Archive | Março 2012

Lugares do corpo

Sábado! Dia de cuidar da rosa… Arno Rafael Minkkinen nasceu em 1944 na Finlândia. É um fotógrafo célebre pelo modo como integra os corpos, e pedaços de corpos, na paisagem logrando uma coabitação tão surpreendente quanto harmoniosa. Quase que não se sente o silêncio das almas! Quanto aos Pink Floyd, foram os Pink Floyd. Um som único, até agora.

Abaixo de cão

Como sublinha Vilfredo Pareto, a lógica e a verdade não constituem necessariamente os melhores argumentos para convencer e mobilizar as pessoas. O exagero e o absurdo são, frequentemente, mais eficazes. Acrescente-se um fim inesperado a uma história reciclada e temos uma receita típica de muitos anúncios de sensibilização.

Anunciante: Comision Nacional de Derechos Humanos del Distrito Federal. Título: Old Man. Agência: Young & Rubicam Mexico. México.

Camas de perdição

Este anúncio é uma relíquia. É do século passado. Nesse tempo, ainda havia subsídio de férias e 13º mês para todos os trabalhadores e a palavra “adaptação” não queria dizer coisas feias. Mas voltemos ao anúncio. Um vintage de 1988, com leve travo a Alfred Hitchcock. Bem congeminado e bem concretizado. Camas há muitas! Preservativos também!

Camas de perdição

Anunciante: Australian National Council on Aids. Título: Cover yourself against aids. Agência: Magnus Mankervis & Curl. Austrália, 1988.

A ascensão da carne

Custa empurrar? Custa subir? Muito, mas vale a pena! E não é para todos… Este anúncio é mais uma pérola minimalista de humor oriental. Um absurdo extremamente didático.

Anunciante: Oishi: Slim. Título: Boobs. Agência: Young & Rubicam. Direção: Prayoot jaturunrasmee. Tailândia, 2010.

Agarra que é imagem!

Este anúncio justificaria uma experiência laboratorial: cobrir o corpo com sensores e registar os resultados. Sequências e planos alucinantes ao ritmo de uma música eletrizante. Imagens fantásticas captadas por câmaras que se colam ao olhar como lentes de contacto. Espetamos o nariz nas perseguições, acusamos os choques, desviamo-nos da bola, pasmamos durante os frozen… Movimento, potência, excesso e cavalheirismo. Tudo o que se espera do rugby. Muitos anúncios visam lograr impacto; poucos o conseguem; raros o fazem como este.

Anunciante: HSBC. Título: Serious Play. Agência: JWT London. Direção: Paul Middleditch. Reino Unido, Março 2012.

Barcos de papel

À semelhança do Público, o jornal francês Metro optou por reduzir o formato, a modos como encolher para crescer num barco de papel em águas da crise. Com contos de fadas ou brincadeiras de criança, a publicidade persiste em colocar, como um cuco, o seu ovo no ninho dos nossos desejos.

Marca: Metro. Título: Goodbye former large Metro, Welcome to the new smaller one. Agência: 6: am – Fullsix Group, Paris. Direção: Jonty Toosey. França, Março 2012.

Projeção inidentitária

Apenas habituados à projeção mapeada nas fachadas de edifícios, a humanidade dá mais um passo: o rosto torna-se tela. Neste anúncio da Samsung, as imagens são projetadas diretamente no modelo. Resulta uma imagem em constante mutação, uma inidentidade radical. Um bom exemplo para as aulas dedicadas à fragmentação do eu na vida quotidiana. Não tão bom como o Zelig (1984) de Woody Allen, mas muito mais curto (menos 78 minutos) . E nos tempos que correm, pelos vistos, quanto menos, melhor!

Marca: Samsung. Título: Explore Your Dual World. Março, 2012.

Perspetivas 2: Galeria de imagens

Pelo eventual interesse, segue a galeria com as imagens utilizadas no vídeo do artigo precedente: Perspectivas: Wenzel Jamnitzer e Mauritis C. Escher.

Perspetivas: Wenzel Jamnitzer e M.C. Escher

Nos últimos dias, estive absorto a preencher a minha autoavaliação heterodeterminada. Pagar a quota de uma associação científica ou profissional dá pontos. Manter um blogue não conta nada. Ainda bem! É o meu luxo.
Quando andava às voltas com o Christophe Jamnitzer (ver artigo Grotesco Maneirista: Christophe Jamnitzer) deparei com a obra do avô, Wenzel Jamnitzer (1507-1585), tão ou mais interessante do que a do neto. Ourives alemão do séc. XVI, foi um notável artista gráfico maneirista. No livro Perspectiva Corporum Regularium (1568), concebe formas geométricas que exploram as potencialidades da perspetiva. Vários contemporâneos, entre os quais Johannes Kepler, produziram desenhos similares. As gravuras de Jamnitzer lembram algumas obras de M.C. Escher (séc. XX). Ambos são artistas gráficos conceptuais, trabalham com formas geométricas, visam a ilusão do espaço e elegem a perspetiva como alvo privilegiado. Cotejar Jamnitzer e Escher é, assim, uma tentação. Mas só isso. Um mero divertimento. Jamnitzer apurou a perspetiva, Escher mostrou os seus limites. Jamnitzer construiu realidades complexas, Escher mundos impossíveis e paradoxais.

Albertino Gonçalves. Perspectivas: Wenzel Jamnitzer e M.C. Escher. Março 2012.

Reencontro

Estes anúncios da Twinings falam-nos do regresso a si. Mas este regresso não é uma peregrinação, antes uma errância; não segue um caminho, faz uma travessia. Sem lugar marcado. Até porque, pese o desenlace proposto, não existem almas gêmeas nem um verdadeiro eu algures à nossa espera. Condizente com esta ideia de travessia sem farol à vista resulta a escolha do ambiente: a névoa, num anúncio, o mar, no outro.

Marca: Twinings. Título: Hill. Agência: Smuggler Amy BBDO London. Direção: Psyop. UK, Março 2012.