Gostar de quem não gosta de nós

Cada vez me convenço mais que resulta mais gostoso gostar do que ser gostado, o que não é o mesmo que gostar de quem não gosta de nós. Pode acontecer, mas não necessariamente. Pelos vistos, sucede com o brasileiro Hyldon na canção “Na Rua, Na Chuva, Na Fazenda, de 1975. Trata-se de um cantor, compositor e instrumentista particularmente popular nos anos setenta, sendo considerado um dos precursores da música negra brasileira.
A amamentação através do tempo. I – Antes de Cristo
Estou a preparar uma conversa dedicada à iconografia da Virgem Maria. O título, provisório, aponta para qualquer coisa como “Mater dolorosa: naturalismo e simbolismo na pietà”, com a escultura do jovem Michelangelo como ponto de partida. Quando abordo um tema, costumo perder-me noutros que lhe são mais ou menos conexos. Compreender é também comparar.
Para além da pietà, convoco outras figuras, precedentes e contemporâneas, entre as quais a Virgem do Leite. Da Virgem do Leite à figura de qualquer mulher a amamentar uma criança vai apenas um passo.
Entretenho-me, assim, a desencantar e arquivar imagens com mulheres a amamentar crianças. Existem em todos os tempos e continentes. Configuram um arquétipo da maternidade e da fertilidade.
Parte dessas imagens justificam partilha. Algumas, raras, resultam difíceis de encontrar. Uns achados!
Segue uma primeira galeria, com esculturas de várias proveniências anteriores à era cristã. A mais antiga tem quase 8000 anos. Desgastadas pelo tempo, algumas “perderam a cabeça”. A maioria encontra-se numa posição que antecipa a generalidade das obras do milénio posterior: sentadas, a criança no colo, olhar frontal e uma mão a segurar um peito.
Galeria: Imagens com mulheres a amamentar crianças anteriores à era cristã (a. C.)





























Walking in the (b)rain

Volta e meia, a Apple promove anúncios que visam a prevenção contra ameaças totalitárias. Por exemplo, “Data Auction” (https://tendimag.com/2023/01/08/pela-translucidez/) ou “1984” (https://tendimag.com/2017/10/30/o-martelo-da-revolta/). A maçã da sapiência contra o Big Brother! Na verdade, somos observados, filtrados e manipulados a toda a hora em qualquer lugar. No anúncio “Flock”, câmeras de vigilância metálicas substituem os corvos do filme de Hitchcock. É motivo para acrescentar: They are walking in the (b)rain.
Anúncios orientais contra o tabagismo

Existem campanhas antitabaco alternativas àquelas, previsíveis e molestas, a que estamos habituados. A Thai Health Promotion Foundation faz questão de ser imaginativa, raiando, amiúde, o fantástico. Seguem 5 anúncios.
Imagem: Smoking boys vintage photo. Por Karen Arnold
Van Gogh ilustrado

Alireza Karimi Moghaddam, nascido no Irão em 1975, é conhecido pelas mais de centena e meia de ilustrações que procuram exprimir a postura e o espírito de Van Gogh na vida e na tela. Reside desde 2021 em Lisboa.
Segue uma galeria e um vídeo com, respetivamente, 24 e 185 imagens.
Imagem: Alireza Karimi Moghaddam
Galeria de imagens: Fancy Van Gogh – ilustrações de Alireza Karimi Moghaddam sobre Van Gogh























Repouso

Se não encontrar uma oração que lhe convenha, invente-a (Santo Agostinho, 354-430).
Demoremos-nos, suspensos no colo divino, com o olhar perdido nas mãos desertas. A música proporciona-se como uma forma de comunhão. Algumas composições de Yann Tiersen prestam-se especialmente para esse efeito. Seguem Tempelhof, Erc’h e Pell, do álbum All (2019).
Do Céu
Registo Civil Vegetal e Limoeiro

O limoeiro é muito bonito e a flor do limão é doce
Mas o fruto do pobre limão é impossível de comer
(Peter, Paul & Mary, Lemon Tree, 1962)
A árvore torna-se forte com o vento (Séneca, 4 a.C. – 65 d.C.)

Uma ideia genial preside ao anúncio “Árvore”, da rádio e TV brasileira Jovem Pan, qualidade que compensa a fraca resolução do vídeo. Um caso ímpar de minimalismo perspicaz e eloquente, Leão do Festival de Cannes de 1998. As versões inglesa e portuguesa são acompanhadas por dois cartoons deveras sugestivos e pela canção Lemon Tree.
Cartoon: Alireza Karimi Moghaddam, iraniano
Declarações de amor pré-fabricadas
E viver sem amar não é realmente viver (Molière, La Princesse d’Élide, 1664).

Se quer arrastar a asa, mas, por qualquer motivo, prescinde da comunicação verbal ou gestual, diga-o não com flores, mas com letras. Existem declarações prontas a usar num minimercado perto de si. Haja desejo e inspiração! O anúncio “Lait drôle la vie”, do Monoprix, é lento como um caracol, mas ternurento como um coelho.
Imagem: Breviary of Renaud de Bar, Metz, 1302-1303. British Library
Acode-me a canção “Tu m’écris”, de Isabelle Mayereau, cuja letra parece um misto que sucede a Jacques Prévert e precede Mia Couto.

