo nível de vida, preços altos; a nível de vida alto, preços baixos. Acresce uma amplificação conforme se seja rural ou urbano, por causa da progressão dos preços dos carburantes. Não existe, portanto, apenas um mas vários poderes de compra consoante o grau de exposição ao lote dos consumos mais inflacionistas.
Mas este não é o único fator de desigualdade. Subsiste outro mais importante associado à parte do rendimento consagrada ao consumo, logo diretamente impactada pela subida dos preços: 20% dos agregados domésticos mais modestos gastam mais de 97% dos seus rendimentos contra menos de 72% dos mais favorecidos, uma diferença de 26 pontos. Dito de outro modo, a quase integralidade do rendimento dos mais pobres é alocada às despesas quotidianas; em contrapartida, os mais favorecidos conseguem poupar cerca de 30%. O impacto é duplo. Primeiro, os franceses do topo conseguem manter o seu nível de despesas modificando a sua dosagem entre consumo e poupança; segundo, uma proporção dos seus rendimentos é parcialmente preservada pela evolução da remuneração das suas poupanças. Ocorre o contrário quando nos posicionamos no baixo da escala: quando os rendimentos não acompanham até à vírgula, ou quase, a evolução dos preços do respetivo cabaz, torna-se então necessário efetuar cortes claros nas despesas quotidianas porque não existe, ou existe muito pouca, gordura para ajustamento. Apenas um euro em cada três de despesas comprimíveis para estes; um euro em dois para os outros.
Em suma, para uma parte crescente da população rematar o fim do mês acaba por ser impossível sem recurso ao crédito renovável, também chamado crédito permanente ou revolving, modalidade de pagamento, uma espécie de reserva, geralmente associada a um cartão de crédito, cada vez mais mobilizada pelos agrupamentos domésticos para as suas compras correntes, cujas pendências estão em forte crescimento, embora partam de uma base baixa. A outra solução consiste no recurso às contas a descoberto, tendência manifesta no aumento explosivo da curva das contas correntes de débitos que já ultrapassam os 10 bilhões de euros e representam mais de 5% do conjunto dos créditos ao consumo, alcançando o nível mais alto dos últimos 20 anos. Constituem, porém, práticas onerosas que comportam um peso acrescido no orçamento dos agregados domésticos mais modestos. O sobre endividamento, que não parou de recuar desde meados dos anos 2010, corre seriamente o risco, neste contexto, de regressar em força nos próximos meses, apesar de um poder de compra, em aparência, em estado de Resistência.” (Alexandre Mirlicourtois. Un pouvoir d’achat en chute libre? La réalité des chiffres. Xerfi Canal. 19.01.2023: https://wordpress.com/post/tendimag.com/55467. Consultado em 19.01.2023.
O Príncipe e a Fábula das Abelhas

“Pois, se bem considerado for tudo, sempre se encontrará alguma coisa que, parecendo virtude, praticada acarretará ruína, e alguma outra que, com aparência de vício, seguida dará origem à segurança e ao bem-estar” (Maquiavel. O Príncipe. 1532. Capítulo XV).

Acordei virado do avesso, os pés no lugar da cabeça, e uma insólita tentação de revisitar O Príncipe (1532), de Nicolau Maquiavel, e A Fábula das Abelhas (1714), de Bernard Mandeville. Atordoa-me um turbilhão de dúvidas e perplexidades.
O maquiavelismo é a forma mais maléfica de equacionar a política? E a missão do político ganha em ser aproximada da santidade?

Assediam-me fantasmas, pouco católicos, que subjugam as más consequências às boas intenções. Por exemplo: a perversidade apologética da honestidade; o cortejo de sentenças espetaculares antecedentes a investigações e julgamentos arrastados; o coro mediático como júri e a massa como patíbulo; os magistérios e os ministérios como mistérios previsíveis; a legislação do nojo político como nojo da legislação política; a realidade refém da aparência, a suspeição erigida em regra e a confiança em exceção; a vigilância das marionetas e a invisibilidade dos cordéis; a desgraça da política e a glória do oportunismo; a desvalorização dos cargos visando a excelência dos ocupantes; a navegação sem norte aspirando abarcar, assim, o mundo; o homem sem qualidades à espera do salvador iluminado; o povo a marinar no lume brando do populismo: e mais uma orgia de aporias e paradoxos gastos e recorrentes. Em suma, um simulacro transgénico que coteja contrários: puritanismo e irresponsabilidade, soberba e miopia, com inestimável incidência no destino da sociedade. Segue o poema A Fábula das Abelhas, de Bernard Mandeville, merecedor de atual e redobrada consideração.



