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Vitalismo

Vulnerável e vital! Como um animal ou uma planta. Como um ser humano.

Oh LauraO anúncio Release Me, da Saab, é, ao mesmo tempo, um eco da vulnerabilidade oprimida e uma ode à libertação. Teve o mérito de lançar a banda sueca Oh Laura, de que acrescento duas músicas: Release Me, do anúncio da Saab, e Raining in New York, ambas do álbum A Song Inside My Head (2007).

Vulnerável e vital, como uma gota de água. A curta-metragem Voyage dans l’arbre, do parque de plantas Terra Botanica (Angers, França), é um exímio trabalho a que nos habituou a agência Mac Guff Paris.

Anunciante: Saab. Título: Release Me. Agência: Lowe Brindfors, Sweden. Suécia, Junho 2007. Música: Oh Laura.

Oh Laura. Release Me. A song Inside My Head, a Demon in My Bed. 2007.

Oh Laura. Raining in New York. A Song Inside My Head, A Demon in My Bed. 2007.

Terra Botanica. Produção: Tvcible. Agência: TBWA Paris. Directores: Thomas Szabo e Helene Guiraud. Pós-produção: Mac Guff. França, 2010.

Despir

 Despir: EXPEDIRE, “liberar, soltar, retirar, preparar”, literalmente “soltar os pés de um laço, de algo que prende”, formado por EX-, “para fora”, mais PEDIS, “corrente para os pés”, de PES, “pé” (http://origemdapalavra.com.br/site/palavras/despir/).

Juliette GrécoQuanto mais procuro, mais encontro. Esta é a minha primeira regra metodológica. O que encontro? Fragmentos. Parte do que procurei e parte do que encontrei sem procurar. Estou a brincar com as palavras? Naturalmente, mas há muito fenómeno que não mora na lógica e corre na realidade. Esta regra não aparece nos manuais de metodologia. Têm outras preocupações. Por exemplo, recomendar a procura do que já se sabe e a antecipação dos resultados mal se inicia a investigação, como o padeiro antes de colocar o pão no forno. Às vezes, tenho a estranha sensação de que a investigação se está a afastar da descoberta.

Mylène FarmerJuliette Greco e Mylène Farmer são duas grandes damas, duas gerações, da música francesa. Juliette canta “Déshabillez-moi” (La Femme, 1967), Mylène Farmer retoma a canção, vinte anos depois, em 1988, no álbum Ainsi soit je. Uma demonstração de quanto o mesmo se pode tornar diferente.

Juliette Greco. Désabillez-moi. La Femme. 1967.

Mylène Farmer. Désabillez-moi. Ainsi soit je. 1988.

Não somos grande coisa

Há momentos em que dou por mim a pensar com o coração.

Ronsard“Regrettant mon amour et votre fier dédain.
Vivez, si m’en croyez, n’attendez à demain:
Cueillez dès aujourd’hui les roses de la vie”
(Pierre de Ronsard, Sonnets pour Hélène, 1578)

“Crois celui qui peut croire
Moi, j’ai besoin d’espoir
Sinon je ne suis rien
Ou bien si peu de chose
C’est mon amie la rose
Qui l’a dit hier matin”
(Cecile Caulier, Jacques Lacome)

Françoise Hardy. Mon amie la rose. Mon amie la rose. 1964. Na televisão em 1965.

Letra:

On est bien peu de chose
Et mon amie la rose
Me l’a dit ce matin
A l’aurore je suis née
Baptisée de rosée
Je me suis épanouie
Heureuse et amoureuse
Aux rayons du soleil
Me suis fermée la nuit
Me suis réveillée vieille

Pourtant j’étais très belle
Oui, j’étais la plus belle
Des fleurs de ton jardin

On est bien peu de chose
Et mon amie la rose
Me l’a dit ce matin
Vois le dieu qui m’a faite
Me fait courber la tête
Et je sens que je tombe
Et je sens que je tombe
Mon cœur est presque nu
J’ai le pied dans la tombe
Déjà je ne suis plus

Tu m’admirais hier
Et je serai poussière
Pour toujours demain

On est bien peu de chose
Et mon amie la rose
Est morte ce matin
La lune cette nuit
A veillé mon amie
Moi en rêve j’ai vu
Eblouissante et nue
Son âme qui dansait
Bien au-delà des nues
Et qui me souriait

Crois celui qui peut croire
Moi, j’ai besoin d’espoir
Sinon je ne suis rien

Ou bien si peu de chose
C’est mon amie la rose
Qui l’a dit hier matin

Prazer tranquilo

 

MadnessOs últimos artigos do Tendências do Imaginário saíram amargos. Achei por bem resgatar um anúncio da Kronenbourg que é um consolo. Com os Madness.

Marca: Kronenbourg 1664. Título: Baggy trousers. Agência: BBH London. Direcção: Andy McLeod. Reino Unido, Jun. 2011.

Madness. Our House. The Rise & Fall. 1982.

Notas de violência e sofrimento

Billboard. Sobredosis. La Comunidad. Argentina. 2017.Custa-me sair de um rio de pensamento. Torno-me chato! Regressemos, pois, à afinidade entre a música e a experiência, o sentimento e a emoção. Os anúncios Inspiración, da Billboard Argentina, enfatizam menos a ideia de que há sempre músicas apropriadas aos diversos momento de vida e mais a ideia de que há músicas que ganham em ser encaradas como resultado do próprio mundo da vida. Por outras palavras, há momentos que suscitam músicas. A diferença é ténue, mas existe. Os três vídeos que seguem são violentos, pior, crus. Se é sensível, não vale a pena ver.

“(Buenos Aires, viernes 9 de mayo de 2017, 16:15 hs. hora local) – La violencia familiar, el racismo o incluso la muerte son tragedias que, sin embargo, algunos músicos lograron traducir en algo positivo, al punto que muchas de sus canciones alcanzaron el primer lugar en el ranking Billboard. Los tres spots–“Sobredosis”, “Redada” y “Violencia”–, con escenas duras y con producción de Primo y dirección de Pantera (Brian Kazez), hacen referencia a esa capacidad de los músicos” (http://www.adlatina.com/publicidad/%E2%80%9Cinspiraci%C3%B3n%E2%80%9D-preestreno-de-la-comunidad-para-billboard-argentina).

Anunciante: Billboard (Argentina). Título: Sobredosis. Agência: La Comunidad. Direcção: Pantera (Brian Kazez). Argentina, Junho 2017.

Anunciante: Billboard (Argentina). Título: Redada. Agência: La Comunidad. Direcção: Pantera (Brian Kazez). Argentina, Junho 2017.

Anunciante: Billboard (Argentina). Título: Violencia. Agência: La Comunidad. Direcção: Pantera (Brian Kazez). Argentina, Junho 2017.

Momentos musicados

Amazon Music Unlimited

“La música es capaz de llevarse nuestras tristezas en su ritmo y melodía. Evoca recuerdos de amantes perdidos o de amigos fallecidos. Incita a los personajes que llevamos dentro: al niño a jugar, al monje a orar, a la vaquera a moverse al compás, al héroe a superar todos los obstáculos” (Don Campbell, 1998, El Effecto Mozart, Barcelona, Ediciones Urano, p. 7).

Regresso à música e às pressupostas afinidades emocionais. A Amazon criou um novo music streaming, do tipo Spotify ou Pandora. Chama-se Music Unlimited. Inicia com “40 milhões de canções, uma para cada momento”. O que significa que cada canção tem o seu momento próprio ou cada momento tem a sua canção própria. Cada momento é um concentrado único, de actos, palavras, sentimentos e emoções. A cada momento corresponde uma música em particular. E a fada Amazon sabe como os juntar.

Vai um déjà lu? Não resisto a repetir. Haja paciência!

A publicidade é omnívora. Não olha a conteúdos. No limite, qualquer serve. Os anúncios da Amazon dedicados a momentos musicados mostram um gato, um cão e bebés: numa casa de banho e num carro.

Na publicidade, para comunicar emoções, nada melhor do que animais, animações, objectos e crianças. Tudo indica que a comunicação de emoções agradece um ar de inocência.

Apetece fazer uma sondagem. Com quem se identifica mais? 1. O gato; 2. O cão; 3. Os bebés. Responda na parte reservada aos comentários.

Fumar pode matar o seu filho antes de ele nascer

Fumar pode matar o seu filho antes de ele nascer.

Além de me repetir, sou teimoso. Não me calo! Hoje deparei com uma nova imagem no maço de cigarros. Vou pedir à Amazon uma música para cada imagem. Com música, talvez a caderneta das desgraças alcance maior efeito.

Marca: Amazon Music Unlimited. Título: Rearranging the bathroom. Agência: Above+Beyond. Reino Unido, Maio 2017.

Marca: Amazon Music Unlimited. Título: Road trip. Agência: Above+Beyond. Reino Unido, Maio 2017.

Marca: Amazon Music Unlimited. Título: Sugar rush. Agência: Above+Beyond. Reino Unido, Maio 2017.

Anúncios que nos dão música

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Pode saltar o texto. Não presta! Mas os vídeos são excelentes.

Gosto do ensaio como forma de raciocínio e escrita. Gosto de discorrer sobre temas maiores, essenciais, a partir de temas menores, relativos (Lukacs, Georg, 1974,  L’âme et les formes, Paris, Gallimard, 1ª ed. 1911; Goldmann, Lucien, 1955, Le Dieu Caché, Paris, Gallimard). Abuso, deste jeito, do verbo “lembrar”: memória inquieta que não se senta no tempo. A publicidade presta-se ao ensaio. A publicidade é omnívora, não há assunto que lhe escape. Mais, aborda tudo de qualquer prisma, técnica ou recurso, desde que funcione. Lembra o anarquismo metodológico de Paul Feyerabend (Against Method,1975, London/New York, Verso). Para nós, hoje, flechas tensas no arco de Ulisses, atingir um objectivo é mais heróico do passar o cabo Bojador. Assemelha-se a tocar na santíssima trindade. Enfim, assim como o ensaio discorre sobre temas maiores a partir de temas menores, a publicidade contempla o que bem entende para alcançar o que muito pretende. A publicidade pode nem sequer falar do que interessa. Escrever sobre publicidade pode relevar de uma construção de segundo grau. Em termo de inspiração para o ensaio, apenas a arte rivaliza com a publicidade.

Vem esta leveza de espírito a propósito da comunicação de Júlia Durand, intitulada O elefante na sala de pós-produção: a library music em criações audiovisuais, dedicada aos repositórios musicais procurados para bandas sonoras de filmes, anúncios, vídeos institucionais… Estes reportórios estão categorizados por temas, conteúdos, contextos, emoções, mensagens, estilos… Limito-me a registar a ideia, que não me convence, de que existem pontes claras entre trechos musicais e emoções. Não obstante, acodem-me alguns anúncios em que a marca, a música e a emoção dançam na perfeição.

Marca: BMW. Título: Aesthetics. Agência: Ireland/Davenport, Johannesburg. Direcção: Adrian de Sa Garces. República da África do Sul, Novembro 2006.
Marca: Audi A5. Título: A Rythm of Lines. Agência: BBH, London. Reino Unido, 2007. Música: Prelude 2, de Dustin O’Halloran.

Marca: BMW. Título: See How It Feels. Agência: WCRS, London. Direção: Warren Du Preez & Nick Thornton Jones. Reino Unido, Fevereiro de 2007. Música: UNKLE.

Marca: Nescafé. Título: Sunrise. Direcção: Derek Coutts. UK, 1988. Música: Johnny Nash.

Abrir as janelas

Jean-Pierre Rampal Muppet

Após uma reunião, deixamo-nos conversar à porta de um edifício barroco. Falou-se de flauta e de flautim (piccolo). De Vivaldi e do concerto per piccolo em dó menor p. 78 – 2 Largo (ver https://tendimag.com/2012/01/08/relatorio-in-c-major-rv-443-largo/). Convocou-se Jean-Pierre Rampal, um intérprete de flauta incontornável. Falou-se, por último, de um vídeo com Jean-Pierre Rampal e Miss Piggy, na série Os Marretas. Arejar faz bem! Liberta o espírito.

Antonio Vivaldi. Concerto para flauta em lá menor. P.77 – 2. Jean-Pierre Rampal: Vivaldi, les concertos pour flûte-piccolo. 1988.

Jean-Pierre Rampal & Miss Piggy. The Muppet Show Ep. 106.

O elefante na sala de pós-produção: a library music em criações audiovisuais

Um evento interessante e original! A palestra é precedida por um momento musical (Bossa Nova) interpretado, ao violão, por Felipe Breier, aluno do Mestrado em Comunicação, Arte e Cultura.

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Oradora: Júlia Durand. É mestranda em Ciências Musicais na FCSH-UNL e bolseira de investigação no CESEM (Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical).

Título da comunicação: “O elefante na sala de pós-produção: a library music em criações audiovisuais”.

Resumo: Actualmente, o que é internacionalmente conhecido por library music é ouvido em inúmeros filmes, desde telejornais e documentários a vídeos de youtube e pornografia. Os sites que comercializam esta música categorizam-na segundo géneros, instrumentação, emoção e ambiente, e a sua produção está estreitamente relacionada com a procura e tendências das indústrias audiovisuais. Uma exploração dos sites mais utilizados revela o modo como a library music reflecte (e reforça) convenções musicais do cinema e televisão, algo que contribui para a sua depreciação e reputação de música estereotipada e “enlatada”.

Imagens da música

Pandora. Sounds like you. 2017.Com uma dúzia de capas de discos faz-se um anúncio e escolhe-se música: The Rolling Stones, The Doors, The Cure, Nirvana… O anúncio Sounds like you foi dirigido por Michel Gondry para a Pandora. Acrescento o vídeo The Man Who Sold The World, na versão dos Nirvana. Quantas capas ficaram de fora neste anúncio? Por exemplo, a capa de The Man Who Sold The World (1970) de David Bowie.

Marca: Pandora. Título: Sounds like you. Direcção: Michel Gondry. USA, Maio 2017.

Nirvana. The Man Who Sold The World. MTV Unplugged. 1994.