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O roubo da identidade

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O anúncio Replacement, da Starburst, é um resquício da temporada do Halloween. Versa sobre um roubo de identidade, que acaba por excluir uma criança do seu mundo familiar. No poema Deus, Maria Helena Amaro escreve: “Roubem-me tudo, mas não me roubem Deus!” Uma canção popular elege a cachaça: “Pode-me faltar tudo na vida (…) só não quero que me falte a danada da cachaça”. Pois, salvaguardando Deus e a cachaça, não deve existir pior roubo do que o roubo da identidade. A canção Epígrafe para a arte de furtar aborda o tema: “e de mim mesmo / todos me roubam”.

Marca: Starburst. Título: Replacement. Agência: Team Collaboration. Direcção: Christopher Leone. Estados Unidos, Outubro 2017.

José Afonso. Epígrafe para a arte de furtar. Traz outro amigo também. 1970.

Absurdo sem gelo

Trident Sniper

Se fazer rir é difícil, criar o absurdo não é menos. E se o absurdo não apelar ao estranho mas ao familiar, o caso ainda é mais problemático. Uma narrativa absurda não precisa de mudar nem o cenário nem os protagonistas. O mesmo cenário, os mesmos actores, do princípio ao fim. O absurdo inteligente é simples: basta operar uma quebra de sentido numa sequência banal, um desvio insólito, por exemplo, a intrusão da legenda no enredo do filme, um thriller para não variar. O anúncio Sniper, da Trident, é perfeitamente absurdo. Aproveito para recomendar outro anúncio da Tridente: Pet store, de 2012: https://tendimag.com/2012/10/22/surreal-2/.

Marca: Trident. Título: Sniper. Agência: JWT (Porto Rico). Direcção: Luís Gerard. Porto Rico, 2010.