Em Torno da Mobilidade – Apresentação na livraria Centésima Página
Na próxima sexta, dia 5 de abril, às 18h30, na Livraria Centésima Página, em Braga, ocorre a apresentação do livro Em Torno da Mobilidade: provérbios, expressões idiomáticas, frases consagradas, de Maria Beatriz Rocha-Trindade, publicado em finais de 2023 pela editora Alma Letra, de Viseu. À introdução pela autora, sucede a apresentação por Albertino Gonçalves. Apareça e traga um amigo, também!
Segue uma pequena nota sobre o livro e a autora. Como complemento, sugere-se a consulta do artigo “O simbolismo da mala”, no blogue Tendências do Imaginário, e o visionamento da Entrevista de Maria Beatriz Rocha-Trindade ao LusoJornal, em 4 de janeiro de 2024.

Em Torno da Mobilidade ajuda a melhor conhecer as perspetivas essenciais que caracterizam um dos mais importantes fenómenos sociais, presente ao longo de toda a História de Portugal: as migrações.
A sua permanência, diversidade no tempo e no espaço, causas estruturais subjacentes, motivações pontuais, o significado dos itinerários percorridos são alguns dos temas presentes nesta edição bilingue (português e inglês), visando o alargamento do público leitor.
A associação de provérbios, expressões idiomáticas e frases consagradas, traduz a intenção de preservar um valioso legado cultural e de potenciar a sua utilização enquanto instrumento pedagógico de valor universal, numa sociedade multicultural como a atual.
Destina-se a entidades públicas e privadas, a educadores, professores, a toda a diáspora e ao público em geral.

Maria Beatriz Rocha-Trindade
Diplomada em Administração Ultramarina e Licenciada em Ciências Antropológicas e Etnológicas, pelo ISCSPU.
Professora Catedrática na Universidade Aberta, onde fundou, em 1989, o Centro de Estudos das Migrações e das Relações Interculturais.
Introduziu em Portugal o ensino da Sociologia das Migrações ao nível de Licenciatura e de Mestrado.
É autora de uma vasta bibliografia sobre matérias relacionadas com as Migrações, colaboradora habitual e referee de revistas científicas internacionais.
Em 1996, recebeu o Prémio da Associação Portuguesa de Organizações Museológicas.
Em 2008, a Medalha de Mérito do Município de Fafe e em 2022, a Medalha de Ouro do Município do Fundão, recebendo o mesmo reconhecimento pela Obra Católica Portuguesa das Migrações.
É titular da Ordre National du Mérite, com o grau de Chevalier e da Grã-Cruz da Ordem da Instrução Pública.
Em 2023 foi distinguida na Câmara de Paris com a Medalha Grand Vermeil e com a Medalha de Honra do Comité Aristides de Sousa Mendes.
Whiskey & blues

Aleluia! O Tendências do Imaginário interrompe hoje, dia de Páscoa, um jejum “quaresmal” de quarenta dias. Não contemplou, desde o 21 de fevereiro, uma única canção em língua inglesa. Entreteve-se com o(s) resto(s) do mundo. Não existe, todavia, “greve” que dure eternamente, nem “birra” que, ao exceder-se, não resulte contraproducente.
Imagem: Rafael Pordalo Pinheiro. John Bull e Zé Pereira. 19 de junho de 1890
Retoma-se, portanto, a música em inglês, mas, de preferência, com canções, não do mainstream global, mas de géneros caraterísticos da própria tradição anglo-saxónica, tais com o country e o blues. Seguem interpretações de três blues: “Tennessee Whiskey” e “I’d Rather Go Blind”, pelos Milk’n Blues; “Blues Forever”, por Larry Miller; e, de novo, “Tennessee Whiskey”, mas por Teddy Swims.
Pomba branca, pomba negra
“A vida é uma roleta em que apostamos todos”

Existem muitas artes de cantar. Por exemplo, mexicanas. Canções impressionantes, de amor e morte. E vozes como Tania Libertad, La Santa Cecilia ou Lila Downs. Filha de uma índia mixteca, cantora, compositora, atriz e antropóloga, Lila Downs recebeu o Grammy Latino em 2004, 2011 e 2014. Seguem os seus êxitos: Cielo Rojo; Paloma Negra; e Fallaste Corazón.
Celebração dos 50 anos do 25 Abril em Melgaço

Abril é o mês da nossa revolução. Melgaço vai comemorar com um programa digno de menção. Seguem o cartaz e as atividades previstas. Para uma descrição mais detalhada, carregar no seguinte link: celebramos 50 anos do 25 de abril).
Celebração dos 50 anos de Abril em Melgaço: Cartaz

Celebração dos 50 anos de Abril em Melgaço: Programa
Pela diversidade, pela paz
Hesite um instante, por favor! Saia dessa corrente que o absorve! Deixe de se ofuscar pelo sol e preste alguma atenção ao que permanece na sombra. Ao contrário do que pensa, pouco terá a perder. Talvez não tenha consciência, mas andamos enrolados por maus caminhos.

Se não ouviu falar em Ofra Haza (1957-2000), aproveite a oportunidade. Conhecida como a “Madona do Médio Oriente”, descende de uma família de imigrantes iemenitas em Israel. Nasceu em Telavive em 1957 e faleceu, perto, em Ramat Gan, em 2000, com 43 anos, vítima, segundo consta, do vírus da sida. Única, a sua voz mezzo-soprano é prodigiosa.
Ofra Haza

A postura e as canções são reconhecidamente ecuménicas e interculturais. O LP, a meu ver um dos mais emblemáticos da sua carreita, Shirey Teyman (Yemenite Songs/Fifty Gates of Wisdom), de 1984, com letras em hebraico, árabe e aramaico, assume-se como uma homenagem às suas raízes iemenitas. Esta inspiração múltipla, aparentemente insólita, resulta excecionalmente bem conseguida.
Picasso. Le Bouquet de la Paix. 1958
Em 1994, foi a cantora convidada para a cerimónia de atribuição do Prémio Nobel da Paz a Yitzhak Rabin, Shimon Peres e Yasser Arafat.
Convém recordar que nós portugueses, pelo menos no que respeita à tradição musical, de sefarditas e mouriscos, quase todos temos um pouco. Abramos os ouvidos e o coração. Os tempos que correm assim o exigem.
Seguem as canções Kaddish, uma prece em memória dos entes falecidos, e Yerushalaim Shel Zahav (Jerusalem of Gold), ao vivo na sua última atuação em vida.
Música ladina: Hixa mia, de Ana Alcaide

Produtora, compositora, instrumentista e cantora, a madrilena Ana Alcaide sobressai como um dos grandes nomes de música de inspiração sefardita, nomeadamente ladina (judia-espanhola). Esta interpretação de Hixa Mia é fabulosa, pelo seu desempenho enquanto cantora e instrumentista mas também pela prestação dos acompanhantes. Acrescento duas canções: En el jardin de la reina e La cantiga del fuego. Pare e escute! Não precisa de olhar.
Ana Alcaide
O Cavalo da Morte

Gosto muito do Le cheval de la mort do Salvador Dalí. Há dias esteve em leilão uma litografia de 1972, edição do autor assinada à mão pelo próprio Dalí. Licitei e licitei até que, frustrado, considerei o valor exagerado. Quando deixei de acompanhar o leilão, já ofereciam 1 500 euros. Por uma litografia! Até mesmo do Dalí…
Não tive outro remédio senão contentar-me com a canção El Jinete [de la muerte] interpretada, à mexicana, por Tania Libertad.
Finalmentes

Existem os preliminares, os entremezes e os finalmentes. Este “Concierto para una Sola Voz”, da peruana-mexicana Tania Libertad, Embaixadora da Paz pela UNESCO, vale sobretudo, sem desmerecer o resto, pela performance da segunda parte. Em tempos que me parecem devotados à ostracização dos prazeres, não perca esta oportunidade. Não se contenha!
Imagem: Tania Libertad. Fonte: LAMULA.PE
Era uma vez uma península chamada Sefarade


Esforço-me por esquivar os grandes corredores e portais e procurar nichos e postigos. Outras línguas, outras culturas, outras músicas. Cabe a vez à tradição sefardita com raízes hispano-hebraicas. Talya G. A. Solan e os Yamma Ensemble oferecem-se como uma primeira brisa que lembra essas origens.
Imagem: Talya G. A Solan at the Rudolstadt Festival 2023
Versão publicitária do teorema de Thomas

William I. Thomas (1863-1947), sociólogo norte-americano pioneiro do estudo das migrações, do “método biográfico” e da célebre Escola de Chicago, é um dos clássicos a quem devoto particular estima. Com Dorothy S. Thomas, que viria a ser sua esposa, publicou, em 1928, The child in America: Behavior problems and programs, onde se avança uma interpretação que se tornaria, doravante, conhecida como “Teorema de Thomas”.
Imagem: William I. Thomas
Sustentando a importância objetiva e subjetiva da “definição das situações”, os autores propõem a seguinte fórmula: “If men define situations as real, they are real in their consequences” New York: Alfred A. Knopf, p. 572). Em termos simples: se os professores estão convencidos que determinado aluno é bom, há sérias probabilidades que, embora não o sendo à partida, ele se torne efetivamente um bom aluno. Noções como “profecia autorrealizadora”, “predição criadora” ou “efeito Pigmaleão” estão, de algum modo, associadas a este teorema. Em livro precedente, The Unadjusted Girl, With Cases and Standpoint for Behavior Analysis, publicado em 1923 (Boston: Little, Brown, and Company, Thomas sustentava já que o modo como as pessoas encaram e se comportam com outras contribui para forjar as respetivas personalidades, podendo estas acabar por as assumir. Estava assim traçado o esboço de uma teoria que viria a ser cunhada como teoria da “rotulagem” (e.g. Howard S. Becker, Outsiders, New York: Free Press, 1963), abordagem particularmente influente na área da criminologia. Este princípio desdobra-se no seguinte corolário: o crime e o criminoso são, pelo menos em parte, definidos e fabricados pela sociedade envolvente.
A que propósito vem esta resenha académica intragável?
Resulta inspirada pelo anúncio recente “Assume that I can”, da organização italiana sem fins lucrativos CoorDown para o World Down Syndrome Day 2024. Trata-se de uma inequívoca concretização das teorias de Thomas e da rotulagem.
