Velas


Os artigos A ingenuidade e a sátira (20.07.2015) e Velas 820.07.2016) são distintos. O primeiro contém cartoons, o segundo, um vídeo. Só têm em comum a palavra “vela”, no título ou no nome do artista (David Vela). Mas merecem ambos que os acendam.
Diagonalização do Poder

Le rire est une bouée de sauvetage / O riso é uma bóia de salvação (Michel Serrault)
Le rire libère l’homme de la peur / O riso liberta o homem do medo (Dario Fo)
O artigo Hierarquias na horizontal, colocado no Tendências do Imaginário no dia 14 de julho de 2018 inspira-se no maneirismo seiscentista. Como diriam os medievais francófonos, é uma drôlerie (gracejo), um sintoma, talvez, de quem tem muito tempo no presente e pouco pela frente.

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Demasiado potentes, prepotentes e impotentes

Que desenharia Quino (1932-2020) se estivesse vivo? Não lhe faltariam exemplares de potentes, prepotentes e impotentes em que se inspirar. Nada sofisticados nem discretos. A minha geração foi das mais “empoderadas” ao longo da vida; foi, também, daquelas cuja esperança mais inchou e desinchou.
Desenhar vidas / Animar Edward Hopper

A memória não descansa. Tudo me lembra alguma coisa.
Uma amiga de Melgaço partilhou este belo vídeo, com música de fundo de Vangelis: La Petite Fille de la Mer. O Tendências do Imaginário já contempla o vídeo oficial desta música (https://tendimag.com/2022/06/30/top-of-the-pops-com-rugas-5-michel-colombier-vangelis-e-francis-lai/). Neste caso, “Maria” (2015) limitou-se a retomar a curta-metragem LILA (2014) de Carlos Lascano mantendo o vídeo e substituindo apenas a música. Esta “remistura” não desmerece os originais. Coloco os dois vídeos: a adaptação de “Maria” e o original de Carlos Lascano.
A curta-metragem LILA lembra-me [adoro co(r)tejar realidades distintas] os quadros de Edward Hopper: seres humanos entregues a si mesmos, isolados em ambientes amplos, delineados e despojados com uma luminosidade estranha. Só por magia ou milagre as personagens parecem suscetíveis de resgate, de ganhar vida. Algo semelhante carateriza as situações iniciais no vídeo do realizador e escritor argentino Carlos Lascano, animadas pelos desenhos, por vezes em stop-motion, esboçados por uma jovem, qual anjo ou cupido travesso, (re)anima, incutindo vida e amor às pessoas e seus contextos. Como que restaura, transfigura e subverte o universo melancólico, desolado e solitário de Hopper.
Galeria com quadros de Edward Hopper












Rescaldo, Van Gogh e Quartier Latin

O monte de Santa Tecla esteve em chamas. Ainda paira algum fumo. Consola-me um pequeno filme de animação dedicado ao Van Gogh da autoria do iraniano Alireza Karimi Moghadam que o Eduardo Pires de Oliveira teve a inspiração de me enviar. Revejo-o, volto a fazê-lo, e, nesta esquina à beira Minho, deixo-me embalar pelas memórias dos anos de estudante.

Recordo professores como Louis-Vincent Thomas ou Raphael Pividal e colegas como o colombiano Marino Trancoso, jesuíta companheiro de ousadias (falecido, atribuíram o seu nome a um dos principais auditórios da Pontificia Universidad Javeriana, de Bogotá) ou o sérvio Duško Lopandić, em cuja casa, em Tuzla, me atardei uma semana (foi ministro adjunto do governo sérvio e embaixador da Sérvia em Portugal e Cabo Verde, de 2007 a 2011). No que me concerne, regressei à terrinha há mais de quarenta anos. Melgaço e Moledo valem o desvio!
Ce quartier qui résonne dans ma tête
Ce passé qui me sonne et me guette (…)
Les années, ça dépasse comme une ombre (…)
Je r’trouv’ plus rien, tell’ment c’est loin, l’Quartier latin
Este bairro que ecoa na minha cabeça
Este passado que me toca e me espreita (…)
Os anos (ultra)passam como uma sombra (…)
Já não reencontro nada, tão distante está o Quartier Latin.




Voar sem dar cabeçadas no céu




Gosto do artista belga Jean-Michel Folon (ilustrador, pintor e escultor, 1934-2005). Também gosto do cantor francês Yves Duteil. Gosto de ouvir Duteil a cantar Folon. Sam ambos criativos, joviais, sensíveis e ternurentos. Apraz-me recuperar dois pequenos vídeos com gravuras de Folon: Comme Dans Les Dessins de Folon, de Yves Duteil; e Levitar, que montei em 2013, com a música Emmanuel, de Michel Colombier.
História de um melro que morreu por ser feliz

Um melro costuma fazer ninho no quintal. Atarefado, tem-se saído bem com os gatos. Pior destino teve “o melro” do Guerra Junqueiro, vítima da vingança do Velho Padre Cura, num extenso conto em verso que o meu avô recitava de cor. Segue a digitalização do poema “O Melro” a partir da segunda edição ilustrada do livro A Velhice do Padre Eterno (1ª edição: 1885). Segue o respetivo pdf,
Quem fala em melros, pode falar em rouxinóis. Porque a opressão e a maldade não têm pouso exclusivo. Ao melro raptaram-lhe os filhos; ao rouxinol da Cantilena de Francisco Fanhais cortaram quase tudo.
Com imagens pode dizer-se muito. Com poucas imagens pode, por vezes, dizer-se ainda mais. Na curta-metragem dos bauhouse, sopra-se no medo e na esperança até que explodem como tiros e bombas. Porque as nossas asas são tão frágeis como as dos pássaros.
Mãos exiladas

Há mais de um ano que não dava um passeio. Hoje, visitei o Museu D. Diogo de Sousa, atraído pela valiosa Coleção Bühler-Brockhaus. Vale a pena! Creio que também vale a pena espreitar, pelo prazer visual, o vídeo Mãos Exiladas e a respetiva galeria de imagens, com desenhos de Albrecht Dürer e esculturas de Auguste Rodin.
Galeria de imagens: Mãos Exiladas – Dürer & Rodin



























