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Tendências do Imaginário. Avaliação pela IA

Há 7 anos, “quis saber a posição do Tendências do Imaginário no conjunto das páginas da Internet a nível mundial”. Reincido com a ajuda da Inteligência Artificial, que, embora saiba que dispenso adulações, não resiste, por vocação, a tentar-me com o pecado capital da soberba.

Junto com o artigo 1 696 382 páginas na Internet, de 2019, segue o balanço produzido, hoje, pela IA.

Naturalidades

Com o recurso à Inteligência Artificial, designadamente às potencialidades de animação, namora-se a hiper-realidade: a ilusão adquire outra vida e espessura. O anúncio “Give life some juice”, da Tropicana parece, assim, “natural” (como o sumo?). Simula a perfeição, “sem ponta por onde se lhe peque”, a não ser “dando-lhe a volta”, refrescando as ideias e os sentidos.

René Magritte – Tempo trespassado, 1938

Tropicana – Give life some juice / Anthem. Agência: FIG, New York. Direção: Dorian & Daniel. USA, junho 2026

As Cidades na Idade da Inteligência

Depois da Idade das Trevas e da Idade das Luzes, chegou a Idade da Inteligência, a uma velocidade que já não é a do caracol. Recuei mais de dez anos para rever o artigo Cidades Inteligentes (14.06.2014). Recoloco-o, restaurando o anúncio desaparecido e acrescentando dois também da mesma série da IBM.

Smart cities, creative industries and entrepreneurship, they seem to be the musketeers of her majesty Europe. Nos logotipos e nas representações de cidades inteligentes, a lâmpada sobressai como motivo central. Multiplicam-se como gafanhotos as imagens a louvar as cidades inteligentes. Escasseiam, porém, as imagens dedicadas aos cidadãos inteligentes.

IBM – Smarter Cities, 2014

A figura do caracol lâmpada, ao jeito dos híbridos medievais, assevera-se aliciante: SSS – Slow Smart Snail. O passo de caracol presta-se à observação e à memória. Melhor que hoje só anteontem; e anteontem não existiu. Até as novas palavras se dão ares de superioridade: cidades inteligentes, indústrias criativas, empreendedorismo. Não resultam da evolução da língua. São criadas em laboratório. Cheiram a provetas, pipetas e bicos de bunsen.

IBM – Smart Cities. Agência: Ogilvy & Mather France. França, 2013.
IBM – Smarter Cities. Agência: Ogilvy & Mather, 2014
IBM – Smart Cities. BDigital Global Congress 2011

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Os vídeos estão numa ordem interessante!

Primeiro, uma ideia criativa, simples mas que oferece pequenas grandes comodidades; um banco onde descansar ou esperar, uma rampa nas escadas, um abrigo para o mau tempo.

Depois entra o planeamento a uma maior escala; planeia-se, criam-se interações, mas parece-me uma mudança mais ao nível estético, para impressionar.

Finalmente, as pessoas já não entram na história; são as cidades, como organismos vivos e autónomos, mais rapidez, mais dinheiro, mais informação.

Esta é a cadência dos vídeos, uma escolha pouco aleatória, atendendo às datas.

Crescente ou decrescente? Seria preciso uma rampa para entender a velocidade, um banco onde absorver o choque, um abrigo para a devastação de algo valioso, inominável. Um telhado, ainda aue curvo, não será suficiente. (Almerinda Van Der Giezen, 14.06.2026).

Armadilha para ratos

Fake or not fake, that is the fuck (Falso ou não falso, eis o que importa).

Steadfast Stationery – Don’t Look Up. Agência: Ducktape Studios. Índia, maio 2026

Refeições frescas e canções processadas

Existem comidas de que gostamos a dobrar: associámo-las a entes queridos. Costumam centrar-se em alimentos “naturais”. Assim sucede no anúncio “C’est Magnifique”, do Intermarché. No meu caso, nesta época, destaca-se menos a lampreia à bordalesa e mais o guisado de vitela com ervilhas de quebrar, ambos produtos da estação.

Intermarché – C’Est magnifique. Agência: Romance. Direção: Katia Lewkowica. França, 2019

Por seu turno, a música do anúncio do Intermarché lembra-me a “canção francesa”. Seguem três exemplos, mas interpretados por uma voz processada, gerada artificialmente [um autêntico desafio para os intérpretes reais]: “Éva Lenoir é uma cantora virtual gerada por inteligência artificial, recriando a emoção e a profundidade das grandes vozes do jazz francês” (https://www.youtube.com/playlist?list=PLo11Vql_XCKzb152duWRMEia7Tu_1nkNs).

Éva Lenoir – L’Amour qui s’éteint. Album 01. Colocado em 16.10.2025
Éva Lenoir – Valse pour une Ombre. Album 01. Colocado em 13.10.2025
Éva Lenoir – Les accords de ton absence. Album 01. Colocado em 11.10.2025

Criatividade e Inteligência Artificial

Lexus – Energy That Drives You On. Agência: AKQA. USA. Abril 2026

Se a campanha “Energy That Drives You On / Energia Que Te Impulsiona”, da Lexus, tivesse estreado um mês antes, teria certamente integrado o vídeo Anúncios que nos dão música.

Enquadrado num universo totalmente criado por inteligência artificial, o filme acompanha o veículo enquanto este se move com fluidez de paisagens serenas do campo para ruas dinâmicas da cidade. À medida que viaja, a sua presença desencadeia uma onda de energia contagiante que transforma o ambiente. A arquitetura altera-se subtilmente. A luz reage. Flores desabrocham em parques urbanos. Peixes cintilam na superfície dos rios. Luzes ramificadas espalham-se pelas florestas. O mundo parece energizado pela própria experiência do utilizador (UX), uma metáfora visual para desempenho elétrico e propulsão emocional.
O filme culmina quando o UX chega a uma estação de carregamento ao ar livre ao pôr do sol. Em um momento silencioso e de expectativa, a narrativa pausa, sugerindo que a próxima aventura já está à espera de recomeçar — reforçando a ideia central da campanha: energia não é apenas poder, é possibilidade. (…)
Jakob Mark, Diretor Criativo da AKQA, acrescentou: “Esta campanha demonstra o que é possível quando o trabalho artesanal e a IA são projetados para funcionar como um único sistema. O Virtual Studio nos permitiu construir um mundo imersivo onde cada quadro responde à energia do veículo. Não se trata de substituir a criatividade, mas sim de expandir o que ela pode fazer. Para a Lexus, isso significou proporcionar profundidade emocional, precisão e qualidade cinematográfica numa nova escala.” (Ads of the World, Lexus – Built for Every Kind of Wonder. Consultado em 03.04.2026).

Lexus – Energy That Drives You On. Agência: AKQA. USA. Abril 2026

Felicidades. Condições e Momentos

A pretexto do Dia Internacional da Felicidade, 20 de março, a turma de Sociologia da Arte e do Imaginário, da Academia Sénior do Município de Braga, produziu o vídeo Felicidades: Condições e Momentos, uma compilação de textos, fotografias, curtas metragens, videoclips e anúncios produzidos ou escolhidos pelos alunos. Ao integrar a generalidade das propostas, resulta uma obra heterogénea. Não é de ninguém em particular, antes uma soma de iniciativas. Coube-me a coordenação e a montagem. Com a participação a ultrapassar as expetativas, o vídeo dura 1 hora e 4 minutos. É um gosto partilhá-lo.

Para visualizar o vídeo no YouTube, carregar na imagem seguinte ou aceder ao endereço https://www.youtube.com/watch?v=AVNGu2bk-ns

Felicidades Condições e momentos. Pela turma de Sociologia da Arte e do Imaginário, da Academia Sénior do Município de Braga, 20.03.2026

Felicidade, Fantasia e Dança

Com duas décadas de experiência em design, Kelly Boesch é pioneira em termos de linguagem visual com recurso à IA. Alcançou mais de 1,5 milhão de seguidores e 60 milhões de visualizações por mês em diversas plataformas. Encara a IA como uma interlocutora poderosa, que expande os limites da criatividade conjugando a arte humana e com a capacidade de aprendizagem da máquina.

Como o asno de Buridan no meio da ponte, hesitamos entre dois vídeos de sua autoria: “I found happiness” e “Be Kind”. Além da felicidade, o primeiro ilustra a dança e o segundo, a fantasia. Ambos duram três minutos. Com um limite máximo assumido de 4 minutos para qualquer autor, não é possível contemplar os dois.

Não quer dar uma ajuda?

Kelly Boesch – I found happiness. AI Surreal Dance Video. Kelly Boesch AI Art. Posted 17.12.2025
Kelly Boesch – Be kind. AI Music Video about Joy. Kelly Boesch AI Art. Posted 02.11.2025

De Estranheza em Beleza. SAXualidade

O Tendências do Imaginário reincide: de beleza em beleza. Será que em tempos de ideias turvas, senão ameaçadoras, e de acontecimentos estranhos, senão sinistros, a beleza se insinua como consolo? Já aconteceu noutras épocas.
Perguntei então à IA: “Existem períodos históricos marcados pela persistência de ameaças em que a beleza se insinua como consolo?”

Solícita, respondeu:

Sim — e isso acontece com uma frequência impressionante. Em muitos momentos da história, quando a vida ficou mais frágil e ameaçada, a beleza não desapareceu: ela mudou de função. Deixou de ser ornamento e passou a ser consolo, resistência e sentido.
Alguns exemplos marcantes:
Antiguidade tardia e Idade Média
Em períodos de guerras, fome e instabilidade, a beleza se insinuou sobretudo no sagrado. Igrejas, mosaicos, cânticos e manuscritos iluminados não eram luxo: eram uma promessa de ordem e transcendência num mundo caótico. A beleza apontava para algo que sobrevivia à morte.
Após a Peste Negra (século XIV)
Depois de uma devastação inimaginável, surgem obras cheias de intensidade emocional. A arte se torna mais expressiva, mais humana. O próprio impulso que desemboca no Renascimento nasce desse contato brutal com a finitude — a beleza como afirmação da vida diante da morte.
Barroco (séculos XVII–XVIII)
Em meio a guerras religiosas, absolutismo e insegurança, o Barroco exagera, emociona, deslumbra. A beleza aqui é dramática, quase excessiva, como se dissesse: o mundo é instável, mas ainda pode ser arrebatador.
Guerras Mundiais do século XX
Mesmo com destruição em escala industrial, surgem poesia, música e artes visuais que não negam o horror, mas convivem com ele. Pense em Paul Celan, em Shostakovich, em Picasso. A beleza não consola suavemente — ela testemunha, e isso já é uma forma de resistência.
Regimes autoritários e ditaduras
A beleza muitas vezes se esconde na palavra, na canção, no gesto mínimo. Poemas, metáforas, artes “menores” viram refúgio e linguagem cifrada para preservar a dignidade humana.
Em todos esses casos, a beleza não aparece como fuga ingênua, mas como algo profundamente humano:
um modo de dizer “nem tudo foi tomado pela ameaça”.
Talvez por isso, sempre que o mundo parece mais sombrio, a beleza encontre uma fresta — não para negar o perigo, mas para lembrar que ainda há algo que vale ser protegido. (ChatGPT, 06.02.2026)

David A. Stewart – Lily Was Here ft. Candy Dulfer. Music video by David A. Stewart performing Lily Was Here. (C) 1989 & 2015 Sony Music Entertainment UK Limited

Ser IA ou não ser IA, eis a questão

Mostram-se imagens de paisagens da Islândia a londrinos; são unânimes a considerá-las falsas, geradas pela IA. Apresentam-se a islandeses como falsas; indignam-se, reconhecendo-as. Reside nesta propensão a maior ameaça da IA: menos a tomar o falso como verdadeiro e mais o verdadeiro como falso.

Icelandair – Iceland: Real beauty or AI? Let’s ask the London locals. Janeiro 2026
Icelandair – Iceland: Real beauty or AI? We asked the Reykjavík locals. Janeiro 2006