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Momentos mui raros

Raros o forno, o pão e a gargalhada. Em boa companhia e sabedoria. Depois da tenda com chouriço, do pão com chocolate e da sopa de batata, só faltou queimar as calorias com uma dança ao jeito, por exemplo, do Grupo Etnográfico da Casa do Povo de Melgaço ou com uma música da Brigada Victor Jara.

Malhão. Pelo Grupo Etnográfico Da Casa do Povo de Melgaço | Festa do Alvarinho 2022
Brigada Victor Jara. Arriba Monte. Por Sendas, Montes e Vales. 2000

Um pouco de amor e melancolia

Angel Olsen

We live together in a photograph of time” / Vivemos juntos numa fotografia do tempo (Antony And The Johnsons. Fistful Of Love)

Regularmente, o Tendências do Imaginário faz questão de introduzir uma pausa na conversa para “dar música”. Abrir uma janela lúdica entre artigos porventura mais densos. Que músicas? Quaisquer, de preferência que exprimam um gosto ou um estado de alma a partilhar. Estranho? O blogue é omnívoro e não possui contrato de exclusividade com assuntos ditos sérios nem é alérgico ao prazer. Não é só pela razão que se conhece e ainda menos se sente, se abraça, o mundo (Blaise Pascal, Pensées, 1670). Faz parte da sabedoria não espalmar a vibração dos sentidos, dos sentimentos e das emoções.

Angel Olson lançou este ano a canção Big Time. Associando Woman (2016) obtém-se um belo par que transmuta a melancolia em lamento e melodia, arte de que é mestre Antony. Recorde-se, por exemplo, Fistful Of Love. Um jeito de se deixar embalar em dia de chuva indolente.

Angel Olsen. Woman. My Woman. 2016. Ao vivo no KEXP studio, em 2017.
Angel Olsen. Big Time. Big Time. 2022. Vídeo oficial
Antony And The Johnsons. Firtful Of Love. I Am a Bird Now. 2005. Ao vivo.

Circuito de Generosidade

«Stultorum chorea». Dança dos tolos. (1550-1600), gravura de Frans Hogenberg (© British Museum).

No anúncio “Noel 2022”, da Coop, uma corrente de entreajuda forma uma roda: quem recebe um gesto de generosidade prossegue-o até regressar ao primeiro par, num encadeamento circular que lembra o circuito Kula das ilhas Trobriand (Bronislaw Malinowski). Bonito? Muito. Improvável? Bastante. Possível? Talvez, durante o Natal. Pelo menos, na imaginação. A roda da vida a sobrepor-se às danças da morte e dos tolos.

Dança macabra. Mosteiro dos Bernardinos. Séc. XVII. Cracóvia.

Marca: Coop. Título: Nöel 2022. Suíça, novembro 2022.

Homenagem (29.11.2022)

Depois da homenagem, resta o registo com quase três horas de duração. Recomendava-se a montagem do vídeo com cortes, colagens, focagens e legendas, mas o software habitual teimou em encadear erros e abalar a paciência. É verdade que o original pesava mais de 25 GB. Segue, portanto, o registo integral, bruto, da câmara de filmar, apenas convertido a um formato vinte vezes menos pesado (1,36 GB).

Torna-se assim possível visionar a sessão a modos como sentado no lugar fixo da câmara, com a vantagem de saltar ou rever esta ou aquela passagem. Infelizmente, o som podia ser melhor, designadamente nas intervenções com recurso ao microfone. Foi esquecimento não colocar o microfone da câmara de filmar na mesa. Tal como uma fotografia de um filme perde nitidez, a gravação através de uma câmara de filmar de um som emitido por colunas perde qualidade porque as ondas são distintas.

Agradeço a iniciativa do Departamento de Sociologia, da Câmara de Melgaço e do Centro de Estudos Comunicação e Sociedade, a disponibilidade do Museu de Arqueologia Diogo de Sousa, as intervenções de Alexandra Lima, Carlos Veiga, Manoel Baptista, Madalena Oliveira, Moisés Martins e Álvaro Domingues, a interpretação do Francisco Berény Domingues, a presença do Grupo Etnográfico da Casa do Povo de Melgaço e a dedicação da Rita Ribeiro, do Joaquim Costa e da Alice Matos.

Anexo o vídeo com quase toda a sessão. A parte em falta, com as primeiras danças do Grupo Etnográfico da Casa do Povo de Melgaço e a receção por parte da direção do Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa, está disponível no seguinte link: https://tendimag.com/2022/12/05/grupo-etnografico-da-casa-do-povo-de-melgaco-inicio-da-homenagem/.

Homenagem ao Professor Albertino Gonçalves. Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa, 29.11.2022. Desde a abertura pelas entidades organizadoras até ao encerramento pelo Grupo Etnográfico da Casa do Povo de Melgaço

Índice
Abertura:
Joaquim Costa (Departamento de Sociologia) – 00:.0:40
Carlos Veiga (Departamento de Sociologia) – 00:05:10
Manoel Baptista (Câmara de Melgaço) – 00:18:33
Madalena Oliveira (Centro de Estudos Comunicação e Sociedade) – 27:24
Apresentação:
Moisés de Lemos Martins (Universidade do Minho) – 00:37:38
Moderação:
Alice Matos (Departamento de Sociologia) – 01:06:36
Lição “O Olhar de Deus na Cruz: o Cristo Estrábico“:
Albertino Gonçalves – 01:08:30
Momento musical:
Francisco Berény Domingues (Guitarra) – 01:49:09
Testemunho:
Álvaro Domingues (Universidade do Porto) – 02:02:52
Oferta:
Daniel Noversa (Doutoramento em Estudos Culturais) – 02:14:28
Apresentação do livro Sociologia Indisciplinada
Rita Ribeiro (Departamento de Sociologia) – 02:16:22
Dança (2ª parte):
Grupo Etnográfico da Casa do Povo de Melgaço – 02:22:24

Grupo Etnográfico da Casa do Povo de Melgaço (início da homenagem)

Vários amigos não puderam assistir à homenagem no 29 de Novembro. Gostariam de ter uma ideia. Colocaremos, sucessivamente, alguns momentos. Por agora, seguem dois vídeos com o Grupo Etnográfico da Casa do Povo de Melgaço. O primeiro com as danças do início e o segundo, impressionante pela resistência e leveza, da segunda parte, a final. Melgaço é um território envelhecido que veio perdendo população. Não obstante é um território vivo onde as diferentes gerações se empenham em dar o braço. Melgaço tem muitos embaixadores. O Grupo Etnográfico da Casa do Povo de Melgaço destaca-se como um deles.

Homenagem ao Prof. Albertino Gonçalves. Grupo Etnográfico da Casa do Povo de Melgaço (1ª parte) e receção pela direção do Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa, 29.11.2022

Carregar na imagem seguinte para aceder ao vídeo.

Grupo Etnográfico da Casa do Povo de Melgaço. Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa. 29 de novembro de 2022. Fonte: Grupo Etnográfico da Casa do Povo de Melgaço.

Aleluia

Autor: Rui Rito

Ao Jean Martin Rabot que conheci há 40 anos em Paris na casa do Michel Maffesoli.

No regresso de uma aula ao doutoramento em Estudos Culturais, aguarda-me uma surpresa agradável: um atalho para a canção Una Noche Más, de Yasmin Levy. A terceira sugestão de Rui Rito, após a música Born Free, de Giovanni Marradi (https://www.youtube.com/watch?v=KBtYWkxOOCA), e a canção Et si tu n’existais pas, de Joe Dassin (https://www.youtube.com/watch?v=Ueba8LaflnE). Trata-se de um gesto raro que me sensibiliza. Ao Tendências do Imaginário e à minha página no facebook falta-lhes o oxigénio da reação dos visitantes. Nem sombra de reciprocidade. Os artigos parecem dar sumiço num monstruoso buraco negro, sem ressonância.

Desde janeiro de 2011, com 3 758 artigos e 1 228 271 visualizações, o Tendências do Imaginário mereceu 1 156 comentários, 968 circunscritos a apenas sete pessoas, somando uma 785. No facebook, uma dúzia de “gostos” num artigo, quase sempre pelos mesmos amigos, já satisfaz. Escrevo para um público que, eletronicamente, não corresponde. Como se houvesse alguma intimidação ou toxicidade. Uma sugestão ergue-se como uma flor no deserto, a mais improvável e encantadora.

Escutar Yasmin Levy aproxima-se de uma revelação. Lembra, com a devida modéstia, a madalena da Busca do Tempo Perdido, de Marcel Proust, ou a espreguiçadeira de Hans Castorp no sanatório da Montanha Mágica, de Thomas Mann. Escutei de enfiada até às tantas da madrugada uma trintena de canções. Desconhecia Yasmin Levy. Ainda bem. Neste mar de ignorância, uma descoberta é uma jangada, uma oportunidade de sabedoria. Demasiado recente, o parco conhecimento da obra de Yasmin Levy dificulta a seleção das músicas. Segue, portanto, uma incontinência de cinco vídeos.

Nascida em Israel, em 1975, Yasmin Levy é filha de um folclorista turco, Yitzhak Levy, (…) que colectava canções em ladino (a língua dos judeus da Península Ibérica). A obra de Yasmin inclui músicas em ladino, espanhol, hebraico, árabe e turco (…)  O jornal Guardian considerou Yasmin “uma das melhores cantoras do Médio Oriente” (…) Numa mescla de música cigana (flamenco) com instrumentos como o alaúde, o violoncelo, e o piano e uma maneira moderna de cantar, ela deu nova vida a letras muito antigas, vindas dos bairros judeus habitados pelos descendentes dos exilados de Portugal e Espanha no século XVI” (https://pt.wikipedia.org/wiki/Yasmin_Levy).

Yasmin Levy. Una Noche Más. Mano Suave. 2007
Yasmin Levy. Adio Kerida. Manu Suave. 2007. Live from Bucharest National Opera House
Yasmin Levy. Madre, Si Esto Hazina. Romance & Yasmin. 2004
Yasmin Levy. Perdono. Frida. 2002
Yasmin Levy. nani nani. Libertad. 2012

Tédio e lentidão

A um amigo que me ofereceu histórias de imagens, de Robert Walser.

A lentidão é um luxo, o tédio um tormento. Onde está a fronteira?

Regresso às “minhas” músicas; deixo os “tops of the pops” para outras oportunidades. Hoje, estive a ouvir o álbum Astral Weeks (1969), de Van Morrison. Coloco as três últimas faixas.

Van Morrison. Madame George. Astral Weeks, 1969
Van Morrison. Ballerina. Astral Weeks, 1969
Van Morrison. Slim Slow Slider. Astral Weeks. 1969.

A deserção do amor. The Kills II

Egon Schiele, Autoportrait en gilet, le coude droit levé, 1914

” La mort est plus aisée à supporter sans y penser, que la pensée de la mort sans péril” / É mais fácil suportar a morte sem pensar nela do que o pensamento da morte sem perigo” (Blaise Pascal, Pensamentos: Artigo XXI – Miséria do Homem: III).

  • Batem forte, fortemente,
  • Como quem pede por mim.
  • Será vida? Será morte?
  • A vida é, certamente
  • mas a morte também bate assim.
  • (A partir de Augusto Gil)

Seguem algumas pancadas eletrizantes dos Kills: Love Is A Deserter (2005); Future Starts Slow (2011); e Doing It To Death (2016).

The Kills. Love Is A Deserter. No Wow. 2005.
The Kills. Future Starts Slow. Blood Pressures. 2011.
The Kills. Doing it to death. Ash & Ice. 2016.

Sentir-se bem

“o homem nasceu para o prazer. Sente-o.” (Blaise Pascal).

“A maior parte das coisas que dão prazer não são razoáveis” (Montesquieu).

O vento leva, o vento traz. Retomo este artigo adiado há dois dias.

Funciono por vagas. Ora música, ora publicidade, ora imagens, ora escrita. Assim me disperso. Esta semana, escrevi, escrevi, escrevi: ruminação obstipada com destempero de letras. Coisa séria e ensimesmada. Apetece-me fechar as palavras e abrir a janela às notas, à música. Deixar entrar prazer descontraído. Com os olhos desembaciados. Quero sentir-me bem! Com minudências. Por exemplo, a partilhar Bobby McFerrin, Anne Murray e Nina Simone.

Bobby McFerrin. Sing! Day of song – Improvisation. Ao vivo. Veltins arena. 2010.

Anne Murrey. I Can See Clearly Now (versão original). There’s a Hippo in My Tub. 1977.
Nina Simone. Feeling Good (Official Video). 2021.

Grupo Etnográfico da Casa do Povo de Melgaço

É um prazer partilhar um vídeo e uma galeria de imagens da atuação do Grupo Etnográfico da Casa do Povo de Melgaço durante a Festa do Alvarinho e do Fumeiro 2020 em Melgaço.

Malhăo|Grupo E.Da Casa do Povo de Melgaço | Festa do Alvarinho 2022

Para a aceder à galeria de fotografias da atuação do Grupo Etnográfico da Casa do Povo de Melgaço durante a Festa do Alvarinho e do Fumeiro 2022, carregar na seguinte imagem:

Grupo Etnográfico da Casa do Povo de Melgaço