Arquivo | Cultura RSS for this section

Literalmente.

Reese’s Take 5. Rock. 2020.

Quando as palavras perdem as asas da fantasia, o que acontece? A realidade torna-se fantástica? São questões que o anúncio Rock, da Reese’s Take 5, coloca.

Marca: Reese’s Take 5. Título: Rock. Direcção: Harold Einstein. Estados Unidos, Janeiro 2020.

Nascer

Num trabalho para a disciplina de Sociologia da Cultura, duas alunas escrevem espécie de guião para produção de uma história de vida: ”Quando começa a sua história?”. Escrever sobre isso e, se necessário, perguntar a pessoas próximas como ocorreu o seu nascimento. Descrever tudo minuciosamente, ilustre com fotos, caso existam”. Nada que o anúncio Life, dos Médecins du Monde, não contemple. Carregar na imagem ou no seguinte endereço para aceder ao anúncio: http://www.culturepub.fr/videos/medecins-du-monde-life/.

Médecins du Monde. Life. 2019.

Música da desgraça desumana

Olivier Messiaen. Quatuor de la fin des temps. Campo Stalag VIII-A – Görlitz. 1941.

Há músicas de desgraças desumanas. Muitas pautas de música compostas pelos presioneiros sobreviveram ao holocausto. No caso do compositor Olivier Messiaen, ele próprio sobreviveu. Compôs e estreou o Quatuor pour la fin des temps, no campo de concentração Stalag VIII-A, em Görlitz, na Alemanha. Segue o movimento III: Abisme des Oiseaux. Repare-se que a pauta é iniciada com o seguinte apontamento: “Lent, expressif et triste”. Esta música é precedida pela música do filme Schindler List, composta por John Williams.

John Williams. Schindler List. NL Orchestra. RTL Netherlands show. 2017.
Olivier Messiaen. Quatuor por la fin des temps. Mov. III : Abisme des Oiseaux. Composto em 1941.

Em jeito de conclusão, retomo duas canções de 1969: a Menina dos olhos tristes, de José Afonso, e Te recuerdo Amanda, de Victor Jara.

José Afonso. Menina dos olhos tristes. 1969.
Victor Jara. Te recuerdo Amanda. 1969.

Lamentação. Críticas do Grilo Falante.

Existem muitas músicas da desgraça e da lamentação. Também existem muitas desgraças. No ciclo de músicas da desgraça, gostava de contemplar Vangelis, a meu ver, um mestre em músicas de lamentação. Retive três obras para acertar em duas.

O meu grilo falante quer dizer-me alguma coisa:
Grilo Falante: Não estás a colocar demasiada música? Ademais, triste. Duvido que seja da música que as pessoas gostam mais no teu blogue.
Ego: Que me recomendas fazer?
Grilo Falante: Coloca anúncios que emocionem, anúncios bem dispostos. São mais fáceis de encontrar do que essas pieguices enterradas na história.
Ego: Eu não decido em função do que as pessoas gostam, mas daquilo que eu gosto
Grilo Falante: Isso é o que acreditas e, imprudentemente, confessas aos outros.
Ego: Dou aos outros o que gosto, não aquilo de que gostam. Quando dou, dou uma parte de mim, não uma parte do outro. Por exemplo, a música 12 O’Clock, não sendo minha, é uma parte de mim. É uma dádiva, não é tiro ao alvo.
Grilo Falante: Parole, parole, parole, parole parole soltanto parole. Pelas músicas que escolhes, não danças há muito tempo.

Vangelis. Chant (Alternate). Alexander. 2004.
Vangelis. Rachel’s Song. Blade Runner. 1983.
Vangelis. Heaven and Hell Part II (12 O’ Clock). Heaven and Hell. 1975.

A desgraça humana

O tempo anda arredio. Foge! Há músicas que convocam a desgraça humana. Por exemplo, The Cold Song (1691), de Henry Purcell (ver interpretação de Klaus Nomi: https://tendimag.com/2019/02/20/apologia/), Na Gruta do Rei da Montanha (1876), de Edvard Grieg (ver https://tendimag.com/2020/02/05/na-gruta-do-rei-da-montanha/) e Danse Macabre (1874), de Camille Saint-Saens (ver https://tendimag.com/2019/11/01/feliz-dia-dos-mortos/). Um bom exemplo de música da desgraça humana é a Psycho Suite, de Bernard Herrmann (1960). Se o tempo for seu amigo, oiça até ao fim. Oito minutos bem compensados. Como pode ser bela a música da desgraça!

Bernard Herrmann. Psycho Suite (filme Psycho, de Alfred Hitchcock, 1960). BBC Concert Orchestra. Royal Albert Hall. 2011.

Diabolus in Musica

Guitarra com combustível.

Existem anjos que moram no purgatório. Impacientes, sobem e descem a escada: ora inalam enxofre ora respiram ar condicionado. Estes anjos conhecem tudo: o churrasco do inferno, o maná do céu e o fumeiro do purgatório. O Alberto conhece este mundo e os outros. Quando sinto falta de espanto procuro o Alberto. Pasme-se com uma guitarra elétrica cuja caixa é uma lata de combustível da Sacor, talhada para concertos infernais. Se as chamas desfalecerem, soltam-se uns pingos de gasolina. Com esta inspiração ainda vamos criar uma banda chamada Hellite.

Fiz, há meses, uma comunicação intitulada “Música do Inferno”, concentrada na Idade Média e no Renascimento. Mas existe música infernal na atualidade. Por exemplo, a música dos norte-americanos Slayer, acabados de acabar. Independentemente de gostar ou não da música, interessa-me o fenómeno. Não se ganha em virar a cara, porque pode a cabeça ficar torta. Segue um anúncio e uma música dos Slayer.

Anunciante: Slayer. Título: Giveaway: Enter to Win Repentless Hell-p. Agência: Kolle Rebbe. Alemanha, Janeiro 2020.
Slayer. Hell Awaits / The Antichrist. Hell Awaits. 1985. Live In Anaheim, CA / 2002.

Na Gruta do Rei da Montanha

Theodor Kittelsen, Peer Gynt na Gruta do Rei da Montanha. 1913.

Costumo pedir aos alunos trabalhos que confrontem dois géneros distintos. Dizem que é difícil…

O anúncio Ópera, da Nintendo, realizado por Bruno Aveillan, é extraordinário e a música fabulosa. De quem é a música? Será Na Gruta do Rei da Montanha, de Edvard Grieg (ver vídeo)? A gruta de Grieg está pejada de monstros (trolls). Será que existe alguma relação entre os monstros do anúncio e os “trolls” da música? O pop/rock é permeável a influências. Haverá músicas pop/rock inspiradas em Grieg? Com o mesmo nome? Por exemplo, os Deep Purple, os Rainbow e, entre outros, os Apocalyptica (ver vídeo). O que perfaz três géneros. Vários artistas retrataram a história de Peer na Gruta do Rei da Montanha. Por exemplo, Theodor Kittelsen (ver imagem). Multiplicaram-se os vídeos de animação. Por exemplo, o vídeo da TVP SA, de 1996 (ver vídeo). Acrescente-se que Edvard Grieg compôs esta música (1876) a partir da obra Peer Gynt, do escritor Henrik Ibsen (1867). Somamos seis géneros: publicidade, música clássica, música pop/rock, pintura, cinema de animação e literatura. Material suficiente para um trabalho? Se for do meu interesse e valorizar as minhas competências. Por exemplo, se estiver inclinado para a semiótica da monstruosidade, é um excelente cocktail. Mas, aqui chegados, o que me estimula é comparar Na Gruta do Rei da Montanha, de Edvard Grieg, com a Dança Macabra, de Camille Saint-Saens (1875). São do mesmo género, será possível? Nunca se sabe…

Anunciante: Nintendo / Game Boy Advance. Título: Symphony. Agência: Leo Burnett. Direcção: Bruno Aveillan. França, Maio 2002.
Edvard Grieg. Na Gruta do Rei da Montanha. Peer Gynt. 1876. The Sydney Symphony Orchestra. 2011.
Apocalyptica. Hall Of The Mountain King (Instrumental). Cult. 2001.
Hall Of The Mountain King. Edvard Grieg. TVP SA, 1996.

O Muito Povo

“Não são, portanto, os próprios factos que tocam a imaginação popular, mas, antes, a maneira como eles são organizados e apresentados. É necessário que através da sua condensação, se assim me posso exprimir, eles produzam uma imagem atraente que preencha e obceque o espírito. Quem conhece a arte de impressionar a imaginação das multidões conhece também a arte de as governar” (Gustave Le Bon, Psychologie des foules, 1895).

Estou farto de pensar! Incomodo os neurónios para nada. Prefiro a música. Fecunda o cérebro e estremece o corpo. Observaram a multidão do memorável concerto dos R.E.M. (ver vídeo 1)? Um exagero de gente excitada. Massa a vapor. Pronta para o impulso, para a mobilização. Fico sempre dividido quando deparo com uma multidão: maravilha ou monstro, Bela ou Besta, Gandhi ou Lynch? As coreografias e os ecos são recorrentes nos concertos de música rock, mas não só. Fascina-me a sincronização colectiva. Como é possível tanta emoção ordenada, tanta gente a funcionar como uma única pessoa? Uma multidão, ao mesmo tempo alinhada e inflamada, intimida. A engrenagem do “muito povo” não é espontânea, carece aquecimento e orientação. A minha relação com a multidão sofre de um trauma que me tolda a lucidez: a multidão em transe, pela paz ou pela guerra, lembra-me, obtusamente, o filme O Triunfo da Vontade (1935), de Leni Riefenstahl (vídeos 2 e 3). E, no entanto, não há nada mais humano do que a turbulência de um oceano de gente deslumbrada.

R.E.M. Everybody Hearts. Automatic for the people. 1992. Ao vivo: Live 8 – 2005.
Excerto 1 do filme O Triunfo da Vontade, de Leni Riefenstahl, 1935.
Excerto 1 do filme O Triunfo da Vontade, de Leni Riefenstahl, 1935.

Três em um

A surpresa mora na Internet. Por vezes, boas surpresas. Desesperado de encontrar um bom vídeo com a música Because The Night, de Patti Smith, percorri a lista do Google quase de fio a pavio. Deparei com este vídeo, cuja imagem consiste num extenso e desinibido cruzamento de duas citações: o soberbo anúncio Odyssey, da Levi’s (2002) e o perturbador filme The Million Dollar Hotel, de Wim Wenders (2000). Nem mais, nem menos. O resultado compensa. Felicito o autor.

Seguem o vídeo para a música Because The Night, de Patti Smith, o trailer do filme The Million Dollar Hotel, de Wim Wenders, e o anúncio Odyssey, da Levi’s.

Patti Smith. Because The Night. Easter, 1978. Kegio, 2008.
Trailer de The Million Dollar Hotel, filme realizado por Wim Wenders. 2000.
Título: Odyssey. Agência: Bartle Bogle Hegarty. Direcção: Jonathan Glazer. Reino Unido. Jan. 2002.

Filhos da revolução

Marc Bolan & T. Rex

Calaram-se os altifalantes da festa de S. Brás, com duas bombas. Arrombaram os ouvidos dos cães. Agora, dá para ouvir música. Coisas do Parque Jurássico. Conhecem os T. Rex? Uma banda dos anos sessenta que acabou nos setenta. Segundo consta, inscrevem-se, como os Roxy Music, no Glam rock. Algumas músicas estiveram no topo, por exemplo, The children of the revolution e Get it on. Gosto de Cosmic dancer. Seleccionei estas três músicas depois de ouvir uma colectânea: Marc Bolan & T. Rex: Essencial Greatist Hits (2007).

T. Rex. Children of the revolution. Single. 1972. Ao vivo em 1972.
T. Rex. Get it on. Single. 1971. Ao vivo em 1971.
T. Rex. Cosmic dancer. Electric warrier. 1971.