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Querido mês de Agosto

Emigrantes portugueses no alojamento, em França. Espaço Memória e Fronteira. Melgaço.

Emigrantes portugueses no alojamento, em França. Espaço Memória e Fronteira. Melgaço. O rádio, o vinho e as cartas pornográficas: uma trilogia lúdica.

O querido mês de Agosto, ponto alto do ciclo anual da emigração, está a terminar; apertam-se corações (ver Maria da Conceição Gonçalves, Em busca do berço perdido, dissertação de mestrado em Sociologia, Universidade do Minho, 2002). Os emigrantes em França, dos anos sessenta e setenta, apreciavam ouvir música. Era uma fonte importante de prazer. Quase todos possuíam um gira-discos ou um rádio. Nos anos setenta, um banco português promoveu em França uma campanha de sucesso que consistiu em oferecer aos clientes um disco de 45 rotações.

Compilei oito canções dos anos sessenta. Canções populares, ao gosto dos franceses e dos emigrantes.

Adamo. Tombe la neige. 1963.

Allain Barrière. Elle était si jolie. 1963.

Charles Aznavour. La bohême. 1965.

Christophe. Aline. 1965.

Claude-François. Comme d’habitude. 1967.

Françoise Hardi. Tous les garçons et les filles. 1962.

Hervé Villard. Capri c’est fini. 1966.

Hugues Aufray. Céline. 1966.

 

 

A Emigração e os Mistérios do Macabro

György Ligeti.

György Ligeti.

A Marta enviou, para me animar, esta interpretação, pela soprano canadiana Barbara Hannigan, da obra Mysteries of the Macabre, do húngaro Györgi Ligeti (1974–77, edição revista de 1996). Música inspirada no macabro é uma tentação. Se for música contemporânea, maior o pecado. Admiro a competência desenvolta e a excelência jovial. Atributos que países com pouca terra e muito mar se esquecem de cultivar, pescam. Com Barbara Hannigan e a Orquestra Sinfónica de Londres, tudo parece fácil.

Barbara Hannigan

Barbara Hannigan.

Há sinais de que as universidades estão a sintonizar-se com o mercado de emprego. Mercado internacional, naturalmente. Não devem, porém, ignorar o próprio mercado. Não só atender aos alunos que “coloca”, mas também aos alunos que “recruta”. Importa, quando existe, não esquecer a vocação: o ensino superior. Há tendências preocupantes. Por exemplo, a proporção de pessoas formadas em música e nas artes que demandam o estrangeiro, para aprofundar, complementar ou especializar a formação e a carreira. E para trabalhar, também.

A Marta é uma actriz de teatro com um currículo notável. Exportou-se, o ano passado, para Londres. Há países que enxofram, adubam e enterram os talentos como se fossem batatas, na expectativa de que nasçam, algures, aos magotes, profissionais virtuosos, empreendedores exemplares e símbolos nacionais. A exportação de portugueses comporta vantagens e inconvenientes. Paradoxalmente, muitos fazem falta no País. Às vezes, ocorre-me que um país sem almas é o resultado de um país sem alma. Graças a Deus, temos muitas alminhas. Andamos com uma lanterna à procura, mas não é do homem. E acomodamo-nos! Tanto e tão depressa que não chega a ser “dor a dor que deveras (se) sente.”

Carregar na imagem para aceder ao vídeo.

LigetiGyörgy Ligeti. Mysteries of the Macabre. 2015.

Imagens e Clivagens

Imagens e ClivagensO livro Imagens e Clivagens – Os Residentes face aos Emigrantes foi publicado, pela Afrontamento, em 1996. Há quase vinte anos. Esqueço-me dele, como, aliás, dos outros, mas tenho-lhe profundo respeito. Foi um bico de obra, como mais nenhum. Empenhado em sustentar o seguinte pensamento de Jean-Paul Richter (1763-1825): “O homem não revela melhor o seu próprio carácter do que ao descrever o carácter do outro” (Jean-Paul Richter, 1763-1825).

Disponibilizo estes excertos,sobretudo, para acesso por parte dos alunos. A paginação do capítulo 8 deixa a desejar.

Imagens e clivagens. Índice
Imagens e clivagens. Introdução
Imagens e clivagens. Capítulo 8
Imagens e Clivagens. Quadro LXI