A imigração das cegonhas

Pelos vistos, as cegonhas também imigram cada vez mais para Portugal. Para bem acordar depois da sesta, nada melhor que um anúncio do Xavier Mairesse.
Qual foi o contributo da imigração para a natalidade em Portugal?
Dito pelo ChatGPT:
ChatGPT
A imigração tem desempenhado um papel crucial para a natalidade em Portugal nas últimas décadas, ajudando a mitigar a queda da taxa de natalidade que o país vem enfrentando há anos. O país tem uma das mais baixas taxas de fertilidade da Europa, o que resulta num envelhecimento acelerado da população e num declínio demográfico. A imigração ajuda a atenuar este cenário em diversos aspetos:
- Rejuvenescimento da população
Os imigrantes tendem a ser mais jovens do que a população portuguesa, o que tem ajudado a rejuvenescê-la. Como resultado, muitos imigrantes estão em idade fértil e têm contribuído diretamente para o aumento do número de nascimentos no país. Embora a fertilidade das mulheres imigrantes tenda a convergir com as médias nacionais ao longo do tempo, num primeiro momento, a taxa de natalidade entre os imigrantes é geralmente mais alta. - Aumento da população ativa
A presença de imigrantes jovens ajuda a manter a população em idade ativa, o que é crucial para a sustentabilidade do sistema de segurança social, especialmente num contexto de população envelhecida. Essa faixa etária contribui não apenas para o aumento da natalidade, mas também para a estabilidade do mercado de trabalho. - Fecundidade mais alta entre os imigrantes
Os imigrantes que chegam a Portugal, especialmente vindos de países como o Brasil, Cabo Verde, Angola e outros países africanos, têm historicamente taxas de fecundidade mais elevadas do que as de famílias portuguesas. Isso tem um impacto direto no número de nascimentos no país. Dados do INE (Instituto Nacional de Estatística) revelam que uma proporção significativa dos nascimentos em Portugal nos últimos anos é atribuída a mães estrangeiras. - Dinamização das regiões despovoadas
Em muitas regiões do interior de Portugal, onde a população envelhece mais rapidamente e o despovoamento é um problema grave, a chegada de imigrantes tem trazido novas famílias e revitalizado comunidades. Nestas zonas, os imigrantes podem ser a principal fonte de novos nascimentos e de dinamismo social. - Políticas de imigração e sua ligação à natalidade
Nos últimos anos, Portugal adotou políticas de imigração mais abertas, favorecendo a entrada de trabalhadores estrangeiros e estudantes internacionais. Estas políticas, além de preencherem lacunas no mercado de trabalho, têm como efeito secundário a melhoria do panorama demográfico e a promoção da natalidade. - Estudos e números
Segundo dados do INE, em 2021, cerca de 12% dos nascimentos em Portugal foram de mães estrangeiras, uma percentagem que tem vindo a aumentar nos últimos anos. Este crescimento reflete a importância crescente da imigração para a natalidade e o crescimento demográfico do país. Em alguns anos, mais de 25% dos novos nascimentos na Área Metropolitana de Lisboa já foram atribuídos a imigrantes ou descendentes de imigrantes. - Casamento e formação de famílias
Os imigrantes muitas vezes formam novas famílias em Portugal, casando-se com cidadãos portugueses ou com outros imigrantes. Isso contribui para a diversidade cultural e demográfica, ao mesmo tempo que apoia os números da natalidade.
Conclusão
Em resumo, a imigração tem um papel fundamental para contrabalançar o declínio da natalidade em Portugal, através do aumento dos nascimentos, rejuvenescimento da população e mitigação do envelhecimento demográfico. Embora a imigração não seja a solução única para o problema da baixa natalidade, sem ela o declínio populacional seria ainda mais acentuado.
(https://chatgpt.com/?temporary-chat=true; consultado 05.10.2024 às 17:44)
Casamento nos anos setenta. Cortejo Histórico de Melgaço 2024

O tema do casamento nos anos setenta foi o segundo a surgir para o Cortejo Histórico de Melgaço de 2024, logo a seguir ao tema da lenda da Senhora da Orada. Entre outros aspetos, manifestava-se estimulante a possibilidade de incluir o vetusto carro dos Bombeiros Voluntários de Melgaço que chegou a ser utilizado para o transporte de noivos: um Buick vermelho modelo 1928.

Sobre a história deste automóvel pode consultar-se o artigo de Manuel Igrejas, “O Carro dos Bombeiros Voluntários de Melgaço / Um lugar onde nada acontecia XI”, publicado no jornal Voz de Melgaço e retomado no blogue Melgaço, do Monte à Ribeira (https://iasousa.blogs.sapo.pt/o-carro-dos-bombeiros-voluntarios-de-240186).

Não se regatearam esforços para restaurar o Buick de modo a que estivesse pronto para desfiliar no dia 10 de agosto. Lamentavelmente, não se logrou recuperar uma peça. Foi substituído por um Mercedes vintage.

Definido o tema, a implementação e concretização coube às juntas do Agrupamento de Freguesias de Parada de Monte e Cubalhão, da freguesia de Cousso e da freguesia da Gave. Contaram com o apoio da associação CUBO D’QUESTÕES, ASSOCIAÇÃO JUVENIL, de Parada do Monte, e, naturalmente, da equipa da Câmara Municipal.

Abraçaram o desafio com entrega, criatividade e sentido de oportunidade. Previa-se, inicialmente, um cortejo com os carros dos noivos e dos convidados engalanados a preceito. Adicionou-se a encenação da própria cerimónia do casamento, com espera da noiva, padrinhos, meninas das alianças, celebração, beijo da noiva, chuva de arroz e arremesso do ramo. Nem sequer faltou a pose para as fotografias.
A apresentação culminou com o baile, uma valsa bem dançada, empolgante e envolvente, a que até o padre aderiu (sugere-se o vídeo publicado pela Voz de Melgaço: https://www.facebook.com/jornalvozdemelgaco/videos/1023897019126966?locale=pt_PT). Fechou, assim, com chave d’ouro o casamento nos anos setenta e, por coincidência, o próprio Cortejo Histórico.
Além do entusiasmo e do espírito de iniciativa, convém sublinhar a criatividade e o sentido de oportunidade dos organizadores e dos participantes. Quando se aguardava um casal jovem, tipo Barbie e Ken, surgem vários casais perto das bodas de ouro, que, com à-vontade e alegria contagiantes, representaram, vestiram as personagens, com uma competência e um brio raros em muitos profissionais do teatro. Uma última palavra para o guarda-roupa, os adereços e a caraterização. vestuário e os adereços. Deveras adequados, em alguns casos configuravam autênticas relíquias.

Os organizadores, os participantes e o público não esquecerão, certamente, tão cedo o casamento nos anos setenta em Melgaço. Ultrapassando as expetativas, consubstanciou uma iniciativa simpática, no sentido etimológico da palavra: teve a virtude de atrair, juntar e mover vontades.

Seguem:
- Uma galeria com fotografias provenientes, sobretudo, de Ana Macedo, Miguel Bandeira e Município de Melgaço
- Um exemplo de notícia de casamento nos anos setenta;
- O texto que serviu de base para a apresentação durante o cortejo;
- Um artigo sobre os ritmos sazonais e os estilos de vida dos melgacenses residentes e emigrantes por volta dos anos setenta.
Galeria de imagens: Casamento nos anos setenta. Cortejo Histórico de Melgaço 2024

















































Notícia de casamento no jornal Voz de Melgaço de 1971

O casamento nos anos setenta. Texto para a apresentação durante o cortejo
Quem não conheceu Melgaço nos anos setenta dificilmente o conseguirá imaginar. Correspondeu a uma época de mudanças e excessos.
O concelho nunca antes teve tantos emigrantes. A partir de meados dos anos sessenta, aos homens juntaram-se as mulheres. Nesta conjunção, nunca vieram tantos emigrantes de férias, que, agora em família, Agora em família, se concentram no verão, principalmente no “querido mês de agosto”. A sua presença alcançou o auge de densidade, mobilidade e visibilidade.
Entretanto, Melgaço despedia-se de uma economia assente na agricultura, com as antigas hierarquias a descoser-se sem que novas as substituíssem claramente. Em termos de estrutura e organização, os anos setenta configuraram um período de transição propício à indefinição, à turbulência e à competição social.
O ciclo anual oscilava entre duas fases com tipos e ritmos de vida contrastados. Tudo crescia e acelerava no verão para abrandar e esmorecer abruptamente em seguida durante o resto do ano. Uma tempestade de verão! Tudo parecia rebentar pelas costuras: os bancos, as repartições, os comércios, as feiras, os cafés, as praças e as estradas. Agendam-se e afunilam-se os compromissos e os afazeres de todo o ano em meia dúzia de semanas: negócios, contratos, obras, atos religiosos, casamentos, batizados e até os namoros! Não havia dia ou noite sem festas nas proximidades. Depois de um prolongado e monótono inverno, o inverso, a inquietude. Tudo urge e se multiplica. Aspira-se à ubiquidade: estar em todo o lado ao mesmo tempo. Omnipresença, efervescência, aceleração e velocidade.
Entre as festividades, os convívios e as cerimónias, destacam-se os casamentos. Faustos e fartos, proliferavam. Propiciam um momento de reencontro de parentes e amigos, a residir dentro ou fora do concelho. Oferecem-se, ainda, como um palco apropriado para a afirmação, a distinção e a ostentação social, tanto dos noivos e das suas famílias como dos convidados, de preferência muitos e com prestígio. Tudo frisava o exagero: o vestuário, o cortejo, o banquete, as prendas… Criaram e cresceram empresas que não tinham mãos a medir: restaurantes, cabeleireiras, esteticistas, floristas… Até lojas especializadas em prendas!
Os casamentos impõem-se como um espetáculo notável. Registam-se, apreciam-se e comentam-se os convites, a cerimónia, as roupas, o vestido e o ramo de noiva, os padrinhos, o valor das prendas, as fotografias, o cortejo, a quantidade, qualidade e matrícula dos carros, o destino da lua-de-mel, o local, a ementa, a animação e a generosidade do banquete.
“Primeiro de agosto, primeiro de inverno”. Por volta da Nossa Senhora da Assunção, é altura de fazer as malas. Melgaço esvazia-se e entorpece. A agitação e a estúrdia cedem à contenção e à modorra.
Os anos setenta um intervalo no decurso de uma história que não se repete. Tudo o que sobe desce. Incha, desincha e passa. Tamanha excitação e extravagância são difíceis de sustentar. A situação, sobretudo, económica e financeira, do País foi periclita, a relação entre os emigrantes e a sociedade de origem altera-se e a demografia, principalmente o envelhecimento, não dá tréguas. Em suma, uma dinâmica que resulta menos de feição a excessos e euforias.
(Albertino Gonçalves)
Artigo sobre os ritmos sazonais e os estilos de vida dos melgacenses residentes e emigrantes por volta dos anos setenta
Melgaço: Homenagem a Maria Beatriz Rocha-Trindade e apresentação do livro “Em Torno da Mobilidade”

Este sábado, dia 06 de abril, às 09h30, ocorrerá na Casa de Cultura de Melgaço, uma homenagem à Professora Doutora Maria Beatriz Rocha-Trindade. Pela mesma ocasião, terei o prazer de apresentar, com a autora, o seu novo livro Em torno da mobilidade: Provérbios, Expressões Idiomáticas e Frases Consagradas. Iniciativa integrada na Celebração dos 50 anos do 25 de Abril em Melgaço, estou em crer que vai proporcionar um bom momento. Enriqueça-o com a sua presença.
Segue uma pequena nota sobre o livro e a autora. Como complemento, sugere-se a consulta do artigo “O simbolismo da mala” (https://tendimag.com/2023/11/26/o-simbolismo-da-mala/), no blogue Tendências do Imaginário, e o visionamento da Entrevista de Maria Beatriz Rocha-Trindade ao LusoJornal (https://www.youtube.com/watch?v=kf11xs1nDF8&t=975s), em 4 de janeiro de 2024.
Em Torno da Mobilidade ajuda a melhor conhecer as perspetivas essenciais que caracterizam um dos mais importantes fenómenos sociais, presente ao longo de toda a História de Portugal: as migrações.
A sua permanência, diversidade no tempo e no espaço, causas estruturais subjacentes, motivações pontuais, o significado dos itinerários percorridos são alguns dos temas presentes nesta edição bilingue (português e inglês), visando o alargamento do público leitor.
A associação de provérbios, expressões idiomáticas e frases consagradas, traduz a intenção de preservar um valioso legado cultural e de potenciar a sua utilização enquanto instrumento pedagógico de valor universal, numa sociedade multicultural como a atual.
Destina-se a entidades públicas e privadas, a educadores, professores, a toda a diáspora e ao público em geral.

Maria Beatriz Rocha-Trindade
Diplomada em Administração Ultramarina e Licenciada em Ciências Antropológicas e Etnológicas, pelo ISCSPU.
Professora Catedrática na Universidade Aberta, onde fundou, em 1989, o Centro de Estudos das Migrações e das Relações Interculturais.
Introduziu em Portugal o ensino da Sociologia das Migrações ao nível de Licenciatura e de Mestrado.
É autora de uma vasta bibliografia sobre matérias relacionadas com as Migrações, colaboradora habitual e referee de revistas científicas internacionais.
Em 1996, recebeu o Prémio da Associação Portuguesa de Organizações Museológicas.
Em 2008, a Medalha de Mérito do Município de Fafe e em 2022, a Medalha de Ouro do Município do Fundão, recebendo o mesmo reconhecimento pela Obra Católica Portuguesa das Migrações.
É titular da Ordre National du Mérite, com o grau de Chevalier e da Grã-Cruz da Ordem da Instrução Pública.
Em 2023 foi distinguida na Câmara de Paris com a Medalha Grand Vermeil e com a Medalha de Honra do Comité Aristides de Sousa Mendes.
Em Torno da Mobilidade – Apresentação na livraria Centésima Página
Na próxima sexta, dia 5 de abril, às 18h30, na Livraria Centésima Página, em Braga, ocorre a apresentação do livro Em Torno da Mobilidade: provérbios, expressões idiomáticas, frases consagradas, de Maria Beatriz Rocha-Trindade, publicado em finais de 2023 pela editora Alma Letra, de Viseu. À introdução pela autora, sucede a apresentação por Albertino Gonçalves. Apareça e traga um amigo, também!
Segue uma pequena nota sobre o livro e a autora. Como complemento, sugere-se a consulta do artigo “O simbolismo da mala”, no blogue Tendências do Imaginário, e o visionamento da Entrevista de Maria Beatriz Rocha-Trindade ao LusoJornal, em 4 de janeiro de 2024.

Em Torno da Mobilidade ajuda a melhor conhecer as perspetivas essenciais que caracterizam um dos mais importantes fenómenos sociais, presente ao longo de toda a História de Portugal: as migrações.
A sua permanência, diversidade no tempo e no espaço, causas estruturais subjacentes, motivações pontuais, o significado dos itinerários percorridos são alguns dos temas presentes nesta edição bilingue (português e inglês), visando o alargamento do público leitor.
A associação de provérbios, expressões idiomáticas e frases consagradas, traduz a intenção de preservar um valioso legado cultural e de potenciar a sua utilização enquanto instrumento pedagógico de valor universal, numa sociedade multicultural como a atual.
Destina-se a entidades públicas e privadas, a educadores, professores, a toda a diáspora e ao público em geral.

Maria Beatriz Rocha-Trindade
Diplomada em Administração Ultramarina e Licenciada em Ciências Antropológicas e Etnológicas, pelo ISCSPU.
Professora Catedrática na Universidade Aberta, onde fundou, em 1989, o Centro de Estudos das Migrações e das Relações Interculturais.
Introduziu em Portugal o ensino da Sociologia das Migrações ao nível de Licenciatura e de Mestrado.
É autora de uma vasta bibliografia sobre matérias relacionadas com as Migrações, colaboradora habitual e referee de revistas científicas internacionais.
Em 1996, recebeu o Prémio da Associação Portuguesa de Organizações Museológicas.
Em 2008, a Medalha de Mérito do Município de Fafe e em 2022, a Medalha de Ouro do Município do Fundão, recebendo o mesmo reconhecimento pela Obra Católica Portuguesa das Migrações.
É titular da Ordre National du Mérite, com o grau de Chevalier e da Grã-Cruz da Ordem da Instrução Pública.
Em 2023 foi distinguida na Câmara de Paris com a Medalha Grand Vermeil e com a Medalha de Honra do Comité Aristides de Sousa Mendes.
Prémio NWO 2023
“Cientista holandês de topo” recebe prémio NWO 2023. E se fosse português?

Tradução:
Três importantes cientistas holandeses sobre o próximo ano: ‘Quero fazer a diferença no mundo’
O que Lisa, João e Athina têm em comum? Eles são jovens, cheios de talento e estão radiantes com o prémio NWO 2023 que lhes foi atribuído no mês passado e que torna possível a sua própria investigação científica. Não admira que estejam ansiosos por um fantástico 2024. Athina Vidaki investiga a ‘matéria escura’ do nosso ADN, João Gonçalves quer limitar os riscos da inteligência artificial e Lisa Kohl desenvolve criptografia que pode suportar computadores quânticos.

Entrevista de Maria Beatriz Rocha -Trindade ao LusoJornal (04/01/2024)
Para unir é preciso amar, para amar é preciso conhecer-se, para se conhecer é preciso ir ao encontro do outro. (Cardinal Mercier)
Cumpre-me a honra e o prazer de participar na apresentação do livro mais recente da Maria Beatriz Rocha Trindade, Em Torno da Mobilidade – Provérbios, Expressões Idiomática, Frases Consagradas (editora almaletra, 2023), sexta, dia 12, às 18:30, na Livraria Centésima Página, em Braga, e sábado, dia 13, às 11 horas, no Salão Nobre da Câmara de Melgaço, durante a homenagem que o município lhe vai dedicar.
Sei que não parece, mas costumo preparar-me, bem ou mal, para este tipo de exposição. Neste caso, com particular empenho: a Maria Beatriz Rocha-Trindade é uma das minhas principais, por sinal raras, referências da sociologia portuguesa, como cientista e como pessoa. Neste exercício, deparei com uma entrevista dada ontem, dia 4 de janeiro, ao LusoJornal. Uma hora, nem mais nem menos, de uma “conversa solta” deveras interessante.
Permito-me chamar a atenção para os minutos 46 e seguintes em que Maria Beatriz Rocha-Trindade sustenta que, em Portugal, o único museu da emigração “que realmente existe é o de Melgaço (…) acho que esse é realmente o que existe “, precisando que outros municípios manifestaram a intenção ou estão a desenvolver o projeto, tais como Fafe, Matosinhos, Sabugal, Vilar Formosos ou Fundão, mas, até ao presente, só Melgaço conseguiu dar esse passo. Há mais de 15 anos.
Pegar na mão de uma criança

O trenó do Pai Natal, desta vez, atrasou-se. A prenda só chega na próxima semana. Pois seja! Mas em verdade vos digo que a idade pode ser uma bênção. Há estatutos e encantos pelos quais é necessário esperar.


Seguem duas interpretações da canção Prendre Un Enfant, de Yves Duteil: em 2021, com 72 anos; e, em 1979, com 30.
Prendre Un Enfant (Yves Duteil)
Prendre un enfant par la main
Pour l’emmener vers demain
Pour lui donner la confiance en son pas
Prendre un enfant pour un roiPrendre un enfant dans ses bras
Et pour la première fois
Sécher ses larmes en étouffant de joie
Prendre un enfant dans ses brasPrendre un enfant par le cœur
Pour soulager ses malheurs
Tout doucement, sans parler, sans pudeur
Prendre un enfant sur son cœurPrendre un enfant dans ses bras
Mais pour la première fois
Verser des larmes en étouffant sa joie
Prendre un enfant contre soiPrendre un enfant par la main
Et lui chanter des refrains
Pour qu’il s’endorme à la tombée du jour
Prendre un enfant par l’amourPrendre un enfant comme il vient
Et consoler ses chagrins
Vivre sa vie des années, puis soudain
Prendre un enfant par la mainEn regardant tout au bout du chemin
Prendre un enfant pour le sien
O simbolismo da mala
A mala do emigrante: uma carga mínima a abarrotar de sonhos

Maria Beatriz Rocha-Trindade, Professora Catedrática na Universidade Aberta, acaba de publicar, pela Editora Alma Letra, de Viseu, um livro notável, ímpar e oportuno, com o título Em Torno da Mobilidade. Aborda os Provérbios, Expressões Idiomáticas e Frases Consagradas que proporcionam conforto e sentido aos percursos e às experiências de vida dos migrantes. Esta sabedoria popular é acompanhada e realçada por numerosas imagens criteriosamente escolhidas.
Esta recurso ao senso comum e à linguagem quotidiana como via para a apreensão e interpretação de realidades genéricas e estruturantes revela-se uma aposta original e conseguida. Resulta uma obra generosa, agradável e instrutiva, respaldada em mais de meio século de investigação.

Primeira mulher antropóloga portuguesa, Maria Beatriz desloca-se em 1965 para Paris para prosseguir um curso de doutoramento em Sociologia. Com orientação de Alain Girard, defende a tese, sobre aimigração portuguesa em França, em 1970 na Universidade Paris V – Sorbonne. Por coincidência, também fui aluno da mesma universidade e do Professor Alain Girard. Publicada em 1973 com o título Immigrés Portugais, destaca-se como o primeiro estudo de fôlego da emigração portuguesa alicerçado numa investigação empírica sistemática e aprofundada. Desde então, não se tem cansado de inovar, mas sem se desviar da problemática das migrações, culturas e identidades. Admiro a Maria Beatriz como cientista e, em particular, como pessoa. O seu exemplo de vitalidade oferece-se como um amparo nos meus momentos de descrença e esmorecimento. Conhecemo-nos em 1983 num encontro organizado na Universidade do Minho a pedido da Secretaria de Estado da Emigração: o Seminário Portugal e os Portugueses – Raízes e Horizontes.
Em pleno verão, dezenas de lusodescendentes provenientes de todo o mundo estagiaram em Braga durante várias semanas. Nasceu, nestas circunstâncias, uma amizade, daquelas que, mesmo com poucos convívios, nascem para crescer.

A mala, na mão, às costas ou pousada, representa um símbolo maior da figura do emigrante. Uma arca, “brasileira”, e uma mala de cartão, “francesa”, sobressaem no Espaço Memória e Fronteira, em Melgaço, como objetos que falam aos visitantes, frequentemente num registo que frisa a intimidade.
Imagem: Espaço Memória e Fronteira. Melgaço
Seguem o vídeo do lançamento do livro Em torno da Mobilidade, em Tavira, no dia 5 de novembro, bem como o pdf do capítulo Potencialidade Simbólica da Imagem no Quadro do Percurso Migratório (págs. 33-54), precedido pela folha de rosto, a ficha técnica e o índice do livro.
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Português integra projeto de investigação com financiamento de 10 milhões de euros

O projeto de investigação Better work, better workplaces (Melhor trabalho, melhores postos de trabalho) acaba de ser contemplado com um financiamento de 10 milhões de euros pela Comissão Europeia. Dos quatro membros da equipa de investigação, faz parte João Fernando Ferreira Gonçalves (Braga,1991). Os demais membros da equipa são Jason Pridmore, Jovana Karanovic e Claartje ter Hoeven, da Universidade Erasmus de Roterdão.
Segue um excerto da notícia (Better work, better workplaces: 10 million euros awarded to SEISMEC project by European Commission) divulgada pela própria Universidade:
The interdisciplinary SEISMEC project, led by Erasmus University Rotterdam in collaboration with a multinational consortium of research, industry and civil society partners, has been awarded 10 million euros by the European Commission within the Horizon Europe Programme. SEISMEC aims to shape a future of work that is both productive and enriching, with a focus on creating sustainable work environments that prioritize employee well-being and fulfilment. This exclusive funding under this call highlights the four-year project’s potential to transform workplaces and empower workers in all major European industries.
In this project, EUR researchers Jason Pridmore (ESHCC), Joao Fernando Ferreira Goncalves (ESHCC), Jovana Karanovic (RSM) and Claartje ter Hoeven (ESSB) combine their diverse range of expertise across disciplines to provide valuable insights into empowering workers in today’s technological landscape. By drawing on their interdisciplinary knowledge, the university offers essential perspectives on how to effectively empower workers, thereby contributing to the creation of a sustainable future through the redefinition of workplace practices (Erasmus University Rotterdam, Better work, better workplaces: 10 million euros awarded to SEISMEC project by European Commission; o conjunto da notícia está acessível no seguinte link: https://www.eur.nl/en/news/better-work-better-workplaces-10-million-euros-awarded-seismec-project-european-commission?fbclid=IwAR2Ley-mCSBA7ho7IBHO5XLZGbt0CkU0idrSN_dH5i5ENmujA30K53tDaqQ).

O verão de 2023 tem-se revelado particularmente compensador para João Fernando Ferreira Gonçalves. Foi também um dos doze “investigadores talentosos e criativos” da Universidade Erasmus de Roterdão a ser agraciado com uma bolsa pessoal Veni (até 280 000 euros) da NWO (“The Dutch Research Council (…) under the responsibility of the Ministry of Education, Culture and Science”). O título do projeto é: Making AI less artificial.
Artificial intelligence has brought exciting innovations to everyday life, but also risks such as discrimination and errors in high stakes decisions such as awarding child benefits or driving a car. This risk often happens because the people who develop these algorithms can make them work very well on the data they have, but not in unpredictable real-world situations that depend on complex human interactions. To solve this problem, this project uses knowledge from the social sciences to improve data and make AI algorithms better at handling unforeseen situations when interacting with humans (https://www.eur.nl/en/news/twelve-veni-grants-rotterdam-researchers?fbclid=IwAR3yJw-_NiVgBXih5Va3-b3l6-yKvJb4nc7j00q-yZrnVMXn_oLeO7_lL6g).
O João pertence, por acaso, à família. Mas, embora os seus estudos se inscrevam no âmbito da Sociologia e das Ciências da Comunicação, não sai ao pai. É mais pragmático, metódico, compenetrado e ousado. Pelos vistos, não lhe faltam instituições para financiar os seus projetos. Em contrapartida, o pai teve, muitas vezes, que ser ele próprio a financiar as instituições envolvidas. A distinção desenha-se, desde logo, no início da carreira: o pai regressou do estrangeiro, da Sorbonne (França), para trabalhar na Universidade do Minho, em Braga; o filho saiu de Braga, da Universidade do Minho, para trabalhar no estrangeiro, primeiro na Universidade de Antuérpia (Bélgica), em seguida na Universidade Erasmus de Roterdão (Países Baixos).
Desde o Pico, Vila Verde, 19 de agosto de 2023
Autocarros diretos entre Melgaço e Paris no início dos anos sessenta
O Valter Alves não se cansa de desencantar documentos raros e preciosos sobre Melgaço nas mais diversas fontes possíveis e imagináveis. Assim vai crescendo, para nossa instrução, o blogue Melgaço, entre o Minho e a Serra, com mais de 5 000 artigos (https://www.facebook.com/hashtag/melga%C3%A7oentreominhoeaserra.Hoje), 20 de julho de 2023, publicou uma cópia de um anúncio no jornal A Voz de Melgaço de 1962 com as carreiras de Melgaço a Paris.

Recordou-me um outro anúncio publicado dois anos antes no jornal Notícias de Melgaço a divulgar a inauguração de “auto-carros Explêndidos e Luxuosos a saírem de Puente Barjas directos a Paris”.

Em Melgaço, a emigração para França foi das mais intensas e precoces de todo o país. Se já se emigrava para França antes da guerra, nos anos cinquenta este movimento atingiu já dimensões consideráveis. Mais do que as estatísticas oficiais, atestam-no vários indicadores indirectos como, por exemplo, os ecos que a seu respeito se fizeram sentir na imprensa local. No Notícias de Melgaço, o espaço concedido à emigração vai crescendo ao longo dos anos cinquenta ao ponto de, entre 1955 e 1960, ocupar, amíude, cerca de metade da superfície total do jornal. São artigos sobre as partidas, as chegadas e as férias dos emigrantes, sobre os seus convívios e as visitas de personalidades da terra à “colónia melgacense (…) espalhada por França”, sobre o transporte para o estrangeiro, os dilemas e dramas da emigração clandestina e sobre muitos outros assuntos esparsos entremeados com apelos ao seu auxílio para iniciativas locais. Abundam, sobretudo, os artigos publicados regularmente sob várias rúbricas tais como “saudades”, “cartas de longe”, “postal para longe”, “carta para França”, “carta da França” ou “aqui França”. Entre 1957 e 1958, nas listas publicadas com os donativos para a elaboração do projecto de estrada para Fiães, as dádivas em francos ou provenientes do estrangeiro surgiam em maioria. E em Janeiro de 1960 aparece, em primeira página, um elucidativo anúncio de um “auto-carro” directo a Paris com saída do outro lado da fronteira bem junto a Melgaço (Gonçalves, Albertino, Imagens e Clivagens: Os Residentes face aos Emigrantes, Porto, Edições Afrontamento, 1996, p. 76).
