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Imortalidade funerária

Como se desenvencilham as agências funerárias para fazer publicidade? De muitas formas. Tenho especialmente gravado na memória o anúncio deveras criativo da Funerária Funalcoitão de Alcabideche do Município de Cascais (ver O Prazer dos Mortos).

A campanha recente da empresa J. García López, do México, terra da Santa Muerte, é um caso. Seguem três anúncios da série “Volvámonos inmortales”, a que acrescento dois mais antigos: “Sigues aquí: nuestro gran Homenaje®️ a la vida” (2024), com recurso à IA, e “Lo que quiero hacer antes de morir” (2012).

Anunciante: Funerarias J. García López. Título: Volvámonos inmortales cada día. Agência: Ganem. Direção: Hari Sama. México, junho 2025
Anunciante: Funerarias J. García López. Título: Volvámonos inmortales [1]. Agência: Ganem. Direção: Hari Sama. México, junho 2025
Anunciante: Funerarias J. García López. Título: Volvámonos inmortales [2]. Agência: Ganem. Direção: Hari Sama. México, junho 2025
Anunciante: Funerarias J. García López. Título: Sigues aquí: nuestro gran Homenaje®️ a la vida. México, outubro 2024
Anunciante: Funerarias J. García López. Título: Lo que quiero hacer antes de morir. México, outubro 2012

Vacinas e chaves

Otto Dix. Guerra. Tríptico. 1929-32

Resulta cada vez mais difícil discernir o que provém da Inteligência Artificial. Na verdade, a “extensão do humano” não para! Antes, acelera. Que não se frature ou estampe. Por enquanto, o “demasiado humano”, as emoções e o delírio continuam de vento em popa, com as bombas a abafar cada vez mais as palmas.

O desenvolvimento da lA incentiva a busca de redutos e vacinas. A World oferece-se como uma plataforma que visa “criar provas de personalidade à escala global, proteger a identidade humana e expandir o acesso a um ecossistema que preserva a privacidade”.

Rostos gerados com recurso à IA a partir de obras de Otto Dix

Segue o anúncio “Human And You Know It”, da World, que retoma a canção tradicional “If you’re happy and you know it”.

Anunciante: World. Título: Human And You Know It. Agência: BBDO New York. Junho 2025
Kids Music Shop – If you’re happy and you know it, janeiro 2017

Probabilidades pouco prováveis

Creio que já partilhei este anúncio. Recordo-o. Brilhante, vencedor de vários prémios (Cannes 2023; ANDY Awards 2024) e com um aproveitamento oportuno da Inteligência Artificial, sensibiliza pela inspiração. Pelo sim, pelo não, coloco-o. Serve como transição para o próximo artigo dedicado a anúncios da marca de cerveja Stella Artois.

Imagem: Cartaz da campanha The Artois Probability

Desenvolvemos um algoritmo que analisou cada pintura e, com base em variáveis ​​como o ano em que foi pintada, a localização geográfica, o tipo de vidro e a cor do líquido, cruzamos esses dados com o extenso histórico da marca, resultando em uma porcentagem que indica com probabilidade a presença de uma Stella Artois nessas pinturas (Haroldo Moreira, redator da agência GUT)

Marca: Stella Artois. Título: The Artois Probability (case study). Agência: GUT, Buenos Aires. Argentina, 2023

O enigma da arte comestível

How real is real? (Paul Watzlawick, 1976). Até que ponto a realidade é real? A autoria e a responsabilidade tornaram-se esfíngicas, diluídas? Quão bananas somos aqueles que navegamos na galeria virtual da vida? Serão necessários uns óculos Ray-Ban Meta (AI) para, além de acompanhados e assistidos, andarmos confusos e divididos?

Marca: Ray-Ban Meta. Título: BIG Game Spot Ft. Chris Hemsworth, Chris Pratt + Kris Jenner. Extended version. Direção: Matthew Vaughn. USA, fevereiro 2025

Mastectomia do Amor

Imagem extraída do documentário The 25 Most Famous Paintings in the History of the World (2025)

Após a publicação do artigo Mastectomia da Liberdade, retomo a visualização do documentário The 25 Most Famous Paintings in the History of the World (2025). Aguarda-me um eclipse semelhante. No quadro “O nascimento de Vénus”, do Sandro Botticelli, a deusa do amor surge igualmente despeitada. O amor, tal como a liberdade, também é submetido a “mastectomia”.

Sandro Botticelli. O nascimento de Vênus. C. 1485. Galleria degli Uffizi, Florença

Justificam-se alguns apontamentos sobre o modo como funciona este tipo de “censura”:

a) As plataformas recorrem principalmente à Inteligência Artificial (IA) para detetar e analisar os conteúdos;
b) A IA tem a capacidade de “aprender”, desenvolvendo capacidades e apurando o desempenho;
c) Em alguns casos, eventualmente mais duvidosos, a IA pode ser complementada pela “revisão manual” (feita por pessoas);
d) Os conteúdos são rejeitados por inconveniência (pornografia, ódio…) ou violação de direitos de autor;
e) As plataformas não alteram os conteúdos; removem o conjunto, restringem o seu uso ou, em situações extremas, suspendem a conta do utilizador proponente;
f) As plataformas explicam, ou dispõe-se a explicar, os motivos que justificam a decisão;
g) Se o utilizador eliminar ou alterar os conteúdos “críticos”, rejeitados, o vídeo poderá ser aceite; o processo implica, portanto, alguma forma de autocensura;
h) É possível contestar as decisões tomadas pelas plataformas; os argumentos apresentados pelo utilizador são frequentemente aceites.

Virtualidades e Virtudes da Inteligência Artificial

IA, o que podes? IA, para que serves? IA, para que te quero?

O Fernando trouxe-me um pequeno elemento, um princípio, de resposta. Para ouvir, ver e cogitar…

Conselho de Elrond, mas é um musical. Editado por Sampsa Kares. Janeiro 2025. Com legendas disponíveis em português

Inspiração Ardente (IA)

Marc Chagall (1887) – Moses with the Burning Bush, c. 1963

A inteligência artificial define-se como o contrário da estupidez natural (atribuído a Woody Allen)

O Tendências do Imaginário sempre almejou estar atento à mudança e à inovação. Nada se ganha em virar-lhes as costas, a não ser vulnerabilidade e ilusão anestésica. As redes neuronais e a inteligência artificial são crianças com barba crescida.

Segue o videoclip com a canção “Have a Cigar”, dos Pink Floyd, realizado recentemente com recurso à Inteligência artificial. As sequências de imagens, impressionantes, sugerem que fumar é aspirar fogo, com um final gélido, embora mais irisado do que cinzento.

A inteligência artificial pode não ser moral, o que não a impede de resultar moralista. Enfim, presta-se a IA ao psicadélico?

Imagem: Ruínas de Pompeia

Pink Floyd – Have a Cigar (2024 AI Visuals). Wish You Were Here. 1975. Vídeo realizado por Hueman Instrumentality com recurso à Inteligência Artificial (Gen-3 AI Video Tool), colocado em 04.09.2024

A Cabra e o Carneiro

Eduardo Pires de Oliveira. André Soares. União de Freguesias de São Lázaro e São João de Souto. Braga. 2024

Quinta, 7 de novembro, assisti à apresentação do livro André Soares, da autoria de Eduardo Pires de Oliveira. Um momento feliz! As crianças encheram o auditório da Escola André Soares e participaram com entusiasmo. Importa ir ao encontro de “novos públicos”, porventura menos académicos, mas, nem por isso, menos motivados e interessantes. Não me parece ser esta uma vocação prioritária das universidades, demasiado autocentradas e subordinadas a métricas alienantes. Salvo em termos financeiros, não se lhes apresenta como um investimento particularmente rentável.

Apresentação do livro André Soares. 07.11.2024. Fotografia de Alberto Gonçalves

Promovida pela União de Freguesias de São Lázaro e São João do Souto, esta obra dedicada a André Soares afirma-se como pioneira, a primeira de uma coleção infantojuvenil dedicada a figuras históricas da cidade de Braga. Aprecio iniciativas seminais, que abrem portas. Prefiro a cabra que se aventura por escarpas agrestes ao carneiro que sabe de cor o caminho do pasto.

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Max Ernst. The Beautiful Thing. 1925

Por falar em cabra, aproveito para colocar o videoclip “La puta de la cabra”, de Los Legionarios. O carro, um “carocha”, é igualzinho, incluindo a cor, ao primeiro que tive. Para contrabalançar, acrescento uma animação da canção “Sheep”, dos Pink Floyd, criada por Trippy Vortex com recurso à Inteligência Artificial.

Los Legionarios / The Farmlopez – La puta de la cabra / La Kabra. Popular, anos 90
Pink Floyd – Sheep. Animals, 1977. Animação criada por Trippy Vortex. AI Music Video. 2023

Como de costume

Herman Brood. Arena. 1985

Uma vez é um erro; duas vezes é um mau costume (Provérbio do Quebec).

A Almerinda Van Der Giezen teve a generosidade de me enviar a versão de My Way interpretada por Herman Brood, canção que nos habituámos a associar a Frank Sinatra. Herman Brood, ator e poeta, mas sobretudo músico e pintor, com um percurso singular, multifacetado e controverso, tornou-se uma figura emblemática da Holanda, bastante consolidada após o seu suicídio em 2001, com 54 anos. My Way é uma das suas interpretações mais bem-sucedidas.

Herman Brood, , His Wild Romance – My Way. Cover. My Way – The Hits, 2001

O que poucos conhecerão, creio, é que a canção original que está na base de My Way é francesa: Comme D’Habitude, de Claude François, estreada em 1967 e contemplada na abertura dos jogos olímpicos de Paris. Creio, também, que poucos conhecem porque poucos o assumem. Acontece algo semelhante com a canção Autumn Leaves, cujo original, Les Feuilles Mortes, também é francês, com música de Joseph Kosma e letra de Jacques Prévert.

Claude François – Comme D’Habitude. Single, 1967

Em ambos os casos, a Inteligência Artificial não se engana:

A canção “My Way”, imortalizada por Frank Sinatra, é uma adaptação da música francesa “Comme d’habitude”, composta em 1967 por Claude François e Jacques Revaux, com letra de François e Gilles Thibaut. A versão original conta a história de um casal cuja rotina diária se torna monótona e sem paixão.
Paul Anka, cantor e compositor canadense, adquiriu os direitos da música em francês e escreveu uma nova letra em inglês, transformando-a em “My Way”. A nova versão foi feita sob medida para Frank Sinatra e se tornou uma das músicas mais emblemáticas da sua carreira. Apesar de ter mantido a melodia da versão original, a letra em inglês é completamente diferente e fala sobre uma reflexão de vida e realizações pessoais (ChatGPT, 05.11.2024).

A canção “Autumn Leaves” é originalmente francesa. Ela foi composta por Joseph Kosma, com a letra original em francês escrita pelo poeta Jacques Prévert. A canção se chamava “Les Feuilles Mortes” e foi lançada em 1945. Tornou-se popular através de performances de cantores franceses como Yves Montand.
Mais tarde, a canção foi traduzida para o inglês por Johnny Mercer e recebeu o título “Autumn Leaves”. A versão em inglês ganhou popularidade em todo o mundo e foi interpretada por diversos artistas famosos, incluindo Nat King Cole, Frank Sinatra e Édith Piaf. A melodia melancólica e as letras poéticas em ambas as línguas tornaram “Autumn Leaves” um clássico atemporal no repertório de jazz e música popular (ChatGPT, 05.11.2024).

A imigração das cegonhas

Pelos vistos, as cegonhas também imigram cada vez mais para Portugal. Para bem acordar depois da sesta, nada melhor que um anúncio do Xavier Mairesse.

Marca: Fiat. Título: The Storck. Agência: Leo Burnett Italy. Direção: Xavier Mairesse. Itália, junho 2017

Qual foi o contributo da imigração para a natalidade em Portugal?
Dito pelo ChatGPT:
ChatGPT
A imigração tem desempenhado um papel crucial para a natalidade em Portugal nas últimas décadas, ajudando a mitigar a queda da taxa de natalidade que o país vem enfrentando há anos. O país tem uma das mais baixas taxas de fertilidade da Europa, o que resulta num envelhecimento acelerado da população e num declínio demográfico. A imigração ajuda a atenuar este cenário em diversos aspetos:

  1. Rejuvenescimento da população
    Os imigrantes tendem a ser mais jovens do que a população portuguesa, o que tem ajudado a rejuvenescê-la. Como resultado, muitos imigrantes estão em idade fértil e têm contribuído diretamente para o aumento do número de nascimentos no país. Embora a fertilidade das mulheres imigrantes tenda a convergir com as médias nacionais ao longo do tempo, num primeiro momento, a taxa de natalidade entre os imigrantes é geralmente mais alta.
  2. Aumento da população ativa
    A presença de imigrantes jovens ajuda a manter a população em idade ativa, o que é crucial para a sustentabilidade do sistema de segurança social, especialmente num contexto de população envelhecida. Essa faixa etária contribui não apenas para o aumento da natalidade, mas também para a estabilidade do mercado de trabalho.
  3. Fecundidade mais alta entre os imigrantes
    Os imigrantes que chegam a Portugal, especialmente vindos de países como o Brasil, Cabo Verde, Angola e outros países africanos, têm historicamente taxas de fecundidade mais elevadas do que as de famílias portuguesas. Isso tem um impacto direto no número de nascimentos no país. Dados do INE (Instituto Nacional de Estatística) revelam que uma proporção significativa dos nascimentos em Portugal nos últimos anos é atribuída a mães estrangeiras.
  4. Dinamização das regiões despovoadas
    Em muitas regiões do interior de Portugal, onde a população envelhece mais rapidamente e o despovoamento é um problema grave, a chegada de imigrantes tem trazido novas famílias e revitalizado comunidades. Nestas zonas, os imigrantes podem ser a principal fonte de novos nascimentos e de dinamismo social.
  5. Políticas de imigração e sua ligação à natalidade
    Nos últimos anos, Portugal adotou políticas de imigração mais abertas, favorecendo a entrada de trabalhadores estrangeiros e estudantes internacionais. Estas políticas, além de preencherem lacunas no mercado de trabalho, têm como efeito secundário a melhoria do panorama demográfico e a promoção da natalidade.
  6. Estudos e números
    Segundo dados do INE, em 2021, cerca de 12% dos nascimentos em Portugal foram de mães estrangeiras, uma percentagem que tem vindo a aumentar nos últimos anos. Este crescimento reflete a importância crescente da imigração para a natalidade e o crescimento demográfico do país. Em alguns anos, mais de 25% dos novos nascimentos na Área Metropolitana de Lisboa já foram atribuídos a imigrantes ou descendentes de imigrantes.
  7. Casamento e formação de famílias
    Os imigrantes muitas vezes formam novas famílias em Portugal, casando-se com cidadãos portugueses ou com outros imigrantes. Isso contribui para a diversidade cultural e demográfica, ao mesmo tempo que apoia os números da natalidade.
    Conclusão
    Em resumo, a imigração tem um papel fundamental para contrabalançar o declínio da natalidade em Portugal, através do aumento dos nascimentos, rejuvenescimento da população e mitigação do envelhecimento demográfico. Embora a imigração não seja a solução única para o problema da baixa natalidade, sem ela o declínio populacional seria ainda mais acentuado.
    (https://chatgpt.com/?temporary-chat=true; consultado 05.10.2024 às 17:44)