Arquivo | Uncategorized RSS for this section

Humoresco

Antonin Dvorak

Em regime mais solar do que lunar, com o social a sobrepor-se cada vez mais ao digital, partilho uma música bem disposta, um humoresco, “curta peça de humor e humor”. Dvorak, com Yo-Yo Ma, no violoncelo, e Itzhak Perlman, no violino.

Yo-Yo Ma & Itzhak Perlman. Humoresque No. 7 in G-flat Major, Op. 101, de Antonin Dvorak. Com a Boston Symphony Orchestra, dirigida por Seiji Ozawa.

“Japanese conductor, American orchestra, Chinese cellist, Israeli violinist, Czech composer”.

Reenvio

Fw: Re: “Sem você (…) minha alegria é triste”

Maria Bethânia – As Canções Que Você Fez Para Mim. As Canções que Você Fez pra Mim. 1993. Ao Vivo, Noite Luzidia. Canecão. 2001

Voz e contrabaixo: Esperanza Spalding

O que é bom dificilmente se estranha.

Meia-verdade do dia:

Nem sempre são de condenar as más ações; podem ser bem intencionadas. Tão pouco devemos louvar sempre as boas ações; podem ser mal intencionadas. Esta ressalva não advoga nem a irresponsabilidade nem a primazia das intenções face aos resultados.

Esperanza Spalding. Throw it away. Ao vivo: Bing Lounge, 23/08/2011.
Esperanza Spalding. Formwela 10. Songwrights Apothecary Lab. 2021.
Esperanza Spalding. Formwela 1. Songwrights Apothecary Lab. 2021.

Dar corda ao desejo

Já tinha saudades da libido em estado puro!

J12 White – Chanel. Bruno Aveillan. 2014.

Tendências do imaginário

Chanel Bruno Aveillan

Bruno Aveillan tem a arte de envolver os corpos numa estética de meticulosa volúpia. Charlotte Siepora, bailarina contemporânea, evolui em três elementos que se misturam: o ar, o líquido branco e a luz. Mais os diamantes! O corpo, em movimento, ora se eleva, ora se arrasta, ora se abandona. Os medievais recorriam ao realismo extremo para dizer o sagrado. Bruno Aveillan recorre à extrema sensualidade para embalar o sublime nas “asas do desejo”. Este anúncio lembra, por momentos, o genial Dolce Vita, que recomendo.

J12 White – Chanel. Bruno Aveillan. 2014.

View original post

Estética da receção. Uma instalação

O valor de uma obra depende dos usos e das interpretações que suscita. A empregada enriqueceu esta escultura contemporânea com um uso inesperado. De algum modo, uma espécie de instalação.

Escultura de Fernando Nobre ressignificada.

Expo diabólica

Expo diabólica. Cabeceiras de Basto. Até setembro. Fotografia: Sara.

A seguir ao Museu Alberto Sampaio, a Expo diabólica desloca-se para a Casa do Tempo, em Cabeceiras de Basto.

“A Casa do Tempo de Cabeceiras de Basto acolhe entre os meses de maio e setembro a ‘Expodiabólica’, curiosa e admirável exposição de diabos que o investigador vimaranense Fernando Capela Miguel idealizou em desenho e que veio a materializar em belíssimas peças de cerâmica concretizadas por renomados oleiros de Barcelos. / O imaginário popular do Minho é retratado nesta ‘Expodiabólica’ que dá ‘voz’ à cultura popular e a crenças antigas envoltas em misticismo” (Presidente da Câmara de Cabeceiras de Basto).

Expo Diabólica – Uma Expressão da Cultura Popular no Museu de Alberto Sampaio. Uma coleção particular, pertença de Fernando Capela Miguel.

Canções de luto por vivos

Nos últimos tempos, o Tendências do Imaginário tem-se sintonizado, enfadonhamente, na mesma onda: o alheamento. É assim! Quando encontro um novelo deixo-me enroscar nele. Em vez de o exorcizar, desfio, uma a uma, as pontas. Até surgir outro novelo. Importa libertar-me deste que é pouco compensador. Abrir-me, quem sabe, ao tema do reencontro. Para apressar, em vez de desfiar uma ponta por artigo, passo a juntar várias num único.

Assim como existe a expressão “viúvas de vivos”, avanço uma homóloga: “fazer o luto de vivos”. De tão satisfeito com a fórmula, vou patenteá-la! Fazer o luto por um vivo é encetar um processo mediante o qual o outro, embora vivo, passa a assumir, sem traumas, o estatuto de morto. Costuma dizer-se: “Para mim, está mort@!”.

Vou alinhar várias canções, todas de despedida, segundo uma ordem que as aproxima cada vez mais de um exemplo de luto por um vivo.

A canção Le Moribond, de Jacques Brel (1961) é uma despedida da vida/anúncio de morte. Conheceu várias retomas em língua inglesa. A versão mais célebre é, porventura, Seasons in the sun (1974), do canadiano Terry Jacks, influenciado pela leucemia de um amigo. Conheci-a em meados dos anos setenta quando comprei um single com a canção Where do I begin, de Andy Williams, inspirada no filme Love Story, também uma canção de despedida. A canção de Terry Jacks, se bem me lembro, vinha no lado B. Ao arrepio do expectável, existem muitas canções de luto de vivos por vivos. Retenho duas em língua francesa: On Ne Vit Pas Sans Se Dire Adieu, de Mireille Mathieu (1974), e Adieu, de Lynda Sherazade (2020).

Tenho que me entreter com qualquer coisa! E nunca enjeitei os assuntos mais incómodos. Acolho-os harmoniosamente, como estas canções. Coloco apenas uma condição: gostar dos conteúdos partilhados, no presente caso, das canções, que, sendo cinco num único post, ninguém vai visionar.

Jacques Brel. Le moribond. Marieke. 1961.
Terry Jacks. Seasons in the sun. Seasons in the sun. 1974.
Andy Williams. (Where do I begin) Love Story. 1971.
Mireille Mathieu. On ne vit pas sans se dire adieu. On ne vit pas sans se dire adieu. 1974.
Lynda Sherazade. Adieu (fit Dadju). Papillon. 2020.  

Castro Laboreiro. A arte do documentário.

Caminhada na neve. Castro Laboreiro: Inverneiras. Realização de Ricardo Costa. 1979

Coloquei, na semana passada, o segundo episódio do documentário Castro Laboreiro, realizado por Ricardo Costa. Hoje, vou ao recanto do Valter Alves no YouTube pedir emprestado o primeiro episódio: Inverneiras. Tomo a iniciativa de o partilhar não apenas porque aborda as gentes de Castro Laboreiro mas também pela qualidade intrínseca do próprio documentário, nomeadamente a fotografia, a montagem e a realização. Em muitos planos e sequências, por detrás da câmara de Ricardo Costa, parece insinuar-se o grande Andrei Tarkovsky. Por exemplo, na interminável caminhada na neve. “saboreia-se a imagem”. Um olhar concentrado, sóbrio e demorado que retrata uma realidade ascética, ancestral e resistente. Ao mesmo tempo cósmica, a rondar o místico.

Homem Montanhês / Castro Laboreiro. Primeiro episódio: Inverneiras. Uma coprodução Diafilme com a RTP, com realização e montagem de Ricardo Costa. 1979

Tempos confusos

Tenho colocado cada vez menos anúncios publicitários. Quer isto dizer que os poucos que coloco são mais selecionados? Estes dois anúncios da Burger King espanhola são soberbos, transbordantes de falácias desconcertantes. Os textos são primorosos.

Após vários séculos de predomínio da razão e de racionalização, mergulhamos na insensatez e na confusão? Na criação paradoxal? Cafés sem cafeína, bebidas alcoólicas sem álcool, doces sem açúcar, fruta sem sementes, salgados sem sal, e, agora, o nugget de frango sem frango e o hamburger de carne sem carne, da Burger King. Contrassensos evidentes? Baralham-nos ou convencem-nos?

Será que uma cabeça cheia de certezas é uma cabeça morta? Será que da confusão nasce a luz? Será que, como escrevia Blaise Pascal, demasiada luz ofusca? Tudo isto baralha. Como seria bom ter ideias sem pensamento.

Seguem dois anúncios da campanha ” Tiempos aún más confusos”, da Burger King. Os dois primeiros na versão original, em espanhol, os dois últimos em inglês.

Marca: Burger King Spain. Título: Tiempos aún más confusos, Nuggets. Agência: David / Madrid. Direção: BICEPS. Espanha, Abril 2022.
Marca: Burger King Spain. Título: Tiempos aún más confusos, King. Agência: David / Madrid. Direção: BICEPS. Espanha, Abril 2022.
Marca: Burger King Spain. Título: Even More Confusing Times, Nuggets. Agência: David / Madrid. Direção: BICEPS. Espanha, Abril 2022.
Marca: Burger King Spain. Título: Even More Confusing Times, King. Agência: David / Madrid. Direção: BICEPS. Espanha, Abril 2022.

A morte das palavras

Carlo Carrà, Interventionist Demonstration (Patriotic Holiday – Free Word Painting), 1914,

Ando ocupado. Deixo ao C.S. Lewis, o autor de As Crónicas de Nárnia, a honra de completar este artigo. Quem é cristão? Afinal, “o que falar quer dizer” (Pierre Bourdieu)? As palavras também se gastam com o uso? Também morrem? Segue uma cópia de quatro páginas de um livro que me tem entretido: Cristianismo puro e simples. Carregar para aumentar.

Cristianismo puro e simples, pp. 16 e17
Cristianismo puro e simples, pp. 18 e 19

C.S. Lewis. Cristianismo puro e simples. 1942-1952. Rio de Janeiro, Vida Melhor Editora, 2017.