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Des-graças

Francisco de Goya – Duelo a garrotazos, 1820 – 1823. Museu do Prado

Continuo pouco criativo. Nem sequer adianto um prefácio urgente. Entretenho-me a repescar “artigos do dia”, com dificuldade de amostragem. As flores do mal, de 2019, encerra um isco que me assombra: a ambivalência do mal. Adiciono, a preceito, a curta-metragem disfórica The Gloaming (14 minutos), extraída do artigo Descontrolo, de 2012.

The Gloaming. Curta-metragem dirigida por Nobrain e produzida por Autour de Minuit. França, 2010

Bontade de Biber

Continuo a revisitar, recuando aos primeiros anos do Tendências do Imaginário, designadamente aos artigos “Grotesco imparável” (2012) e “A estranha erótica do álcool” (2013), com dois anúncios memoráveis ao licor Southern Confort, ambos dirigidos por Tim Godsall. Uma conjugação ímpar de (ausência de) narrativa, imagem pasmada e som cadenciado, que logra uma estilização, senão sublimação, massajada, ver erotizada, de uma (in)vulgaridade: homens banais que aparentam saber o que querem: Biber, naturalmente!

Aproveito para acrescentar, por último, um anúncio semelhante, mas mais recente, de Tim Godsall: “It’s not Parkinson’s. It’s Swagger”, de 2024, para a Parkinson Canada.

Parkinson Canada – It’s not Parkinson’s. It’s Swagger. Direção: Tim Gosall. Canadá, junho 2024

Caminho Negro e Descontrolo

Recoloco o artigo “Para além da virilidade”, de há 12 anos. Aproveito para restaura o anúncio “The Visit” (2014), do Instituto Nacional de Enfermedades Neoplásicas, assim como para acrescentar o anúncio “Descontrol” (2015), da Movistar, e o vídeo musical “El Camion” (1992), dos AGuiRRe, todos sob a direção de Jorge Caterbona, realizador argentino ativo no Perú. Um pretexto, também, para visitar este país andino.

Movistar – Descontrol. Agência: Fahrenheit DDB. Direção: Jorge Caterbona e Dante Effio. Produção: 7 Samurai. 2015
AGuiRRe – “El Camion”. 1992. Direção: Jorge Caterbona. Version HD oficial. Version limpia

El Camion

Iba por el camino negro
muy contento en mi camion
Iba por el camino negro
rumbo a la demolicion.-

Iba por el camino negro
cuando la cana me paro
me pidieron los tomates
para la reparticion.-

Buenas curvas
las curvas nuevas de mi pais
buenas rutas
las rutas viejas de mi pais.-

Iba por el camino negro
cuando una rubia me paro
me pidio unos pesitos
para ejercer la profecion.-

Buenas curvas
las curvas nuevas de mi pais
buenas putas
las putas viejas de mi pais.-

Iba por un camino negro
rumbo a la demolicion
Iba por el camino negro
sin saber la solucion.-

Voy por el camino negro
con la rubia en el faldon
Voy por el camino negro
muy contento en mi camion.-

Voy por mi camino
Voy por mi destino.-

Pássaros de aço

“Em tempo de exultação da leveza, o peso e a robustez não se intimidam. Dá-me um extremo e mostro-te o outro. Uma barra tem dois extremos. Dobrada, os extremos tocam-se. O mundo anda assim, dobrado, com as distâncias a dançar tango (…) Estes quatro anúncios a automóveis vêm a talhe de foice: apostam no valor da robustez, com a leveza na lapela.” Aos pássaros de aço, de “O peso das coisas” (2016), acrescento “O Pássaro de Fogo” (excerto), conduzido pelo próprio Stravinsky.

Igor Stravinsky – O Pássaro de Fogo (excerto), 1910. Concerto de despedida em Londres, em 1965

Pós-Pavlov

Não consigo renunciar a recolocoar o artigo “Todos diferentes, todos iguais”, publicado há apenas três anos, no primeiro de julho de 2023 no blogue gémeo Margens. As palavras, as imagens e os vídeos estimulam!

Imagem: Kazimir Malevich. Sportsmen, 1931

Nas nuvens

Quase todos os anos escrevo um artigo a agradecer os votos de bom aniversário. Hoje, com a ida a Melgaço, não sobrou tempo. Não faz mal: aumentam os anos e diminuem os artigos e a estatura. Mas continua a vontade de voar e de comunicar. E de sonhar, também. A amizade ajuda. Recoloco, tardiamente, dois artigos que convocam este espírito: “Memória reincidente” (2020) e “Novidade e originalidade” (2017).

Ser e estar sem avarias

A dos días de cumplir 67 años, sigo aspirando a ser quien soy y a estar en paz conmigo mismo. Sin crisis ni daños.

¿Y tú?

Imagens fantásticas de um manuscrito medieval

À Graça

Resgato o artigo “Pintar o campesinato: o Luttrel Psalter, acrescentando-lhe dois vídeos: um primeiro junto ao link da apresentação Luttrel Psalter. Excertos a facilitar a respetiva visualização; logo seguido por um segundo a preceder a galeria de imagens.

Chuva de notas, pingos de música

Ontem, tivemos direito a breves interlúdios de chuva. Recordaram-me Schubert, um dos compositores que mais se inspira na água. Uma amiga de uma amiga costuma dizer que Schubert lhe lembra a chuva. Já coloquei algumas obras de Schubert: Ave Maria, Impromptu In G-Flat Major, D899, Op. 90 No. 3; e Serenata D. 954. Venham mais quatro! A chuva acabou por trazer, finalmente, um artigo de raiz, apesar de parco em palavras.

Imagem: Gustave Caillebotte – L’Yerres, pluie, 1875.

Franz Schubert – Piano Quintet in A Major, Op. 114, D 667 – “The Trout”: II. Andante. Intérpretes: Anne-Sophie Mutter, Daniil Trifonov, … 2017
Franz Schubert- Impromptu Op. 142 No. 2 in A-Flat Major. Piano: Eric Lu, 2025
Franz Schubert – Piano Sonata in A Major D. 664, II. Andante. Piano: Paul Lewis, 2022
Franz Schubert – Mass No. 6 in E flat major. Soprano: Bertrand de Billy. Salle Pleyel (Paris), 2013

A nostalgia dá um passeio de bicicleta

Desde 2012, escrevi, no dia 25 de junho, vários artigos que estimo dignos de releitura. Relevo, especialmente, “A Nostalgia do Invisível”, de 2018, que se disingue, sobretudo, graças à inclusão do trabalho prático “A nostalgia do invisível – Memória e imaginário”, da autoria de Vanessa Caroline de Almeida e Alcântara, aluna do curso de mestrado em Comunicação, Arte e Cultura.

Imagem: Corinna Luyken. O Livro dos Erros. Ed. original, 2017. Detalhe

Não sei se a aluna é uma extensão do professor ou o professor, da aluna. Salomonicamente, diria que ambos são, como resulta agora dizer-se, agência, logo extensões recíprocas.

O conceito de “extensão do homem” costuma ser atribuído a Marshall McLuhan, mas, na linguagem de Louis Althusser, não ele foi quem o “descobriu”, “inventou-o”; propôs a respetiva construção teórica. A realidade já era observada, pelo menos, desde Aristóteles: a roda em relação aos pés; a roupa, à pele… Em 1858, Maurice Leblanc, já escrevia, no livro Voici des Ailes (66 anos antes do understanding Media: The Extensions of Man, publicado em 1964), o seguinte a propósito da bicicleta:

Um aperfeiçoamento do próprio corpo, o seu acabamento. É um par de pernas mais rápidas que lhe é oferecido. O homem e a máquina são um só. Não são dois seres diferentes como o homem e o cavalo, dois instintos em oposição. Não, é um só ser, um autómato feito de uma só peça. Não há um homem e uma máquina. Há só um homem mais rápido (citado por Manuel Ferreira da Costa no livro A Póvoa de Varzim na Belle Époque: panorama da vida cultural e do turismo balnear, no prelo, pág. 231, que tenho a honra de prefaciar).

O 25 de junho parece ser um dia particularmente inspirador. Embora “A nostalgia do Invisível” seja o artigo que mais me sensibilizou, não resisto a acrescentar, como lembretes, mais três: “Miragem com falo à vista”, de 2012; “Epidemia de dança”, de 2013; e “Sombras”, de 2014.

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