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Pássaros de aço

“Em tempo de exultação da leveza, o peso e a robustez não se intimidam. Dá-me um extremo e mostro-te o outro. Uma barra tem dois extremos. Dobrada, os extremos tocam-se. O mundo anda assim, dobrado, com as distâncias a dançar tango (…) Estes quatro anúncios a automóveis vêm a talhe de foice: apostam no valor da robustez, com a leveza na lapela.” Aos pássaros de aço, de “O peso das coisas” (2016), acrescento “O Pássaro de Fogo” (excerto), conduzido pelo próprio Stravinsky.

Igor Stravinsky – O Pássaro de Fogo (excerto), 1910. Concerto de despedida em Londres, em 1965

Pós-Pavlov

Não consigo renunciar a recolocoar o artigo “Todos diferentes, todos iguais”, publicado há apenas três anos, no primeiro de julho de 2023 no blogue gémeo Margens. As palavras, as imagens e os vídeos estimulam!

Imagem: Kazimir Malevich. Sportsmen, 1931

Nas nuvens

Quase todos os anos escrevo um artigo a agradecer os votos de bom aniversário. Hoje, com a ida a Melgaço, não sobrou tempo. Não faz mal: aumentam os anos e diminuem os artigos e a estatura. Mas continua a vontade de voar e de comunicar. E de sonhar, também. A amizade ajuda. Recoloco, tardiamente, dois artigos que convocam este espírito: “Memória reincidente” (2020) e “Novidade e originalidade” (2017).

Ser e estar sem avarias

A dos días de cumplir 67 años, sigo aspirando a ser quien soy y a estar en paz conmigo mismo. Sin crisis ni daños.

¿Y tú?

Senxualidades ou A Sereia Láctea

Nathalie Cardone – Baila si, 1999

Não fosse o nível de insinuação do neologismo fonético Senxualidades e o título deste artigo dedicado à Nathalie Cardone poderia ter sido Anjo de Perdição, Batismo Lácteo ou Sereia na Brasa.

Naturalidades

Com o recurso à Inteligência Artificial, designadamente às potencialidades de animação, namora-se a hiper-realidade: a ilusão adquire outra vida e espessura. O anúncio “Give life some juice”, da Tropicana parece, assim, “natural” (como o sumo?). Simula a perfeição, “sem ponta por onde se lhe peque”, a não ser “dando-lhe a volta”, refrescando as ideias e os sentidos.

René Magritte – Tempo trespassado, 1938

Tropicana – Give life some juice / Anthem. Agência: FIG, New York. Direção: Dorian & Daniel. USA, junho 2026

Reconhecimento

Neste resgate de um artigo de 2020 e da memória de Odetta, muda-se de país e de música, mas sem perda: passamos do meraviglioso para o wonderful. Há seis anos, perdera o andar mas não o discernimento nem a busca de prazer. Hoje, estimo-os ainda mais importantes.

Lua, Estrela, Vénus, Gaivotas e Teslas

Moledo do Minho, 16.06.2026

A lua
La Luna

Um dia, ao improviso
Un giorno all’improviso

A lua se cansou
la luna si stancò

De olhar para o mundo, la de cima
di guardare il mondo di lassù

Ela pegou um cometa,
prese una cometa,

Seu rosto, escondeu
il volto si velò

E até o fim do céu, caminhou.
e fino in fondo al cielo camminò

(Angelo Branduardi, La Luna, 1975)

Um satélite, uma estrela e um planeta, três luzinhas solitárias e quase alinhadas. Falta um cometa, mas esses parecem estar do outro lado do mar. Curiosamente, nas recentes dezenas de vezes que tenho ido à varanda, afigura-se-me ver, nesta praia minhota, poucas gaivotas e muitos Teslas.

Continuo, obstinadamente, a escutar música italiana, hoje, La Luna de Angelo Branduardi

Angelo Branduardi – La Luna. La Luna, 1975. Music Festival “Avo Session”, Basel. Edition 2000

Demasiado potentes, prepotentes e impotentes

Quino e Mafalda

Que desenharia Quino (1932-2020) se estivesse vivo? Não lhe faltariam exemplares de potentes, prepotentes e impotentes em que se inspirar. Nada sofisticados nem discretos. A minha geração foi das mais “empoderadas” ao longo da vida; foi, também, daquelas cuja esperança mais inchou e desinchou.

Ternura

Das esculturas da Virgem com o Menino, com mais de quinhentos anos, às recentes gravuras de namorados de Raymond Peynet, a ternura e o humor juntos são uma delícia.