Boa Disposição Divina. A Virgem e o Menino Sorridentes

1. Virgin and Child. North French, ca. 1250. The Metropolitan Museum of Art. Detalhe

Se há algo que podemos aprender da Virgem Maria é a sua ternura. (Madre Teresa de Calcutá)

Entretenho-me a procurar e a contemplar imagens da Virgem Maria com o Filho. Um mundo diversificado sem fim. Não obstante, encontrei um número deveras reduzido, apenas meia dúzia em centenas, com ambos a sorrir.

Habitualmente, a Virgem apareça hierática, reservada, pensativa, preocupada, amargurada, dolorosa, eventualmente atenciosa e afetuosa. Mas não divertida!

2. Virgin and Child. North French, ca. 1250. The Metropolitan Museum of Art

Raras e inesperadas, as imagens com a Virgem e o Menino bem-dispostos surpreendem e impressionam. Proporcionam um belo efeito, porventura terapêutico, a incentivar oração frequente. Difíceis de encontrar, partilho imagens, dos séculos XIII a XVI, que tenho o esmero e o deleite de guardar numa pasta intitulada “A Virgem e o Menino Bem-Dispostos”. Dêmos graças!

Imagens da Virgem e do Menino Sorridentes (sécs. XIII a XVI)

Se Maria aglomera tantas designações, funções, figuras, templos, lendas, devoções e orações, também pode haver lugar para uma Nossa Senhora da Alegria. Por exemplo, em França, existe a basílica e a lenda de Notre-Dame de Liesse (liesse: alegria; júbilo), em Espanha, em Toledo, a escultura e a lenda da Senhora-a-Branca; e no Brasil, a pintura com a Nossa Senhora da Alegria (dos Prazeres).

Lenda da Virgem de Liesse

A História de Nossa Senhora da Alegria começa na época das cruzadas, quando foram feitos três prisioneiros que foram ameaçados a renegar a sua fé.
Contudo, ao contrário do que se pretendia, ainda conseguiram converter a filha do príncipe, que, não só os ajudou a fugir, como também foi com eles, levando uma imagem da Virgem Maria.
Apesar de terem conseguido fugir com alguma facilidade, a sua situação continuava bastante perigosa. Uma noite, adormeceram desanimados e abatidos com receio das incertezas do futuro.
Quando acordaram, para sua surpresa, perceberam que estavam em França, sua terra natal. Ou seja, durante a noite foram transportados milagrosamente do Egito, onde tinham sido presos, para a França.
Para completar, no dia seguinte, encontraram no mesmo lugar uma estátua da mesma imagem de Nossa Senhora que tinham com eles aquando da fuga.
Por esse motivo, construíram um santuário dedicado à Nossa Senhora, que multiplicou as bênçãos e graças derramadas. Atendendo à alegria que o santuário representava na vida dos três prisioneiros, foi dado o nome de Santuário de Nossa Senhora de Lièsse, que significa Nossa Senhora da Alegria.
A Igreja foi construída em 1134, reconstruída em 1384 e ampliada em 1480. Em 1923, tornou-se Basílica.

(a partir de https://tendadosenhor.com.br/a-historia-de-nossa-senhora-da-alegria/)
12. Basilique Notre Dame de Liesse.. Aisne. Hauts-de-France

Por que a Virgem Branca está rindo? Lenda da Catedral de Toledo.

A catedral de Toledo contém uma grande coleção de tesouros, arte, curiosidades… e também lendas. No coro é admirada e venerada uma imagem da Virgem, sob o título de Nossa Senhora Branca, feita em alabastro branco com policromia dourada. E, como não poderia deixar de ser em Toledo, também tem a sua lenda.
Durante muitos meses as festividades e homenagens pelo casamento de Beatriz de las Roelas e Dom Santiago Galán em 1569 foram lembradas em Toledo. Beatriz era conhecida pela nobreza e generosidade da sua família e Santiago era um jovem fidalgo que, tendo ficado órfão ainda criança, foi levado sob a proteção da casa de Orgaz. Foi a Senhora de Orgaz quem fez um esforço especial para que ambos os jovens consistissem no casamento.
Beatriz foi uma fiel devota da Virgem Branca da Catedral de Toledo, cuja imagem serviu de testemunha divina no dia em que contraíram o casamento e fidelidade para sempre. Esta Virgem está no centro do coro da catedral e sempre foi venerada em Toledo com o nome de Nuestra Señora la Blanca.
Os primeiros meses do casal transcorreram felizes, longe de problemas, misérias e penalidades. Uma tarde tudo mudou repentinamente, quando Beatriz anunciou ao marido que ele seria pai, mas ao contrário do que se esperava, observou com espanto que a tristeza aparecia no rosto do seu amado, porque nesse mesmo dia o Senhor de Orgaz lhe tinha dado ordem para comandar parte de suas tropas e ir para a guerra.
Mais resignada do que compreensiva diante de tanta desgraça repentina, ela jurou-lhe que iria todos os dias que durasse sua ausência prostrar-se diante da imagem da Virgem Branca para que ela o protegesse no campo de batalha e cuidasse de ela e seu futuro filho até seu retorno.
Meses longos e angustiantes se passaram. O primogénito nasceu com o nome do pai. Ocasionalmente chegavam notícias dos combates, mas nenhuma referência a Santiago.
Todas as tardes, Beatriz e o seu filho atravessavam os imensos e solitários espaços da Sé Catedral para se prostrarem diante da sua Virgem pedindo proteção ao seu ente querido e um sinal de que tudo ia bem, que ele voltaria saudável e que seriam felizes, mas o a intensa devoção da toledana não conseguiu arrancar nenhum sinal divino que lhe desse a esperança necessária para continuar esperando.
Mais de um ano se passou sem notícias de Santiago. Entre os círculos da corte toledana ninguém esperava o retorno vivo e alguns até propuseram celebrar uma missa pela alma do miserável.
A suposta viúva recusou, garantindo que o marido estava sob a proteção da Virgem Branca e que regressaria. A família começou a se preocupar, temendo até que ela enlouquecesse, quando aumentou o número de visitas diárias à imagem da Virgem.
Duas ou até três vezes por dia, ela atravessava as naves da Primada, acompanhada pelo pequeno Santiago, para continuar a mostrar a sua devoção.
Naquele 8 de setembro, festa da Virgem Branca, fazia um ano e meio que ninguém sabia alguma coisa sobre Santiago. Naquele dia ela sentou-se com o filho no primeiro dos bancos, diante do olhar atento de todos os presentes que já a achavam louca.
Mas depois da cerimnia algo aconteceu. As pessoas perceberam que Dona Beatriz, com o rosto iluminado de felicidade, estava rodeada por uma espécie de luz que se destacava das demais. Quando os demais participantes procuraram a fonte de luz, viram como a imagem da Virgem Branca inclinou a cabeça e sorriu abertamente.
Naquele momento, um barulho de esporas tirou do espanto e da curiosidade os que ali estavam e ao virarem a cabeça viram um quase irreconhecível Santiago Galán, de longa barba, roupas esfarrapadas e sinais de ter passado muita fome.
Os maridos se abraçaram no meio da cerimônia e Santiago conheceu ali o filho, diante da Virgem que o protegeu durante quase dois anos de batalhas e cativeiro.
Texto original: Rafael Ramírez Arellano em “Nuevas tradiciones toledanas”, 1916. Em versão de Javier Mateo e Luis Rodríguez Bausá em “La Vuelta a Toledo en 80 leyendas”. (https://toledospain.click/why-is-the-white-virgin-laughing-a-legend-of-toledo-cathedral/)

Oração a Nossa Senhora da Alegria

Na calma deste momento, furtando-me do corre-corre da vida, eu me recolho em Ti. Senhora da alegria, olha a minha audácia: na singeleza da minha oração, eu te dou a minha alegria. Como é bom ser alegre. Obrigado Senhora! Foi teu dom.
Como é agradável ter a alma em paz. Ela é tua também. Como é maravilhoso ter a alma branda. Razão de ser de toda alegria. Senhora, nos dias ensolarados e nas noites entreabertas, um sorrir sincero indique a alegria sempre em mim.
Que eu saiba sorrir a Ti em todas as circunstâncias da vida, nas festas, nas tormentas, no meu próximo. Sorria eu, Senhora, para aprender com Teu salmista a servir a Senhora, na alegria. Que assim seja em nome de Teu Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.
Nossa Senhora da Alegria, rogai por nós!

(a partir de https://tendadosenhor.com.br/a-historia-de-nossa-senhora-da-alegria/)

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