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Piscar ou não piscar, eis a questão!

Nextel Argentina. Ojos. Junho 2012

Há anúncios assim. Comparativamente longos, optam por se atardar em torno de um assunto lateral. Em Papadeos, da Honda, o produto propriamente dito é abordado na parte final. O corpo e a conclusão do anúncio requerem, no entanto, algum tipo de ligação. É frequente a ligação entre o tema e o produto convocar as figuras do excesso e da exceção. Por excesso, a mulher, ofuscada pelo Honda, não conseguiria parar de pestanejar. O anúncio aposta, porém, na exceção: seduzida pelo automóvel, a mulher, contra a natureza humana, deixa de pestanejar.

Acrescento o anúncio argentino Ojos, da Nextel. Enternecedor, também incide sobre o ato de pestanejar.

Sem pestanejar. Tendências do Imaginário, 26.12.2013
“Teus olhos risonhos / são mundos são sonhos (Alves Coelho). Tendências do Imaginário, 24.06.2012

O beijo da lua ao sol

Fase inicial de um eclipse solar

Nos artigos O Beijo e Voz extrema, ambos de 12 de agosto de 2013, encontra uma imagem do “Beijo” (1888-89) de Rodin e o anúncio “Kiss” (2009) da Topline, que pode acompanhar com as canções “Sanvean” (1994) de Lisa Gerrard e “Der Nussbaum” (1983) de Klaus Nomi.

O Beijo. Tendências do Imaginário, 12.08.2013
Voz extrema. Tendências do Imaginário, 12.8.2013

Arte e ideologia

Guilherme de Santa-Rita – Cabeça, 1910

Já estou quase fora de Portugal. Respiro outro ar, mas continuo entretido a jogar aos sociólogos.

.08.20Futurismos. Tendências do Imaginário, 2015

As Novas Misericórdias

Giovanni da Gaeta – Mater Misericordiae, 1448. Wawel Royal Castle

Sexídio e calças de ganga

Pablo PIcasso – Figuras à beira mar (O beijo). 1931, Museu Picasso de Paris

São apenas palavras à solta, desatinadas, escritas no mesmo dia, 19 de julho, há uma dúzia de anos, em 2014, junto à praia, com o mar pasmado.

Bosque de medíocres

Em bosque de medíocres, resulta difícil a qualidade vingar. Se existe algo de que os incapazes são capazes é secar, derrubar ou queimar qualquer árvore que se distinga.

“El Empleo” (o Emprego) – Curta-metragem de animação com direção de Santiago ‘Bou’ Grasso & Patricio Plaza. Fondo Nacional de la Artes. Argentina, 2008

Entroncamento auspicioso

Carrefour. La relación Precio Calidad. Argentina, 2025

Um dia, faz 43 anos, no Carrefour (encruzilhada), o preço e a qualidade encontraram-se, encetando uma história de amor feliz sem fim à vista, a não ser que, por capricho do mercado, o ponto de encontro, o Carrefour, feche as portas, como aconteceu em Braga, deixando saudades, pelo menos, aos francófilos.

Anunciante: Carrefour. Título: La relación Precio Calidad. Agência: Mercado McCann. Direção: Watta Fernández. Argentina, setembro 2025

Ver a cara a Deus

Tulipán. Verle la cara a Dios. Argentina, setembro 2025

Ainda é domingo. Deixo o comentário do anúncio argentino “Verle la cara a Dios”, da Tulipán, para outros, mais entendidos.

“Tulipán insiste en recordar que el placer importa, merece un lugar central y debe vivirse con respeto y cuidado. Debido a que el lanzamiento llega en un momento donde conviven la hipersexualización, la sobreexposición y el acceso ilimitado a porno con poca educación sexual. Paradójicamente, el deseo parece a la baja: menos ganas, más apatía.
Victoria Kopelowicz, directora de la marca, expresó: “‘Verle la cara a Dios’ es la forma más argentina de describir el máximo placer, y es exactamente eso lo que queremos transmitir con nuestra nueva línea de productos.” (Adlatina: Preestreno: Zurda y Tulipán anuncian una nueva colección de juguetes sexuales para “Verle la cara a Dios” )

Marca: Tulipán. Título: Verle la cara a Dios. Agência: Zurda Agency. Direção: Carmen Rivoira. Argentina, setembro 2025

O papel como destino

Imagem colocada por Almerinda Van Der Giezen, no Facebook, em 26.08.2025

Há imagens que valem mais do que mil palavras.

Consta que Prometeu trouxe o fogo e o progresso. Pois, parecem insinuar-se espectros de árvores em papel precoce.

Uma espécie de memento mori?

Acode-me um artigo publicado há dez anos, no dia 30 de agosto de 2015, O Abismo, que anexo.

Imagem: Jan Cossiers – Prometeo trayendo el fuego, 1636-1638. Museu do Prado

O abismo (30.08.2015)

Incêndio em Caminha. 2015

Em 2012, participei num documentário dedicado a uma árvore de Guimarães. Competia-me cuidar do simbolismo. A árvore é um ser cósmico vivo que acolhe a vida. Agarra-se à terra, bebe água, eleva-se no ar e consume-se no fogo. É uma ponte vertical entre as profundezas da terra e as alturas do céu. Há quem associe a árvore ao sagrado. E ao demoníaco, também. A árvore ergue-se como um marco da memória individual e colectiva. Quando regresso às origens, visito as árvores: a pereira e a tangerineira partiram sem avisar. Menos dois troncos de memória, menos dois anjos da guarda. Valem-me, para compensar, as rotundas e os semáforos. O anúncio Farewell to the forest, da Unilever, sublinha que, no mundo, a cada minuto, é desarborizado o equivalente a 36 estádios de futebol. Um abismo!

O antropólogo George Condominas publicou, em 1957, o livro Nous avons mangé la forêt (Comemos a floresta; Paris, Mercure de France). Estuda os Mnong-Gar dos planaltos do Vietname. Tinham o seguinte costume: num ano, desbastam uma parte da floresta onde semeiam, por exemplo, arroz; no ano seguinte, cortam outra parte da floresta. Ano a ano repetem a proeza. Até que, volvidos vários anos, regressam ao início onde os espera uma floresta recomposta. E recomeçam “a comer a floresta”… É possível explorar a floresta sem a destruir.

Marca: Unilever. Título: Farewell to the forest. Agência: David Buenos Aires/Ogilvy & Matter. Direcção: Nico Perez Veiga. Argentina, Agosto 2015.