O voo da monstruosidade interior



Colocado entre A cor do abismo, no dia 20, e Um silêncio de morte: Goya, dia 28, Leveza e turbulência na pintura de Goya, no dia 25, completa a tríade de artigos substantivos dedicados a Goya no mesmo mês de julho de 2017. Um indício provável do estado de espírito, e do corpo, em que me encontrava então mergulhado.
Imagem:
Goya – Autorretrato , ca. 1796. The Metropolitan Museum of Art
Pró criativo. Futebol e natalidade

Ao basculhar o passado do blogue, constato, pela presença do tema do futebol, que julho costuma ser o mês do mundial. Não tenho relevado os artigos correspondentes, mas Futebol e natalidade merece distinção. Pela ponta de humor prazenteiro com que aflora um dos principais problemas do mundo ocidental: a baixa natalidade.
Chamar a música
A par da imagem e do pensamento, a música constitui, desde o início, uma das apostas do blogue Tendências do Imaginário. Embora crucial, o principal critério de seleção não é nem o meu gosto nem o dos seguidores. O intuito decisivo consiste em mostrar a imensa diversidade de músicas notáveis (não necessariamente notórias) independentemente do género ou da proveniência. Espelha a insatisfação com as paradas, os intérpretes e os críticos que nos são servidos pela comunicação social predominante.
As músicas dos artigos The earth is my grave (de 17 de julho de 2014) e Vozes (de 17 de julho de 2019) são bastante diferentes. Identifico-me com o cantor norte-americano Don McLean e aprecio o compositor belga Nicholas Lens.
Umbigos

Segundo Sigmund Freud, à fase oral, segue-se a fase anal; pelos vistos, há quem fique bloqueado entre as duas, ao nível do umbigo, na fase umbilical (a partir de Guy Bedos)
Junto os artigos Umbilicados, narcisistas e egoístas (16.07.2018), Avatar narcisista (10.12.2017) e Nota de rodapé (26.11.2016).
Diagonalização do Poder

Le rire est une bouée de sauvetage / O riso é uma bóia de salvação (Michel Serrault)
Le rire libère l’homme de la peur / O riso liberta o homem do medo (Dario Fo)
O artigo Hierarquias na horizontal, colocado no Tendências do Imaginário no dia 14 de julho de 2018 inspira-se no maneirismo seiscentista. Como diriam os medievais francófonos, é uma drôlerie (gracejo), um sintoma, talvez, de quem tem muito tempo no presente e pouco pela frente.

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Que contento estoy!

Alguém se lembra do boneco Macario de um programa de humor da televisão espanhola dos anos oitenta? Celebrizou a expressão “Que contento estoy”. Pois, que contento estoy! Por um lado, terminei um prefácio que se arrastava; por outro, Bruno Aveillam, o meu realizador preferido de anúncios publicitários, acabou de colocar três corações no meu artigo Beleza Tranquila, de 13 de junho de 2026.
Imagem: Starlux puzzle. Macario. Detalhe
Em jeito de celebração, resgato três “artigos do dia” com anúncios notáveis: O sorriso dos alimentos, de 2020; Do You Fantasy?, de 2014; e Uma espécie de spoiler, de 2012, este último com um anúncio dirigido referido pelo próprio Bruno Aveillan. Acrescento um pequeno excerto de um episódio do programa “Jose Luis Moreno y su Macario”.

Des-graças

Continuo pouco criativo. Nem sequer adianto um prefácio urgente. Entretenho-me a repescar “artigos do dia”, com dificuldade de amostragem. As flores do mal, de 2019, encerra um isco que me assombra: a ambivalência do mal. Adiciono, a preceito, a curta-metragem disfórica The Gloaming (14 minutos), extraída do artigo Descontrolo, de 2012.
O fumeiro e a cesta dos pregos

Outrora, brincava-se com o fumo; hoje, exorciza-se. Da inspiração para a expiração. “Na publicidade dos anos sessenta, os cigarros faziam bem à saúde e o fumador era um homem de sucesso (…) Nos anos 2 000, o tabaco é um veneno e o fumador, um cadáver em potência.”
Imagem: Biblioteca Escolar do Agrupamento de Sande, 2015
Recoloco dois artigos a este título exemplares: “Consolo tóxico”, de 2020, e “Arcanjos e anjos da guarda”, de 2015.


