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Primeiro os amigos

Jacques Brel, Léo Ferré e Georges Brassens

Existem mundos onde predominam as encostas. Os seus membros encostam-se uns aos outros formando montículos dispostos em redes de dependência pessoal. Quem não se encosta nem é encosto candidata-se ao papel de mosquito numa teia de aranha. A autonomia definha como uma quimera, um gesto raro e caro. Seguem quatro canções francesas sobre a parceria (os comparsas) e a diferença (os marginais).

George Brassens. Les copains d’abord. Les copains d’abord. 1964.
Georges Brassens. La mauvaise réputation. La mauvaise réputation. 1954.
Georges Moustaki. Le métèque. Le métèque. 1969.
Isabelle Mayereau. Difference. Isabelle Mayereau. 1978.

(En)canto

Há quem não aprecie os Pink Floyd, embora o grupo tenha passado por fases e criado canções para quase todos os gostos. No que me respeita, representam uma banda presente em momentos marcantes, inaugurais. Juntos pela última vez durante o Live 8, no Hyde Park, em 2005, abriram o pequeno concerto com Speak to me / Breath. Um (en)canto biográfico.

Pink Floyd. Speak To Me / Breathe. Dark Side of the Moon, 1973. Ao vivo: Live 8. Hyde Park. Julho 2005.

Pandemónio. Vulnerabilidade auditiva

Volkswagen. Let’s Go. 2022

Segundo Georg Simmel, a relação com o mundo e com os outros tende a mudar consoante os sentidos mobilizados.

“Do ponto de vista sociológico, a orelha distingue-se do olho também pela ausência desta reciprocidade que institui o olhar face a face. Por natureza, o olho, não consegue abranger sem receber ao mesmo tempo, enquanto que a orelha é o órgão egoísta por natureza que recebe e não dá; a sua forma exterior parece quase um símbolo disso, porque ela dá a impressão de um apêndice passivo da figura humana, o menos móvel de todos os órgãos da cabeça. Paga este egoísmo com a sua incapacidade de se desviar ou fechar, à semelhança do olho; como pode apenas recolher está condenada a receber tudo o que se passa ao seu alcance” (Simmel, Georg, 1ª ed. 1908, Sociologie, Paris, Presses Universitaires de France, 1999, pp. 634-635).

O ouvido é, portanto, mais vulnerável do que o olho. Ao mesmo tempo, mais exposto à intrusão e mais perturbador só o olfato, mas num espaço mais restrito, circunscrito à “esfera da intimidade”. A maior vulnerabilidade, e correspondente intrusão, do ouvido face ao olho justifica que, ao nível do audiovisual, se recorra mais frequentemente ao som do que à imagem para significar o mal-estar e a agressão ambiental. É o caso do anúncio sul-africano Let’s Go, da Volkswagen, em que a protagonista é assediada por todo o tipo de ruídos.

Marca: Volkswagen. Título: Let’s Go. Agência: Ogilvy (Cape Town). Direção: Fausto Becatti. República da África do Sul, junho 2022.

Falha técnica

Acordei desligado: uma falha no serviço da Internet. Razão acrescida para dedilhar os CD amontoados nos gavetões. Como de costume, retirei um punhado à sorte e escolhi um: What are you going to do with your life, dos Echo & The Bunnymen. Costumo escutar uma ou duas vezes e reter duas ou três música. Desta vez, não resisti a colocar o álbum completo. Não é fácil hierarquizar, possui uma marca própria e retalhá-lo seria um atropelo. Coloco-o para que alguém com uma falha na urgência quotidiana o possa apreciar

Echo & The Bunnymen. What are you going to do with your life. Full album. 1999.

No limite: The Kills I

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“A morte não é acontecimento da vida. Não se vive a morte. / Se por eternidade não se entender a duração infinita do tempo mas a atemporalidade, vive eternamente quem vive no presente. / Nossa vida está privada de fim como nosso campo visual, de limite” (Ludwig Wittgenstein. Tractatus Logico-Philosophicus. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1968, p. 127).

Mudar de música ajuda a mudar de atitude. Tive São João em casa. Quatro em cada cinco jovens admitiram não ter ouvido falar dos The Kills. Este e o próximo posts ser-lhes-ão dedicados. Seguem, por enquanto, duas versões mais despojadas e mais raras, com menos punch e batida do que o duo nos habituou.

The Kills. The Last Goodbye. Blood Pressures. 2011. Live David Letterman chat show, 2012.
The Kills. Wait. Keep on Your Mean Side. 2003. ‘Echo Home – Non-Electric EP’ released 2017.

Sinais de vida

Vamos andar sem sair do lugar! Seguem três músicas do álbum Signs of Life, dos Penguin Cafe Orchestra: Perpetuum Mobile; Dirt; e Southern Jukebox Musc. Lembram-se?

Penguin Cafe Orchestra. Perpetuum Mobile. Signs of Life. 1987.
Penguin Cafe Orchestra. Dirt. Signs of Life. 1987.
Penguin Cafe Orchestra. Southern Jukebox Music. Signs of Life. 1987. Live From The Royal Festival Hall, United Kingdom/1987 / 2008 Digital Remaster. 2008.

Grupo Etnográfico da Casa do Povo de Melgaço

É um prazer partilhar um vídeo e uma galeria de imagens da atuação do Grupo Etnográfico da Casa do Povo de Melgaço durante a Festa do Alvarinho e do Fumeiro 2020 em Melgaço.

Malhăo|Grupo E.Da Casa do Povo de Melgaço | Festa do Alvarinho 2022

Para a aceder à galeria de fotografias da atuação do Grupo Etnográfico da Casa do Povo de Melgaço durante a Festa do Alvarinho e do Fumeiro 2022, carregar na seguinte imagem:

Grupo Etnográfico da Casa do Povo de Melgaço

Harmonium: Histórias sem palavras | Como um tolo

Harmonium (1972-1978)

Tenho uma memória instantânea de grilo ou, se se preferir, de galinha. Em contrapartida, não me queixo da memória que apelido subterrânea, arqueológica. Os fantasmas do mais recôndito purgatório do passado acodem-me à consciência como pirilampos, emergindo sem convite nem cerimónia.

Acaba de acontecer com os Harmonium, um grupo francófono do Québec (Canadá), criado em 1972 e ativo até 1978. Publicaram três álbuns de estúdio: Harmonium (1974); Si on avait besoin d’une cinquième saison (1975); e L’Heptade (1976). O rock progressivo dos Harmonium aproxima-os de bandas tais como os Camel ou os Renaissance, mas com muito menos reconhecimento. À semelhança de outras bandas, reuniram-se cerca de quarenta anos depois, já mais amadurecidos, para reeditar álbuns e tocar em concertos ao vivo. Seguem: 1) um pequeno excerto do concerto sinfónico Harmonium Symphonique, publicado em 2021; 2) a interpretação integral ao vivo, em 2017, da música Histoires sans paroles (original de 1975); e 3) a canção Comme un fou, remasterizada, do álbum L’Heptade (1976).

Muito poucos conhecerão a música dos Harmonium. Passados tantos anos, reconheço-me nela. Acredito que nos identificamos menos pelo que comungamos e mais pelo que nos distingue.

Histoires sans paroles (excerto). Harmonium Symphonique / Histoire sans paroles, 2 CD, 2021.
Harmonium. Histoires sans paroles. Si on avait besoin d’une cinquième saison. 1975. Ao vivo em St. Hilaire, 2017.
Harmonium. Comme un fou (remasterisé). L’Heptade. 1976.

Canto galego

Tanxugueiras. Contrapunto. 2021.

Anque tocan as campás
non tocan polos que morren.
Tocan polos que están vivos
para que deles se acorden.
(Tanxugueiras. Albedrío. Contrapunto. 2019)

Um canto de Galiza, terra de meus avós. As Tanxugueiras, três vozes femininas, seis dedos de música festiva. Esmorecer é começar a perder.

Tanxuqueiras. Terra. 2021.
Uxía y Tanxugueiras. Túa nai e méiga / A rianxeira.  Real Filharmonía de Galicia. 2019.
Tanxuqueiras. Figa. 2021.
Tanxuqueiras. Midas. 2021.
 Tanxugueiras. Albedrío. Contrapunto. 2019.

E a vida continua

Gustav Klimt. Hope, II. 1907-1908.

Ainda não consigo dançar estas músicas, mas falta pouco. Entretanto, dá para revigorar. Bom ano! Grandes voos e boas aterragens.

Pavlov’s Dog. Song Dance. Pampered Menial. 1975. Ao vivo: House Broken, 2015.
Focus. Hocus Pocus. Moving Waves. Ao vivo: NBC´s Midnight Special, 1973.
Creedence Clearwater Revival. I Heard It Through The Grapevine. Cosmo’s Factory. 1970. Ao vivo.
Armageddon. Buzzard. Armageddon. 1975.