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Folia à portuguesa

BRUEGHEL, Pieter the Younger. Village Street with Dancing Peasant. 1626-28. Coleção privada

É raro, mas acontece-me escrever com um estilo um pouco mais sério. Sobretudo, quando o texto é informativo e didático.

Até os esqueletos dançam

William Blake – Oberon, Titania and Puck with Fairies Dancing, ca.1786. Tate Britain
Tendências do Imagináio, 27 de julho de 2020
Tendências do Imaginário, 16 de junho de 2019

Excessos do corpo e limiares da consciência

As danças de São Guido, observadas entre a Idade Média e a Idade Moderna, consistiam em surtos de histeria coletiva caracterizados por movimentos involuntários, espasmos e episódios de dança aparentemente incontroláveis. Grupos inteiros de pessoas começavam a dançar de forma compulsiva durante horas ou dias, por vezes até à exaustão ou desfalecimento.

As raves contemporâneas lembram, guardadas todas as proporções, as antigas danças de São Guido: multidões entregues ao ritmo até ao esgotamento, como se o corpo procurasse um limiar onde a consciência se transforma. Por outro lado, não deixam de dialogar com as longas peregrinações, nas quais o excesso já não é o da dança, mas o da marcha.

Imagem: William Blake – Illustration to John Bunyan’s The Pilgrim’s Progress. Composed c. 1824-27

Chamar a música

Sara Tavares – Chamar a Música. Festival da Canção 1994

A par da imagem e do pensamento, a música constitui, desde o início, uma das apostas do blogue Tendências do Imaginário. Embora crucial, o principal critério de seleção não é nem o meu gosto nem o dos seguidores. O intuito decisivo consiste em mostrar a imensa diversidade de músicas notáveis (não necessariamente notórias) independentemente do género ou da proveniência. Espelha a insatisfação com as paradas, os intérpretes e os críticos que nos são servidos pela comunicação social predominante.

As músicas dos artigos The earth is my grave (de 17 de julho de 2014) e Vozes (de 17 de julho de 2019) são bastante diferentes. Identifico-me com o cantor norte-americano Don McLean e aprecio o compositor belga Nicholas Lens.

O burro e a cenoura de geração em geração

Cartaz do Carnaval de Loulé de 2014

Recupero dois artigos: “O burro e a cenoura”, de 7 de julho de 2018, e “Entre gerações”, de 6 de julho 2017. O primeiro vale pela provocação, o segundo, pela música.

Pássaros de aço

“Em tempo de exultação da leveza, o peso e a robustez não se intimidam. Dá-me um extremo e mostro-te o outro. Uma barra tem dois extremos. Dobrada, os extremos tocam-se. O mundo anda assim, dobrado, com as distâncias a dançar tango (…) Estes quatro anúncios a automóveis vêm a talhe de foice: apostam no valor da robustez, com a leveza na lapela.” Aos pássaros de aço, de “O peso das coisas” (2016), acrescento “O Pássaro de Fogo” (excerto), conduzido pelo próprio Stravinsky.

Igor Stravinsky – O Pássaro de Fogo (excerto), 1910. Concerto de despedida em Londres, em 1965

Ser e estar sem avarias

A dos días de cumplir 67 años, sigo aspirando a ser quien soy y a estar en paz conmigo mismo. Sin crisis ni daños.

¿Y tú?

A nostalgia dá um passeio de bicicleta

Desde 2012, escrevi, no dia 25 de junho, vários artigos que estimo dignos de releitura. Relevo, especialmente, “A Nostalgia do Invisível”, de 2018, que se disingue, sobretudo, graças à inclusão do trabalho prático “A nostalgia do invisível – Memória e imaginário”, da autoria de Vanessa Caroline de Almeida e Alcântara, aluna do curso de mestrado em Comunicação, Arte e Cultura.

Imagem: Corinna Luyken. O Livro dos Erros. Ed. original, 2017. Detalhe

Não sei se a aluna é uma extensão do professor ou o professor, da aluna. Salomonicamente, diria que ambos são, como resulta agora dizer-se, agência, logo extensões recíprocas.

O conceito de “extensão do homem” costuma ser atribuído a Marshall McLuhan, mas, na linguagem de Louis Althusser, não ele foi quem o “descobriu”, “inventou-o”; propôs a respetiva construção teórica. A realidade já era observada, pelo menos, desde Aristóteles: a roda em relação aos pés; a roupa, à pele… Em 1858, Maurice Leblanc, já escrevia, no livro Voici des Ailes (66 anos antes do understanding Media: The Extensions of Man, publicado em 1964), o seguinte a propósito da bicicleta:

Um aperfeiçoamento do próprio corpo, o seu acabamento. É um par de pernas mais rápidas que lhe é oferecido. O homem e a máquina são um só. Não são dois seres diferentes como o homem e o cavalo, dois instintos em oposição. Não, é um só ser, um autómato feito de uma só peça. Não há um homem e uma máquina. Há só um homem mais rápido (citado por Manuel Ferreira da Costa no livro A Póvoa de Varzim na Belle Époque: panorama da vida cultural e do turismo balnear, no prelo, pág. 231, que tenho a honra de prefaciar).

O 25 de junho parece ser um dia particularmente inspirador. Embora “A nostalgia do Invisível” seja o artigo que mais me sensibilizou, não resisto a acrescentar, como lembretes, mais três: “Miragem com falo à vista”, de 2012; “Epidemia de dança”, de 2013; e “Sombras”, de 2014.

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É possível

Recordar apenas uma canção (La Luna) de Angelo Branduardi sabe a pouco. Compositor e intérprete de eleição, tenho publicado muitas canções suas. Por exemplo, Ballo in Fa diesis Minore (Sono Io la Morte) e Nelle Palludi di Venezia (com Teresa Salgueiro), ambas no artigo A passo de caranguejo. Canção da morte (24.04.2015), que recoloco. Acrescento quatro canções: Confessioni di un malandrino (1975); Alla Fiera Dell’Est (1976); La pulce d’acqua (1977); e Si può fare (1992). Um consolo…

Angelo Branduardi – Confessioni di un malandrino. La luna, 1975. Premio Città di Recanati IX, anno 1999
Angelo Branduardi – Alla fiera dell’ Est. Alla Fiera Dell’ Est. 1976. Ao vivo em 1996. DVD “Camminando Camminando”, 2006
Angelo Branduardi – La Pulce D’Acqua. La Pulce D’Acqua. 1977. Ao vivo em 1983. Roma, Teatro Sistina.Tour “Cercando l’oro”
Angelo Banduardi. Si può fare. Si può fare. 1992. Ao vivo, em 1996. DVD “Camminando Camminando”, 2006

Sem palavras

Ludovico Einaudi Experience par Claire et Antho. Colocado em 15.10.2022