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Rachael Yamagata

 A sombra derrete ao sol. Uma música mexida transpira. Uma música calma entorpece. E a Rachael Yamagata?

Rachael Yamagata. Be Be Your Love. Happenstance. 2004.
Rachael Yamagata. I Wish You Love. Prime. 2005.

As malhas do género

Libresse. #wombstories. 2020.

Três anúncios excelentes,

Tem vindo a crescer o número de anúncios dedicados ao género. Abrangem todas a categorias: transgénero, homossexual, lésbica, heterossexual… A maioria propõe anúncios de promoção. Existem, no entanto, anúncios que, embora centrados no género, não visam a promoção de uma categoria, mas a exposição da sua condição,  sem visar uma “vantagem competitiva”. Parece ser o caso do anúncio Womb Stories, da Libresse. “Histórias de úteros”, com dores e prazer, amor e horror, que revelam uma relação contraditória com corpo e a mente. O anúncio é impactante. A combinação de sequências filmadas e de animação funciona magistralmente.

“And yet the same research found that half of women feel society wants them to keep silent about their experiences, while half of women felt staying silent about their issues damaged their mental health. This leads to a damaging silence around a range of difficult and sensitive issues that women face every day. The physical concern may be treated, but the emotional dimension is often left unheard and overlooked” (https://www.lbbonline.com/news/libresse-tells-a-wombstory-no-ad-has-told-before-in-latest-taboo-busting-ad).

Marca: Libresse. Título: #wombstories. Agência: AMV BBDO. Direcção: Natasha Braier. Reino Unido, Julho 2020.

O anúncio #ShareTheLoad, da Ariel, adopta um discurso feminista num país, a Índia, patriarcal. Teve um impacto mediático e social considerável. Ganhou vários prémios. Trata-se de um anúncio que promove, assumidamente, a condição feminina.

Marca: Ariel. Título: #ShareTheLoad. Agência: BBDO India. Índia, Fevereiro 2016.

O anúncio Francesca, da Diesel, é um misto de exposição de uma condição e promoção de uma categoria.

“No mês do orgulho LGBTQI+, a DIESEL apresenta seu novo filme “Francesca”, dirigido por Francois Rousselet e realizado com o Conselho da Diversity, associação italiana comprometida com a promoção da inclusão social.
O filme criado pela Publicis Itália mostra cenas de uma jovem transgênera e sua jornada durante o processo de transição de gênero. Vemos Francesca, que nasceu menino, se transformar em uma linda mulher, enquanto acompanhamos seu cotidiano, as descobertas dos elementos que compõem o universo feminino e sua relação com a fé, que a leva a buscar a vida em um convento” (https://www.youtube.com/watch?v=535_479z-hM).

Marca: Diesel. Título: Francesca. Agência: Publicis (Itália). Direcção: François Rousselet. Internacional, Junho 2020.

O outro lado

Vazio de pensamento. Caiu herbicida nos neurónios. Preciso de uma inspiração que me despasme. Que me vire do avesso.

The Doors. Break On Through (To The Other Side). The Doors. 1967. Live At The Isle Of Wight Festival 1970.

A estranheza da vida

Acabei um artigo, faltam quatro. Uma fordização. Não me queixo. Alguns foram pedidos no ano passado. Sou um compressor compulsivo. Tudo para depois do prazo. Caía bem uma música que erga a vontade mais alto do que uma bandeira. Preciso de um hino. Rock progressivo envelhecido. Pode ser Isn’t Life Strange, dos The Moody Blues? Nada como experimentar.

The Moody Blues. Isn’t Life Strange. Seventh Sojourn. 1972. Live in Royal Albert Hall, 2000.

O anzol

Acabei de escrever um artigo. Não me agrada. Demasiada informação e poucas ideias. É um risco que se corre quando se conhece relativamente bem a realidade abordada. Derretemo-nos em detalhes. Mordemos o anzol.

Radio Macau. O Anzol. O Elevador da Glória. 1987.

Memória reincidente

Jean-Michel Folon. Lily aime moi. 1975.

Há longos anos que o genérico de fecho de emissão da Antenne 2 me enternece. Com desenhos de Jean-Michel Folon (1934-2005) e música de Michel Colombier (1939-2004). Memória reincidente. Folhas soltas. Salpicos numa liquidez pasmada. Uma leveza de espírito que enfia a cabeça nas nuvens.

Uma obra-prima nunca está acabada. Inspira e inspira. Sucede com a música Emmanuel, de Michel Colombier. Gosto da versão de Toots Thielemans (1922-2016), um dos melhores tocadores de harmónica de boca do século XX.

Sessenta e um anos deste mundo. O triplo da idade em que me encantei com o genérico da Antenne 2. Agradeço a amizade. Um dia havemos de voar juntos como os homenzinhos de Folon.

Genérico da Antenne 2. Desenhos de Jean-Michel Folon e Música (Emmanuel) de Michel Colombier. França, anos setenta.
Emmanuel. Música de Michel Colombier (Wings, 1971). Versão de Toots Thielemans. Colombier Dreams, 2002.

Consolo tóxico

Na publicidade dos anos sessenta, os cigarros faziam bem à saúde e o fumador era um homem de sucesso. Nos anos oitenta, o fumador é um contrariado compensado pelo tabaco. Nos anos 2 000, o tabaco é um veneno e o fumador, um cadáver em potência. Atendendo à censura vigente, não é curial colocar estes quatro anúncios da marca Hamlet. Mas o eclipse do mal nunca fez bem ao bem. São dezenas os anúncios desta campanha cujo conceito remonta aos anos sessenta e se prolongou até aos anos noventa. Retenho quatro curtas “histórias sem palavras” que evidenciam que o prazer pode não provir da virtude.

Marca: Hamlet. 1966.
Marca: Hamlet. Título: Robots. Reino Unido, anos setenta.
Marca: Hamlet. Título: Football. Reino Unido, 1989.
Marca: Hamlet. Título: La Photo de Famille. Agência: Cdp. Reino Unido, 1990.

A sério

UNESCO

L’UNESCO lance une campagne mondiale pour interroger notre perception de la normalité. Le film de 2’20” s’appuie sur une succession de faits marquants sur la situation dans le monde avant et pendant la pandémie de la Covid-19. Ensemble, ces faits remettent en question nos idées préconçues sur ce qui est “normal”, et suggère que nous avons toléré l’inacceptable depuis trop longtemps. Il est temps d’un vrai changement. Et tout commence par l’éducation, la science, la culture et l’information (UNESCO).

Uma pessoa que diz coisas sérias não ri! O sério é sisudo e o riso, tonto. Imagine alguém a comunicar assuntos sérios às gargalhadas! O sério não ri, assim é desde o barro genético. O anúncio Le Prochain Normal, da UNESCO, aborda assuntos graves da humanidade. O que consideramos normal? Perguntas sérias, muito sérias. Até o formato do anúncio é sacrificial. Como rir num mundo tão sério? O riso é um acto de humor nas suas origens e um acto sério nas suas consequências.

Anunciante : UNESCO. Título : Le Prochain Normal. DDB (Paris). França, Junho 2020.

Agasalho

James Taylor e Yo-Yo-Ma

Andamos a agasalhar demasiado as pessoas. Com regras, normas, regimentos, procedimentos, guias, planificações… Agasalhar demasiado não faz bem à saúde. Pode provocar febre, moleza, sufoco, obstrução mental e quebra de apetite.

Gosto de encontros improváveis. Por exemplo, James Taylor e Yo-Yo-Ma. Também gosto de interpretações originais de composições clássicas repisadas.

Yo-Yo-Ma e James Taylos. Sweet Baby James (1970). Tanglewood Music Festival (11.08-2019).
Jules Massenet. Meditation from the opera Thais. Violoncelo: Yo-Yo-Ma.

Quotas

Juizo Final. Ucrânia. No Juizo Final também se fazia a separação das almas.

Tomei consciência da importância das quotas aquando da polémica das “quotas leiteiras” na Comunidade Económica Europeia. Quanto leite podia produzir a França? E a Alemanha? Arrumar o mundo por quotas é uma tentação burocrática.
Estão a aplicar-se quotas nos concursos aos cursos de mestrado. Por exemplo, 40% de nacionais e 60% de estrangeiros. Parece inócuo, mas existe uma possibilidade muito possível e algo incómoda. E se dois, três, quatro ou n portugueses forem eliminados com pontuações superiores às dos candidatos estrangeiros? Importa pensar antes de inventar. Estranha interpretação do princípio constitucional da igualdade de oportunidades (“Todos têm direito ao ensino com garantia do direito à igualdade de oportunidades de acesso e êxito escolar”). Para entorses, já basta assim. Apetece ouvir música condizente com o humor virado do avesso. Por exemplo, a banda italiana Rhapsody of Fire, power metal sinfónico, com um dedo de fantasia.
Fernando e Albertino.

Rhapsody of Fire. Emerald Sword. Symphony of Enchanted Lands. 1998. Live – From Chaos to Eternity. Canada.