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Não me esqueças!

Tailândia 3

Não há duas sem três! Mais um anúncio do tailandês Thanonchai Sornsriwichai, dedicado aos doentes com Alzheimer. A doença de Alzheimer consta entre as mais preocupantes da actualidade. Associada à idade, a sua incidência acentua-se com o prolongamento da esperança de vida e o envelhecimento das sociedades. Comporta custos pessoais e sociais elevados.

Memory, 1948 by René Magritte

René Magritte. Memória. 1948.

O anúncio Forget Me Not, da Thai Life Insurance, é longo (3 minutos), mas não é lento. Sucedem-se os detalhes e os pormenores. Repetem-se as rotinas compassadas por sinais de esquecimento; permanece, contudo, a humanidade. O olhar oscila entre a paciente e o cuidador, no passado e no presente. Sofrem ambos com a doença. O vídeo acaba como começa: o cuidador, marido, calça a doente, esposa. A música, mais do que acompanhar, faz parte do anúncio. Com ou sem um passo de dança, a “dança da vida”.

Quando for grande, quero fazer vídeos como este: sem maneirismos nem pieguices, e com um elenco minimalista.

Marca: Thai Life Insurance. Título: Forget Me Not. Produção: Phenomena Company Limited. Direcção: Thanonchai Sornsriwichai . Tailândia, 2012.

Sevdaliza

Sevdaliza

Uma descoberta que nos cativa é uma janela aberta para o prazer. Conheci a música de Svdaliza na página de facebook da Helena Amaro: https://www.facebook.com/helena.amaro.12.

Sevdaliza é uma cantora de origem iraniana residente na Holanda. Prevê-se o lançamento do seu primeiro LP, ISON, no próximo dia 26 de Abril. Entretanto, publicou vários EPs. A canção “Human” foi editada em 2016 como single e como vídeo musical; “Hubris” foi publicada como single em 2017. Ambas integram o LP ISON.

Sevdaliza. Human. Dir. Emmanuel Adjei. 2016.

Sevdaliza. Hubris. 2017.

A resposta está no fundo

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A resposta, meu amigo, não está no vento, está no fundo! Perto do museu de cera dos esqueletos. Tu, que vagueias à deriva, não desperdices garrafas. A resposta está no fundo, junto ao cemitério da ambição humana.

Bob Dylan escreveu, em 1962, a canção “Blowing in the wind”, publicada em 1963 no álbum Free Wheelin’. No mesmo ano, surge uma versão cantada pelos Peter, Paul & Mary. Um prémio Nobel dispensa uma micro divulgação; Peter, Paul & Mary talvez sim, talvez não.

Marca: 2017 NBFF. Título: Go Deeper. Agência: RPA. Direcção: Jed Hathaway. USA, Abril 2017.

Peter, Paul & Mary. Blowing in the wind. In the Wind. 1963. Ao vivo em 1965.

Surreal: o homem piano

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Encontrei no sapatinho das maravilhas este anúncio do Banff Center for Arts and Creativity, do Canadá. Estranho e delirante, vibra nos meus sentidos com uma invulgar ternura surreal. Discute-se nas redes sociais se é ou não arte. Afirma-se mais original, criativo e impactante do que muita arte que tive o privilégio de observar. Mas, se é ou não arte, que o ponderem os juízes da estética. Lembra-me arte. Arte da melhor! Por exemplo, Hieronymus Bosch (ver https://tendimag.com/2016/12/19/hieronymus-bosch-death-metal/) ou François Desprez (ver https://tendimag.com/2012/04/21/criaturas-pantagruelicas-1/).

A lembrança é amiga da vadiagem do espírito. Lembrei-me dos Ban (Irreal Social, Surrealizar, 1988). Conquistaram um apreciável sucesso nacional no final dos anos oitenta. É um grupo com música identificável. Uma das qualidades para ser digno de memória. No Tendências do Imaginário, os visitantes portugueses estão em minoria. Não admira. O blogue fala do mundo em língua portuguesa. Podia falar de Portugal, ou do mundo, em língua estrangeira. Sempre seria mais friendly! Seja como for, Portugal, embora nem sempre pareça, faz parte do mundo. Venham os Ban! Pim-Pam-Pum!

Marca: Banff Center. Título: Things you can’t unthink. Agência: Cossette Toronto. Direcção: Rodrigo García Saiz. Canadá, Abril 2017.

Hieronymus Bosch. Jardim das Delícias. Instrumentos musicais.

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Hieronymus Bosch. Jardim das delícias. Inferno. Detalhes. 1503-1504.

François Desprez. Songes Drolatiques. Homens instrumentos musicais.

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François Desprez. Songes Drolatiques. 1565.

Ban, Irreal Social, Surrealizar, 1988.

Por um nome

Reggiani

Serge Reggiani

Acaba de sair o anúncio “El nacimiento de un nombre”, da revista Hahora Mamá. É longo, lento e fala ao coração. Confrontada com costume de atribuir o nome das bisavós às bebés, a bisavó Haydée muda o nome para Matilda, o nome por todos desejado. Pela duração, pela lentidão e pelo enredo, “El nacimiento de un nombre” lembra alguns anúncios orientais. Certo é que a imaginação dos publicitários não tem limites.

A canção francesa tem particular apetência pelo tema da velhice e do envelhecimento. Retenho a Sarah de Serge Reggiani (Album nº2, 1967).

Marca : Ahora Mama. Título : El nacimiento de un nombre. Agência: Ogilvy & Mather Argentina. Direcção: Los Clan. Argentina, Abril 2’017.

Serge Reggiani. Sarah. Album nº2. 1967.

A pauta e as teclas

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É rara a junção de três génios da música: a introdução de Leonard Bernstein, a composição de Bach e a interpretação de Glenn Gould. Não sabia que as pautas no tempo de Bach davam tanto lugar à interpretação. É interessante presenciar o início da carreira de Glenn Gould e da sua dedicação à obra de Bach. Pode não se gostar, mas não se deve subestimar.

Glenn Gould e Leonard Bernstein: J. S. Bach, Concerto para piano nº 1 em Ré Menor (BMW 1052).

Máquinas desejantes

Convém ouvir baixinho, que a cruz ainda não recolheu.

Mordillo. Virgílio

Mordillo. “Cada um é arrastado pelo seu próprio desejo” (Virgílio).

José Gonzalez. Heartbeats. Veneer. 2003.

Um mundo melhor

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Acordei bem-disposto! Hoje, não vou ao trabalho; o trabalho vem ter comigo. A esta hora, já bebi uma coca-cola. Tenho muitos pecados: beber “água suja do capitalismo” não é o pior. O anúncio Choir, da Coca-cola, é animador. Um hino com causas. O mundo está cheio de causas. Anda causado. Nada a ver com a míngua dos anos oitenta, tão órfãos de mobilização social. Ainda recordo a preocupação responsável: “os jovens não têm causas”! Agora, há causas para tudo e para todos. Muitas causas diabolizam os outros, incham e rebentam. Tanta causa inquieta-me! Quando os homens são demasiado bons, abrem-se as bocas dos infernos. Não conheço causas que não sejam boas para quem as advoga; mas também conheço causas cujas consequências são uma tragédia para a humanidade. Bem-aventurados aqueles que acreditam num mundo melhor!

Marca: Coca-cola. Título: Choir. Agência: Santo (Buenos Aires). Direcção: Pucho Mentasti. Argentina, 2011.

O voo do avestruz

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“Não se teria jamais atingido o possível, se não se houvesse tentado o impossível” (Max Weber, 2004, Ciência e Política: Duas Vocações, São Paulo, Editora Cultrix, p. 123).

Costuma dizer-se “enfiar a cabeça num buraco como um avestruz”. Mas o avestruz não enfia a cabeça em nenhum buraco; em caso de ameaça, coloca a cabeça junto ao solo com o pescoço esticado para se camuflar, à distância, como um arbusto ou uma pequena rocha. Quem enfia a cabeça na areia somos nós, os seres humanos. Tanto que as nossas cabeças ficam a chocalhar. O avestruz voa? Graças à realidade virtual e ao sonho. A ilusão e o sonho tornados vontade e a vontade, técnica e magia. Mais ou menos como voam os seres humanos. Mas há muito quem nem sequer descole.

O voo constitui um dos tópicos preferidos do Tendências do Imaginário. O anúncio da Samsung, Ostrich, é brilhante. A ideia é original e inesperada. A técnica soberba. A história bem contada, a sequência com a sombra no solo do avestruz voador perseguida pelos outros avestruzes é espantosa. O slogan é intemporal: Do what you can’t.

Marca: Samsung. Título: Ostrich. Agência: Leo Burnett Chicago. Direcção: Matthijis Van Heijningen. USA, Março 2017.

 

Rare Bird. Flight. As your mind Flies By. 1970.

Até o bom pode ser efémero

00. Projecto de cartaz que não foi cartaz. Marta Barbosa.

Projecto de cartaz que não foi cartaz. Marta Barbosa.

O III Encontro Minho-Galiza já pertence ao passado. As coisas boas também partem. Perduram, no entanto, na memória dos presentes e na imaginação dos ausentes. O Encontro foi fantástico, do início ao fim. Tomiño e Goián receberam-nos de braços abertos. O auditório era grande, confortável e bem equipado. Houve música e palavras. Uma centelha de diálogo e humanidade acendeu o Encontro, dando azo a momentos de comunhão irrepetíveis. Houve música para todos os gostos: Banda da Escola de Música de Tomiño, Ricardo Almeida (gaita de fole), Pedro Abrunhosa (cantor e compositor português), Ses (cantora e compositora galega) e Joaquim Fidalgo (acordeão). Pedro Abrunhosa entusiasmou-se, e entusiasmou-nos. As comunicações dos painéis testemunharam, dialogaram e agradaram. Tendemos a separar saber e prazer, um engano que nos traz desinteressados. No dia 1 de Abril de 2017, o saber e o prazer dançaram até se cansar. Por obra, talvez, da proximidade do rio Minho, um dos rios que, segundo Orlando Ribeiro, unem mais do que separam.

A organização do Encontro resultou de uma parceria entre o Mestrado em Comunicação, Arte e Cultura, o Centro de Estudos Galegos e o Centro de Estudos Comunicação e Sociedade, todos da Universidade do Minho. Para não diluir os créditos em etiquetas amplas, quem, na realidade, concebeu e se empenhou na organização do III Encontro Minho-Galiza foram:

– Fernando Groba (CEG-ILCH);
– Helena Pires (MCAC/CECS-ICS);
– Francisco Abrunhosa (MCAC-ICS);
– Adriana Silvério (MCAC-ICS);
– Albertino Gonçalves (MCAC/CECS-ICS).

Os eventos científicos converteram-se ao benschmarking e entenderam por bem tirar fotografias como nos casamentos. Uma boa prática. Segue uma galeria com fotografias quase todas da autoria de Francisco Abrunhosa.

Galeria de imagens