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Da excelência dos pés

Na topologia simbólica do corpo humano, os pés estão nas antípodes da cabeça: O lugar da desvalorização. O poeta Jacques Prévert e anúncio Les Pieds invertem, em boa hora, esta geometria.

e n’faisais rien, c’est-à-dire rien d’sérieux
Quelque fois l’matin, j’poussais des cris d’animaux
J’gueulais comme un âne, de toutes mes forces
Cela m’faisait plaisir
Et puis je jouais avec mes pieds
C’est très intelligent les pieds
Ils vous emmènent très loin quand vous voulez aller très loin
Et puis quand vous n’voulez pas sortir
Ils restent là, ils vous tiennent compagnie
Et quand il y a d’la musique, ils dansent
On n’peut pas danser sans eux
Faut être bête comme l’homme l’est si souvent pour dire des choses aussi bêtes
Que “bête comme ses pieds”, “gai comme un pinson”
Jacques Préverrt. Dans ma maison. Poésie. 1949. Excerto.

Mobilité Bruxelles. Les Pieds. Belgique, 2021.

Ideologia a domicílio

Vejo mais televisão do que olhos possuo. Há canais de televisão ideológicos? Um misto de comunicação e preconceito?

Phil Coulter, David Leonard, David L. Cooke, Alison Hood. In Loving Memory. Wellnessklassik zum Wohlfühlen. 2006.

O insólito normal

Fotografia de Álvaro Domingues

No anúncio City Bike, da Mate, os contextos e os movimentos territoriais inesperados cruzam-se num misto de estranheza e familiaridade. Lembram o livro Paisagens Transgénicas, de Álvaro Domingues (Museu da Imagem, 2021). O anormal é normal.

Mate. City Bike. Prudução: Quad Productions. Direção: Greg Ohrel. Canadá, Junho 2021.

Outros beijos

Mercado Livre. Novos beijos icônicos.

Outros beijos, outros géneros. Beijos com história, beijos com arte, numa chuva de beijos emblemáticos. Outros beijos, outros géneros, beijos humanos. Belas imagens, boa música.

Anunciante: Mercado Livre. Título: Novos beijos icônicos. Agência: GUT/São Paulo. Direção: VELLAS. Brasil, junho 2021.

Johnny Hallyday

Instalação Anjos. Exposição Vertigens do Barroco em Jerónimo Baía e na Atualidade. Mosteiro de Tibães. 2007

Johnny Hallyday faleceu em 2017, com 74 anos. No ano anterior, interpreta, ao vivo, a canção Comme je t’aime. Gosto de menos e gosto demais de Johnny Hallyday. Uma figura excessiva no palco e na vida. Na exposição Vertigens do Barroco (Tibães, 2007), ao montar a instalação Anjos (ver imagem), ocorreu-me Johnny Hallyday, rebelde dos anos sessenta.

Johnny Hallyday. Comme je t’aime. Live au Palais 12, Bruxelles, 2016.

Mafalda Veiga

“E deixar-me devorar pelos sentidos
E rasgar-me do mais fundo que há em mim
Emaranhar-me no mundo
E morrer por ser preciso
Nunca por chegar ao fim
(Mafalda Veiga).

Tenho um nó na palavra. Para escrever cinco letras, preciso de uma dúzia de teclas. Chama-se a isto tremura de mãos e gaguez digital. Desfasada do pensamento, a escrita não discorre, tropeça. Encolhe como o caracol. Gosto da Mafalda Veiga

Mafalda Veiga. Por outras palavras. Zoom. 2011.

Música rara

Armas Järnefelt

Num tempo em que nem Santa Senhorinha consegue calar as rãs, segue uma versão rara de uma música rara: a Berceuse, do finlandês Armas Järnefelt (1869-1958), com interpretação de Risto Vuolanne (contrabaixo).

Armas Järnefelt. Berceuse. 1904. Contrabaixo: Risto Vuolanne. Palacio de la Ópera, A Coruña. Abril 2013.

Wim Mertens

Wim Mertens

Assisti, há muitos anos, a um concerto de Wim Mertens no Theatro Circo em Braga. Gosto de Wim Mertens mas, em casa, há quem goste mais. Dedico-lhe esta música relativamente recente (2016).

Wim Mertens. Old Katarakt. Dust of Truths. 2016. Live at BOZAR, Henri Le Boeuf, Brussels, Belgium – October 21st, 2016.

Salut d’amour

Edward Elgar by May Grafton.

Edward Elgar (1857-1934) consta entre os grandes compositores ingleses. Das suas obras, destacam-se Enigma Variations (1898–99) e Pomp and Circumstance marches (1901–07; 1930). Seguem a versão para pequena orquestra e a versão para piano de Salut d’Amour (1888).

Edward Elgar. Salut d’Amour Op 12. 1888. Ensemble des Deutschen Kammerorchesters Berlin. Violino: Daniel Hope. 2012.
Edward Elgar. Salut d’Amour Op 12. 1888. Piano: Aldo Ciccolini.

O império das mercadorias

Coca-Cola. Open that Coca-Cola. 2021.

A Coca-Cola oferece-se como uma poção mágica (vídeo 1). À semelhança da beberagem do Panoramix (vídeo 2). A primeira resulta numa dança acelerada e colorida, a segunda, numa pancadaria ciclópica. Os objetos, as mercadorias, apoderam-se de nós e transfiguram-nos. Atente-se nos sofás Snug (vídeo 3).

Marca: Coca-Cola. Título: Open that Coca-Cola. Agência: Wieden + Kennedy (London). Direção: Los Perez. Reino Unido, Fevereiro 2021.
Astérix : Le Secret de la Potion Magique – L’Attaque du Village. Excerto. França, 2018.
Marca: Snug. Título: New Realm of Cosy. Agência: Wax/On. Direção: Thomas Ormonde. Reino Unido, Fevereiro 2021.