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A queima dos vampiros

Edvard Munch. Vampire. 1895.

O prazer da escrita é pecado? E a originalidade, um vício? As letras deitam-se cada vez mais em latas de conserva.

Para a crença popular, retomada numa multidão de livros, filmes e imagens, o vampiro é um morto que sai do túmulo para sugar o sangue dos vivos. Na Idade Média, para impedir a fuga da sepultura dos mortos suspeito de vampirismo, prendiam-se e profanavam-se os cadáveres trespassando-os com estacas, colocando pedras na boca e deformando os esqueletos.

“O mal não tem fim. Resiste e ressurge. Como o Drácula e os mortos vivos. Para o mal, a morte não é obstáculo incontornável, não é, como se diz, sono eterno. Receosas e vulneráveis, as comunidades humanas previnem-se. No pesadelo medieval, a morte não é irreversível. O morto pode regressar do além para molestar os vivos. Importa proteger-se.
Neste quadro mental, há cadáveres que, pela sua vida terrena, são ameaças mesmo após a morte. Na Polónia, na Bulgária, na Irlanda e na Itália, foram descobertos túmulos medievais e pós-medievais com esqueletos de corpos brutalizados: pedras e tijolos enfiados na boca e na garganta, cabeça deslocada entre as pernas, corpos cravados com estacas, imobilizados com forquilhas… São “esqueletos de vampiros”. Pertencem a cadáveres de presumíveis vampiros (undead, em inglês, ou revenants, em francês). Para maior imunidade, impunha-se evitar a saída do túmulo e o regresso aos vivos” (Albertino Gonçalves; ver continuação no artigo Exorcismos: https://tendimag.com/2017/08/15/exorcismos/).

O vampiro é um devorador. Devora o outro e a si mesmo, esvaziando ambos. O vampiro é um insaciável instável. Um tormento sem limites.

“A tradição quer que aqueles que foram vítimas dos vampiros se transformem, por sua vez, em vampiros: são, ao mesmo tempo, esvaziados do seu sangue e contaminados. O fantasma atormenta o ser vivo com o medo, o vampiro mata-o apoderando-se da sua substância: ele só sobrevive através da vítima. A interpretação funda-se, neste caso, na dialéctica do perseguidor-perseguido. O vampiro simboliza o apetite de viver, que renasce quando o julgávamos apaziguado” (Alain Gheerbrant & Jean Chevalier, Dictionnaire des Symboles, 1969).

Os vampiros integram o regime nocturno, sombrio e lunar mas fecundo (Gilbert Durand, As estruturas antropológicas do imaginário, 1969). O regime solar, a luz do dia, é-lhes fatal. São prisioneiros da noite. É este o mote da espectacular campanha brasileira The Vampire Poster, para a série The Passage, da Fox. Cartazes com imagens de vampiros, pintados no dorso com tinta inflamável, incendeiam-se ao nascer do sol em diversos locais da cidade de São Paulo. O fogo reduz a cinzas e purifica. Na publicidade ainda há criatividade, criatividade que me parece definhar em vários templos da cultura.

Queimas, há muitas! Do Judas, da velha, do velho, das bruxas, dos hereges, das fitas… Queima-se o frio no São Martinho e a noite no São João. Queima-se o galo em Barcelos. Tudo se queima, tudo se regenera, tudo se purifica. Queimamos tudo, queimamos tudo, e não deixamos nada. Mas as cinzas não são cinzas, não; são sementes, sementes da nossa condição.

Marca: Fox Channel. Título: The Passage. The Vampire Post. Agência: BETC São Paulo. Brasil, Maio 2019.
José Afonso. Os Vampiros. Ed. Original: Baladas de Coimbra, 1963. Ao vivo no Coliseu em´1983.

Com a verdade me enganas

As imagens-choque dos maços de tabaco – que passaram a ser obrigatórias faz hoje três anos – não surtem efeito junto da maioria dos consumidores e a própria Direção-Geral de Saúde admite não ter estudos que confirmem o impacto desta medida. Há quem escolha os maços em função das fotografias menos chocantes, mas, apesar de ligeiras flutuações, as vendas não apontam para uma forte quebra. Este ano, há sinais que indicam mesmo uma subida. Até abril, os dados da Autoridade Tributária mostram que a indústria colocou no mercado 3,1 mil milhões de cigarros contra 2,3 mil milhões em 2018 (aumento de 31%) e 2,8 mil milhões registados em 2016, quando a medida entrou em vigor (Ana Rita Seixa e Dina Margato, “Três anos de imagens-choque não demovem consumidores de tabaco”, Jornal de Notícias, 20.05.2019).

Para o ano, se Deus quiser! Em Portugal e noutros países. No entanto, a razão e o bem estão do lado dos pregadores. O medo é uma forma de recurso pedagógico. Parece funcionar com os animais. Por que não com os fumadores? Vale, porventura, a pena enganar as pessoas com a verdade.

Duas imagens da campanha anti tabaco são acompanhadas pela seguinte mensagem: “Fumar provoca 9 em cada 10 cancros do pulmão”. Os números variam de país para país e de região para região. A Roche adianta que “a nível mundial, uma em cada quatro pessoas vítimas de um cancro do pulmão nunca fumou (fonte:  SUN S et al. Lung cancers in never smokers. A different disease. Nature Review Cancer 2007;7 :778-790). Dr. Sergio Salmeron & Pr. Jean Trédaniel apresentam um gráfico que tem o interesse de distinguir os ex-fumadores: em França, em 2010, 49,2% das mortes por cancro do pulmão foram de fumadores, 39.9% de ex-fumadores e 10.9% de não fumadores (http://www.sfrnet.org/rc/org/sfrnet/htm/Article/2013/20130715-130826-576/src/htm_fullText/fr/donn%C3%A9es%20%C3%A9pid%C3%A9miologiques%20r%C3%A9centes.pdf).

Enfim, qual é a probabilidade de morrer com um cancro do pulmão? Em Portugal, em 2010, a taxa de incidência bruta é 35.8 por 100 000, e a taxa padronizada 26.5 por 100 000 (Portugal Doenças Oncológicas em Números – 2015, Direcção-Geral da Saúde, Lisboa, 2016). Perdi horas à procura de taxas de incidência da morte por cancro do pulmão nos fumadores e nos não fumadores. Arrisco uma estimativa: cerca de 64 por 100 000 no que respeita aos fumadores e 6,2 por 100 000 para os não fumadores: 64 por 100 000 correspnde 0.064% (Hammond et al. Ann NY Acad Sci 1979; 330: 473-90; http://www.sfrnet.org/rc/org/sfrnet/htm/Article/2013/20130715-130826-576/src/htm_fullText/fr/donn%C3%A9es%20%C3%A9pid%C3%A9miologiques%20r%C3%A9centes.pdf). O assunto não justifica mais perda de tempo. Que a taxa de mortalidade do cancro do pulmão nos fumadores ronde os 64 por 100 000 assusta-me menos e informa-me mais do que “fumar provoca 9 em cada 10 cancros do pulmão”. Acho que vou adiar, por um tempo, a compra da sepultura. Tudo isto é mórbido e necrófilo. Tudo isto existe, tudo isto é triste, mas não é fado. A fumar à entrada do edifício, a maioria dos amigos e colegas acenava-me com o espantalho da morte. Não era para menos: “fumar provoca 9 em cada 10 cancros do pulmão”. Tentavam ressuscitar-me.

Pink Floyd. Have a cigar. Wish you were here. 1975.

O sismo do amor

Mordillo. Les couples. 1997

O amor ainda existe. Violento! Um amor cósmico. Magoado, o coração rasga o chão. Palpita e a terra treme. Edith Piaff e Buster Keaton, paixão e elegância. Um belo anúncio da Lacoste.

Marca: Lacoste. Título: Crocodile Inside. Agência: BETC (Paris). Direcção: Megaforce. França, Maio 2019.

Cheirinho a bebé

Ecover. L’eau de bébé. 2019.

Pierre Bourdieu sustenta que os cientistas e os artistas têm “interesse no desinteresse”. Não sou artista nem cientista. Tenho “desinteresse no interesse”. Escrevo o que quero, como quero, para quem o entender (Albertino Gonçalves).

Admiro Edgar Morin desde a adolescência. “Troquei”, criança de vinte e poucos anos, argumentos com Edgar Morin, num colóquio na Sorbonne, a propósito da Sociologia do Conhecimento, do intelectual e de Karl Mannheim (Cahiers Internationaux de Sociologie: Sociologies, vol. 71, 1981). Em Para Sair do Século XX (1981), Edgar Morin conta uma história acerca da realidade da ilusão:

A testemunha caminhava ensimesmada quando é abalada por um acidente. Um mercedes não respeita o sinal vermelho e embate num citröen “dois cavalos”. Aproxima-se e constata, contrafeita, que foi, afinal, o citröen que embateu no mercedes: a frente do citröen estava desfeita e o mercedes apresentava uma amolgadela lateral. De qualquer modo, a testemunha insiste que foi o mercedes que desrespeitou o sinal vermelho. Visto com os seus próprios olhos! Que não, afirma o dono do Mercedes! Que não, confirma o condutor do citröen.

A testemunha testemunhou. Ao observar, configura e fabula o mundo e a experiência. O mercedes bateu no citröen e desrespeitou o sinal vermelho. Uma ilusão generosa! “Temos todos tendência a ver na força um culpado e na fraqueza uma vítima inocente” (Milan Kundera, A insustentável leveza do ser, 1984). Compaginamos a realidade segundo os nossos valores e esquemas mentais.

Quem conta um conto acrescenta-lhe um ponto. Este episódio ilustra a reificação da consciência (Georg Lukács, História e consciência de classe, 1923; Joseph Gabel, La Fausse Conscience, 1962). A testemunha capta um mercedes a chocar com um citröen e a desrespeitar um semáforo. Um mundo animado por objectos. Quem desrespeita não é o mercedes mas o condutor. Neste relato, os condutores são apêndices dos objetos.

A propósito da percepção, Jean Cazeneuve (Les pouvoirs de la télévision, 1970) enuncia os quatro passos da recepção de uma mensagem televisiva: exposição selectiva; retenção selectiva, interpretação; e memorização. Um telespectador presta atenção a determinados programas, ignorando os demais. Nalguns casos, a influência potencial de uma emissão nem sequer começa. Por outro lado, o telespectador retém apenas uma parte do que vê; ignora a informação restante. A testemunha, da infinidade de estímulos que a rodeiam, fixa-se no choque das viaturas. Acresce que a recepção do telespectador é, intrinsecamente, configuração e atribuição de sentido. A recepção releva da “semiose social” (Eliseo Verón, Conducta, Estructura y Comunicación, 1968). A testemunha interpreta a realidade consoante a sua “maneira de agir, pensar e sentir” (Émile Durkheim, As regras do método sociológico, 1895). Por último, a memorização: pouco recordamos do que vivemos. Como diria Arthur Conan Doyle, somos, para nosso próprio bem, cangalheiros da própria experiência.

“Para mim, o cérebro humano, em sua origem, é como um sótão vazio que você pode encher com os móveis que quiser. Um tolo vai entulhá-lo com todo tipo de coisa que for encontrando pelo caminho, de tal forma que o conhecimento que poderia ser-lhe útil ficará soterrado ou, na melhor das hipóteses, tão misturado a outras coisas que não conseguirá encontrá-lo quando necessitar dele (…) É um engano pensar que o quartinho tem paredes elásticas que podem ser estendidas à vontade. Chega a hora em que, a cada acréscimo de conhecimento, você esquece algo que já sabia. É da maior importância, portanto, evitar que informações inúteis ocupem o lugar daquelas que têm utilidade” (Arthur Conan Doyle, Um estudo em vermelho, 1888).

Esta crença do Sherlock Holmes pertence àquelas que, erradas em teoria, funcionam acertadamente na prática (Vilfredo Pareto, Tratado de Sociologia Geral, 1916). Retomemos Edgar Morin:

“Todo conhecimento comporta em si mesmo o risco do erro e da ilusão. A educação do futuro deve enfrentar o problema com duas faces do erro e da ilusão. O maior erro seria subestimar o problema do erro, a maior ilusão seria subestimar o problema da ilusão. O reconhecimento do erro e da ilusão é tão mais difícil que o erro e a ilusão não se reconhecem, minimamente, como tais (…) Nenhum dispositivo cerebral permite distinguir a alucinação da percepção, o sonho da vigília, o imaginário do real, o subjectivo do objectivo” (Edgar Morin, Les sept savoirs nécessaires à l’éducation, texto publicado pela Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura, em 1999).

Marca: Ecover. Título: L’eau de bébé. Agência: Uncommon London. Reino Unido, Abril 2019.

Este desperdício de ideias vem a propósito do anúncio britânico L’Eau de Bebé, da Ecover. A publicidade conhece o poder do sensitivo e do afectivo ancorados em mitos e arquétipos. O anúncio controla o nosso olhar. Concentra-o e perspectiva-o num equilíbrio envolvente que raia a obsessão. Uma fixação circular em torno do homem, do bebé e da embalagem de Eau de Bébé. Na parte final, a embalagem de Eau de Bebé retoma, no feminino e, eventualmente, no homossexual, as imagens precedentes com o homem e o bebé, dois momentos do mesmo ciclo.

O homem objecto lembra o belo Adónis, criado e disputado por Afrodite e Perséfone. O menino lembra Cupido e as mulheres, vestais zeladoras da virgindade e do aroma do detergente da Ecover. O ambiente é celestial. Tipo Olimpo. Tudo muito asseado: o bebé, o adulto, as vestais, os pedestais e a poção mágica:

“Let babies smell like babies. Choose Ecover Zero. A laundry liquid with zero fragrance for zero baby scent interference. It’s Allergy UK approved” (Ecover Zero).

O anúncio da Ecover focaliza, embacia, desloca e satisfaz o olhar. O Eau de Bébé é uma dádiva dos deuses, um cheirinho a criança sem fraldas nem bolsados. Tudo é higiene e amor. Até o cérebro fica mais lavado. O que a publicidade não faz por nós!

Brigada Victor Jara. Ó Menino Ó. Tamborileiro. 1979.

Género e violência

Mortes de LGBT, por ano, no Brasil. Fonte: Grupo Gay da Bahia.

Não aprecio anúncios de autopromoção, independentemente da categoria social, inclusivamente de género. Mas incomoda-me a discriminação, frequentemente, violenta de que são vítimas os LGBT. O anúncio brasileiro Thierty-Five, da Athosgls, está bem concebido. A parte final é excelente. O cover da canção Forever Young, dos Alphaville, pelo braileiro Liniker, é notável.

“No Brasil, devido à violência e ao ódio, a expectativa de vida de pessoas trans é de apenas 35 anos, metade da expectativa da população cisgênero. Esse dado é brutal e é a mensagem entregue nesse filme para o Portal de notícias LGBTQI+ Athosgls” (Athosgls Brasil).

Marca: Athosgls Brasil. Título: Thierty-Five. Agência: Young & Rubicam. Brasil, Abril 2019.
Alphaville. Forever Young. Forever Young. 1984.

Um pouco de céu

Encounter by M.C. Escher, 1980

A liberdade é poder escolher as suas cadeias (AG).

As cadeias são compostas por laços e acasos. Algumas são circulares: passam pelo ponto de partida, à semelhança de algumas gravuras de M.C. Escher. As cadeias, nem líquidas, nem sólidas, porventura moles, estão em voga. O anúncio The Red Ball, da Mastercard, é uma cadeia galáctica, com “um pouco de céu”: Ana Ivanovic, Annika Sorenstam, Bryan Habana, Dan Carter, Lionel Messi, Neymar Jr., Valeri Kamenskyco… Por mais estrelas que convoque, o esquema deste anúncio não é novo.

Marca: Mastercard. Título: The Red Ball. Agência: McCann XBC New York. Direcção: Rodrigo Saavedra. Estados Unidos, Abril 2019.
Fleetwood Mac. The Chain. Rumours. 1977.
Mafalda Veiga. Um pouco de céu. Tatuagem. 1999.

A salvação e o vício

Santé Publique France. #MoiSansTabac. 2018

Fumar mata, deixar de fumar é uma tortura, não fumar é uma salvação. Um mês sem cigarros e uma pessoa sente-se “mais zen, mais forte, mais livre”. Não há salvação sem sacrifício, sem alteração. O tabaco é a incarnação contemporânea do mal. Desde o fumo até à cinza. A profecia da desgraça é uma profecia da salvação, assente na conversão dos ímpios. Os ex-fumadores lembram os mouriscos, os cristãos novos ou, por exemplo, Madelena, a pecadora bem-aventurada. Assim reza a palavra refastelada no trono da verdade.

Atendendo à vulgata antitabaco, o anúncio #MoiSansTabac, da Santé Publique de France, revela-se interessante. Não promete a morte, mas uma vida melhor. Não mente com a verdade mas empenha-se na partilha da experiência. Tem, sobretudo, a vantagem de alertar os fumadores para a dificuldade de deixar de fumar. Visa o abandono do tabaco, sem incriminar os fumadores. Abre janelas de esperança, onde lavrava a retórica da condenação. Justifica, no entanto, uma reserva: o anúncio envereda pela metáfora do jogo, mas a vida não é um jogo, tem carne e osso. Oxalá esta nova sensibilização pegue! A anterior tornou-se enfadonha e sinistra. Afirmar que os fumadores vão morrer de alguma doença é pouca comunicação para tanto altifalante, tanta verdade decretada.

Anunciante: Santé Publique France. Título: #MoiSansTabac. França, Outubro 2018.

O paradoxo da relação com o mundo

“No suor do teu rosto comerás o teu pão”; e pensarás com a cabeça dos outros.

WWF. TooLatergram. 2018.

Não estrague o futuro, cuide dele no presente. Perca-se na televisão, no telemóvel e na Internet, mas não esteja sempre absorto e distraído. Também existe o mundo, perto e longe. Os distraídos são, neste mundo, abençoados com o lixo.

Perspetiva-se a mineração de lítio e outros minerais no território do Fojo, junto ao Parque da Peneda-Gerês, nos concelhos de Melgaço, Monção e Arcos de Valdevez. O Fojo é uma extensa área natural “milagrosamente” preservada. A mineração pode ter um efeito ambiental devastador.

Quando focamos imagens como as do anúncio da WWF, concluímos com os nossos botões: isso é no mundo, não é aqui. E “sofremos à distância” com um mundo que, pelos vistos, não é o nosso. A nossa propensão para o simulacro de generosidade não tem limites. Há desflorestação, poluição química, esventramento do solo e outras desgraças, mas não neste “cantinho do céu” que pisamos todos os dias. O mundo está, assim, sempre longe; é um dos paradoxos da humanidade e um dos problemas da cidadania.

Anunciante: WWF. Título: #toolatergram. Agência: TBWA Paris. França, Março 2018.

A beleza da biodiversidade

Apple. Don’t Mess With Mother. 2019.

Quando se aposta, com arte, na estética o resultado é compensador. O anúncio Don’t Mess With Mother, da Apple, é um hino à biodiversidade. Ao ritmo heavy metal da canção Last Rites dos Megadeth. Os autores do anúncio tiveram a sageza de dispensar a besta humana. Preferiram uma avalancha. Há marcas que são um expoente da publicidade.

Marca: Apple. Título: Don’t Mess With Mother. Estados Unidos, Abril 2019.

Macnífico

“Académico já foi um adjectivo nobre. Anda mas é um pouco desgastado. Outros nomes se levantam, como Merceeiro e Patrulheiro. Quando batizei o primeiro filho cismei chamar-lhe Académico, mas no registo confundiram as letras e ficou Américo. Ainda agora tenho pena: gostava que o meu filho fosse Académico” (Anónimo).

Kermit, Denise e a maçã

Tantas estrelas, uma estrela: a maçã. Os utilizadores de Macs são o máximo. Desce uma espécie de aura sobre o consumidor: sou como os maiores, sou Mac. É macnífico! O consumo à frente, a produção atrás. Mais do que um consumidor, sou um utilizador de Mac. O importante, a rosa, sou eu mais aquelas estrelas todas: a Serena, o Bono, a Oprah… Creio que é uma fórmula de marketing antiga.

“The 60-second spot is composed of black-and-white still images featuring famous and not-so-famous people toiling away on their Macs: Serena Williams peering down at her screen, Paul McCartney in his studio, Kermet the Frog and Anna Wintour at their desks, Malala Yousafzai and Dave Grohl each engrossed in their work, Oprah and Bono collaborating. Interspersed are scenes of Mac users in cafes and school or out in the elements, studying, sleeping and browsing” (https://adage.com/creativity/work/apple-behind-mac-make-something-wonderful/955971).

Marca: Apple. Título: Behind the Mac. Estados Unidos, Outubro 2018.