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Wasabi

Um anúncio ao tempero Wasabi, falado em japonês e com imagens típicas da televisão japonesa, de que país é? Do Brasil, naturalmente. Um anúncio aos novos Doritos Wasabi.

Marca: Doritos. Título: Wasabi. Agência: Almap BBDO Brasil. Direcção: Henrique Bueno. Brasil, setembro 2020.

O Gorila e os Queen

Um anúncio da Peta que não é chocante.

Anunciante: Peta. Título: Break Free. Agência: Peta inhouse. Direção: Jesper Ohlsson. Alemanha, outubro 2020.

Ressurreição digital

Joaquin Oliver, de origem venezuelana, foi uma das dezassete vítimas de um tiroteio indiscriminado numa escola de Parkland, na Florida, em 2018 Tinha 17 anos de idade. A campanha The Unfinished Votes é apoiada pela Change the Ref, instituição que “visa formar futuros líderes, facultando aos jovens as ferramentas de que necessitam para introduzir mudanças em questões críticas que afetam a nação, por meio de educação, conversação e ativismo”. No anúncio, aparecem os pais de Joaquin Oliver, bem como o próprio Joaquin, regressado à vida por artes digitais. Criticam a política relativa às armas e apelam ao voto.

Estranho, muito estranho. Nenhum anúncio me provocou tamanha estranheza.

Anunciante: Change the Ref. Título: Unfinished Votes. Agência: McCann Health NY / Lightfarm Studios. Estados-Unidos, Outubro 2020.

Por outro lado

Red Hot Chili Peppers. Otherside. 1999.

Ando há cinco meses com uma espécie de rinite. As ideias não saem arejadas. De tromboflebite em tromboflebite, também não têm pernas para andar. Com as ideias entupidas e sentadas, pasta-se e pasma-se na memória. O vídeo musical Otherside, dos Red Hot Chili Peppers, é fantástico. Selecionei-o para projeção na exposição Vertigens do Barroco, que teve lugar em 2007 no Mosteiro de Tibães (ver https://tendimag.com/2015/06/10/vertigens-do-barroco/). O vídeo Otherside ultrapassa 500 milhões de visualizações na Internet! Não resisto a estender os outros lugares ao Break On Through (To The Other Side), dos The Doors.

Red Hot Chili Peppers. The Otherside. Californication, 1999.
The Doors. Break On Through (To The Other Side. The Doors. 1967.

Morrer de riso

‘The Dawnce of Makabre’ from Carthusian miscellany, Yorkshire or Lincolnshire ca. 1460-1500. BL, Add 37049, fol. 32r

Na Idade Média, a morte ri: nos triunfos da morte, nas danças macabras ou no assédio às donzelas. Morre-se de riso? Consta que existe uma hilaridade fatal: as vítimas morrem, literalmente, de excesso de riso. O filósofo grego Crisipo de Solis morreu a ver o seu cavalo comer figos; no século XV, o rei Martim I de Aragão morreu com um ataque de riso; mais recentemente, em 2003, Damnoen Saen-um, um vendedor de sorvetes tailandês, morreu de riso enquanto dormia (ver: https://pt.wikipedia.org/wiki/Hilaridade_fatal).

No palco, só, Bourvil recorda uma anedota fatal que um amigo lhe contou. Quem ouvir a anedota morre. Oito minutos quase sem palavras, mas sempre a comunicar. É obra e talento.

André Bourvil. C’est l’histoire du jockey qui… / Une histoire à mourir de rire. 1962.

Cancelado

E se celebrássemos as iniciativas canceladas por causa da Covid-19? Por exemplo, a Escola de Primavera, a exposição de fotografias de Álvaro Domingues ou o MDOC – Festival Internacional de Documentário de Melgaço. Todos prontos. Tudo reduzido a nada. Apetece traçar uma diagonal a preto nos respetivos cartazes. Acabaram antes de começar. Como diz uma publicidade antitabaco, “mataram-nos antes de nascer”. A celebração dos eventos cancelados é uma proposta do anúncio Unforgettable Denim, da Diesel: colocar nos bolsos das calças o nome de eventos que não se realizaram. Os italianos têm uma queda para a farsa e a ironia.

Marca: Diesel. Título: Unforgettable Denim. Agência: Publicis Italy. Itália, Setembro 2020.

Dividir o ecrã, aproximar os contrários

Nike. You can’t stop us. 2020.

John Ferreira, amigo de juventude, envia-me o anúncio You can’t stop us, da Nike (vídeo 1). Um split screen impecável, com um enorme sucesso. A marca Nike e a agência Wieden + kennedy costumam rondar a perfeição. Têm um quase nada que produz um não sei quê ofuscante. Proclama-se, por exemplo, que “o anúncio da Nike une os contrários”. Nos outros anúncios congéneres são os contrários que se unem? Lembro um anúncio muito expressivo que culmina com a interposição de um braço para defesa de uma bola. Está algures no Tendências do Imaginário, mas não o encontro. Em 2007, já se faziam anúncios com split screen. É o caso do anúncio francês Double Energie, da Total (vídeo 2). Noutro domínio, o vídeo musical Go Up, de Cassius, com direcção de Alex Courtès, revela-se, porventura, mais ousado e mais criativo (vídeo 3). Nenhum destes vídeos atingirá os 58 milhões de visualizações entretanto ultrapassados pelo anúncio da Nike. Às vezes, parece que quando há fogo-de-artifício hegemónico, o resto do mundo pode apagar-se.

Marca: Nike. Título: You can’t stop us. Agência: Wieden + Kennedy. Estados-Unidos, Setembro 2020.
Marca: Total. Título: Double énergie. França, 2007.
Cassius. Go up. Ft. Cat Power + Pharrell Williams. Directed by Alex Courtès. Production by DIVISION. 2017.

O sabor da felicidade

Monstro das Bolachas. Rua Sésamo.

Publiquei o anúncio Biblioteca, da Oreo, no facebook, em 2011. Não hesito em retomá-lo. Retomar é viver duplamente: no passado e no presente. O anúncio Biblioteca é uma ternura. Trata da felicidade que tanto perseguimos e tanto nos escapa. Um pensamento estorva-me as ideias: qual é o lugar da felicidade na televisão, mormente na informação? Nos anos sessenta, chamava-se à televisão a “caixa mágica”, uma adição, uma droga, da sociedade do consumo e da imagem. Com todas as nossas viragens e posteridades, da sociedade do consumo e da imagem ainda não saímos. A felicidade na informação televisiva joga às escondidas ou aparece passada a ferro. Manifesta-se mais natural gerar medo, insegurança e tristeza do que inspirar confiança, esperança e felicidade. Existe atração pelo medo? Compensa o drama e a tragédia? A felicidade mora ao lado. E o golo? E o hino? E a lotaria? E os festivais? E a saída nacional do “lixo”? Extraordinários efémeros. A felicidade é um sentimento. Não é fácil contribuir para a felicidade alheia. Tão pouco para a nossa. O anúncio Biblioteca é um sobressalto da alma. Menos pelo conteúdo, “o apetite guloso”, e mais pela forma: o apetite aguça a arte de superar limites. Nos anúncios, como em quase tudo, a forma transcende o conteúdo. Conheci a Felicidade; até tenho fotografias; era uma das figuras da minha aldeia; uma excelente pessoa; despediu-se há muito tempo.

Marca: Oreo. Título: biblioteca. Agência: Draftfcb Argentina. Director: Martín Hodara. Argentina, 2010.

Magia e exuberância

Phtoshop. 2020.

Várias camadas, com muitas cores e feitios, mais movimento, arabescos, metamorfoses e fantasias. O mundo esplendoroso do Phtoshop.

Marca: Adobe/Photoshop. Título: Take a fantastic voyage with Photoshop. Agência: 72andSunny, Los Angeles. Direcção: Bardou-Jacquet. Estados-Unidos, Agosto 2020.

Babe e Camille Saint-Saens

Babe.

O cinema anda de braço dado com a música. Tommy, Laranja Mecânica, Blade Runner, Titanic… No filme Babe (1995), a música, adaptada, é de Camille Saint-Saens. Segue a música do filme (If I Had Words) e o original de Saint-Saens, dirigido por Myung-Whun Chung. Não admira que tenha fascinado Stanley Kubrick.

If I Had Words (Saint-Saëns Symphony No.3) – Babe – Piano
Saint-Saens – Symphonie n°3 avec orgue – dir: Myung-Whun Chung.