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Cuidar sem retaguarda

“Dispõe de seis minutos para comover o coração e expor a consciência? Promovida por uma cadeia de distribuição tailandesa, C.P. Group, esta curta metragem sobre o cuidado dedicado a uma mãe vítima de Alzheimer talvez configure uma boa oportunidade” (07.01.2023). / “O anúncio tailandês Gratitude ajusta-se ao gosto oriental: longo, lento e emotivo. Uma história muito bem contada. Era uma vez um professor que levava a mãe para a sala de aula…” (24.09.2018).

Amor de filho, 24.09.2018

Estado de corpo

Sobrevêm artigos que, ao resgatá-los, acabo por reconher neles a expressão, não de estados de espíritos, mas de estados de corpo.

Corria o ano de 2019 e a cadeira adquiria rodas…

Imagem: Vincent van Gogh Paul. Gauguin’s Armchair, 1888. Van Gogh Museum

Quando o corpo incomoda a alma. Tendências do Imaginário, 28.08.2019

Jovens para sempre

A representação social das “idades da vida” muda substantivamente consoante os períodos históricos. A imagem da velhice conheceu, assim, altos e baixos. Desde há poucas décadas, assiste-se, por vários motivos, à sua “revalorização” e “revitalização, senão “rejuvenescimento”.

Observa-se o fenómeno em vários domínios, nomeadamente a publicidade, por exemplo nos anúncios “Unlimited Youth”, de 2016, no artigo A Juventude não tem idade, e “Years of Magic”, de 2018, no artigo A segunda juventude: os super avós. Em alguns casos, frisa-se a hipérbole, quase o delírio, como no anúncio “Aidez-nous à sauver des vies”, de 2017, no artigo A Super Avó, que lembra, precisamente, a série Super Gran, dos anos oitenta.

A juventude não tem idade. Tendências do Imaginário, 19.08.2016
A segunda juventude: os super avós. Tendências do Imaginário, 13.05.2018
A Super Avó. Tendências do Imaginário, 12.06.2017

Camuflagens, Potência e Triunfo do Amor

[DisfarçARte] Fotografia por Liu Bolin

Há dias assim! Neste 14 de julho, mesmo sendo exigente na seleção, persistem bastantes artigos de qualidade e com vídeos em falta. Cada um merecia uma recolocação própria comentada. Segue, porém, um pacote mudo de 3 artigos, de 2012, 2014 e 2017, com, no conjunto, 4 anúncios, 2 canções e 1 galeria de imagens, todos admiráveis.

Sonhar sem cismar

Albrecht Dürer – Melancolia, 1514

“Com escassa mobilidade”, em junho de 2022, navegava na Internet e escrevia, escrevia, escrevia…. sentia e imaginava, também! De preferência, sem dar azo à melancolia.

“Idadismo”. Preconceito etário

Vincent van Gogh – Portrait of Patience Escalier . 1888

Seguem dois anúncios que não abonam a favor do envelhecimento.

Instrumentarium – Eternal Love. Agência: Cassius Helsinki. Direcção: Pete Riski. Finlândia, Fevereiro 2017
Student flights – Travel before its not fun anymore. Agência : Tbwa. Direção : Dean Blumberg. África do Sul, 2014

A mão estendida como semente de felicidade

GiveInToGiving. Emirates NBD. Novembro 2018

Em Sociologia da Arte e do Imaginário, estamos a produzir um vídeo sobre a felicidade. As propostas e as iniciativas fusionam numa partilha que compensa. Como cita a aluna Teresa Carneiro, “feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina” (Emanuel Lizarte).

A Cláudia Aponte sugeriu a curta metragem #GiveInToGiving. Unanimidade quanto ao interesse; divergência quanto à interpretação. O que altera a atitude, a abertura, do protagonista? O pedido da velhinha ou a ameaça de morte? Qual é o ponto de viragem: a mão que agarra o braço ou a que sai do bolso? Qual é causa eficiente e qual é causa coadjuvante (que apenas ajuda a eficiente)?

Será a consciência da morte? Retira a mão do bolso apenas perante a iminência de atropelamento. Será a consciência da carência alheia? Neste caso, a mensagem, rara, seduz: para além da oferta de ajuda, o pedido também pode ser semente de felicidade. O gesto da velhinha, a fonte; o risco, a circunstância…

Sobra, ainda, outra conclusão: ambos são causa; ponto final, parágrafo. Esta solução oferece-se como salomónica apenas em aparência: ao contrário do rei, não se toma posição.

Resta ponderar o comentário do próprio autor da curta metragem. Para que lado pende?

Ao celebrarmos o Dia Mundial da Bondade em 13 de novembro, vamos refletir sobre como podemos fazer a diferença. Vamos estender a mão a quem precisa de ajuda e nos voluntariar para causas que nos transformam para melhor, assim como transformam o mundo.
Conecte-se connosco hoje mesmo e comece! (Emirates NBD)

#GiveInToGiving. Emirates NBD. Colocado em 12.11.2018

Tudo o que é humano é de todos, por todos, com causa em todos. Também poderíamos perguntar: que circunstância(s) levou a que as mãos se escondessem nos bolsos? O que o leva a andar curvado e com pavor de tudo o que mexe no olhar? Quando a velhinha lhe pega no braço, o olhar fica em sobressalto, mas o corpo aceita. Ela já não é motivo para ter medo. A iminência da morte? Sim, claro. Dos dois. Ele não mexeu a mão em que a idosa se apoiava. Ela já era a extensão da humanidade. A agulha deixou que a linha se enfiasse. A partir daí, todos os pontos contam, mesmo para consertar rasgos, sem pudor. (Comentário de Almerinda Van Der Giezen, 13.02.2026)

O arco da generosidade

No passado 30 de janeiro, no artigo “Carta de uma Criança ao Menino Jesus”, escrevi: “Receber é bom, oferecer ótimo. Habitualmente, ocorre reciprocidade. Ora a dádiva suscita contra dádiva (Marcel Mauss, Ensaio sobre a dádiva, 1925), ora entra numa cadeia que acaba por regressar ao início (Bronislaw Malinowski, Os argonautas da Pacífico Ocidental, 1922). De qualquer modo, o gesto tende a compensar”.

Na disciplina de Sociologia da Arte e do Imaginário, da Academia Sénior de Braga, propomo-nos fazer um vídeo dedicado à felicidade. A pesquisa de obras com alguma afinidade com o tema conduziu-me a “Ripple – Kindness and good deeds will come back to you”, do realizador singapurense Daniel Yam, que alude precisamente à circulação da dádiva, a qual, passado algum tempo, pode regressar à origem, embora com outra carga simbólica.

Ripple – Kindness and good deeds will come back to you. Realizador: Daniel Yam. Colocado em 16.07.2021

Do mesmo realizador, pode também ver as curtas In the Heart of the Zoo e The Journey. A primeira convoca “o amor, a família e a natureza”, a segunda realça o papel dos marcadores da memória, por banais e simples que sejam, na preservação da felicidade.

In the Heart of the Zoo: A Love Story For All Ages. Realizador: Daniel Yam. Colocado em 17.04.2023
The Journey. Realizador: Daniel Yam. Colocado em 18.07.2021

Sem limite de idade

Fonte: ANG – A solidariedade entre gerações. 31.12.2016

Escrevi pelo menos sete artigos dedicados à estratégia publicitária da Dove (para aceder aos artigos, carregar no título):

Confunde-se muitas vezes envelhecimento com desvitalização. Mas a vida não tem idade — apenas a morte traça um fim. Parece ser este o mote do anúncio “Beauty has no age limit”, da Dove. O que vale para as pessoas vale para as comunidades: uma comunidade envelhecida não é uma comunidade sem vida.

Dove – Pro Age: Beauty has no age limit. França, 2009

Uma tábula rasa: a zona industrial de Alvaredo

Obras na zona industrial de Alvaredo em Melgaço. 2023. Fotografia de João Gigante
Obras na zona industrial de Alvaredo em Melgaço. 2023. Fotografia de João Gigante

Nos últimos anos, escrevi dois textos que acabaram por não ser publicados.

O primeiro, “Prado Subjetivo: metamorfoses de uma freguesia modernizada”, de 2019, ficou congelado no prelo. Coloquei-o no dia 7 de dezembro de 2025 como peça de arquivo no Tendências do Imaginário (ver Eu, a IA e o Ninho).

O segundo, “Uma tábula rasa: a zona industrial de Alvaredo”, de 2023, entendi enterrá-lo numa gaveta digital até eventual resgate futuro. Passo a arquivá-lo, também, neste blogue. Entretanto, no artigo “Quando a esmola é grande. A industrialização do interior”, no jornal Diário do Minho de 20.02.2024, retomei a reflexão, mas com outra abrangência. Seguem ambos os textos em pdf, sem mais comentários, “para memória futura”.

Texto 1: Uma tábula rasa: a zona industrial de Alvaredo

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Texto 2: Quando a esmola é grande. A industrialização do interior