Dança lunar via satélite
Pesadelos acordados

A próxima edição dos Serões dos Medos em Melgaço está programada para a noite de 23 de outubro. Entretanto, convém exercitar os neurónios. Assistindo, antes de deitar, a imagens de pesadelo, com música a condizer. Recomendo as pinturas grotescas, corrosivas e perturbadoras dos expressionistas alemães Otto Dix e Georg Grosz.
Imagem: Georg Grosz – Battalion of the Hole, 1948
Envolvimento e ternura
O Novo País das Maravilhas

Os artigos A Teia e Extensões do Homem, de 28 de setembro de 2014, desafiam-me, mas não me são estranhos. Consigo enxergá-los. Em contrapartida, a curta-metragem Al!ce não me é estranha, mas ultrapassa-me. Não logro alcançar as potencialidades de tantas artes e possibilidades. Não “alicia” ser arrastado por uma enxurrada de afluentes sem leito nem estuário antecipáveis. Tamanha maravilha confunde-me.
AL1ICE: Uma fábula cômica surreal sobre uma Alice moderna que ensaia inspirar um filme de IA para uma competição. Consoante a produção se desenrola, a linha entre a vida real, o processo de filmagem e o País das Maravilhas começa a dissolver-se. Estruturado como uma narrativa recursiva, a curta-metragem trata o País das Maravilhas não como uma adaptação, mas como um ciclo de retroalimentação cultural, onde a ficção do século XIX, a produção de imagens contemporânea e a mitologia do cinema começam a se influenciar mutuamente. Produzido pelo estúdio MIMAGIE, com roteiro de Daria Sherstobitova e direção de Miguel Ivanov, Al!CE foi originalmente desenvolvido para a competição Higgsfield. O trabalho combinou desenvolvimento de roteiro e argumento, seleção de elenco, figurino e design de locação, planeamento de storyboard, pré-visualização, geração de vídeo, edição, preparação de diálogos, música e design de som. O processo visual central começou com o texto. Rostos e figurinos gerados tornaram-se referências para composições cénicas; essas composições, por sua vez, guiaram a geração de vídeo. Ilustrações de Tenniel, em domínio público, serviram de inspiração para poses e arranjos selecionados. As imagens foram editadas e tiveram suas cores corrigidas no Photoshop antes de ser preparadas para o Seedance, enquanto as músicas foram desenvolvidas com o Suno. Todas as vozes foram criadas nos laboratórios elevel. Os locais foram construídos como ambientes gerados, com atenção à geografia, ângulos reversos e iluminação consistente. O tratamento guiou a atuação, o movimento da camara e a revisão ao longo de todo o processo.
Em Paris

No dia 24 de setembro, o Álvaro Domingues fez a comunicação “Paysages technologique: por une lecture de la transformation du paysage” na Université Paris 1 – Panthéon – Sorbonne.
Creio que ainda não regressou. Proporcionam-se estes dois artigos como guias da cidade.
Imagem: Álvaro Domingues na Sorbone, 24.09.2026






