O Cabelo e o Violino. Pantene e Pachelbel

“Crysalis” é um belíssimo anúncio, ao nível áudio e vídeo, da Pantene, de 2009, com uma história à tailandesa, que culmina com o cânone de Pachelbel. Colocado no Tendências do Imaginário no longínquo dia 14 de julho de 2012, oferece uma boa oportunidade para começar o dia com uma pequena centelha no coração.
Imagem: Johann Pachelbel (1653-1706)
O Personal Jesus de Nina Hagen

São Paulo, no Brasil, é uma das cidades onde o Tendências tem mais visualizações. Lá, perto da nossa meia noite, ainda não são 20 horas. Não é, portanto, demasiado tarde para acrescentar outro “artigo do dia 13 de julho”: Pare, escute e sente-se, publicado em 2020. Não dá para ignorar: inclui uma canção da Nina Hagen. Pois, não há 1 sem mais 4, para fazer 5.
Surrealismo grotesco


Ontem, selecionei quatro “artigos do dia” (27 de junho). Recoloquei apenas dois: “A roseira dos cravos”, de 2014, e “Pintar o campesinato: o Luttrel Psalter”, de 2016, ambos com imagens medievais. Divertido numa sunset party com os alunos de Cidadania, da Academia Sénior do Município de Braga, adiei “Matar o vício”, de 2018, e “A ceia dos pobres (eventualmente chocante)”, de 2013, para o dia seguinte. Ainda considerei colocá-los fora de horas, enquanto Portugal empatava com a Colômbia, mas sabia que arriscava provocar pesadelos…
“Matar o vício” e “A ceia dos pobres” relevam de uma espécie de surrealismo grotesco, mais próximo da conceção de Wolfgang Kayser (Das Groteske. Seine Gestaltung in Malerei und Dichtung, 1957) do que da de Mikhail Bakhtin (A cultura popular na Idade Média e no Renascimento, 1941).

Na versão de Wolfgang Kayser, o grotesco gera um sentimento corrosivo de estranheza, em que o mundo familiar se revela, insolitamente, ameaçador e inquietante. Sério e visceral, provoca confusão, desorientação, mal-estar e angústia. Os quadros da chamada fase negra de Francisco de Goya representam um bom exemplo.

Em Mikail Bakhtin o grotesco é, pelo contrário, carnavalesco, animado por um movimento de rebaixamento coletivo, cómico e regenerador. Embora fantástico, desconcertante e excessivo, tende a resultar afirmativo e esperançoso.
Os vários livros de François Rabelais com os gigantes Gargantua e Pantagruel como protagonistas oferecem-se, agora, como um exemplo eloquente.
Em “Matar o vício”, o ambiente dos anúncios da revista Men’s Health é fantasmático, claustrofóbico e sinistro, com a figura do duplo, o outro eu, a insinuar-se como um intruso ambíguo, perturbador e ameaçador, senão fatal.
Com “A ceia dos pobres”, transitamos da publicidade para o cinema. O filme Viridiana (1960), de Luis Buñuel, encena uma paródia da Última Ceia, de Leonardo da Vinci, que frisa a blasfémia.
O filme Um Cão Andaluz (1928), de Luis Buñuel e Salvador Dali, destaca-se como um marco incontornável da história do cinema. Não se pode afirmar que propicie boa disposição. Deveras criativo, desconcerta e impressiona, cravando-se, indelével, na memória. Um cúmulo emblemático do surrealismo grotesco ao jeito de Kayser. Não aconselhável a pessoas sensíveis.
Surrealismo grotesco, eis uma noção que pode manifestar-se interessante!
A Paixão da Roseira que dá Cravos Vermelhos

Para entender a roseira que parece dar cravos na pintura O Jardim do Paraíso, do Mestre do Alto Reno, não basta ver com o coração, como é proposto no artigo “A roseira dos cravos” (27.06.2014). Importa recorrer também à razão: as flores e os frutos vermelhos, neste caso rosas ou cravos, bem como o pintassilgo (próximo na imagem), costumam funcionar como imagens-signo que aludem à Paixão.
Imagem: Mestre do Alto Reno – O Jardim do Paraíso, 1410-20. Städel Museum. Detalhe
Chuva de notas, pingos de música

Ontem, tivemos direito a breves interlúdios de chuva. Recordaram-me Schubert, um dos compositores que mais se inspira na água. Uma amiga de uma amiga costuma dizer que Schubert lhe lembra a chuva. Já coloquei algumas obras de Schubert: Ave Maria, Impromptu In G-Flat Major, D899, Op. 90 No. 3; e Serenata D. 954. Venham mais quatro! A chuva acabou por trazer, finalmente, um artigo de raiz, apesar de parco em palavras.
Imagem: Gustave Caillebotte – L’Yerres, pluie, 1875.
Milagres?
Em terras americanas pode mesmo acontecer tudo? Como nos filmes da Filmakademie Baden-Wuerttemberg?…
Para aceder a outros exemplos de filmes da Filmakademie Baden-Wuerttemberg, pode consultar os seguintes artigos do Tendências do Imaginário:
Jogos e brincadeiras (30.10.2012)
Perdidos e achados (10.01.2013)
Humor estranho (31.10.2013)
Aspirações (25.08.2015)
ABC da morte (01.11.2016)
Limites da fidelidade (06.08.2018)
Eros e Thanatos (26.09.2018)
O prazer dos mortos (30.11.2018)
Lágrimas do Paraíso (29.11.2018)
Conto de Natal (23.12.2019)
Pilhas de salvação (15.05.2021)
A Banheira Fantasma
O mal espalha-se no espírito do tempo como a água por baixo da porta. No início, quase nada. Um pouco de humidade. Quando a inundação começa, é tarde demais (Christian Bobin, La Plus Que Vive, 1996).
O anúncio “DIY Odyssey”, da Hornbach, releva da arte. Alucinante, propõe, antes de mais, um coro e uma coreografia impressionantes. Aprecio os anúncios da Hornbach. Costumam ser criativos e divertidos. O Tendências do Imaginário contempla cerca de uma dezena.
Vulnerabilidade informática e inteligência artificial

Comecei o dia sem acesso a uma conta do correio eletrónio. A meio da tarde, o problema continuava. Preocupei-me porque a receção dos e-mails tem consequências práticas. Para me inteirar da situação, recorri ao parceiro mais à mão, o ChatGPT, cujas respostas merecem, naturalmente, reservas, mas nem mais nem menos do que as dos humanos com que me relaciono.
Perguntei: “Aconteceu algum problema hoje ao Outlook?”
“Sim – hoje (10 de julho de 2025) o Outlook enfrentou uma falha global que afetou milhões de utilizadores. Houve dificuldades generalizadas para iniciar sessão e enviar ou receber mensagens, tanto no Outlook.com como nas apps desktop e móveis.
O que sabemos:
- Os problemas começaram nas primeiras horas da manhã (UTC) ou final da noite de 9 de julho;
- Aproximadamente 60‑62 % dos relatos indicavam falhas de login; os restantes referiam lentidão e erros de licença ou autenticação;
- A Microsoft confirmou que o problema não foi causado por ciberataque, mas sim por falha técnica — possivelmente relacionada com atualizações ou bibliotecas internas — e está a aplicar correções;
- À medida que o dia avançou, muitas regiões começaram a ver retorno dos serviços, com os sistemas a estabilizarem gradualmente.” (ChatGPT, 10.07.2025).
Aguardei, mais sossegado, cerca de uma hora até o correio eletrónico voltar a funcionar.
Entretanto, pensei nos Kraftwerk. Tudo me lembra alguma coisa, mesmo que não tenha nada a ver. Seguem três músicas dos Kraftwerk ainda não contempladas no Tendências do Imaginário.
Troncalidade

O Alberto e o Eduardo descobriram em Melgaço o Bar das Termas (Peso), a Tasquinha da Portela (Paderne), o bar de vinhos Contrabando (Praça da República, na Vila), o Mosteiro de Fiães, onde beneficiámos da hospitalidade do Padre Rogério Rodrigues, e, por último, o Café Jardim (Penso). O percurso terminou em Moledo, no restaurante O Trem. No que me respeita, tive a felicidade de ficar a conhecer a voz do Edson Cordeiro.
Edson Cordeiro nasceu em 09 de fevereiro de 1967, em Santo André, grande ABC. Frequentou a igreja do Evangelho Quadrangular, onde começou a cantar no coral. Na adolescência, trabalhou com teatro infantil, como parte da companhia teatral da Turma da Mônica. Em meados dos anos 1980, teve uma exitosa carreira teatral participando da ópera rock “Amapola” (1985), da terceira montagem brasileira do musical “Hair” (1988) e da peça “O doente imaginário” (1989). Em 1990, realizou seus primeiros shows solos no Rio de Janeiro e em São Paulo. O sucesso de suas apresentações resultou em um contrato com a gravadora Sony, lançando em 1992 seu primeiro disco “Edson Cordeiro”. No final dos anos 1990, lançou as coletâneas “Disco Clubbing – Ao vivo” e “Disco Clubbing 2 – Mestre de Cerimônia”, com regravações de clássicos da Disco Music internacional. Em 2010, mudou-se para a Alemanha, onde vive. (https://memorialdaresistenciasp.org.br/pessoas/edson-cordeiro/)
Dar a volta por baixo
Se ao meio-dia o rei te diz que é noite, deves procurar as estrelas?
A beleza costuma ser diurna, solar. Brilha ao ponto de se tornar ofuscante! Mas pode dar-se-lhe a volta e torná-la noturna, ou seja, perigosa e mortal, fazê-la, por exemplo, descer do pódio para o túmulo (anúncio “Dress for the moment”). Parece, aliás, que nos anúncios da New Yorker a noite tem tendência a instalar-se. Em “Closet”, a inversão prossegue; agora, do masculino para o feminino. Perturbador!
