Por uma Sociologia da Beleza

Por que motivo não existe uma sociologia da beleza? A sociologia engloba tantas especialidades: o corpo, a moda, o lazer, o desporto, o quotidiano, a família, o género, a educação, a arte, a cultura, o poder, as desigualdades, o envelhecimento, a comunicação, as minorias… E não sobra um lugar para uma sociologia da beleza.
Sinto a falta de uma sociologia da beleza. Ajudaria a perceber, por exemplo, o anúncio “Encontro”, da empresa brasileira Marisa (…) Tanta beleza! Só beleza. Com preguiça mental, deduzo que aquela roupa exibida pelos modelos se destina a mulheres igualmente belas. Será que a beleza das modelos influencia a escolha das pessoas? Por toque de beleza? Um “não-sei-quê” que faz a diferença? Por magia? A beleza é dúctil como o ouro.
O Rei dos Parvos

Nunca subestimem o poder da estupidez humana (Robert Heilein).
São inúmeros os nomes atribuídos à sociedade contemporânea. Sociedade parva também cabe na lista. Somos uma SARL: Sociedade Anónima de Responsabilidade Limitada. O anúncio brasileiro Be an asshole, da Sociedade dos amigos da Amazónia, é uma boa introdução à estupidez, à inércia e à dissipação humanas. (Estúpidos, 21.08.2017).
imagem: George Grosz – The Grey Man Dances, 1949
Pai afasta de mim esse cálice
À Eliane

Creio que estou prestes a terminar um malogrado procedimento burocrático. “Pai afasta de mim esse cálice”! Por algum tempo, porque desta merdificação pátria ninguém se pode estimar definitivamente livre.
Aos mortos

No que respeita ao interesse e à diversidade dos artigos, o primeiro de agosto manifesta-se fértil. Prodiga músicas, anúncios, sexo… Faltam os mortos, esqueléticos ou não. Os artigos Minimalismo corporal, de 2017, e Carta aos mortos, de 2018, vêm colmatar essa falha.
Com o Filho no Colo em Melgaço

Tenho colaborado em muitos eventos e projetos no município de Melgaço. Que me lembre, nenhum da minha iniciativa pessoal. Atividades paralelas ou circunstanciais.
“É preciso a chuva para florir”. Esperei pelos 66 anos de idade para apresentar em Prado, freguesia onde nasci, obra da minha lavra e interesse, resultado da minha própria investigação.
Vou retomar, adaptada, uma conferência, bem acolhida, em Braga, em novembro de 2025, e em Guimarães, em março de 2026. Abordarei, com alguma originalidade, as imagens, prodigiosas, da Virgem Maria com o filho no colo, ainda menino ou já morto: o princípio e o fim de Cristo feito homem, da Encarnação. Concentrar-me-ei nos séculos XIV e XV, recuando mais de quinhentos anos. O tema não é caseiro. Abriga-se na alma e ultrapassa a cristandade. A escala é a humanidade e a mensagem sempre atual.
Esperar tem custos. O mundo e a vida não param. Muitos que desejava que assistissem e que penso que gostariam de o fazer já não podem. Vou falar para os conterrâneos contemporâneos. Se conseguir, ao seu jeito.
Deixo o convite para a próxima sexta-feira, 29 de maio, com início às 21 horas, no salão da junta de freguesia de Prado. Mais do que uma conferência, poderá proporcionar-se, também, um reencontro. A promoção de mais iniciativas do género depende do modo como esta semente ou enxerto pegar.
Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso
Porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte
Mais feliz, quem sabe
Só levo a certeza
De que muito pouco sei
Ou nada sei
Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir
Penso que cumprir a vida
Seja simplesmente
Compreender a marcha
E ir tocando em frente (…)
(Almir Sater e Renato Teixeira, Tocando em Frente)
Verde que te quero verde

A morte de um jardineiro não lesa a árvore. Mas se ameaçares a árvore, então o jardineiro morre duas vezes (Antoine de Saint-Exupéry, Citadelle, 1948)
A presente onda de calor lembra-me três anúncios dedicados aos riscos de desflorestação. O primeiro, “Refugee Tree”, brasileiro, é promovido por organismos estatais (The Climate Reality Project Brasil, GT.INFRA e ENGAJAMUNDO), o segundo, “Weird Search Requests”, internacional, pela plataforma privada Ecosia, e o terceiro, “EcoAlarm”, pela parceria público privada entre a fundação argentina Banco de Bostes e a Spotify.

Segundo a FAO, entre 2010 e 2020, o planeta sofreu uma perda líquida cerca de 4,7 milhões de hectares de floresta por ano. Em contrapartida, no mesmo período, a Europa, incluindo a Rússia, conheceu um aumento líquido da área florestal de cerca de 0,3 milhões de hectares por ano. Em Portugal, a cobertura não está a diminuir significativamente, mas a qualidade e a resiliência dos ecossistemas florestais estão a degradar-se, devido, sobretudo, aos incêndios e à expansão da monocultura, designadamente, do eucalipto.
Troncalidade

O Alberto e o Eduardo descobriram em Melgaço o Bar das Termas (Peso), a Tasquinha da Portela (Paderne), o bar de vinhos Contrabando (Praça da República, na Vila), o Mosteiro de Fiães, onde beneficiámos da hospitalidade do Padre Rogério Rodrigues, e, por último, o Café Jardim (Penso). O percurso terminou em Moledo, no restaurante O Trem. No que me respeita, tive a felicidade de ficar a conhecer a voz do Edson Cordeiro.
Edson Cordeiro nasceu em 09 de fevereiro de 1967, em Santo André, grande ABC. Frequentou a igreja do Evangelho Quadrangular, onde começou a cantar no coral. Na adolescência, trabalhou com teatro infantil, como parte da companhia teatral da Turma da Mônica. Em meados dos anos 1980, teve uma exitosa carreira teatral participando da ópera rock “Amapola” (1985), da terceira montagem brasileira do musical “Hair” (1988) e da peça “O doente imaginário” (1989). Em 1990, realizou seus primeiros shows solos no Rio de Janeiro e em São Paulo. O sucesso de suas apresentações resultou em um contrato com a gravadora Sony, lançando em 1992 seu primeiro disco “Edson Cordeiro”. No final dos anos 1990, lançou as coletâneas “Disco Clubbing – Ao vivo” e “Disco Clubbing 2 – Mestre de Cerimônia”, com regravações de clássicos da Disco Music internacional. Em 2010, mudou-se para a Alemanha, onde vive. (https://memorialdaresistenciasp.org.br/pessoas/edson-cordeiro/)
Amor de Perdição
Existem sereias anfíbias. São as mais perniciosas. Cuidado!
Gostar de quem não gosta de nós

Cada vez me convenço mais que resulta mais gostoso gostar do que ser gostado, o que não é o mesmo que gostar de quem não gosta de nós. Pode acontecer, mas não necessariamente. Pelos vistos, sucede com o brasileiro Hyldon na canção “Na Rua, Na Chuva, Na Fazenda, de 1975. Trata-se de um cantor, compositor e instrumentista particularmente popular nos anos setenta, sendo considerado um dos precursores da música negra brasileira.
Registo Civil Vegetal e Limoeiro

O limoeiro é muito bonito e a flor do limão é doce
Mas o fruto do pobre limão é impossível de comer
(Peter, Paul & Mary, Lemon Tree, 1962)
A árvore torna-se forte com o vento (Séneca, 4 a.C. – 65 d.C.)

Uma ideia genial preside ao anúncio “Árvore”, da rádio e TV brasileira Jovem Pan, qualidade que compensa a fraca resolução do vídeo. Um caso ímpar de minimalismo perspicaz e eloquente, Leão do Festival de Cannes de 1998. As versões inglesa e portuguesa são acompanhadas por dois cartoons deveras sugestivos e pela canção Lemon Tree.
Cartoon: Alireza Karimi Moghaddam, iraniano
