Arquivo | Uncategorized RSS for this section

O império das mercadorias

Coca-Cola. Open that Coca-Cola. 2021.

A Coca-Cola oferece-se como uma poção mágica (vídeo 1). À semelhança da beberagem do Panoramix (vídeo 2). A primeira resulta numa dança acelerada e colorida, a segunda, numa pancadaria ciclópica. Os objetos, as mercadorias, apoderam-se de nós e transfiguram-nos. Atente-se nos sofás Snug (vídeo 3).

Marca: Coca-Cola. Título: Open that Coca-Cola. Agência: Wieden + Kennedy (London). Direção: Los Perez. Reino Unido, Fevereiro 2021.
Astérix : Le Secret de la Potion Magique – L’Attaque du Village. Excerto. França, 2018.
Marca: Snug. Título: New Realm of Cosy. Agência: Wax/On. Direção: Thomas Ormonde. Reino Unido, Fevereiro 2021.

Roberta Flack

Roberta Flack.

Vacinado ou não, continuo vulnerável.

Roberta Flack. The First Time Ever I Saw Your Face. First Take. 1969.
Roberta Flack. Killing me softly with his song. 1973.

Matar a música. Victor Jara

Victor Jara. Memória.

Há épocas e lugares em que a música e a política se aproximam. O canto politiza-se e a política canta. Aconteceu em Portugal nos anos sessenta e setenta. Esta relação pode degenerar, tornar-se trágica. Victor Jara foi torturado e assassinado em 1973 pelo governo chileno de Pinochet. O Tendências do Imaginário contém várias canções de Victor Jara. Acrescento duas.

Victor Jara. Manifiesto. Manifiesto. 1974. Póstumo.
Victor Jara. Duerme, Duerme Negrito. Pongo en tus manos abiertas. 1969.

A Rosinha dos Limões

Estranho o cérebro que desconhece distâncias e proporções.  Hoje é dia de Super Bowl, com os anúncios mais caros do mundo. O anúncio Last Year’s Lemons, da Bud Light, lembra-me, deste lado do Atlântico, há mais de meio século, A Rosinha dos Limões, de Max. Lembrança tresmalhada.

Marca: Bud Light. Título: Last Year’s Lemons. Agência: Wieden + Kennedy (New York). Estados-Unidos, Janeiro 2021.
Max. A Rosinha dos Limões.

Era uma vez o slow

Aphrodite’s Child. End of the World. End of the World. 1968. Ao vivo em 1968.

A escrita é da ordem do desejo. Sensual e dialógica. A escrita pode, inclusivamente, resgatar as cinzas do prazer. A banda grega Aphrodite’s Child obteve um sucesso apreciável nos anos sessenta e setenta. Era composta por três elementos, dois célebres: Vangelis, teclas, e Demis Roussos, voz e baixo. A interpretação ao vivo de End of the World, em 1968, revela a febre do slow, dança de contato contraposta ao desprendido shake. A dança é um fenómeno cultural. Nos anos setenta, predominavam os bailes nas caves, nos ginásios e nos recintos das festas. Eram animados por grupos musicais. Quando iniciava uma música propícia ao slow, as pessoas afluíam à “pista de dança”. Volvida uma década, nos anos oitenta, predominam as discotecas. Quando abre uma série de músicas lentas, as pessoas abandonam a pista para conversar e beber. De ostensiva, a dança de slow tornou-se discreta. Mas não desapareceu. Atente-se na dança, em 2018, entre a atriz e apresentadora Filomena Cautela e o primeiro ministro António Costa. O slow parece mais difícil de dançar do que “antigamente”. A sintonia e o contato dos corpos asseveram-se complicados e intermitentes.

Filomena Cautela dança um slow com António Costa. 5 Para a Meia-Noite | RTP. Julho 2018.

Marie Laforêt

Marie Laforêt. 1974, France

Je ne m’écoute jamais. Là, j’ai été obligée de le faire pour effectuer le choix de mes chansons et ça été un vrai calvaire. De toute façon, je déteste me voir ou m’entendre (Interview Télé Star, 2005, « Marie Laforêt : Je déteste m’entendre chanter » , Propos recueillis par Fabrice Dupreuilh)

Tanta doçura, tanto laço, tanto amor. Abraça-se o tronco e sorve-se a seiva. As três canções que seguem não cantam o Natal, mas são melodiosas e sentimentais. São dos anos sessenta e setenta, canções de amor, procura e separação. Por Marie Laforêt, uma das meninas bonitas da canção francesa.

Marie Laforêt. Je voudrais tant que tu comprennes. 1966.
Marie Laforêt. Je suis folle de vous. Chansons à aimer. 1968.
Marie Laforêt. Viens Viens. 1973.

A música entre nós

Sem a música, o mundo seria um erro (Friedrich Nietzsche, Crepúsculo dos Ídolos, 1889)

Henri Matisse. La musique. 1910.

A música toca-nos. É uma ponte para afetos e memórias. O anúncio Crafting Memories – since 1925, da Bang & Olufsen, incide, precisamente, sobre esta relação entre a música e a memória partilhada. Recordo quando ouvi, pela primeira vez, a música Fast Car, da Tracy Chapman, no sótão da casa de uns primos a quem quero bem.

Marca: Bang & Olufsen. Título: Crafting Memories – since 1925. Agência: Camp David Film. Direcção: Stina Lütz. Dinamarca, Novembro 2020.
Tracy Chapman. Fast Car. Tracy Chapman. 1988.

Com auscultadores sem fios

Slade. Slade Smashes.1980.

A técnica tem uma característica interessante: permite usos inapropriados. Nos encontros e nas reuniões, dava jeito colocar uns auscultadores sem fios e migrar para outras paisagens sonoras. A música suave não se presta a esta audição clandestina. Corre-se o risco de adormecer. O ideal é uma música brutal. Mas temos que nos treinar a não “abanar o capacete”. É uma tentação usar auscultadores nas aulas por videoconferência. Em quarenta alunos, apenas um tinha a câmara ligada. No ecrã, dezenas de bolachas. Dar uma aula acompanhado pelos Slade deve ser empolgante. Retenho quatro músicas, ao todo 15 minutos. É muito atendendo à vossa disponibilidade, mas pouco comparado com a duração de uma reunião ou de uma aula. E parece-me ser mais divertido.

Slade. Cum On Feel The Noize. Sladest. 1973.
Slade. Coz I luv you. Play It Loud. 1970.
Slade. My Oh My. The Amazing Kamikaze Syndrome. 1983.
Slade. Run Runaway. The Amazing Kamikaze Syndrome. 1983.

As botas do Cristiano Ronaldo

Cristiano Ronaldo

Um novo anúncio da Nike. Ou do Cristiano Ronaldo. Diz-se das duas maneiras. Mais umas botas da Nike associadas a Cristiano Ronaldo. O mais ilustre dos portugueses. Um herói que entra, por acréscimo, no mundo fantástico e artístico da animação.

Marca: Nike. Título: Christiano Ronaldo. Produção: Dirty Robber. Direcção: Caleb Woods. Internacional, Outubro 2020.

Sedução salgada

Cyrano de Bergerac.

Tudo parece outra coisa neste anúncio. O piropo parece galante e a beleza parece cativa da sedução. Até um “favorzinho” parece um cavalo de Tróia. Para uma perspectiva feminina da relação entre piropo e assédio, ver “Piropo é assédio ou sedução?” (https://jornaldeca.pt/piropo-assedio-ou-seducao/).

Cliente: São Paulo Alpergatas, SA. Título: Favorzinho. Agência: ALMAPBBDO. Direcção: Clovis Mello. Brasil, Novembro 2008.