Origami mágico

Ontem, tive um momento de glória. Consegui a façanha de mostrar ao Fernando um vídeo japonês que ele ainda não conhecia. E adorou! Uma lança em África. Sinto uma ponta de orgulho. Convenha-se que o vídeo Origami, realizado pelo jovem japonês Kei Kanamori, é fantástico. Curto, com menos de três minutos, nele cabe um vendaval de arte e sonhos.
Cativa-me a palavra origami. Há quase vinte anos, ilustrei uma conversa em Viana do Castelo com uma compilação de anúncios publicitários batizada Origami Mágico (ver Lição Imaterial: https://tendimag.com/2020/03/13/licao-imaterial/).
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É realmente belíssimo, veloz, imaginativo, ritmado, e pensar que tudo cabe numa folha de papel. A palavra origami também me fascina, e o origami em si mesmo ainda mais. Sem perder uma única dobra, tudo é possível neste imaginário. E remontando às vertigens do barroco e às suas dobraduras, diria que o origami representa a precisa vertigem do efémero. Tudo se resume à mudança e à capacidade de se reinventar. Dispersa-se com o vento, consome-se no fogo e dissolve-se na água. É um ritual da alma e celebra o espírito na sua magia de renovação. Sem amarras. Preces e oferendas, dobras infinitas. (Almerinda Van Der Giezen, 25.03.2023)
