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Imaginação

Nescafé

O anúncio da Nescafé, Those few people, é original. Uma tentação bem gizada. Faz sentido o exercício proposto. Eloquente, mas impossível. Parte das pessoas que nos comoveram não pode sentar-se num anfiteatro. Mas o exercício não perde o voo. É didáctico, mas continua impossível! Confrontado com uma realidade que te embaraça, imagina, sonha uma realidade que te liberte. Vê com o olho interior. Imagina! Para Albert Einstein, a imaginação é mais importante que conhecimento. Imagina!

“Se sonhássemos todas as noites a mesma coisa, ela nos afectaria tanto quanto os objectos que vemos todos os dias; e, se um artesão estivesse certo de sonhar, todas as noites, durante doze horas, que é rei, creio que ele seria quase tão feliz quanto um rei que sonhasse, todas as noites, durante doze horas, que era artesão” (Pascal, Blaise, 2002, Pensamentos, eBooksBrasil.org, Artigo XX: XIII).

A música do anúncio é um cover do Stand by me, do John Lennon, por coincidência o autor da canção Imagine.

Marca: Nescafé. Título: Those few people. Agência: Publicis (London). Direcção: Henry Mason. Europa, Outubro 2017.

John Lennon, Imagine. Imagine, 1971

Ritmo latino

wtf uberEste anúncio é português. Tem um ritmo e um colorido estonteantes, e música original. Um ritmo acelerado sem travão.

Marca: WTF. Título: WTF + UBER. Agência: Havas. Produção: Playground Films. Portugal, Outubro 2017.

Entre gerações

Dad Wind

Às vezes, vale a pena apostar quatro minutos. Há jogos em que só perde quem não dá. Dar, pelo menos, quatro minutos. Aprecio tanto este anúncio que o republico. Pela narrativa, pela imagem, pelo realizador, Giuseppe Capotondi, pela música, To build an home, dos The Cinematic Orchestra, e pelo país, a Itália.

Marca: Wind Mobile. Título: Papà. Agência: Ogilvy & Mather Milan. Direcção: Giuseppe Capotondi. Itália, Setembro 2014.

A magia do skate

Apple Roll

Saiu um novo anúncio da Apple: Roll. A fórmula é: juventude + desporto + movimento + adrenalina + levitação = libertação. Um bom anúncio. Destaque para a música, o aproveitamento do skate e a levitação colectiva.

Marca: Apple. Título: Roll. Estados Unidos, Setembro 2017

Máscaras de gás

Playground

Somos animais simbólicos (Ernst Cassirer). Os únicos animais simbólicos. Há símbolos e símbolos. Poucos estão tão associados à morte como a caveira e a máscara de gás: a caveira por dentro da pele; a máscara de gás por fora.

Manfred mann's Earth Band. Messin. 1973

Manfred mann’s Earth Band. Messin. 1973

O anúncio Poisoned Playgrounds, da ClientEarth, lembra duas gravuras de Otto Dix, pintor expressionista veterano da I Guerra Mundial (ver diapositivos). Lembra, também, o vídeo musical Goodbye Blue Sky, dos Pink Floyd (The Wall, álbum: 1979; filme: 1982) e a capa do álbum Messin, dos Manfred Mann’s Earth Band (1973). O anúncio é duro, sem transigências. O problema da poluição do ar também é duro e com consequências. A poluição atmosférica não tem voz, nem rosto, como a máscara de gás.

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Anunciante: ClientEarth. Título: Poisoned Playgrounds. Agência: BMB London. Reino Unido, Setembro 2017.

Pink Floyd. Goodbye Blue Sky. The Wall. 1982

Conto de fadas à moda digital

McDonalds

Não há forma de evitar preconceitos e estereótipos. A mim, afigura-se-me que a publicidade oriental se dispõe entre dois extremos, sem meio termo: anúncios curtos e impactantes ou longos e emocionantes. O humor e o amor. Pelos vistos, rimos mais depressa do que choramos. O anúncio filipino The boy that loves to study é longo. É um conto de fadas com uploads, downloads e redes sociais. A fada madrinha é a McDonald’s.

Acrescento a canção Fate, interpretada, ao vivo, pela sul-coreana Sohyang (um cover de Lee Sun Hee).

Marca: McDonald’s. Título: The boy that loves to study. Agência: Leo Burnett. Filipinas, 2016.

Sohyang. Fate. Ao vivo. Cover de Lee Sun Hee.

Sushi

japanese sushi

Pensamento oriental do dia: A quem se põe em bicos de pés, algum dia escorregará o tapete.

Publiquei o anúncio japonês Meeting, da Gin No Sara, há mais de seis anos. Lançado em 2010, é um anúncio merece ser recordado. O meu comentário foi, então, lacónico:

Este anúncio é especial. E não parece. É uma construção de 2º grau: um anúncio que parodia e caricatura a publicidade. O resultado é singular e didáctico. Vale a pena estar atento ao extremo oriente.

Prossigo lacónico. O anúncio parodia com humor uma reunião de direcção de uma agência de publicidade. Parodia, também, um processo de decisão. Prossegue com uma performance. Encadear situações díspares comporta riscos. Não detectamos, porém consequências perversas. Ajuda, provavelmente, o facto de o corte entre as duas partes ser ostensivamente assumido. A performance com o casal de jovens combina simplicidade e comunicatividade. A publicidade preza o isomorfismo, bem como a alegoria. A ligação entre o “lego humano” e o sushi é brilhante. Ambos lembram o Yin-Yang.

Para terminar, uma actuação ao vivo do grupo japonês Wagakki Band.

Marca: Gin No Sara Sushi Delivery. Título: Meeting. Agência: Dentsu Tokyo. Japão, Março 2010.

Traditional Japanese Modern Music Dance. Wagakki Band. Live.

Originalidades

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O anúncio Original is never finished chapter3, da Adidas, arrisca tornar-se num marco no mundo da publicidade. Tema arrojado, imagens primorosas e intertextualidade subtil. Ironicamente, a originalidade é declamada com citações. A originalidade não acaba, recria-se. Por exemplo, a canção do anúncio, My Way, associada a Paul Anka e Frank Sinatra, é, afinal, uma originalidade francesa: Comme d’habitude (1967), com autoria e interpretação de Claude François. Nada como ser original graças à originalidade dos outros. Ser original em segunda mão. Reoriginalidades.

Marca: Adidas. Título: Original is never finished chapter3. Agência: Johannes Leonardo New York. Estados Unidos, Agosto 2017.

O romantismo atribui a originalidade ao indivíduo e ao génio. Esquece que a originalidade requer poder. Para ser original, a inteligência e a criatividade não bastam. Sem posição, alavanca e recursos, resulta improvável o reconhecimento como original. A originalidade é cada vez mais um luxo da academia dos Balnibarbos (Swift, Jonathan, 1726, As Viagens de Gulliver, Terceira Parte, Capítulo V). Não tarda a originalidade ser instituída por decreto. “Segundo publicação no Diário da República (…), está aberto concurso para originais (…) O júri é composto por clones especialistas na padronização do espírito”.

Não se deve brincar com coisas sérias! Caminhamos para um mundo que não sabe distinguir entre originalidade e repetição. Receio que as tendências actuais na organização da actividade científica (infografias, concursos, avaliação, financiamento) concorram para um menosprezo crescente do valor da originalidade.

 

 

O novo Sísifo

Carlsberg Everest

Um humor amoral, sem prólogo, epílogo, catarse, ou expiação, alicerçado numa minudência cósmica, é, no meu preconceito, humor das gentes do norte. Um humor destilado, como o whisky ou a cerveja. É um humor fino e espirituoso, sem anjos nem bestas, nos antípodas do riso farto e rasteiro. Temos humor e cerveja, falta a música. Há tantas músicas nórdicas! Opto por dois excertos da Suite Peer Gynt (1875), do compositor norueguês Edvard Grieg: Amanhecer (parte I) e Na Gruta do Rei da Montanha (parte IV).

Tenho o vício de colar adjacências ao tema principal, neste caso ao anúncio. Às vezes, acabam por ser as mais relevantes. É o caso presente.

Marca: Carlsberg. Título: Everest. Agência: Fold7 Creative. Estados Unidos, 2011.

Edvard Grieg. Amanhecer. Peer Gynt. Orkiestra Filharmonii Narodowej.

Edvard Grieg. Na Gruta do Rei da Montanha. Peer Gynt. Berliner Philharmoniker. 2010.

A solidão como companhia

Edvard Munch. Melancolia, 1894-6

Edvard Munch. Melancolia, 1894-6

O melancólico sente-se menos só sozinho.

Black Mountain Blues Band. Green Onions. Rock this place. 2001