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Nova versão das idades da vida

Noam Murro
A fidelidade dos objectos simbólicos, 05.11.2016

Todos envelhecemos

Peter Paul Rubens, Head of an Old Woman (1612)

Todos envelhecemos, mas nem por sombras deixamos de viver.

O eclipse da velhice, 24.10.2017
Filhos da madrugada, 07.11.2017

Cuidar sem retaguarda

“Dispõe de seis minutos para comover o coração e expor a consciência? Promovida por uma cadeia de distribuição tailandesa, C.P. Group, esta curta metragem sobre o cuidado dedicado a uma mãe vítima de Alzheimer talvez configure uma boa oportunidade” (07.01.2023). / “O anúncio tailandês Gratitude ajusta-se ao gosto oriental: longo, lento e emotivo. Uma história muito bem contada. Era uma vez um professor que levava a mãe para a sala de aula…” (24.09.2018).

Amor de filho, 24.09.2018

Estado de corpo

Sobrevêm artigos que, ao resgatá-los, acabo por reconher neles a expressão, não de estados de espíritos, mas de estados de corpo.

Corria o ano de 2019 e a cadeira adquiria rodas…

Imagem: Vincent van Gogh Paul. Gauguin’s Armchair, 1888. Van Gogh Museum

Quando o corpo incomoda a alma. Tendências do Imaginário, 28.08.2019

Jovens para sempre

A representação social das “idades da vida” muda substantivamente consoante os períodos históricos. A imagem da velhice conheceu, assim, altos e baixos. Desde há poucas décadas, assiste-se, por vários motivos, à sua “revalorização” e “revitalização, senão “rejuvenescimento”.

Observa-se o fenómeno em vários domínios, nomeadamente a publicidade, por exemplo nos anúncios “Unlimited Youth”, de 2016, no artigo A Juventude não tem idade, e “Years of Magic”, de 2018, no artigo A segunda juventude: os super avós. Em alguns casos, frisa-se a hipérbole, quase o delírio, como no anúncio “Aidez-nous à sauver des vies”, de 2017, no artigo A Super Avó, que lembra, precisamente, a série Super Gran, dos anos oitenta.

A juventude não tem idade. Tendências do Imaginário, 19.08.2016
A segunda juventude: os super avós. Tendências do Imaginário, 13.05.2018
A Super Avó. Tendências do Imaginário, 12.06.2017

Camuflagens, Potência e Triunfo do Amor

[DisfarçARte] Fotografia por Liu Bolin

Há dias assim! Neste 14 de julho, mesmo sendo exigente na seleção, persistem bastantes artigos de qualidade e com vídeos em falta. Cada um merecia uma recolocação própria comentada. Segue, porém, um pacote mudo de 3 artigos, de 2012, 2014 e 2017, com, no conjunto, 4 anúncios, 2 canções e 1 galeria de imagens, todos admiráveis.

Sonhar sem cismar

Albrecht Dürer – Melancolia, 1514

“Com escassa mobilidade”, em junho de 2022, navegava na Internet e escrevia, escrevia, escrevia…. sentia e imaginava, também! De preferência, sem dar azo à melancolia.

“Idadismo”. Preconceito etário

Vincent van Gogh – Portrait of Patience Escalier . 1888

Seguem dois anúncios que não abonam a favor do envelhecimento.

Instrumentarium – Eternal Love. Agência: Cassius Helsinki. Direcção: Pete Riski. Finlândia, Fevereiro 2017
Student flights – Travel before its not fun anymore. Agência : Tbwa. Direção : Dean Blumberg. África do Sul, 2014

A mão estendida como semente de felicidade

GiveInToGiving. Emirates NBD. Novembro 2018

Em Sociologia da Arte e do Imaginário, estamos a produzir um vídeo sobre a felicidade. As propostas e as iniciativas fusionam numa partilha que compensa. Como cita a aluna Teresa Carneiro, “feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina” (Emanuel Lizarte).

A Cláudia Aponte sugeriu a curta metragem #GiveInToGiving. Unanimidade quanto ao interesse; divergência quanto à interpretação. O que altera a atitude, a abertura, do protagonista? O pedido da velhinha ou a ameaça de morte? Qual é o ponto de viragem: a mão que agarra o braço ou a que sai do bolso? Qual é causa eficiente e qual é causa coadjuvante (que apenas ajuda a eficiente)?

Será a consciência da morte? Retira a mão do bolso apenas perante a iminência de atropelamento. Será a consciência da carência alheia? Neste caso, a mensagem, rara, seduz: para além da oferta de ajuda, o pedido também pode ser semente de felicidade. O gesto da velhinha, a fonte; o risco, a circunstância…

Sobra, ainda, outra conclusão: ambos são causa; ponto final, parágrafo. Esta solução oferece-se como salomónica apenas em aparência: ao contrário do rei, não se toma posição.

Resta ponderar o comentário do próprio autor da curta metragem. Para que lado pende?

Ao celebrarmos o Dia Mundial da Bondade em 13 de novembro, vamos refletir sobre como podemos fazer a diferença. Vamos estender a mão a quem precisa de ajuda e nos voluntariar para causas que nos transformam para melhor, assim como transformam o mundo.
Conecte-se connosco hoje mesmo e comece! (Emirates NBD)

#GiveInToGiving. Emirates NBD. Colocado em 12.11.2018

Tudo o que é humano é de todos, por todos, com causa em todos. Também poderíamos perguntar: que circunstância(s) levou a que as mãos se escondessem nos bolsos? O que o leva a andar curvado e com pavor de tudo o que mexe no olhar? Quando a velhinha lhe pega no braço, o olhar fica em sobressalto, mas o corpo aceita. Ela já não é motivo para ter medo. A iminência da morte? Sim, claro. Dos dois. Ele não mexeu a mão em que a idosa se apoiava. Ela já era a extensão da humanidade. A agulha deixou que a linha se enfiasse. A partir daí, todos os pontos contam, mesmo para consertar rasgos, sem pudor. (Comentário de Almerinda Van Der Giezen, 13.02.2026)

O arco da generosidade

No passado 30 de janeiro, no artigo “Carta de uma Criança ao Menino Jesus”, escrevi: “Receber é bom, oferecer ótimo. Habitualmente, ocorre reciprocidade. Ora a dádiva suscita contra dádiva (Marcel Mauss, Ensaio sobre a dádiva, 1925), ora entra numa cadeia que acaba por regressar ao início (Bronislaw Malinowski, Os argonautas da Pacífico Ocidental, 1922). De qualquer modo, o gesto tende a compensar”.

Na disciplina de Sociologia da Arte e do Imaginário, da Academia Sénior de Braga, propomo-nos fazer um vídeo dedicado à felicidade. A pesquisa de obras com alguma afinidade com o tema conduziu-me a “Ripple – Kindness and good deeds will come back to you”, do realizador singapurense Daniel Yam, que alude precisamente à circulação da dádiva, a qual, passado algum tempo, pode regressar à origem, embora com outra carga simbólica.

Ripple – Kindness and good deeds will come back to you. Realizador: Daniel Yam. Colocado em 16.07.2021

Do mesmo realizador, pode também ver as curtas In the Heart of the Zoo e The Journey. A primeira convoca “o amor, a família e a natureza”, a segunda realça o papel dos marcadores da memória, por banais e simples que sejam, na preservação da felicidade.

In the Heart of the Zoo: A Love Story For All Ages. Realizador: Daniel Yam. Colocado em 17.04.2023
The Journey. Realizador: Daniel Yam. Colocado em 18.07.2021