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Van Gogh animado

loving-vincentO meu rapaz mais novo volta a desafiar-me com o trailer do tão aguardado filme Loving Vincent. Trata-se de uma obra com financiamento coletivo a partir da plataforma Kicstarter. Dedicado a Vincent Van Gogh, é o primeiro filme de animação com pintura a óleo. Doze pinturas por segundo, a cargo de uma centena de pintores especializados. Confesso que não imaginava um filme de animação com o traço de Van Gogh. Em boa hora! Uma iniciativa extraordinária da Breakthru Films, vencedora de um óscar. Assim se saltam limites. Junto o trailer acompanhado pelo behind the scenes. Página do filme: http://lovingvincent.com/.

Loving Vincent. Trailer. Breakthru Films. Directores: Dorota Kobiela & Hugh Welchan.

Loving Vincent. Behind the scenes.

O morto agarra-se ao vivo

“Temos de sofrer não só da parte dos vivos como ainda da parte dos mortos. Le mort saisit le vif” (Karl Marx, Le Capital, Livre 1, Préface de la première édition, 1867).

borrowed-time-pixarDevo esta curta-metragem ao meu rapaz mais jovem. Em boa hora! Nos primeiros passos do blogue, limitava-me a uma base de anúncios publicitários. Sobrava tempo para outros formatos, por exemplo, curtas-metragens e vídeos musicais. Hoje, acompanho uma dúzia de bases de anúncios. “É maior o passo do que a perna”.

Borrowed Time tem a chancela da Pixar. É um colecionador de prémios. Gustavo Santaolalla, vencedor de dois oscars, compôs a música. A história não podia ser mais bem contada.

Qual é o alcance de um sentimento de culpa que não tem razão de ser? Como o ultrapassar? Como desfiar o novelo da memória? Como colar os fragmentos do espelho? Que segredam os objectos? É preciso peregrinar até ao abismo da dor? Estrear um ritual único? Bater à porta do inferno para reacender a alma? Há algo de cósmico nesta curta-metragem. Abarca o mundo e a vida com um punhado de pormenores.

Borrowed Time. Pixar. Andrew Coats & Lou Hamou-Lhadj. 2015 (?)

O amor da morte pela vida

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A curta-metragem “The Life of Death”, de Marsha Onderstijn (Holanda), é vagarosa. Sossega. Convida-nos a manter o espírito em vigília. A morte lembra Midas. Tudo que tocava transformava-se em ouro. A morte tudo que toca perde a vida. Há séculos que se alude ao beijo, ao abraço, ao sopro ou ao toque da morte. Nesta curta-metragem, a morte toma-se de amores por um veado e, por extensão, pela vida. A recompensa de Midas revelou-se um pesadelo; a potência da morte, uma prisão. Não pode tocar sem matar, incluindo quem gosta. Como em todas as pequenas e boas histórias, os dados estão lançados: o veado abraça a morte e morre. Matar por impotência e morrer por amor. Esta relação entre a morte e o veado enquadra-se num intervalo da ordem do mundo, uma espécie de limbo para a morte. Para que conste, houve um tempo em que a morte amou a vida e a vida amou a morte.

Obrigado, Celeste! Este vídeo é uma pérola.

Marsha Onderstijn. The Life of Death. Holanda, 2012.

Ecrãs de sonho

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Afastemos o mal para demandar a antecâmara do paraíso: a publicidade. Os ecrãs, não sei se nos perseguem, se os perseguimos, mas não paramos de os encontrar. Os ecrãs Samsung levitam, à espera da menina dos sonhos, à espera do sonho. Os ecrãs são o lugar por onde passa o sonho, o lugar do sonho. O resto é animação, engenho e arte.

Marca: Samsung. Título: Holiday Dreams. Agência: R/GA. Direcção: Ben Steiger Levine & Martin Allais. USA, Dezembro 2014.

Hey!

 

Eatliz 3

Não me apetece escrever!

Eatliz. Hey. Violently Delicate. Israel. 2007.

Sociologia sem palavras 12. Artes do poder

le roi et loiseau_01Sabe bem jejuar das superproduções globais. O Rei e o Pássaro é um magnífico filme de animação, de Paul Grimault, inspirado no conto A Pastora e o Limpa-chaminés, de Hans Christian Anderson. O texto, de Jacques Prévert, e a música, de Wojciech Kilar, são ambos excelentes. Vários realizadores japoneses se confessam influenciados por este filme. Iniciado nos anos cinquenta, este filme surrealista só foi concluído nos anos setenta. Este excerto contempla um inventário dos órgãos do Estado e o ritual do retrato do rei.

Sociologia sem palavras 12. Artes do poder. Excerto de Le Roi et l’Oiseau, de Paul Grimault. 1980

A revolta dos brinquedos

Quebra-nozesOs brinquedos e os contos alicerçam o nosso imaginário. O Quebra-Nozes e o Rei dos Camundongos (1816), de E.T.A. Hoffmann, é um conto clássico: o soldado quebra-nozes, oferecido à menina Marie, adquire vida e luta contra os Camundongos. Volvidos escassos anos, Hans Christian Andersen escreve O Soldadinho de Chumbo (1838): um soldadinho sem uma perna, oferecido a um menino, apaixona-se por uma boneca bailarina, enfrentando vários desafios.

Neste anúncio da Nissan, o brinquedo fantástico não é um soldadinho, mas uma miniatura de super-herói. Mudam-se os tempos, mudam-se, mas pouco, os fantasmas. O protagonista também não é uma criança, mas um adulto. Não espanta. Os historiadores, os demógrafos e os sociólogos defendem que não só a esperança de vida tem aumentado como os seres humanos crescem mais devagar. Se os bonecos fossem de peluche, este anúncio seria o prenúncio do Gremlins 4.

Marca: Nissan. Título: Revenge. Agência: TBWA Toronto. Direção: Leigh Marling. Canadá, Outubro 2014.

Gente grande também precisa de carinho

CotonetesEis um lema capaz de rivalizar com boa parte da publicidade de sensibilização promovida por grandes instituições e paga por pequenas pessoas. Trata-se de um anúncio brasileiro para as cotonetes Johnson & Johnson estreado em 1978. Naquele tempo, havia duas categorias de música: os shakes e os slows. Este anúncio é um shake, um batido de nonsense.

Marca: Cotonetes Johnson & Johnson. Título: Banheira. Brasil, 1978.

Voto animado

Estes dois anúncios dinamarqueses não olham a meios para chamar os eleitores às urnas e lhes ensinar a arte de votar. Ambos servem um cocktail grotesco: sexo, violência, boçalidade e animação. O caminho das urnas é insondável. Promove-se, deste modo, a participação dos jovens? Com que efeito no sentido do voto? Retirado no dia seguinte ao lançamento no YouTube e no Facebook, o primeiro anúncio deixa um trago incómodo. A publicidade em torno das eleições europeias tem-se revelado uma autêntica caixa de surpresas. Carregar na imagem para aceder ao primeiro vídeo.

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Parlamento Dinamarquês. Voting Video, Danish Style. Dinamarca, Maio 2014.

Maneiras estúpidas de viver

Toast. Metro Trains

As trombetas soam a culpa e expiação. Revezam-se nos ginetes os sacerdotes. Alastra um puritanismo sem ética. E as elites não param de lavar as mãos. Não há ponto cardeal que escape ao novo ajustamento. Há semanas, falei da morte risonha e da morte com bebé ao colo; estes anúncios mostram mortes parvas. O primeiro, da Metro Trains, consta entre os mais premiados da história da publicidade; o segundo, é uma paródia produzida para a Miami Ad School/ESPM.
Sente-se a falta de um Guerra Junqueiro. Escondíamos em casa uma edição censurada de A Velhice do Padre Eterno. Abundam, sem dúvida, as maneiras estúpidas de morrer, preocupam-me mais as maneiras estúpidas de viver.

Marca: Metro trains. Título: Dumb ways to die. Agência: McCann-Erikson Melbourne. Austrália, 2012.

Marca: Miami Ad School/ESPM. Título: Dumb ways to die. Agência: Y & R Brasil. Brasil, Abril 2014.