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A vez e a voz das crianças

Henri Rousseau – Pour fêter le bébé! 1903
Dar a mão a uma criança. Tendências do Imaginário, 26.08.2014
Ninguenização. Tendências do Imaginário, 17.12.2012
Alimentação e diálogo cultural. Tendências do Imaginário, 26.08.2018

Cheers

Saúde! De preferência, com cerveja.

Antecipando-se ao Dia Internacional da Cerveja, em 7 de agosto, a cervejaria AB InBev lançou a “Cheers to Beer”, uma nova campanha global que celebra o papel atemporal da cerveja na cultura e nas comunidades de todo o mundo. A campanha inclui um filme que celebra as muitas ocasiões para brindar proporcionadas pela cerveja, transcendendo fronteiras geográficas e gerações.

Ab inbev – Cheers to Beer. Agência: Wieden + Kennedy, New York. USA, agosto 2026

Cheers, Aquele Bar é uma sitcom americana (…) transmitida pela primeira vez a 30 de Setembro, 1982, até 20 de Maio, 1993, sendo uma das séries de televisão mais longas, com 11 temporadas e 273 episódios (…) Cheers tornou-se uma das séries mais populares de todos os tempos, chegando a estar no topo da audiência durante sete de suas onze temporadas. O programa ganhou 26 Emmy Awards (Wikipedia, 15.08.2026).

Cheers, Aquele Bar. Abertura. Sitcom americana. De 30.09.1982 a 20.05.1993

Umbigos

Salvador Dali. Metamorfose de Narciso, 1937. Tate Modern de Londres

Segundo Sigmund Freud, à fase oral, segue-se a fase anal; pelos vistos, há quem fique bloqueado entre as duas, ao nível do umbigo, na fase umbilical (a partir de Guy Bedos)

Junto os artigos Umbilicados, narcisistas e egoístas (16.07.2018), Avatar narcisista (10.12.2017) e Nota de rodapé (26.11.2016).

Diagonalização do Poder

Padrãodo Descobrimentos com identificação das figuras. Lado Leste. Por Walrasiad

Le rire est une bouée de sauvetage / O riso é uma bóia de salvação (Michel Serrault)
Le rire libère l’homme de la peur / O riso liberta o homem do medo (Dario Fo)

O artigo Hierarquias na horizontal, colocado no Tendências do Imaginário no dia 14 de julho de 2018 inspira-se no maneirismo seiscentista. Como diriam os medievais francófonos, é uma drôlerie (gracejo), um sintoma, talvez, de quem tem muito tempo no presente e pouco pela frente.

Padrão dos Descobrimentos com identificação das figuras. Lado Oeste

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Michel Sardou – Le France. Michel Sardou, 1976

Inspirações e coincidências

Escrever artigos no blogue é um vício prazeroso, mas revê-los não deixa de ser uma alternativa, no pior dos casos, um placebo. Recuemos, pois, uma dúzia de anos [ainda estava no fruto da idade]. O triunfo das salsichas contempla quatro anúncios: um par (“Sausage” e “La Saucisse”) parece inspirado no outro (“Baleia” e “Rave Party”). Será mera coincidência?

René Magritte – La reproduction interdite, 1937

Nave perto da fronteira

Saudades dos britânicos Dire Straits? John Illsley foi fundador e baixista da banda. Além dos 6 álbuns com o grupo, publicou 10 álbuns a solo. Começou como pintor aos 15 anos, mas acabou por optar pela música. Desfeita a banda, retoma a pintura. Junto 4 quadros e 5 canções, cujas letras merecem atenção.

Imagem: John Illsley. Steph. Belgaravia Gallery

John Illsley – It’s A Long Way Back. VIII, 2022
John Illsley – In The Darkness. Long Shadows, 2016
John Illsley – Ship Of Fools. Long Shadows, 2016
John Illsley – When God Made Time. Testing the Water, 2014
John Illsley – Close to the Edge. Long Shadows, 2016
Broken stones and broken bones
Broken hearts and broken homes
Nothing left except your pride
When all this energy collides
Pedras partidas e ossos partidos
Corações e lares partidos
Nada resta senão o teu orgulho
Quando toda esta energia colide

Mondar barreiras, jardinar laços

A boneca é uma lembrança recuperada por uma aluna da Academia Sénior de Braga

La liberté c’est pouvoir choisir ses chaînes / A liberdade é poder escolher as suas correntes (AG)

Ultrapassar barreiras é um dos atributos do espírito do Natal, desígnio cada vez mais difícil de alcançar. No anúncio “The Cell”, a Lidl imaginou uma ceia partilhada pelo carcereiro e pelo prisioneiro.

Os alunos da Academia Sénior deram-me uma aula extraordinária: contos, crenças, lembranças, testemunhos, cânticos, poemas e ensaios sobre rituais coletivos homólogos do Natal (de comunhão, iluminação e esperança) através dos tempos e das religiões.

Chegado a esta idade, faltava-me uma experiência: participar num grupo, cuja motivação principal, senão única, consiste em aprender, estar e fazer em conjunto. Uma novidade e um gosto.

Anunciante: LIDL. Título: The Cell. Agência: Folk Finland. Direção: Misko Iho. Finlândia, 15.12.2018

A união faz a resistência

Tsuruya. Sticking Together, No Matter What. Japan, 2017

Perante inclemências tão intempestivas e adversas, estar juntos protege-nos! Um anúncio extraordinário como este só vindo de longe, do Japão. Obrigado Almerinda Van Der Giezen, pela inesperada viagem no espaço e no tempo.

Anunciante: Tsuruya. Título: Sticking Together, No Matter What. Agência: Asatsu-DK. Direção: Daisuke Shibata. Japão, 2017

Folk-metal mongol

Quem vai à China pode dar um salto até à Mongólia, para assistir à banda metal e folk tradicional Uuhai.

No próximo ano, em janeiro e fevereiro, está prevista uma tournée europeia dos Uuhai. Por enquanto, não está agendado nenhum espetáculo em Portugal.

Recordo, graças aos Uuhai, a leitura de infância de um livro das edições Europa-América dedicado aos hunos: “Átila Flagelo de Deus”.

Com sede na Mongólia, o UUHAI combina com maestria o som do metal moderno com seus próprios instrumentos e vocais tradicionais. O nome da banda, UUHAI, vem de profundas tradições culturais, já que “gritar ‘uuhai’ em uníssono tem raízes como um mantra espiritual como um sinal de boa vontade que leva à boa sorte e era usado como uma forma de liberar energia, encorajando o espírito e estimulando os elementos do corpo”. Em cada um dos videoclipes da banda, os cinco membros estão vestidos com trajes tradicionais mongóis, enquanto alguns tocam instrumentos tradicionais como o Morin khuur (violino de cabeça de cavalo) e o tambor Zhangu. Por mais incríveis que os riffs de guitarra soem quando combinados com esses instrumentos, a verdadeira magia começa quando os vocalistas entram, usando técnicas de canto gutural e Urtiin Duu (canção longa) no lugar dos rosnados fatais comumente ouvidos no metal ocidental. (https://mymodernmet.com/uuhai-mongolian-metal-band/)

Segue uma amostra com cinco canções dos Uuhai.

Uuhai – Khun Sureg [Official Video]. Khun Sureg, 2021
Uuhai ft. HURD – Uuhai. Single, 2022
Uuhai – Beginning. Beginning, 2024
Uuhai – Khar Khulz. HUMAN HERDS, 2025. Live Birmingham Castle and Falcon 2nd June 24
Uuhai – Ancient Land. HUMAN HERDS, 2025

Heróis anónimos do rock progressivo

O concerto dos Camel, “heróis [quase] anónimos do rock progressivo”, um dos meus grupos prediletos dos anos setenta, no Royal Albert Hall, no dia 17 de setembro de 2018, impressiona a vários títulos. Não tanto pela idade de alguns membros: Andrew Latimer, a figura principal, ronda os 70 anos de idade. Habituámo-nos a ver cantores e membros de bandas clássicos dos anos sessenta e setenta a continuar ativos com rugas e cabelos brancos (ver Entrar na idade). Não consigo esquecer o Leonard Cohen (ver Coro Salgado).

O concerto dos Camel no Royal Albert Hall é notável pela prestação e pelo ambiente. Por um lado, a fidelidade em relação à gravação em estúdio e a concentração dos intérpretes. Nenhum improviso, nenhuma agitação corporal. A exemplo de grupos como os Moody Blues ou os Pink Floyd e não os Rolling Stones. Por outro, o público permanece sentado, silencioso, sem grandes efusões e gesticulações rituais. Não fosse o tipo de música e lembraria o mais clássico dos concertos clássicos.

Segue uma sequência de três canções: da quarta à sexta do DVD com o concerto: “Spirit of the Water”, “Another Night” e “Air Born”, por sinal, ainda não colocadas no Tendências do Imaginário.

Camel – 4 Spirit Of The Water. Royal Albert Hall 2018. DVD, 2019
Camel – 5 Another Night. Royal Albert Hall 2018. DVD, 2019
Camel – 6 Air Born. Royal Albert Hall 2018. DVD, 2019