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Primeiro os amigos

Jacques Brel, Léo Ferré e Georges Brassens

Existem mundos onde predominam as encostas. Os seus membros encostam-se uns aos outros formando montículos dispostos em redes de dependência pessoal. Quem não se encosta nem é encosto candidata-se ao papel de mosquito numa teia de aranha. A autonomia definha como uma quimera, um gesto raro e caro. Seguem quatro canções francesas sobre a parceria (os comparsas) e a diferença (os marginais).

George Brassens. Les copains d’abord. Les copains d’abord. 1964.
Georges Brassens. La mauvaise réputation. La mauvaise réputation. 1954.
Georges Moustaki. Le métèque. Le métèque. 1969.
Isabelle Mayereau. Difference. Isabelle Mayereau. 1978.

Pobreza: A importância das palavras

Junto o artigo “Pobreza: A importância das palavras”, publicado no jornal Diário do Minho (terça-feira, 20 de setembro de 2022, pág. 8) de que sou autor. Para escutar enquanto lê, a canção Ces gens-là, de Jacques Brel.

Jacques Brel. Ces gens-là. Ces gens-là. 1966.

Anúncios de bolso

Com poucas imagens se ilustra muito. Publicidade vintage.

Anunciante: Bancos de alimento. Título: Palomas. Agência: McCann Erickson. Direção: Mario Garcia. Espanha 1999.

Para aceder ao segundo anúncio, carregar na imagem seguinte.

Anunciante: Journée Mondiale du Refus de la Misère. Título: Donnons la parlole aus pauvres. Agência: TBWA. França, 1998.

Estigma capilar

Fotografia de Robert Capa. Chartres, 18 de agosto de 1944. Logo após a libertação da cidade, raparam o cabelo a uma mulher francesa que teve um filho com um soldado alemão como sinal de humilhação

Proveniente da Alemanha, país que tendemos a associar alguma contenção e ponderação, o anúncio “Hans”, da empresa de cabeleireiros Headhunter, excede-se. Propõe uma paródia ousada, senão atrevida, de uma realidade sensível: as campanhas de consciencialização para a inclusão de crianças com deficiência. Num aspeto o anúncio não deixa de estar certo: os cabelos podem funcionar como estigma, contagiando e desvalorizando a pessoa no seu todo. Recorde-se que, no final da Segunda Grande Guerra, nos dias imediatos à libertação da França, a população rapou o cabelo aos “colaboracionistas” com o regime nazi, expondo-os em cortejos degradantes (ver Violência e Humilhação: https://tendimag.com/2016/01/14/violencia-e-humilhacao/).

Marca: Headhunter. Título: Hans. Agência: Philipp & keuntje. Direção: Laszlo Kadar. Alemanha, 2000.

Atração sem união

Russian LGBT Network. Título We Will Become Better. 2020

Bem concebido, com imagem, música e “coreografia” notáveis, o extenso (5:40) anúncio holandês We Will Become Beter, para a Rede LGBT Russa (Russian LGBT Network), em que dois homens propendem a aproximar-se sem, contudo, conseguir alcançar-se, obteve o prémio Golden Drum.

“In July 2020, Vladimir Putin changed the Russian constitution to ban same-sex marriage with an amendment that explicitly defines marriage as between a man and woman. It has encouraged a wave of hate crimes including beatings, rape and torture that continue to this day. One year on from the constitutional change, we released a film to challenge these offensive portrayals of same-sex relationship with a simple message: ‘Love is everyone’s right’. By making and releasing the film we took the risk of essentially breaking the Gay Propaganda law. This is the first Russian LGBTQIA+ film in years that actually portrays a gay relationship and the country’s first anti-homophobic project” (Russian LGBT Network).

Anunciante: Russian LGBT Network. Título: We Will Become Better. Agência: Voskhod (Yekaterinburg). Produção: Daddy’s Film Production. Música: Sansara Band. Países Baixos, julho 2020.