Imaginação a dois


O mundo da realidade tem os seus limites; o mundo da imaginação não tem fronteiras (Jean-Jacques Rousseau)
A imaginação é mais importante que a ciência, porque a ciência é limitada, ao passo que a imaginação abrange o mundo inteiro. (Albert Einstein)
A velha grávida e o riso da morte

O artigo O riso da velha grávida (revisto), colocado em 29 de janeiro de 2023, não surgiu por geração espontânea. Uma primeira versão homónima remonta ao do dia 13 de março de 2016. um intervalo de reincubação de quase sete anos. E ainda não está fechado. Hoje, volvidos três anos, introduzir-lhe-ia bastantes alterações. Mas assinei-o, e continuo a identificar-me com ele.
Imagem: Terracota com Baubo sentada num porco. British Museum.
O riso da velha grávida evidencia alguns defeitos e virtudes de uma forma de pensamento e de um estilo de escrita. Não são uniformes, nem lineares: adotam o desvio e a fragmentação como roteiro e arquitetura. Atardam-se nos detalhes e nas margens para aceder ao todo e ao núcleo. Como os vitrais, convocam uma variedade de pedaços não transparentes que aspriram a configurar-se juntos proporcionando uma nova luz. Pelo meio, esquecem a arte de ir direito ao assunto, de procurar sem se perder e de argumentar sem complicar. Empenham-se em seduzir o interlocutor, mas não ao ponto de lhe facilitar a recepção, um risco de preguiça mental e anestesia criativa.
Ontem, 31 de agosto, os artigos incidiram sobre a música e a publicidade. Hoje, será questão de imagens e pensamentos.
15º Aniversário do Tendências do Imaginário

Este blogue completa hoje 15 anos. Atendendo aquilo que ao que o tempo representa na Internet, é um ancião, maneira simpática de dizer velho. Para comemorar, coloco o primeiro artigo, “Macabro, mas não tanto!”, publicado no dia 30 de agosto de 2011. Não é, porém, o meu primeiro post. Administrei anteriormente um outro blogspot com início anterior a 2008.
As cores do desejo

Este anúncio indiano é invulgar. Como diria o Principezinho, “o essencial é invisível aos olhos”. Uma das graças que o Criador nos concedeu consiste em pintar o mundo com as cores do desejo. Quando, invisuais ou não, vemos a princesa que sonhamos, ela dá-nos a mão para pintar o mundo.
Para além das cores do desejo, o Criador dotou-nos, também, com o “apanágio do riso”. O anúncio inscreve-se, com sucesso, num registo cómico. Um jovem com deficiência visual toma a cadela por namorada. Mas um dia, um novo par de óculos desfaz o encanto.
Acontece aos normais rir-se a um espelho invertido; dos deficientes, dos corcundas, dos surdos, dos cegos, dos coxos, dos feios e demais aberrações. Faz parte da nossa “natureza imbecil” (Blaise Pascal).
Mentes ofuscantes

No Oriente, não é apenas a Tailândia que nos surpreende com o humor extremo e insólito. A Índia também dá o seu pé de dança com anúncios extravagantes, hilariantes, fascinantes e outros adjetivos terminados em “antes”, tais como ofuscantes.
A Happydent desenvolveu na Índia, entre 2005 e 2009, uma campanha publicitária luminosa, com um humor absurdo que lembra o surrealismo.
No primeiro anúncio, de 2005, durante uma sessão fotográfica, um homem, que mastiga uma pastilha elástica Happydent, substitui, ao rir, o flash.
O segundo, datado de 2007, é um anúncio monumental. Num palácio, um jovem corre aflito. Entra numa sala, sobe para o candeeiro, mostra os dentes e faz-se luz. Graças ao efeito Happydent, o jantar pode começar.
No terceiro anúncio, de 2009, um pastor perde um cordeiro. As defesas dos elefantes mergulhadas em água com Happydent iluminam a busca nocturna.
Os dois infinitos

O meu filho mais velho, o João, descobriu um novo entretenimento: tirar fotografias noturnas ao infinito. Um deslumbramento. Ao contemplá-las, acode-me um extenso pensamento de Blaise Pascal sobre os dois infinitos. Não me canso de o reler. Junto dois excertos em pdf. Como se tornou raro publicar artigos de raiz, aproveito a ocasião para acrescentar três vídeos dos Dvein, de Barcelona.




