Archive | grupo RSS for this section

Umbigos

Salvador Dali. Metamorfose de Narciso, 1937. Tate Modern de Londres

Segundo Sigmund Freud, à fase oral, segue-se a fase anal; pelos vistos, há quem fique bloqueado entre as duas, ao nível do umbigo, na fase umbilical (a partir de Guy Bedos)

Junto os artigos Umbilicados, narcisistas e egoístas (16.07.2018), Avatar narcisista (10.12.2017) e Nota de rodapé (26.11.2016).

Diagonalização do Poder

Padrãodo Descobrimentos com identificação das figuras. Lado Leste. Por Walrasiad

Le rire est une bouée de sauvetage / O riso é uma bóia de salvação (Michel Serrault)
Le rire libère l’homme de la peur / O riso liberta o homem do medo (Dario Fo)

O artigo Hierarquias na horizontal, colocado no Tendências do Imaginário no dia 14 de julho de 2018 inspira-se no maneirismo seiscentista. Como diriam os medievais francófonos, é uma drôlerie (gracejo), um sintoma, talvez, de quem tem muito tempo no presente e pouco pela frente.

Padrão dos Descobrimentos com identificação das figuras. Lado Oeste

*****

Michel Sardou – Le France. Michel Sardou, 1976

Inspirações e coincidências

Escrever artigos no blogue é um vício prazeroso, mas revê-los não deixa de ser uma alternativa, no pior dos casos, um placebo. Recuemos, pois, uma dúzia de anos [ainda estava no fruto da idade]. O triunfo das salsichas contempla quatro anúncios: um par (“Sausage” e “La Saucisse”) parece inspirado no outro (“Baleia” e “Rave Party”). Será mera coincidência?

René Magritte – La reproduction interdite, 1937

Nave perto da fronteira

Saudades dos britânicos Dire Straits? John Illsley foi fundador e baixista da banda. Além dos 6 álbuns com o grupo, publicou 10 álbuns a solo. Começou como pintor aos 15 anos, mas acabou por optar pela música. Desfeita a banda, retoma a pintura. Junto 4 quadros e 5 canções, cujas letras merecem atenção.

Imagem: John Illsley. Steph. Belgaravia Gallery

John Illsley – It’s A Long Way Back. VIII, 2022
John Illsley – In The Darkness. Long Shadows, 2016
John Illsley – Ship Of Fools. Long Shadows, 2016
John Illsley – When God Made Time. Testing the Water, 2014
John Illsley – Close to the Edge. Long Shadows, 2016
Broken stones and broken bones
Broken hearts and broken homes
Nothing left except your pride
When all this energy collides
Pedras partidas e ossos partidos
Corações e lares partidos
Nada resta senão o teu orgulho
Quando toda esta energia colide

Mondar barreiras, jardinar laços

A boneca é uma lembrança recuperada por uma aluna da Academia Sénior de Braga

La liberté c’est pouvoir choisir ses chaînes / A liberdade é poder escolher as suas correntes (AG)

Ultrapassar barreiras é um dos atributos do espírito do Natal, desígnio cada vez mais difícil de alcançar. No anúncio “The Cell”, a Lidl imaginou uma ceia partilhada pelo carcereiro e pelo prisioneiro.

Os alunos da Academia Sénior deram-me uma aula extraordinária: contos, crenças, lembranças, testemunhos, cânticos, poemas e ensaios sobre rituais coletivos homólogos do Natal (de comunhão, iluminação e esperança) através dos tempos e das religiões.

Chegado a esta idade, faltava-me uma experiência: participar num grupo, cuja motivação principal, senão única, consiste em aprender, estar e fazer em conjunto. Uma novidade e um gosto.

Anunciante: LIDL. Título: The Cell. Agência: Folk Finland. Direção: Misko Iho. Finlândia, 15.12.2018

A união faz a resistência

Tsuruya. Sticking Together, No Matter What. Japan, 2017

Perante inclemências tão intempestivas e adversas, estar juntos protege-nos! Um anúncio extraordinário como este só vindo de longe, do Japão. Obrigado Almerinda Van Der Giezen, pela inesperada viagem no espaço e no tempo.

Anunciante: Tsuruya. Título: Sticking Together, No Matter What. Agência: Asatsu-DK. Direção: Daisuke Shibata. Japão, 2017

Folk-metal mongol

Quem vai à China pode dar um salto até à Mongólia, para assistir à banda metal e folk tradicional Uuhai.

No próximo ano, em janeiro e fevereiro, está prevista uma tournée europeia dos Uuhai. Por enquanto, não está agendado nenhum espetáculo em Portugal.

Recordo, graças aos Uuhai, a leitura de infância de um livro das edições Europa-América dedicado aos hunos: “Átila Flagelo de Deus”.

Com sede na Mongólia, o UUHAI combina com maestria o som do metal moderno com seus próprios instrumentos e vocais tradicionais. O nome da banda, UUHAI, vem de profundas tradições culturais, já que “gritar ‘uuhai’ em uníssono tem raízes como um mantra espiritual como um sinal de boa vontade que leva à boa sorte e era usado como uma forma de liberar energia, encorajando o espírito e estimulando os elementos do corpo”. Em cada um dos videoclipes da banda, os cinco membros estão vestidos com trajes tradicionais mongóis, enquanto alguns tocam instrumentos tradicionais como o Morin khuur (violino de cabeça de cavalo) e o tambor Zhangu. Por mais incríveis que os riffs de guitarra soem quando combinados com esses instrumentos, a verdadeira magia começa quando os vocalistas entram, usando técnicas de canto gutural e Urtiin Duu (canção longa) no lugar dos rosnados fatais comumente ouvidos no metal ocidental. (https://mymodernmet.com/uuhai-mongolian-metal-band/)

Segue uma amostra com cinco canções dos Uuhai.

Uuhai – Khun Sureg [Official Video]. Khun Sureg, 2021
Uuhai ft. HURD – Uuhai. Single, 2022
Uuhai – Beginning. Beginning, 2024
Uuhai – Khar Khulz. HUMAN HERDS, 2025. Live Birmingham Castle and Falcon 2nd June 24
Uuhai – Ancient Land. HUMAN HERDS, 2025

Heróis anónimos do rock progressivo

O concerto dos Camel, “heróis [quase] anónimos do rock progressivo”, um dos meus grupos prediletos dos anos setenta, no Royal Albert Hall, no dia 17 de setembro de 2018, impressiona a vários títulos. Não tanto pela idade de alguns membros: Andrew Latimer, a figura principal, ronda os 70 anos de idade. Habituámo-nos a ver cantores e membros de bandas clássicos dos anos sessenta e setenta a continuar ativos com rugas e cabelos brancos (ver Entrar na idade). Não consigo esquecer o Leonard Cohen (ver Coro Salgado).

O concerto dos Camel no Royal Albert Hall é notável pela prestação e pelo ambiente. Por um lado, a fidelidade em relação à gravação em estúdio e a concentração dos intérpretes. Nenhum improviso, nenhuma agitação corporal. A exemplo de grupos como os Moody Blues ou os Pink Floyd e não os Rolling Stones. Por outro, o público permanece sentado, silencioso, sem grandes efusões e gesticulações rituais. Não fosse o tipo de música e lembraria o mais clássico dos concertos clássicos.

Segue uma sequência de três canções: da quarta à sexta do DVD com o concerto: “Spirit of the Water”, “Another Night” e “Air Born”, por sinal, ainda não colocadas no Tendências do Imaginário.

Camel – 4 Spirit Of The Water. Royal Albert Hall 2018. DVD, 2019
Camel – 5 Another Night. Royal Albert Hall 2018. DVD, 2019
Camel – 6 Air Born. Royal Albert Hall 2018. DVD, 2019

O radar com brinco de ouro

Existem músicas com mais de cinquenta anos que o nosso corpo ainda se recorda. É o caso de “Radar Love” (1973), dos neerlandeses Golden Earring, ativos entre 1961 e 2021.

Golden Earring – Radar Love. Moontan. 1973

Às voltas. O Ouroboros

Desenho de Ouroboros de um manuscrito alquímico grego bizantino do final da Idade Média . Cópia de 1478. Original atribuído a Estéfano de Alexandria, data do século VII

A propósito da folia, música e dança de origem portuguesa (ver A folia portuguesa), comentou-se que continuava a inspirar novas versões, aludindo a Rita Ribeiro a um grupo célebre, sem, contudo, se lembrar do nome. Tão pouco consigo adivinhar.

Posteriormente, acudiu-me que a Rita talvez estivesse a pensar nos britânicos Penguin Cafe Orchestra. Por acaso, dias antes, ao escutar o álbum Ummagumma (1969), dos Pink Floyd ,tinha-me ocorrido que a música “The Narrow Way, Part I” prenunciava um pouco o estilo dos Penguin, cujo primeiro álbum, Music from the Penguin Cafe, foi lançado em 1976.

Pink Floyd – The Narrow Way (Part 1). Ummagumma, 1969

Às voltas com a noção de circularidade na teoria do imaginário do Gilbert Durand, a música Perpetuum Mobile, dos Penguin, acabou, também, por ressoar nos meus ouvidos.

Enfim, penso ilustrar, numa próxima comunicação, a referida noção de circularidade com a gravura do M. C. Escher “Um Encontro” (1944), que, por sinal, é capa do livro da Rita As lições dos aprendizes (2001)…

M.C. Escher – Um Encontro, 1944

Tantas voltas que a serpente, o Ouroboros, dá! Até acaba por morder a própria cauda, renovando o ciclo.

Penguin Cafe Orchestra – Perpetuum Mobile. Signs of Life, 1987. Ao vivo TivoliVredenburg. Colocado em 2020
Penguin Cafe Orchestra – Prelude and Yodel. Broadcasting from Home, 1984.
Penguin Cafe Orchestra – Air à Danser. Music from the Penguin Cafe, 1981. On Tue 25 February 2014 at The Queen’s Hall, Edinburgh