Multidão Solitária e Morte Social


Nos artigos que seguem, nem a morte ri, nem a velhice pressagia. A massa e a indiferença conduzem a um abismo sem fundo. Lúgubres e insustentáveis, engolem sem regurgitar. Relevo as fotografias de Misha Gordin no vídeo musical de La Solitudine, do Leo Ferré, colocado por TiresiaXX, em setembro de 2013.
Eclipsados e polícronos

Por esta hora, 19:20, em 2017, houve um eclipse parcial do sol. O Fernando fotografou-o em Moledo do Minho.
O anúncio “Piano”, para o Windows 8, mostra como os orientais descobrem maneiras de fazer várias coisas ao mesmo tempo, tais como trabalhar e jogar.
Imagem: Eclipse parcial do sol. Moledo. 22.08.2017. Fotografia: Fernando Gonçalves
O Eclipse, o Real e o Imaginado

Não me desloquei 600 km, nem sequer 500 metros; tão pouco cuidei de adquirir os óculos apropriados para eclipses. Em suma, perdi a experiência visual do século.
Moveu-me o pressentimento de que o real iria, mais uma vez, ficar aquém do imaginado. Registei apenas a diminuição, pouco expressiva em Braga, da luz e da temperatura.
Imagem: Durante o eclipse do sol de 13 de agosto de 2026. Fotografia por Almerinda Van Der Giezen
Mas o eclipse propiciou outros fenómenos extraordinários. Para os surpreender era preciso afastar os olhos do sol. As fotografias que a Almerinda Van Der Giezen tirou às projeções e às sombras nos cortinados e nas paredes da manifestam-se espetaculares. Desta vez, o real ultrapassa o imaginável. Um efeito, todavia, natural, tal como as fotografias.
“Pinhole” e “efeito estenopeico” são precisamente os termos que explicam aquilo que, à primeira vista, parece quase uma intervenção artística.
As pequenas frestas entre as folhas funcionam como minúsculos orifícios de uma câmara escura e projetam no chão a imagem do Sol eclipsado. Durante um eclipse, isso torna-se particularmente evidente porque cada pequena abertura produz uma réplica da forma do Sol. (Almerinda Van Der Giezen, 14.08.2026)
Não houve, portanto, “visão múltipla”.
Efeitos do eclipse solar de 13 de agosto de 2026. Fotografias por Almerinda Van Der Giezen




Desilusão a conta gotas / Carta de Pierre Bourdieu

Há dias, submetive-me a uma plataforma “administrativa”. Foi complicado provar quem era e de onde vinha. Não o fazia há décadas. Não encontrei nem diploma de doutoramento nem certidão de agregação. A maior parte dos papéis dormiam em caixotes por motivo de obras em casa e não me dispus a acordá-os. Encontrei um certificado do doutoramento e desisti de ser agregado.
Há males que vêm por bem! Tive a fortuna de deparar com uma carta tresmalhada do Pierre Bourdieu, que anexo. Compensou, mas também ensimesmou. Não consegui evitar uma pergunta recorrente:
O que me motivou, em 1982, a regressar a Braga para marinar profissionalmente durante 39 anos numa desilusão a conta gotas?

Convidado em 1981, resisti. Em Paris, tinha emprego, estava a fazer doutoramento e acalentava boas perspetivas.
Em 1982, acabei por seguir as pegadas de centenas de milhares de compatriotas. Mas esta resposta genérica não me satisfaz. Cada um é um caso e existem nadas que fazem grandes diferenças: os tais “efeitos borboleta”. Por exemplo, desamores lá e amizades cá.

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Natureza, Luz e Beleza


Há mais estrelas no céu do que aquelas que conseguimos enxergar. Com uma câmara apropriada, bastante paciência e alguma técnica, o João e o Fernando conseguiram obter esta fotografia do céu da praia Moledo do Minho, na noite 21 de julho de 2026.
Existem também mais estrelinhas na terra do que aquelas que conseguimos abraçar. Com abertura e algum sentido de orientação, encontrei a música da adorável cantora, mult-instrumentista e compositora de origem irlandesa Ajeet.
Imagem: A defumar estrelas
Ajeet é uma artista de world music que entrelaça inspirações que vão do folclore tradicional irlandês a paisagens sonoras místicas e meditativas. A banda reúne músicos da Espanha, da Irlanda e dos Estados Unidos para oferecer uma experiência musical que transcende fronteiras e conduz os ouvintes a uma jornada através da canção. Harmonias sublimes e letras poéticas unem-se à harpa, à percussão africana e latina, ao violão e a instrumentos irlandeses, criando um intercâmbio musical profundamente enraizado na melodia e na textura sonora (…) Com obras que alcançaram o primeiro lugar na parada de World Music do iTunes e o Top 10 da parada New Age da Billboard, a música de Ajeet continua a ser abraçada por comunidades ao redor do mundo. (https://www.youtube.com/@Ajeetmusic/about; consulta em 23.07.2026)

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Bónus do dia:
Capuchinho Vermelho nas Redes Sociais

O lobo estende o tapete vermelho. Aquilo que resta do Capuchinho Vermelho (Charles de Leusse, Respire, 2004).
“É proibido proibir” era uma das palavras de ordem de Maio de 1968. Hoje, sobram poucas dúvidas, porventura, apenas de grau: “É permitido proibir” ou “proibido permitir”? Apontam nesse sentido os artigos Capuchinho vermelho na era digital (21.07.2012) e É proibido proibir (21.07.2015).
Não vem a propósito, mas entre a floresta musgosa da imagem anterior e o labirinto viscoso dos artigos seguintes, aproveito para introduzir os 10 CC no Tendências do Imaginário.
Diagonalização do Poder

Le rire est une bouée de sauvetage / O riso é uma bóia de salvação (Michel Serrault)
Le rire libère l’homme de la peur / O riso liberta o homem do medo (Dario Fo)
O artigo Hierarquias na horizontal, colocado no Tendências do Imaginário no dia 14 de julho de 2018 inspira-se no maneirismo seiscentista. Como diriam os medievais francófonos, é uma drôlerie (gracejo), um sintoma, talvez, de quem tem muito tempo no presente e pouco pela frente.

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Tendências do Imaginário. Avaliação pela IA

Há 7 anos, “quis saber a posição do Tendências do Imaginário no conjunto das páginas da Internet a nível mundial”. Reincido com a ajuda da Inteligência Artificial, que, embora saiba que dispenso adulações, não resiste, por vocação, a tentar-me com o pecado capital da soberba.
Junto com o artigo 1 696 382 páginas na Internet, de 2019, segue o balanço produzido, hoje, pela IA.


![[DisfarçARte] Fotografia por Liu Bolin](https://i0.wp.com/tendimag.com/wp-content/uploads/2026/07/Fotografia-por-Liu-Bolin.jpg?resize=479%2C401&ssl=1)