Descorar

La Mélancolie
C’est un’ rue barrée
C’est c’qu’on peut pas dire
C’est dix ans d’purée
Dans un souvenir
C’est ce qu’on voudrait
Sans devoir choisir
La mélancolie
C’est un chat perdu
Qu’on croit retrouvé
C’est un chien de plus
Dans le mond’ qu’on sait
C’est un nom de rue
Où l’on va jamais
La mélancolie
(Léo Ferré)
A Melancolia
É uma rua bloqueada
É aquilo que não pode ser dito
São dez anos de massagem
Envoltos numa recordação
É aquilo que desejaríamos
Sem ter de escolher
A melancolia
É um gato perdido
Que se acredita ter reencontrado
É mais um cachorro
No mundo que se sabe
É um nome de rua
Onde nunca se vai
A Melancolia
(Tradução livre)
Abençoados

Peia Luzzi é uma colecionadora de canções, escritora e multi-instrumentista nascida nos Estados Unidos, que vive nas montanhas dos Apalaches. Tal como a água de um poço profundo, ela inspira-se nas suas raízes ancestrais da música folclórica irlandesa e do Velho Mundo europeu. A voz de Peia dança com agilidade desde as «Child Ballads» e os lamentos gaélicos do século XVII até às «Waulking Songs» e aos chamamentos das montanhas búlgaras. Ao longo dos últimos 10 anos, viajou e estudou extensivamente para se reconectar com a sua própria tradição musical ancestral. Ao descobrir melodias marcadas pelo tempo e repletas de sabedoria, tendo sempre o cuidado de honrar a sua língua e as suas histórias, Peia traz um pedaço de si mesma para cada canção que interpreta.
Voz influente na crescente comunidade global de pessoas empenhadas em restabelecer uma relação equilibrada com a Terra, Peia expressa a sua visão holística e a sua paixão através da sua música, de workshops educativos e do apoio a grupos de defesa dos direitos sociais e ambientais. (https://peiasong.com/about/bio/)
Excessos do corpo e limiares da consciência


As danças de São Guido, observadas entre a Idade Média e a Idade Moderna, consistiam em surtos de histeria coletiva caracterizados por movimentos involuntários, espasmos e episódios de dança aparentemente incontroláveis. Grupos inteiros de pessoas começavam a dançar de forma compulsiva durante horas ou dias, por vezes até à exaustão ou desfalecimento.

As raves contemporâneas lembram, guardadas todas as proporções, as antigas danças de São Guido: multidões entregues ao ritmo até ao esgotamento, como se o corpo procurasse um limiar onde a consciência se transforma. Por outro lado, não deixam de dialogar com as longas peregrinações, nas quais o excesso já não é o da dança, mas o da marcha.
Imagem: William Blake – Illustration to John Bunyan’s The Pilgrim’s Progress. Composed c. 1824-27
Natureza, Luz e Beleza


Há mais estrelas no céu do que aquelas que conseguimos enxergar. Com uma câmara apropriada, bastante paciência e alguma técnica, o João e o Fernando conseguiram obter esta fotografia do céu da praia Moledo do Minho, na noite 21 de julho de 2026.
Existem também mais estrelinhas na terra do que aquelas que conseguimos abraçar. Com abertura e algum sentido de orientação, encontrei a música da adorável cantora, mult-instrumentista e compositora de origem irlandesa Ajeet.
Imagem: A defumar estrelas
Ajeet é uma artista de world music que entrelaça inspirações que vão do folclore tradicional irlandês a paisagens sonoras místicas e meditativas. A banda reúne músicos da Espanha, da Irlanda e dos Estados Unidos para oferecer uma experiência musical que transcende fronteiras e conduz os ouvintes a uma jornada através da canção. Harmonias sublimes e letras poéticas unem-se à harpa, à percussão africana e latina, ao violão e a instrumentos irlandeses, criando um intercâmbio musical profundamente enraizado na melodia e na textura sonora (…) Com obras que alcançaram o primeiro lugar na parada de World Music do iTunes e o Top 10 da parada New Age da Billboard, a música de Ajeet continua a ser abraçada por comunidades ao redor do mundo. (https://www.youtube.com/@Ajeetmusic/about; consulta em 23.07.2026)

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Bónus do dia:
Diga-o com música


Bom dia!
O longe aqui tão perto
O testemunho da diversidade constitui um dos objetivos do Tendências do Imaginário, mas existem ainda muitos tipos de música não contemplados. A música de origem hindu é um exemplo. Não se trata de um nicho. Alguns cânticos alcançam dezenas de milhões de visualizações. Acaba,, porém, ignorados pela nossa tendência mesquinha para diminuir ou diluir os outros.

Passo a colocar uma primeira seleção de mantras hindus em sânscrito. Começo “Jai Mata Kali Mata Durge”, interpretado por Nina Hagen, uma das minhas pontes para este género de música. Nas quatro interpretações seguintes, destaca-se a presença de um mestre espiritual conhecido como Mooji. Para minha surpresa, reside em Portugal e possui um centro de retiro em São Martinho das Amoreiras, no Alentejo.
Imagem: Moji
Mooji (nascido Anthony Paul Moo-Young, 29 de janeiro de 1954) é um professor espiritual jamaicano de Advaita , radicado no Reino Unido e em Portugal. Ele dá palestras (satsang ) e conduz retiros. Mooji vive em Portugal , em Monte Sahaja. (…)
Aos 30 anos, Mooji trabalhava como artista de rua para sustentar sua esposa e filho. (…) Em 1987, Mooji teve um encontro com um cristão que deu início à sua busca espiritual. Mooji continuou a trabalhar como professor de arte até 1993, quando se demitiu e viajou pela Índia, participando dos satsangs do guru indiano Papaji .
Ele retornou à Inglaterra em 1994, quando seu filho morreu de pneumonia. Ele continuou viajando para a Índia, retornando sempre a Brixton, Londres, para vender chá e incenso, bem como distribuir “pensamentos do dia” enrolados em canudos retirados do McDonald’s. Ele se tornou um professor espiritual em 1999, quando um grupo de buscadores espirituais se tornou seu aluno, e começou a produzir livros, CDs e vídeos de seus ensinamentos.
Ele comprou uma propriedade de 30 hectares na freguesia de São Martinho das Amoreiras , na região do Alentejo , em Portugal , e criou um ashram chamado Monte Sahaja. De acordo com Shree Montenegro, o Gerente Geral da Fundação Mooji, há entre 40 e 60 pessoas vivendo em tempo integral no ashram. Um incêndio no ashram em 2017 exigiu a evacuação de cerca de 150 pessoas. O ashram é financiado pela Mooji Foundation Ltd., sediada no Reino Unido, que declarou uma receita de 1,5 milhão de libras em 2018 (incluindo quase 600.000 libras de doações e legados), e por meio de subsidiárias comerciais no Reino Unido (Mooji Media Ltd.) e em Portugal (Associação Mooji Sangha e Jai Sahaja).” (Wikipedia, em inglês; consultada em 20.07.2026).
Capuchinho Vermelho nas Redes Sociais

O lobo estende o tapete vermelho. Aquilo que resta do Capuchinho Vermelho (Charles de Leusse, Respire, 2004).
“É proibido proibir” era uma das palavras de ordem de Maio de 1968. Hoje, sobram poucas dúvidas, porventura, apenas de grau: “É permitido proibir” ou “proibido permitir”? Apontam nesse sentido os artigos Capuchinho vermelho na era digital (21.07.2012) e É proibido proibir (21.07.2015).
Não vem a propósito, mas entre a floresta musgosa da imagem anterior e o labirinto viscoso dos artigos seguintes, aproveito para introduzir os 10 CC no Tendências do Imaginário.



