Até que a morte nos separe

Impacto é coisa que não falta a esta campanha da APAV. Tão pouco esmero técnico e estético. Bem preparado, o volte face final é, no mínimo, surpreendente. Esta campanha, “até que a morte nos separe”, com anúncios na imprensa e na televisão, “participou no concurso internacional Create 4 the UN – “SAY NO to Violence Against Women”, promovido pela ONU, sendo selecionada como uma das 15 melhores campanhas”.

APAV. Até que a morte nos separe. Lintas. 2012

APAV. Até que a morte nos separe. Lintas. 2012

A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima enuncia os propósitos da campanha do seguinte modo: “As imagens veiculadas nesta campanha implicam uma reflexão sobre os contrastes existentes nesta problemática, os quais podem confundir ou toldar a sua visibilidade social. Assim, a campanha, inclui, por exemplo, dois retratos de mulheres vítimas de violência doméstica, as quais apresentam marcas da vitimação no rosto e pescoço. Estas mulheres estão vestidas de noiva, segurando ramo de flores e ostentando anel de noivado e aliança de casamento. Acompanha-as a frase «Até que a morte nos separe», a qual remete para a existência de um crescente número de mulheres vítimas de violência doméstica que são assassinadas pelos seus maridos ou companheiros conjugais” (http://apav.pt/apav_v2/index.php/pt/main-menu-pt/384-campanha-apav-25-novembro-dia-internacional-pela-eliminacao-da-violencia-contra-as-mulheres).

Anunciante: APAV. Título: Até que a morte nos separe / Bride. Agência: Lintas. Direção: Miguel Coimbra. Portugal, Dezembro 2012.

Toda a campanha coloca a ênfase no matrimónio. No anúncio para a televisão, a noiva percorre todos os momentos emblemáticos do matrimónio, até à revelação final. Nos retratos, as mulheres estão vestidas de noiva. Será que se pretende associar a violência doméstica ao matrimónio? Assim se pode pensar, assim se pode sentir. É certo que em grande parte dos casos o agressor é o marido. Significa isso que a violência doméstica decorre do matrimónio? Existem mais riscos de violência num casamento do que numa união de facto? Do que entre namorados? Do que entre amantes? Graças à sua longa experiência, ninguém está mais habilitado do que a APAV para responder a estas perguntas. A violência doméstica está a aumentar. Em contrapartida, as denúncias estão a diminuir. É nesta realidade que nos devemos concentrar. É esta a realidade que urge combater.

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Sociólogo.

One response to “Até que a morte nos separe”

  1. Catarina says :

    Óptimo exemplo de marketing social, a campanha “Até que a morte nos separe” foi estrategicamente lançada pela APAV a 25 de Novembro (2012), dia internacional pela eliminação da violência contra as mulheres.
    Tal como pretende este tipo de marketing, a campanha procurou estimular a consciência social para um problema que cada vez mais atinge as mulheres (tal como é referido no post, na altura do seu lançamento crescia o número de mulheres vitimas de violência doméstica assassinadas pelos maridos/companheiros conjugais). De forma a atingir os objetivos pretendidos, onde se conta informar, alertar e claro está, consciencializar para a existência destas situações, os meios utilizados foram essencialmente above the line- spots de TV e rádio, mupis e anúncios de imprensa- dada a abrangência do target- a sociedade. Os meios foram exemplarmente utilizados, onde o apelo emocional através do impacto visual, foi uma constante através das marcas de violência no corpo das mulheres, como mostram os imagens utilizadas nos mupis acima expostas.
    Foi, portanto, procurado a partir das emoções, nomeadamente o choque, chegar ao target, sensibilizando-o para a realidade escondida que é a violência contra as mulheres, alertando tanto a sociedade como as próprias vítimas para a pouca probabilidade de mudança do comportamento do agressor.
    Em toda a campanha encontramos subjacente o encaminhamento para um comportamento negativo: o NÃO á violência doméstica.
    “Até que a morte nos separe” foi a meu ver uma campanha bem conseguida, opinião partilhada pela ONU, que lhe concedeu um lugar entre as 15 melhores do Create 4 the UN- SAY NO to Violence Against Women.

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