Arquivo | Dança RSS for this section

Ritmo latino

wtf uberEste anúncio é português. Tem um ritmo e um colorido estonteantes, e música original. Um ritmo acelerado sem travão.

Marca: WTF. Título: WTF + UBER. Agência: Havas. Produção: Playground Films. Portugal, Outubro 2017.

Manequins

sevres-24-fashion-film-feature-image

A publicidade abre-se cada vez mais à coreografia e à dança. 24 Sèvres é uma loja online que propõe peças de vestuário exclusivas de marcas consagradas. Presente em mais de 70 países, está associada ao “grand magasin” Le Bon Marché, localizado, precisamente, no nº 24 da rue de Sèvres, em Paris. No anúncio “Where fashion comes to life”, os manequins ganham vida, como num conto de E.T.A. Hoffmann. É preciso substituí-los. Estamos preparados? Que belos manequins que nós dávamos…

Marca: 24 Sèvres. Título: Where fashion comes to life. Agência: Fred & Farid Paris. Direcção: Nicolas Winding Refn. França, Setembro 2017.

A dança dos drones

BUYMA-Ad-Campaign-image-2

Este anúncio japonês, A Kind Drone, da cadeia de roupa Buyma, arrecadou vários prémios. Curiosamente, só foi exibido na televisão uma vez. Teve um enorme sucesso viral. Com pouco se faz um bom anúncio: uma boa ideia e arte para a realizar.

Marca: Buyma. Título: A Kind Drone. Agência: Dentsu, Tokio. Direcção: Takumi Shiga. Japão, Dezembro 2015.

Sem deixar o Oriente, segue uma interpretação da chinesa Jane Zhang, uma voz bastante versátil (música pop e clássica).

Jane Zhang interpreta The Diva Dance Opera, do filme The Fifth Element.

Entre gerações

paolo-conteConheces Paolo Conte? Um cantor italiano. Deve rondar os oitenta anos. Tu e eu não somos da mesma geração. A diferença que a idade faz! Tenho os bolsos cheios de anos e tu, cheios de vida. Tu não conheces o que eu conheço e eu não conheço o que tu conheces. E a sociologia continua a subestimar o efeito das gerações.

Paolo Conte é um cantor jazz inconfundível. Não é o Seal, nem o Pedro Abrunhosa, creio, contudo, que és capaz de gostar. Mais ou menos folhas mortas, as gerações comunicam e aprendem umas com as outras.

Via Con Me é uma canção de Paolo Conte de 1981. O vídeo resulta de uma montagem de sequências de três filmes com Fred Astaire e Ginger Rogers. Sparring Partner é uma canção de 1993. Via Com Me é a canção mais célebre de Paolo Conte. Não obstante, prefiro a segunda, de que contemplo duas versões: uma interpretada ao vivo na Arena di Verona, em 2005, a outra, uma gravação de estúdio, de 1993. São diferentes. O piano não engana.

Paolo Conte. Via Con Me. Álbum Paris Milonga. 1981.

Paolo Conte: Sparring Partner. Álbum Tournée. 1993. Ao vivo na Arena di Verona. 2005.

Paolo Conte: Sparring Partner. Álbum Tournée. 1993.

Despasmar o prazer

Dune. Elements. 2017.

Estética orquestral num anúncio da Dior votado à sedução. Sem parasitar atributos alheios. “Je suis comme je suis, je plais à qui je plais” (Jacques Prévert). What else? A dança do corpo nas cordas de um violoncelo; o âmbar de um tempo humano e divino. Entre dois mundos, o cósmico e o feminino, e quatro elementos: o vento, a areia, o fogo, a água. E um perfume: Dune.

“A woman embodies the dune, created in the low chamber of an hourglass. After breaking free, she is able to control the Elements. This piece is a dreamlike journey from the sands of the dune to the waters of the ocean”.

Marca: Dior Dune. Título: Elements. Agência: Art Center College of Design. Direcção: Ignacio Sepúlveda. Estados Unidos, Junho 2017.

Houve tempos em que me revia no poema de Jacques Prévert. Hoje, infelizmente, só com um capacete de realidade aumentada. Seguem o anúncio Elements, da Dior, e o poema Je Suis Comme Je Suis, de Jacques Prévert, em francês e em português (tradução de Priscila Junglos). Não resisto a intercalar um vídeo musical com uma versão heavy Metal do poema de Prévert, pela banda Spike. O poema Je suis comme je suis foi interpretado, entre outros, por Juliette Greco (1952) e Wende Snigder (2004). Opto pela banda francesa de Salles-Sur-Hers (Carcassonne ):  o guitarrista é empregado municipal e bombeiro; o baixo, marceneiro; o bateria, “encarregado de negócios”. A música destoa da volúpia reinante, mas nada como uma dissonância para despasmar o prazer. Em vésperas de aniversário, acodem-me as originalidades da existência. O resto são inércias e formulários biográficos. Gosto de uma vertente da globalização. Não tanto a internacionalização, até um tomate bem calibrado se internacionaliza, mas o acesso ao local: a um lugar recôndito, com 695 residentes, e a uma banda de música, com 19 409 visualizações no You Tube. Como não a encaro como uma plataforma para alpinistas de rankings, a Internet agrada-me.

Spike. Je suis comme je suis. (J. Prévert / Spike). 2016.

Jacques Prévert. Je Suis Comme Je Suis. Paroles. 1946.

Je suis comme je suis
Je suis faite comme ça
Quand j’ai envie de rire
Oui je ris aux éclats
J’aime celui qui m’aime
Est-ce ma faute à moi
Si ce n’est pas le même
Que j’aime chaque fois
Je suis comme je suis
Je suis faite comme ça
Que voulez-vous de plus
Que voulez-vous de moi
Je suis faite pour plaire
Et n’y puis rien changer
Mes talons sont trop hauts
Ma taille trop cambrée
Mes seins beaucoup trop durs
Et mes yeux trop cernés
Et puis après
Qu’est-ce que ça peut vous faire
Je suis comme je suis
Je plais à qui je plais
Qu’est-ce que ça peut vous faire
Ce qui m’est arrivé
Oui j’ai aimé quelqu’un
Oui quelqu’un m’a aimé
Comme les enfants qui s’aiment
Simplement savent aimer
Aimer aimer…
Pourquoi me questionner
Je suis là pour vous plaire
Et n’y puis rien changer.

Jacques Prévert: Eu sou como eu sou

Eu sou como eu sou
Eu sou feita assim
Quando eu tenho voltade de rir
Sim, eu gargalho
Eu gosto de quem me gosta
Lá isso é culpa minha
Se não é o mesmo
Que eu gosto a cada vez
Eu sou como eu sou
Eu sou feita assim
O quê você quer além disso
O quê você quer de mim
Eu sou feita para agradar
E nada nisso posso mudar
Meus saltos são muito altos
Minha silhueta muito empinada
Meus seios são duros demais
E em meus olhos muitas olheiras
E depois, e daí
O quê isto tem a ver com você
Eu sou como eu sou
Eu agrado a quem eu agrado
O quê isto tem a ver com você
O quê aconteceu comigo
Sim, eu amei alguém
Sim, alguém me amou
Como as crianças que se amam
Simplesmente sabem amar
Amar amar…
Por que me questionar
Eu estou aqui para lhe agradar
E nada nisso posso mudar.

(Tradução de Priscila Junglos: http://triunfecomofrances.blogspot.pt/2012/11/je-suis-comme-je-suis-de-jacques-prevert.html).

Estética da libertação

Ana Luisa Santos. Crisálida. Fotografia de guto Muniz.

Ana Luísa Santos. Crisálida. Fotografia de Guto Muniz.

Há dias assim, em que se dispensam discursos que se desfazem em ideias; barrocos por fora, ocos por dentro. Basta uma ideia bem explorada, uma pequena centelha para acender a imaginação. O que sugerem as imagens do anúncio Incoming? Uma múmia? Uma crisálida? Uma clausura? Uma bandagem? Uma dança contemporânea? Um nu feminino? Uma manta simbólica para uma estética da libertação.

Carregar na imagem ou no seguinte endereço (http://www.culturepub.fr/videos/orange-incoming/) para aceder ao anúncio.

Orange Incoming

Marca: Orange. Título: Incoming. Agência: WCRS. Direcção: Daniel Barber. Reino Unido, 1995.

Dança cromática

Becoming Violet

Três sereias: música, dança e cor. Precedidas por uma frase de Omar Calabrese. Mais palavras para quê?

“Quanto mais se busca um efeito de verosimilhança, mais se deve recorrer a um máximo de artifício que, aliás, para passar de “norma” a “uso”, requer elevada destreza técnica” (Calabrese, Omar, 1994, Cómo se lee una obra de arte, Madrid, Ed. Cátedra, p. 30).

Carregar em HD para escolher uma boa resolução. Este vídeo merece.

Steven Weinzierl. Becoming violet. BalletMet. USA, Agosto 2016.

The Special One

edgar-degas-arabesque-modeled-1885-90

Edgar Degas. Arabesque. Modeled 1885-90.

Abordámos, no artigo anterior, o tópico do excluído menosprezado que consegue ascender a uma posição de topo, mediante a superação de uma prova, fantástica ou natural. Cinderela, humilhada pela família e ajudada pelas fadas, dança, calça o sapatinho e casa com o príncipe. Se há arquétipos, este é um arquétipo. Impregna o imaginário, os media e a vida quotidiana. A predestinação ou o chamamento implicam uma travessia, de mau a bom porto, sobressaltada por provas mais ou menos homéricas. A Cinderela e o Patinho Feio trazem à memória a glória dos santos mártires e o exemplo do self made man. The special one and the choosen one legends. O anúncio Ingrid Silva, da Activia, navega nestas águas. “Born in a poor Rio neighborhood, Ingrid Silva became a professional ballerina in New York. She is regarded as one of the world’s best emerging dancers”.

Marca: Activia. Título: Ingrid Silva. Agência: Wunderman Paris. França, Junho 2016.

O bailado dos pepinos

Este anúncio da Hungarian Dance Academy é delicioso, com alguma malícia à mistura. Lembra os contos de fadas. Uma bailarina esforça-se para abrir, enquanto dança, um frasco de pepinos. Não consegue. Uma desilusão. Há falta de homens no bailado! Para aceder ao anúncio, carregar na imagem.

ballet-needs-boys

Anunciante: Hungarian Dance Academy. Título: Ballet needs boys. Agência: Leo Burnett Budapest. Direcção: Milos Ili, Imre Juhasz. Hungria, 2004.

Corpos libertos

KENZO-WORLD-FRAGRANCE-FILM

O Américo enviou-me, do Qatar, o anúncio The New Fragance, da japonesa Kenzo. Tanto perfume numa única mulher! Tanta mulher num único perfume! Tanta exal(t)ação! O anúncio não parece o que é: um anúncio a um perfume. Desvia-se e inova. Deve ser o efeito Don Quixote.

O anúncio é dirigido por Spike Jonze, um realizador consagrado. Lembra-se do filme Being John Malkovich (1999)? Spike Jonze repartia, há pouco tempo, o pódio dos realizadores de vídeos musicais com Chris Cunningham e Michel Gondry.

Ter um conceito dá mais jeito do que ter uma ideia. O conceito transpõe-se com alguma facilidade. O conceito do anúncio The New Fragance é parecido com o conceito dos vídeos musicais Weapon of Choice (2000) e, embora menos, Praise you (1998), ambos realizados por Spike Jonze para Flatboy Slim.

Marca: Kenzo. Título: The new fragance. Direcção: Spike Jonze. Internacional, Agosto 2016.

Flatboy Slim. Weapon of Choice. Dirigido por Spike Jonze. 2000.

Fatboy Slim. Praise you. Dirigido por Spike Jonze. 1998.